domingo, 2 de maio de 2010

A catástrofe do petróleo

explosão da plataforma petrolífera no Golfo do México
Conforme noticiado por todos os jornais, uma plataforma perolífera Deepwater Horizon, da empresa suiça Transocean e operada pela British Petroleum, explodiu no Golfo do México, próximo ao Delta do rio Mississippi, no dia 20 de abril e afundou no dia 22, após ficar dois dias em chamas.
11 trabalhadores morreram, e o acidente provocou um vazamento de petróleo gigantesco.

Até quarta-feira, as estimativas eram de cerca de mil barris de petróleo sendo despejados no mar por dia, mas desde então este número subiu para cinco mil barris, ou 800 mil litros de petróleo.

Porém, esse número pode ser muito maior: estimativas citadas pelo The Wall Street Journal calculam que podem estar vazando 25 mil barris de petróleo por dia!

A mancha de óleo já mede mais de 200km e já atingiu a costa da Louisiana.
Os estados do Alabama, Mississippi, Louisiana e Flórida declararam estado de emergência, e o governo dos Estados Unidos declarou o vazamento, nesta quinta (29/04), uma "catástrofe nacional".

A causa da explosão ainda é desconhecida. De acordo com o Último Segundo, um documento anônimo em inglês atribui o desastre a uma falha técnica (óleo ou gás teriam entrado no revestimento da tubulação) associada a erro humano (a tripulação teria demorado para acionar os dispositivos de segurança).
De qualquer forma, o aparelho responsável por cortar o fluxo de petróleo também não funcionou como deveria, e com a destruição da plataforma o oleoduto ligado a ela ficou vazando petróleo.

Até o momento, os esforços para conter o impacto têm sido insuficientes.
Foram utilizados robôs submarinos para tentar fechar os focos de vazamento no oleoduto, sem sucesso. A Guarda Costeira instalou barreiras para tentar impedir que o petróleo chegue à costa, e queimas estão sendo realizadas desde quarta-feira para tentar conter a mancha. As despesas com a limpeza da mancha de óleo estão estimadas em US$ 6 milhões por dia.
A British Petroleum está construindo uma estrutura para conter o vazamento, uma espécie de cúpula gigante (isso me lembra Os Simpsons...). O petróleo se acumularia dentro dela, e seria bombeado para fora, evitando mais vazamento no mar. Hoje, representantes da empresa afirmaram que a estrutura deve estar pronta dentro de uma semana.
Segundo o governo americano, uma solução definitiva deve levar meses.

Enquanto isso, a maré negra continua se espalhando e pode se tornar o pior desastre ecológico da história do país.

Cerca de 40% dos pântanos costeiros do país ficam na região, e esse tipo de ecossistema é muito rico e, por ser relativamente seguro, serve como “berçário” de muitas espécies animais. Uma contaminação por petróleo é mais difícil de ser contida neste ambiente, devido às características da água e do solo e ao emaranhado de vegetação. Também torna-se mais difícil o resgate de animais.

De acordo com o Greenpeace, o mês de abril é temporada de reprodução de peixes, pássaros, tartarugas e outras criaturas marinhas no Golfo do México. “Segundo afirmam pesquisadores, 90% de todas as espécies marinhas do Golfo do México fazem uso das regiões costeiras e dos estuários do Rio Mississipi ao menos uma vez na vida para reprodução”.
Mais de cinco mil espécies de aves migratórias, muitas delas em perigo de extinção, passam pela costa da Louisiana. O Golfo também abriga lontras, tubarões e baleias, como a Cachalote e a Baleia Azul, o maior animal que já existiu no planeta.

baleia azul
Os impactos a curto prazo de um vazamento de petróleo são inúmeros, e os danos ambientais podem ser sentidos durante muito tempo. A região do Alasca que foi afetada em 1989 pelo petroleiro da Exxon Valdez ainda não se recuperou totalmente.

O óleo é hidrofóbico – não se mistura com a água. Por ser menos denso, ele flutua, formando uma camada que bloqueia a penetração da luz solar, impedindo a fotossíntese das algas e fitoplâncton, que são a base da cadeia alimentar dos oceanos.

Os oceanos são a maior fonte de oxigênio para a nossa atmosfera.
A Amazônia é um ecossistema muito importante, mas não é o pulmão do mundo. Estima-se que cerca de 90% do oxigênio presente na atmosfera terrestre seja gerado pela fotossíntese das algas planctônicas.
Por isso, o impacto de desastres ecológicos no oceano pode ser muito maior do que você imagina!

O petróleo também pode obstruir as brânquias dos peixes e os orifícios respiratórios de outros animais marinhos, como tartarugas e golfinhos, impedindo-os de respirar.
Ele se gruda às penas das aves marinhas, tornando-as permeáveis à água e atrapalhando a manutenção do calor corporal, e impedindo as aves de voar. Muitas aves morrem por sufocamento ou hipotermia.
Além disso, a ingestão do óleo tem diversos efeitos tóxicos e pode ser letal. As aves ingerem o petróleo ao tentar limpar suas penas ou ingerir alimento, mas comer alimentos contaminados também pode causar danos à saúde a longo prazo, inclusive em seres humanos.
A decomposição de algas e animais mortos diminui ainda mais o oxigênio na água.
A queima da mancha de petróleo provocará seus próprios problemas ambientais, criando enormes nuvens de fumaça tóxica e deixando resíduos no mar.
ave coberta de petróleo
Voluntário segura uma ave coberta de óleo derramado do navio Prestige, na costa da Galícia, Espanha (Greenpeace).









Em "O custo da energia", fotos da National Geographic Brasil mostram como "paisagens e vidas humanas sofrem com a busca febril por mais combustível"

É impressionante como, apesar de toda a tecnologia que temos para a exploração de petróleo, estamos tão despreparados para lidar com um acidente como este.
Nesses momentos de calamidade nos damos conta de como a nossa relação com os recursos que exploramos é doentia.
Toda a discussão sobre o aquecimento global e o nosso impacto no ambiente não são suficientes para mudarmos de atitude!
Até quando?

Além das atitudes que já deveríamos adotar em nosso dia-a-dia, como reduzir o consumo de combustível, é preciso maior atenção e incentivo a fontes de energia mais limpas e renováveis.
Alguém conhece o Portal das Energias Renováveis? Me deparei com ele hoje, pareceu bem interessante.

E também me deparei com um livro que parece ser leitura básica para entender o mundo: A Tirania do Petróleo. Quero ler!

Fontes:
G1
Estado
Último Segundo
Greenpeace

Um comentário:

Graça disse...

Estamos no dia 4 de junho e o petróleo continua a poluir o mar e destruir o ambiente e os seres. O vazamento sempre foi muito maior do que dizia a empresa. Os jornais continuam dizendo que é a maior catástrofe ambiental dos Estados Unidos, mas o planeta é um organismo único. É um desastre ambiental de todo o mundo.