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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

67 anos da bomba atômica

relógio que parou no momento da explosão da bomba atômica em HiroshimaÀs 8:15 da manhã do dia 6 de agosto de 1945, um grande clarão iluminou e varreu a cidade de Hiroshima, no Japão.
Era Little Boy, a primeira bomba atômica.
A temperatura do ambiente foi de 26 graus centígrados para cerca de 4mil graus.
Cerca de 100.000 homens, mulheres e crianças morreram no momento da explosão. Muitas, literalmente, evaporaram. Outras dezenas de milhares morreram nos meses e anos que se seguiram, em conseqüência de queimaduras e efeitos da radiação. O governo lista um total de 275.230 vítimas fatais.

À direita, um relógio que parou no momento da explosão.

Três dias depois, os americanos lançaram outra bomba atômica, na cidade de Nagazaki.

Eu tinha uns oito anos quando li uma reportagem sobre a bomba de Hiroshima, e fiquei traumatizada.
Era incompreensível - e ainda é! - que alguém fosse capaz de fazer isso com outras pessoas. E era assustador - e ainda é! - que armas assim ainda existam, que genocídios continuem acontecendo, e que o sofrimento de tanta gente seja invisível para tantas outras.

Em 2010, eu tive a oportunidade de passar duas semanas no Japão, e fui a Hiroshima.
Hoje, a cidade-símbolo da destruição da guerra é também um símbolo de paz e de renascimento.

foto aérea de Hiroshima, em julho de 2000
Foto aérea de Hiroshima, em julho de 2000, com a ponte Aioi,
alvo para o lançamento da bomba, ao centro (a ponte em forma de T).
Do site do Museu Memorial da Paz de Hiroshima
(as outras fotos nesta postagem são todas minhas)

Parque da Paz em Hiroshima
Parque da Paz em Hiroshima, com a Chama da Paz ao centro e o Museu Memorial da Paz ao fundo.
Abaixo, detalhe da Chama da Paz


A Chama da Paz foi acesa em agosto de 1964, e permanecerá acesa "até o dia em que todas as armas nucleares forem banidas da Terra" (provavelmente para sempre, apesar do discurso esperançoso que o prefeito de Hiroshima proferiu hoje).

maquete de Hiroshima antes da bombamaquete de Hiroshima depois da bomba
Maquetes do centro de Hiroshima antes e depois da explosão de 1945, no Museu da Paz

Domo da Bomba Atômica de Hiroshima antes da bomba (maquete)Domo da Bomba Atômica de Hiroshima
Detalhe da maquete (à esquerda): o Mercado Municipal (hoje Domo da Bomba Atômica)
À direita, o que sobrou dele

Outros ângulos do Domo:

Domo da Bomba Atômica de HiroshimaDomo da Bomba Atômica de Hiroshima
Domo da Bomba Atômica de HiroshimaDomo da Bomba Atômica de Hiroshimagarça no Domo da Bomba Atômica de Hiroshima

foto de Hiroshima destruída após o lançamento da bomba atômica
Foto de Hiroshima arrasada pela bomba atômica, com o Domo ao centro:
o que até então era uma cidade virou somente escombros

Todos esses prédios, pontes e ruas tinham pessoas que iam para o trabalho, para a escola, brincavam, tomavam café da manhã, esperavam o ônibus... e no instante seguinte não existiam mais, ou seus corpos estavam cobertos de queimaduras. Muitas das vítimas eram adolescentes, que não tiveram aula naquele dia e trabalhavam demolindo algumas casas para evitar que, no caso de um bombardeio, o fogo se espalhasse.
O Museu da Paz exibe objetos pessoais (como roupas queimadas, lancheiras com o conteúdo carbonizado, e relógios parados, como o que está no início desta postagem) e conta a história de algumas dessas milhares de pessoas. Muitos desses objetos e histórias podem ser vistos no site do museu. Um objeto que me impactou, pessoalmente, foi o triciclo de um garotinho de três anos que brincava no quintal de casa no momento da explosão. Ele sofreu queimaduras graves, e morreu três dias depois.

