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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Russomano prefeito? Nãããããããão!

Ele não tem plano de governo! (como assim?!?)
Ele tentou derrubar o projeto Ficha Limpa!
Em sua curta carreira política, já passou por quatro partidos!
Responde a processos de falsidade ideológica, corrupção, peculato, agressão física e exercício ilegal da profissão de advogado!
É acusado de não ter honrado o contrato de compra da casa onde morava, no valor de 300 mil dólares em 1994, e de ameaçar de MORTE a família prejudicada caso o caso se tornasse público!
Filmou a própria mulher morrendo ao invés de socorrê-la e, com esse vídeo, deslanchou a carreira de "repórter"!

E está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto?!?
ACORDA, SÃO PAULO!

As imagens abaixo estão circulando pelo Facebook. Compartilhe!

o candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomano é mentiroso e corrupto

Celso Russomano levou família à Disney com dinheiro público

Celso Russomano acusado do crime de falsidade ideológico

Leia também:
- 33 Verdades sobre um grande mentiroso ou 33 Razões para não votar no Russomano
- "As duas faces do Celso Russomanno que eu conheci em 1992"
- Celso Russomanno não é um candidato de muito currículo, mas tem história…


*~*~*~*~*~*~*~*~*
Em quem eu vou votar nessas eleições?
Fernando Haddad, 13!
Não é perfeito, mas é um candidato íntegro, com um bom plano de governo, e que não tem fugido dos debates (ao contrário de Serra e Russomano!)
O voto em qualquer outro candidato só aumenta as chances de Serra e Russomano no segundo turno. E, nesse caso, acho que eu teria que trair os meus princípios e votar nulo pela primeira vez. Espero não precisar...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Voto nulo

Sei que tenho muitos amigos que discordam, mas esta é a minha opinião:

voto nulo não serve pra nada

Na verdade, o voto nulo pode ser ainda pior que isso.
Mesmo que nenhum dos candidatos seja o ideal, mesmo que todos sejam ruins, sempre haverá um pior, que representa o interesse de uns poucos em detrimento da maioria da sociedade, e pode ter certeza de que esses poucos não vão anular o seu voto.
Se os eleitores mais preocupados com o bem comum anularem seus votos, só os piores políticos serão eleitos!

Voto nulo, não!
Voto consciente, sim!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

terça-feira, 13 de março de 2012

Atenção, candidatos: essa é a São Paulo que queremos!

Está rolando no Facebook:

quero São Paulo verde
Os candidatos a prefeito bem que podiam ver esta imagem e tê-la como meta para daqui a 20, 30 anos...

quinta-feira, 1 de março de 2012

José Serra 2012: já começou mentindo

O mesmo José Serra (PSDB/SP) que acaba de lançar-se candidato a prefeito afirmou categoricamente que não tinha interesse em concorrer à prefeitura de São Paulo, no dia 25 de fevereiro de 2011, na Rádio Jovem Pan.

Não apenas negou, como desdenhou o cargo, deixando claro (caso ainda não estivesse) que, para ele, a prefeitura é apenas um trampolim para cargos mais altos - a presidência, em 2014.



Mentiras, aliás, não faltam no currículo de Serra.
Nas eleições de 2004 ele assinou um documento, registrado em cartório, prometendo que, caso fosse eleito prefeito, não abandonaria o cargo para concorrer em 2006.

O que aconteceu? Ele abandonou a prefeitura após 1 ano e 3 meses de mandato!

José Serra mentiu: promessa registrada em cartório de que não abandonaria o cargo de prefeito
Lembram??

Será que os paulistanos ainda têm coragem de votar nesse cara de pau?
Não bastam os escândalos relatados no livro A Privataria Tucana (há meses entre os livros mais vendidos no país)?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

"Pacote de bondades" pré-eleitoral de Kassab

Julia Duailibi para o Estadão, 31 de agosto de 2011
Kassab cria agenda positiva rumo a 2012

Desgastado pelas articulações para criar o PSD, prefeito vai abrir o cofre municipal e lançar medidas de impacto, como fez na campanha de 2008

o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab fazendo o sinal da vitória
Orientado por pesquisas de opinião pública, o prefeito paulistano Gilberto Kassab criou uma agenda positiva de governo, principal aposta para recuperar a popularidade na capital paulista, desgastada pela tentativa de viabilizar o seu novo partido, o PSD.

No último mês, Kassab lançou iniciativas de repercussão, algumas com impacto direto no bolso do eleitor. Com R$ 7,1 bilhões em caixa, pretende promover tradicionais investimentos de ano eleitoral, como recapeamento e plantio de flores. Para a oposição e entidade de acompanhamento das gestões municipais, trata-se de maquiagem eleitoral.

Kassab confirmou ontem que quer diminuir a taxa de inspeção veicular, de R$ 61,98 para R$ 49,30, conforme antecipou o Estado. Disse ser "justo" o valor de R$ 49,30. Em janeiro, no entanto, o valor foi reajustado de R$ 56,44 para os R$ 61,98. O prefeito quer viabilizar neste ano projeto do PT que cria bolsa de R$ 272 a 147 mil famílias sem vaga em creche da rede pública.

Nesta semana, ainda na esteira das ações positivas, acatou recomendação de aliados e vetou a criação do Dia do Orgulho Hétero e surfou na ação da Corregedoria Municipal que descobriu fraudes de R$ 50 milhões promovidas por construtoras.

Para emplacar seu candidato em 2012 - a aposta hoje é o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge -, Kassab tem de melhorar a avaliação do governo. Pesquisas internas apontam um terço de bom e ótimo e um quarto de ruim e péssimo. E o eleitor que o elegeu - paulistano do centro expandido da cidade e, no geral, antipetista - mostra má vontade. Avalia que o prefeito trocou a capital pela política.

As ações de "ordenamento" buscam esse eleitorado. O projeto de maior interesse do governo na Câmara Municipal é o do mobiliário urbano, que concede a empresas a exploração publicitária em pontos de ônibus e relógios em troca de reformas.

O prefeito reedita a estratégia vitoriosa de 2008. Desconhecido do eleitor, mas com dinheiro em caixa, apostou em ações de impacto e reverteu a popularidade derrubada pelas enchentes.

"Kassab não cumpriu suas promessas e, agora, vai tentar maquiar a cidade e enganar o eleitor paulistano", diz o presidente municipal do PT, Antonio Donato.

Levantamento do Movimento Nossa São Paulo com base em dados oficiais mostra que, das 223 metas propostas para a cidade até 2012, só 35 foram cumpridas. "Há uma corrida para acelerar projetos e anunciar medidas que não são prioridade", avalia o coordenador executivo da ONG, Maurício Broinizi.

Para o vereador tucano Floriano Pesaro, "o tempo joga contra eventual uso eleitoral dos projetos". "Não dá tempo para isso."

PACOTE DE BONDADES PRÉ-ELEITORAL

Proteção ao Pedestre
Em busca de marca no segundo mandato, Kassab lançou campanha de defesa dos transeuntes

Bolsa Creche
Kassab encampou o projeto do PT que prevê bolsa de R$ 272 a mães cujos filhos não têm vaga em creches da rede pública

Inspeção Veicular
Passa de R$ 61,98 para R$ 49,30

Projeto Florir
Investimento de R$ 16 milhões para revitalizar 594 praças

Corrupção
Ação contra construtoras que causaram desvios de R$ 50 mi

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Prefeitura de São Paulo quer nos convencer de que é "verde"

Não sei como a Prefeitura de São Paulo não sente vergonha de veicular um anúncio destes (eu sinto!):

anúncio da Prefeitura de São Paulo veiculado na edição 648 da revista Carta Capital
"São Paulo é cheia de atrações, mas o que fez a cidade ser escolhida para sediar
o 4º Climate Summit foi o seu cuidado com o meio ambiente"

(Anúncio da Prefeitura de São Paulo veiculado na edição 648 da revista Carta Capital)

Claro! É só olhar para o horizonte colorido em belos tons de cinza e marrom ou passar perto do nosso perfumado rio para ver o quanto São Paulo cuida do meio ambiente!
[/sarcasmo]

Desde domingo, minha rinite (com a qual eu pensava estar acostumada) está me deixando louca!