Muitos dos que sobreviveram à bomba adoeceram e morreram muitos anos depois em conseqüência de doenças causadas pela radiação.
Foi o caso da vítima mais famosa da bomba, Sadako Sasaki, que tinha apenas dois anos de idade quando a bomba explodiu. Ela estava dentro de casa com a família e não sofreu ferimentos graves, apesar do impacto da bomba a ter lançado para longe da janela.
Sadako foi diagnosticada com leucemia aos doze anos de idade, e os médicos declararam que ela teria poucos meses de vida.
Segundo uma lenda japonesa, a cegonha ou tsuru vive mil anos e tem o poder de conceder desejos. Quem fizer mil tsurus em origami terá um desejo atendido. (veja aqui como fazer tsurus em origami)
Enquanto estava internada no hospital, Sadako passou a fazer tsurus com a esperança de que, ao completar mil, estaria curada. Segunda uma versão de sua história, ela teria completado os mil pássaros e seguido fazendo mais ao ver que não estava curada. Segundo outra versão, Sadako teria dobrado apenas 644 antes de morrer, em 25 de outubro de 1955, e seus colegas de escola teriam dobrado os 366 tsurus restantes.
Após a sua morte, seus colegas arrecadaram fundos e construíram um monumento no Parque da Paz em homenagem a Sadako e a todas as crianças vítimas da bomba atômica. Na base do monumento, estão gravadas as palavras: "Este é o nosso grito. Esta é a nossa oração. Paz na terra".

Monumento em homenagem a Sadako Sasaki e às crianças vítimas da bomba atômica, no Parque da Paz, Hiroshima
Monumento em homenagem a Sadako Sasaki e às crianças vítimas da bomba atômica, no Parque da Paz, Hiroshima

Sadako Sasaki e o tsuru tornaram-se símbolos da paz conhecidos no mundo inteiro.
O Parque da Paz exibe tsurus enviados por pessoas de vários países:

Tsurus de origami em homenagem às vítimas de HiroshimaTsurus de origami em homenagem às vítimas de Hiroshima
Todos trazem o mesmo desejo: que nunca mais aconteça.

Castelo de Hiroshima A cidade foi reconstruída. Hoje é uma metrópole com mais de um milhão de habitantes, arranha-céus, trânsito e shopping centers.
O rio, que a reportagem que li 20 anos atrás contava estar cheio de cadáveres das pessoas que buscavam alívio para a dor das queimaduras, está hoje cheio de peixinhos e camarões; cheio de vida.
O Castelo de Hiroshima (à direita), ao redor do qual a cidade cresceu, no século XVI, foi reconstruído tal como era antes.
Poderíamos nos esquecer do que aconteceu no dia 6 de outubro de 1945, e pensar que ele sempre esteve lá, imutável.

Mas o Domo e o Parque da Paz não nos deixam esquecer.
É preciso lembrar da luz, do fogo, dos escombros, das crianças. Que o sofrimento daquelas pessoas e de suas famílias nunca seja esquecido, e sirva de lição para a humanidade!



Eu disse acima que a Chama da Paz deve ficar acesa para sempre. Espero que provem que eu estou errada.

Paz!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Passaporte Esperanto

Passaporte Esperanto, ou Pasporto Esperanto, é uma publicação, na forma de folheto frente-e-verso, com o intuito de mostrar como o idioma universal pode abrir as portas para o mundo.

A primeira edição, de fevereiro, conta a história de um casal sul-coreano que viajou pelo mundo, visitando mais de 20 países, graças ao Esperanto.
Foram impressas mais de 5000 cópias, distribuídas gratuitamente.

primeira página da primeira edição do folheto Passaporte Esperantosegunda página da primeira edição do folheto Passaporte Esperanto
Parece que um segundo número já está sendo editado.
Não faltam depoimentos de pessoas que viajaram hospedando-se gratuitamente na casa de esperantistas através do Pasporta Servo.

Além da versão original em português, o folheto já foi traduzido para o Esperanto (claro), inglês, francês, espanhol, catalão e sueco, e versões em húngaro e italiano estão sendo feitas.
(é só clicar nos links dos respectivos idiomas para baixar ou visualizar em pdf)

Renata Ventura, responsável pela publicação, dá aulas de Esperanto.
Interessados, procurem pelo grupo de estudos dela no Google Grupos.

Veja também o site lernu.net, com muito material para estudar sozinho em casa.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Nova York

Faz um tempo que não escrevo, e ainda não abordei um dos temas que estão na descrição do blog: viagens!