E, enquanto nosso digníssimo prefeito libera "ciclofaixas de lazer" (só aos domingos, veja bem!) e planta arvorezinhas uma arvorezinha no Dia da Terra, o transporte público vai mal, cerca de mil novos carros entram em circulação a cada dia (e isto é comemorado!), e os jornais publicam notícias do tipo:

Kassab descumpre sua própria lei do clima
A gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) desrespeita a legislação ambiental que ela mesma criou há dois anos. A lei de Mudanças Climáticas do município exigia que em junho de 2011 os 96 distritos da cidade tivessem pelo menos um ecoponto, local de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho. E que a coleta seletiva virasse obrigatória em toda a cidade. Porém, há apenas 42 ecopontos em funcionamento. Só as pequenas obras na capital devem produzir 12 mil toneladas de resíduos todos os dias. Deste total, apenas 5.200 chegam aos aterros oficiais do município. No que se refere à coleta seletiva, a gestão Kassab capta de forma voluntária apenas 155 toneladas diárias de resíduos para reaproveitamento. Essa quantia representa menos de 1% das 17 mil toneladas de lixo produzidas diariamente em São Paulo
FSP, 27/7, Cotidiano, p.C4.

Promessas verdes
"Em meados de 2009, a gestão do prefeito Gilberto Kassab aprovou na Câmara Municipal de São Paulo a Lei de Mudanças Climáticas. De acordo com ela, o governo da cidade passava a assumir uma série de compromissos na área ambiental. Passados dois anos, à luz dos resultados obtidos, o saldo não é nada positivo. A prefeitura está em dívida flagrante com a legislação que ela própria criou. A não ser que se tome o documento como peça de ficção, ou como gesto inconsequente de adesão à onda verde que varre o planeta, o mínimo que se pode dizer é que a iniciativa da prefeitura foi tratada de forma leviana por seus autores. É mais preocupante quando se sabe que o secretário do Meio Ambiente da atual gestão, Eduardo Jorge, do PV, desponta como nome preferido do prefeito para concorrer à sua sucessão"
editorial - FSP, 28/7, Editoriais, p.A2.

Nova Marginal fica sem verde, tecnologia e acessibilidade
O complexo da Nova Marginal do Tietê, em São Paulo, foi concluído ontem com a inauguração da Ponte Estaiada Governador Orestes Quércia, mas sem a tecnologia prometida. A construção também não respeita as exigências ambientais previstas, como deixar a via mais verde ou melhorar a vida de quem anda ali a pé ou de bicicleta. Mesmo assim, o investimento na Nova Marginal já chega a R$ 1,75 bilhão, 75% a mais do que o orçado inicialmente. O projeto foi lançado em junho de 2009 pelo então governador José Serra (PSDB). Outras promessas também ficaram no papel. O projeto desrespeita exigências feitas pelo município para a obtenção da licença de instalação, como a criação de barreiras acústicas para diminuir o ruído perto de escolas, hospitais e residências
OESP, 28/7, Metrópole, p.C1 e C3.

Gestão Kassab recicla menos de 1% dos resíduos de São Paulo
O governo de São Paulo regulamentou, em 2010, a lei de Mudanças Climáticas. As metas principais eram criar ecopontos, para os 96 distritos da cidade, e tornar a coleta seletiva obrigatória. No entanto, os resultados atuais mostram que a gestão Kassab não prioriza a legislação ambiental. Na prática, nenhuma das metas estipuladas para junho de 2011 foram cumpridas. Um dos objetivos era que cada um dos 96 distritos da cidade tivessem, no mínimo, um ecoponto. Porém, há apenas 42 ecopontos em funcionamento.
Os aterros oficiais do município recebem diariamente 5.200 toneladas de lixo, mas o número de resíduos produzidos diariamente é muito maior, de forma que predominam na cidade a criação de depósitos ilegais de entulhos. Há, pelo menos, 1.500 pontos de depósitos não autorizados em todo o território paulistano. Em relação à coleta seletiva, a negligência também é preocupante. A cidade de São Paulo recicla menos de 1% das 17 mil toneladas de lixo produzidas. Apenas 155 toneladas de resíduos são reaproveitadas diariamente.
Redação CicloVivo, 28/7

sábado, 1 de janeiro de 2011

Íntegra do discurso de posse de Dilma no Congresso Nacional

Em 40 minutos, Dilma falou sobre os planos de governo em diversas áreas, salientando a erradicação da miséria
"Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte."
a educação
"vamos ajudar os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré-escolas (...) No ensino médio, além do aumento do investimento público vamos estender a vitoriosa experiência do ProUni para o ensino médio profissionalizante (...) Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso dos professores e da sociedade com a educação das crianças e dos jovens"
o pré-sal
"O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no pré-sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente"
o ambiente
"Considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente, sem destruir o meio ambiente (...) Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa (...) O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e de suas imensas florestas (...) Mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais. Defender o equilíbrio ambiental do planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais."
e a paz mundial
"nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo. O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo (...) Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional."

Diversas vezes, foi interrompida por aplausos, e emocionou-se (e a muitos brasileiros) ao mencionar os companheiros de sua geração que, como ela, entregaram a "juventude ao sonho de um país justo e democrático", e que tombaram pelo caminho.

Foi um ótimo discurso!
Assista e leia abaixo o primeiro discurso de Dilma como Presidenta:


"Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.

Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão.

Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação.

Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha de sua imensa energia.

E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à presidência um homem do povo, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.

Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres, também possam, no futuro, ser presidenta; e para que - no dia de hoje - todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher.

Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos!

Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este país já viveu.

Venho para consolidar a obra transformadora do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao país, ao seu lado, nestes últimos anos.

De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do seu País.

A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixou para todos nós.

Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da história.

Minha missão agora é de consolidar esta passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades.

Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do Presidente Lula nestes oito anos: nosso querido Vice José Alencar. Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá este homem!! E que parceria fizeram o presidente Lula e o vice-presidente José Alencar, pelo Brasil e pelo nosso povo!!

Eu e Michel Temer nos sentimos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.

Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, ao seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje.

Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados; nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do FMI, ao mesmo tempo em que superamos nossa dívida externa.

Reduzimos, sobretudo, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média.

Mas, em um país com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar novas soluções.

Só assim poderemos garantir, aos que melhoraram de vida, que eles podem alcançar mais; e provar, aos que ainda lutam para sair da miséria, que eles podem, com a ajuda do governo e de toda sociedade, mudar de patamar.

Que podemos ser, de fato, uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo - um país de classe média sólida e empreendedora.

Uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade institucional.

Queridos brasileiros e queridas brasileiras, para enfrentar estes grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui.

Mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores.

Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma política com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.

Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade de preços e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo de nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.

É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.

Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.

O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso país. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.

Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um país continental, sustentando a vibrante economia do nordeste, preservando e respeitando a biodiversidade da Amazônia no norte, dando condições à extraordinária produção agrícola do centro-oeste, a força industrial do sudeste e a pujança e o espírito de pioneirismo do sul.

É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar, ainda mais e melhor, a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.

No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Este é um passo, decisivo e irrevogável, para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população.

É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovada, efetiva e integrada dos governos federal, estaduais e municipais, em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança, vontade expressa das famílias brasileiras.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros, a luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.

Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula. Mas, ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido.

Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir!

Esta não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e de das pessoas de bem.

A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações.

É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e do desenvolvimento regional.

Isso significa - reitero - manter a estabilidade econômica como valor absoluto. Já faz parte de nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.

Continuaremos fortalecendo nossas reservas para garantir o equilíbrio das contas externas. Atuaremos decididamente nos fóruns multilaterais na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o país da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos.

Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.

Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público. O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública. Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.

Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.

Através do Programa de Aceleração do Crescimento e do Minha Casa Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos ministérios.

O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos estados e municípios. Será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.

Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida, em todas as regiões envolvidas.

Este princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas. Mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso deste meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros, junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança.

Nas últimas duas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental. Porém é preciso melhorar sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio.

Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré escolas.

No ensino médio, além do aumento do investimento publico vamos estender a vitoriosa experiência do PROUNI para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.

Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens.

Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros, consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo.

Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro.

Quero ser a presidenta que consolidou o SUS, tornando-o um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo.

O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura, com uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde.

Vou usar a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário.

Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS.

A formação e a presença de profissionais de saúde adequadamente distribuídos em todas as regiões do país será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros, a ação integrada de todos os níveis de governo e a participação da sociedade é o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.

Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas, em forte parceria com Estados e Municípios.

O estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de governo, incluindo - quando necessário - a participação decisiva das Forças Armadas.

O êxito desta experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento de jovens.

Buscaremos também uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente.

Reitero meu compromisso de agir no combate as drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra nossa juventude e infelicita as famílias.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros, o Pré-Sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental.

A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.

O grande agente desta política é a Petrobrás, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética.

O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no Pré Sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

Meus queridos brasileiros e brasileiras, muita coisa melhorou em nosso país, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era. O despertar de um novo Brasil.