Resolvi dar um tempo nas postagens sobre o meio ambiente (mas, se você ainda não assinou, o abaixo-assinado contra a proposta absurda de mudança no Código Florestal encontra-se aqui).
Hoje vou falar de uma viagem que ainda não fiz: em setembro, devo passar dois dias na cidade de Nova York, e talvez o meu planejamento e as minhas pesquisas sejam úteis para outras pessoas pensando em ir para lá também.

mapa de Manhattan - Nova York
Mapa de Manhattan

Nova York é composta por 5 áreas (boroughs), cada uma com vários bairros: Manhattan, Brooklyn, Bronx, Queens e Staten Island.
Como terei pouco tempo de passeio, vou concentrar a visita a Manhattan.

É muito difícil encontrar hospedagem barata em Nova York. Vários impostos e taxas aumentam o preço das diárias - quando for fazer uma reserva, preste atenção se o preço já inclui as taxas, para não ter uma surpresa!
Estou pensando em me hospedar no albergue da Hostelling International (HI). Ele fica localizado no norte do Upper West Side (a oeste do Central Park). Apesar de ser grande, é bastante elogiado por pessoas que já se hospedaram lá, tem passeios organizados, lanchonete, e fica próximo ao metrô e ao Central Park.
Alguns sites que eu gosto de consultar para ver as opiniões dos viajantes a respeito dos albergues e pousadas são o Hostelz, o HostelBookers e o HostelWorld. Os dois últimos têm versões em português.
Para quem nunca se hospedou em albergues, eu recomendo escolher um da associação HI, pois eles têm um padrão de qualidade a seguir. Eles costumam ser maiores e mais impessoais do que os albergues independentes (que podem ser muito mais marcantes e melhores para fazer amizades), mas a qualidade destes pode variar muito.


Voltando a Nova York...

Dá para transitar pelos cinco boroughs utilizando o metrô. Porém, enquanto várias linhas fazem o trajeto Norte-Sul, poucas cruzam a cidade em sentido Leste-Oeste.
Ônibus resolvem este problema. Em Manhattan, os ônibus começam com M. No Queens, começam com Q, e assim por diante.
Para passear bastante, compensa comprar o Metrocard, que é válido nos dois transportes.

Ah, há dois tipos de trens no metrô: locais (param em todas as estações) e expressos (mais rápidos, param em menos estações). Os mapas do metrô indicam as paradas distintas (é bom prestar atenção ao tipo da parada próxima a onde você está hospedado. O albergue da HI, por exemplo, fica perto de uma estação onde só param trens locais).


O itinerário que planejei é o seguinte:

Primeiro dia:
- Após deixar a mochila no albergue, pegar o metrô lá para a ponta Sul da ilha.
- Ferry p/ Staten Island pra ver a Estátua da Liberdade (é de graça e o trajeto ida e volta leva menos de uma hora. Se você quiser ir até a estátua e subir nela, vai ter que pagar e reservar metade do dia para enfrentar as filas)
- Wall Street (dá pra ir andando)
- South Street Seaport (parece que tem um ônibus gratuito entre Wall Street e esse porto, onde fica o Pier 17, que foi transformado em uma espécie de shopping center descolado com uma bela vista da cidade e da ponte do Brooklyn. Lá também tem um guichê da TKTS, onde dá para comprar ingressos para shows da Broadway no dia por preços mais em conta - mas nem sempre sobram ingressos para os shows mais famosos)
- Pegar o metrô até o Brooklyn e voltar caminhando pela ponte (dizem que é uma vista maravilhosa)
No Brooklyn, pertinho da ponte, tem uma pizzaria chamada Grimaldi's que algumas pessoas consideram a melhor pizza da cidade, talvez eu almoce lá. Nos finais de semana, entretanto, tem filas quilométricas e risco de uma hora de espera.
- Caminhar pelos arredores da Quinta Avenida (onde estão diversas atrações, como o Empire State, a Biblioteca Pública, a estação Grand Central, e muitas lojas caras)
- Talvez subir no Top of the Rock, no Rockfeller Center (custa por volta de 20 dólares, o mesmo preço do Empire State, mas a vista é mais bonita - dá para ver o Empire State e o Central Park - e tem menos filas e multidões)
- Times Square e, talvez, um show na Broadway

Ponte do Brooklyn (Flickr)