Recorro a um poeta da minha terra: "o que tem de ser, tem muita força".

Pela primeira vez o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser, uma nação desenvolvida. Uma nação com a marca inerente da cultura e do estilo brasileiros - o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância.

Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e a matriz energética mais limpa do mundo, permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.

O mundo vive num ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática.

Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais. Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e a inovação como instrumento da produtividade.

Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.

Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação da nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo.

Em suma: temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar investindo fortemente nas áreas mais sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural.

Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade, devem ser, mais que nunca, conceitos vivos no dia-a-dia da nação.

Queridos brasileiros e queridas brasileiras, considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente, sem destruir o meio ambiente.

Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um país que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada.

O etanol e as fontes de energia hídricas terão grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, a eólica e a solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e das florestas.

Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais. Mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais.

Defender o equilíbrio ambiental do planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.

Meus queridos brasileiros e brasileiras, nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo.

O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo.

Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos; com nossos irmãos da América Latina e do Caribe; com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Europeia.

Vamos dar grande atenção aos países emergentes.

O Brasil reitera, com veemência e firmeza, a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao de nosso continente.

Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à UNASUL. Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional, com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais.

Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional.

Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros, disse, no início deste discurso, que eu governarei para todos os brasileiros e brasileiras. E vou fazê-lo.

Mas é importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ele hoje. Do tamanho da participação de todos e de cada um:

Dos movimentos sociais,

dos que labutam no campo,

dos profissionais liberais,

dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores,

dos intelectuais,

dos servidores públicos,

dos empresários,

das mulheres,

dos negros, dos índios e dos jovens,

de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.

Quero estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, na seca nordestina, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas.

Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas; no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil.

Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso país.

Respeitada a autonomia dos poderes e o princípio federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário, e com a parceria de governadores e prefeitos para continuarmos desenvolvendo nosso País, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia.

Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião.

Reafirmo que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio e a censura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos, no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos.

O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação.

Eu e meu vice Michel Temer fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao país serão os critérios fundamentais.

Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição e as parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos.

Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para aturem com firmeza e autonomia.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros, dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor.

Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.

Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"

É com esta coragem que vou governar o Brasil. Mas mulher não é só coragem. É carinho também. Carinho que dedico a minha filha e ao meu neto. Carinho com que abraço a minha mãe que me acompanha e me abençoa.

É com este mesmo carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele - só a ele - dedicar os próximos anos da minha vida.

Que Deus abençoe o Brasil!

Que Deus abençoe a todos nós!"

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Povo escolheu

Dilma vitoriosaÍntegra do pronunciamento de Dilma após os resultados das eleições (fonte: Tijolaço):

Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui.

Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.

Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.

Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.

Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.

Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.

Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.

O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.

É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.

A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.

Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.

Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.

Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.

Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.

Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde.
Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.

Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos.

Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade.

É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa.

Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.

Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.

Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.

Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.

Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.

Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.

Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união.

União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.

Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

E essa, agora!

Escrevo o que espero ser minha última postagem sobre os candidatos às eleições presidenciais.
Mas isso vai depender, ainda podem surgir muitas baixarias nas próximas 48 horas (é muito provável o PSDB colocar camiseta do PT em militantes e forjar um crime qualquer, como alertou a filósofa e historiadora Marilena Chauí. Já aconteceu antes!)

Hoje, o candidato da oposição conseguiu superar minhas expectativas!
Depois de tantas mentiras e tantas demonstrações de racismo, homofobia, preconceito de classe, e desrespeito à pluralidade religiosa, Serra agora promove a prostituição eleitoral!

Como qualquer pessoa que utilize o twitter deve ter ficado sabendo, Serra teve a infelicidade de pedir às suas eleitoras de Uberlândia que consigam votos para ele em troca de favores sexuais!
"Se você é uma menina bonita, tem que conseguir 15 votos. Pegue a lista de pretendentes e mande um e-mail. Fale que quem votar em mim tem mais chance com você".

Pode ter sido apenas uma piada (de mau gosto), mas pegou muito mal (como ficou evidente quando a tag #serracafetao ficou em primeiro lugar nos Trending Topics do twitter brasileiro, e em terceiro no ranking mundial).
Ele conseguiu ofender as mulheres e os homens ao mesmo tempo.
Se eu fosse marqueteira dele, já teria me demitido.

Serra Cafetão
(montagem de Serra com Rita Cadillac do blog Quanto Tempo Dura?)


Para Serra, mulher tem que ser objeto e parideira.
Para mim, mulher tem que ser presidente!

Corrupção e roubalheiras

Para quem ainda diz que vai votar no PSDB porque ele é um partido "ético" e acha que "nunca se roubou tanto" quanto no governo do PT:

Homofobia = CRIME!!!

Na última sexta-feira, dia 22 de outubro, um aluno de biologia da USP e seu namorado, estudante de arquitetura, foram vítimas de agressão gratuita, verbal e física, em uma festa da ECA, diante de negligência por parte dos seguranças da festa.

O relato desse absurdo pode ser lido aqui.

Enquanto isso, O candidato José Serra promete, em convenção na Assembléia de Deus, vetar a Lei da Homofobia.

Para aqueles que não querem que cenas como essa se repitam... é bom saber com quem não contar.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Parabéns, Lula!

Hoje, nosso Presidente completa 65 anos de idade.

Certamente, seu mandato não foi perfeito.
Mas foi o melhor período até hoje na História do Brasil.

Em homenagem a este homem que, ao fim do seu mandato, tem mais de 80% de aprovação da população brasileira, um vídeo com cenas de sua posse em 2002 e de Gilberto Gil, Djavan e Chico Buarque cantando o jingle "Lula-lá" em 1989.



Vamos dar mais um presente a ele no próximo domingo!
É Dilma-lá em 2010!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

PetroBrax - duvida??

Encontrei no blog Tijolaço:

FHC transforma Petrobrás em PetroBrax em 2000 Folha

Para quem ainda acha que a mudança do nome Petrobrás para PetroBrax é uma lenda, taí na Folha do dia 17 de dezembro do ano 2000.
Durou poucos dias, porque todo mundo reclamou. Alguém duvida que o PSDB_DEMente tente de novo?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PV e Dilma

Enquanto, por aqui, Marina Silva (PV) afirma que Dilma aderiu mais às suas propostas do que Serra, o Partido Verde francês declara apoio a Dilma em carta assinada, também, por membros do PV de outros países europeus como Alemanha, Itália e Bélgica.

O documento fala da luta de Marina pelas causas ambientais e de sua participação nas eleições, e pede que "não permitamos que o voto libertário em Marina Silva paradoxalmente se transforme em uma catástrofe para as mulheres, para os direitos humanos e para os direitos da natureza!". Também é criticada a campanha da oposição, pautada em boatos e baixarias.

Me causa vergonha que meu país tenha deixado Serra chegar tão longe, e gostaria de assinar a carta, também.

Leia abaixo a carta, na íntegra (segundo o siteOpera Mundi):

A candidatura de Marina Silva trouxe para o eleitorado de Dilma, a pupila de Lula, a grande surpresa do primeiro turno. É preciso saudar a novidade que representa a candidatura de Marina Silva que já lutava, desde o período de sete anos em que foi ministra do governo Lula, para fazer entrar verdadeiramente as questões ecológicas na pauta de preocupações do governo brasileiro de esquerda. Com sua presença no escrutínio, a diversidade de lutas sociais, de todas as minorias sexuais, religiosas) encontrou uma voz.

O placar de 19% do total de votos para uma candidata independente, sem apoio de partidos poderosos, representa a segunda grande surpresa. Ele prova que o Brasil se transforma muito mais profundamente do que apenas no plano do crescimento econômico. Para a democracia e a cultura, este já é um passo considerável.

Na América Latina, da Colômbia ao Chile, e agora também no Brasil, para além dos diferentes contextos, as questões ecológicas entram definitivamente na pauta das eleições presidenciais, o que não é mais o caso na Europa. O Brasil é a sétima potência mundial. Nenhum europeu em sã consciência pode se desinteressar pelo que está em jogo para os destinos ecológicos e sociais do planeta.

Esta é a razão pela qual desejamos, através deste manifesto, expressar nossa inquietação. A batalha do segundo turno se anuncia bastante cerrada e, algo impensável até ontem, uma vitória da direita não está mais excluída. Na configuração de hoje, o partido verde está longe de ter a dimensão popular de Marina Silva. Algumas personalidades como Gilberto Gil, ele mesmo afiliado a este partido, conclamam a que se vote em Dilma sem ambiguidade. E nós compartilhamos desta posição. Prestemos bastante atenção ao seguinte: José Serra não é um social democrata de centro. Por trás dele, a direita brasileira vem mobilizando tudo o que há de pior em nossas sociedades: preconceitos sexistas, machistas e homofóbicos, junto com interesses econômicos os mais escusos e míopes. A direita sai do porão.