Segundo dia:
- Riverside Park (parque à beira do rio Hudson, perto do albergue, onde há uma marina)
- Museu de História Natural
- The Dakota (prédio em frente ao Central Park onde morou John Lennon, e onde ele foi assassinado. Yoko Ono ainda mora lá).
- Central Park (piquenique!)
- caminhar pelos bairros de Greenwich Village, TriBeCa e Soho
- (a depender do horário) Columbia University e Catedral St John the Divine (são próximas do albergue; esta catedral, ainda em construção, é a maior catedral gótica do mundo)
- (a depender do preço e se eu tiver companhia) Apollo Theater, no Harlem (é dia de Amateur Nights)

Compras
Como meu tempo e dinheiro são limitados, não pretendo comprar nada. Mas sei que muitas pessoas vão a Nova York para fazer compras, então aqui estão algumas lojas e sites que podem interessar:
- Imortalizada no filme Bonequinha de Luxo, a loja de jóias Tiffany's (Tiffany & Co.) fica na Quinta Avenida. Não é para o bolso de qualquer um!
- A Macy's (cenário do filme de natal Milagre na Rua 34) fica... surpresa! Na rua 34 (o Empire State fica na esquina da 34 com a Quinta Avenida). É a maior loja de departamentos do mundo.
- Para comprar bolsas genéricas (iguaizinhas às de grife), o local é Chinatown.
- Brinquedos: a FAO Schwartz (onde Tom Hanks toca um piano com os pés em Quero Ser Grande) e a American Girl Palace (bonecas e tudo para e relacionado a bonecas, para enlouquecer as meninas) ficam na Quinta Avenida, e a Toys R´Us (que tem até um tiranossauro dentro) fica na Broadway, perto da Times Square. As três lojas são imeeensas.
- Outlet: o mais famoso é o Woodbury, que fica a 50min. de Manhattan e vende de roupas a eletrônicos. Tem vários tours que levam gente para lá, alguns específicos para brasileiros.
- Jack’s World ([quase] tudo por 99 cents, até comida)
- Foto e vídeo: a BH é o lugar! Dá até para comprar pela internet, tem site em português e uma linha de telefone especial para atender brasileiros. A loja fecha aos sábados, segundo os costumes judaicos.
- Este site tem uma lista enorme de lojas.

"Comidas" típicas
comidas típicas de Nova York Já citei a pizzaria Grimaldi's, que dizem ser a melhor pizzaria da cidade.
Típico de Nova York é, também, o bagel, um pãozinho em forma de rosca, e um dos locais mais recomendados para experimentar chama-se H & H Bagels (fica na 80th Street com a Broadway, no Upper West Side). Dizem que na lanchonete do albergue também são muito bons.
Cachorro-quente é outra comida associada a Nova York. Lá eles são servidos simples, so pão e salsicha com mostarda e talvez um ou outro molho a mais. Além de serem vendidos em carrinhos espalhados por toda a cidade, alguns dos mais famosos são o do Nathan's e o do Gray's Papaya (com vários endereços).
Por fim, segundo pesquisei por sites e blogs, o cheesecake considerado o melhor parece ser o servido na padaria Two Little Red Hens ("duas galinhazinhas vermelhas"), no Upper East Side (dá para ir andando da região dos museus, perto do Central Park, até lá).

Outras informações úteis
- Em setembro, o fuso horário em Nova York é uma hora a menos em relação a Brasília, pois eles estão em horário de verão. Em outras épocas pode ser duas ou três horas a menos.
- O vôo entre São Paulo e Nova York dura umas 9 horas.
- O Consulado Brasileiro fica na Avenida das Américas (Sexta Avenida), número 1185, 21 andar, cep 10036-2601. Tel: 917 777 7777 | fax: 212 827 0225 | email: consulado@brazilny.org
- O horário comercial geralmente vai das 9 às 17hs, e a hora do rush (quando se deve procurar evitar o transporte público) vai das 8 às 10hs, das 11h30 às 13h30 e das 16h30 às 18h30.
- Devido à segurança reforçada, os aeroportos estão recomendando chegar com 3 horas de antecedência para vôos locais e de 4 horas para os internacionais.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Saudades!

fitinhas do Bonfim
Vendo as fotos, parece que foi ontem.
Muitas saudades!

Tá, agora eu juro que vou dormir!