Contra as mulheres, as facções mais reacionárias das igrejas cristãs - incluindo aquela da mulher do candidato da direita que declarou publicamente que Dilma quer assassinar criancinhas - acusam a candidata de ser favorável ao aborto, mesmo que esta questão não faça parte de seu programa de governo, tampouco do programa do Partido dos Trabalhadores.

Contra os homossexuais: o vice de Serra sustenta um discurso abertamente sexista e homofóbico.

Contra os pobres: acusados de votar na esquerda por ignorância.

A esta panóplia, bem conhecida em toda parte, vem se juntar uma criminilização particularmente ignóbil por parte da direita das lutas de resistência contra a ditadura. Dilma tem sido alvo de campanhas anônimas na internet que acusam de terrorismo e de bandidagem por ter participado na luta contra o regime militar, ela que foi por este motivo presa e barbaramente torturada.

A mobilização da direita está completamente ligada aos interesses do agro-negócio, um vínculo sobre o qual o governo Lula tem sido ambíguo em alguns momentos. No entanto, uma vitória da direita representaria o triunfo do complexo agro-industrial e dos céticos em matéria de aquecimento global. Seria uma guinada à direita em direção à revisão do estatuto da floresta que começou a limitar a devastação na Amazônia e no Mato Grosso, e no asseguramento dos direitos indígenas sobre suas reservas, que no ano passado obtiveram uma importante vitória (Raposa Serra do Sol) referendada pela Corte Suprema do país, que reconheceu esses direitos. Vinte e duas reservas indígenas podem seguir este caminho de enfrentamento com o agro negócio da soja e do arroz transgênico.

Não permitamos que o voto libertário em Marina Silva paradoxalmente se transforme em uma catástrofe para as mulheres, para os direitos humanos e para os direitos da natureza!

No plano internacional, os aspectos mais inovadores da política Sul-Sul de Lula (certamente pelo fato de seu apoio a Ahamdinejad), seriam condenados ao ostracismo com um realinhamento com os Estados Unidos. Além de representar uma alternativa à fixação estéril em uma política de confronto entre Estados Unidos e China, esta política Sul-Sul se opõe às estratégias dos países do Norte de multiplicar as medidas de defesa dos direitos da propriedade intelectual em detrimento do acesso aos saberes, à internet (especialmente no âmbito da ACTA).

Marina Silva recusou-se a manifestar apoio ao voto em Dilma. Pode-se compreender que seja um pouco difícil para ela se alinhar imediatamente com Dilma, com quem ela entrou em conflito enquanto no governo, e neste momento ela luta para evitar o alinhamento do partido verde com a direita, apesar da campanha virulenta contra ela por parte do PT.

Com efeito, os ecologistas estão travando, não só na Europa, como em vários países do mundo, um sério debate com os socialistas sobre a questão nuclear, sobre a OMC e o produtivismo agrícola e industrial, bem como o problema do aquecimento climático. No Brasil, agrega-se a todas essas questões uma dimensão - amplificada por sua urgência crucial - da luta contra as desigualdades. Pode-se compreender,portanto, a reserva de alguns ambientalistas em se alinharem com a candidata da esquerda.

Mas nossa experiência como força política e de oposição e governo na Europa nos permite afirmar a nossos companheiros brasileiros que, nas atuais circunstâncias do Brasil, a ancoragem na esquerda é a única possibilidade real de fazer avançar a causa ecológica: já vimos no que se tornou a ’Grenelle" - Ministério do Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável, Energia e Transportes - na França com a direita.

Quanto às mulheres, às minorias étnicas, religiosas, sexuais, elas sabem aonde têm que se bater. A xenofobia, o racismo, a mobilização reacionária da religião são os perigosos instrumentos que a direita populista utiliza alegremente na Europa. É impossível acreditar que a esperança suscitada pelos dois mandatos presidenciais de Lula acabe terminando no segundo turno com a eleição do candidato da direita.

Dany Cohn Bendit (Alemanha) - co-presidente do grupo de deputados do Partido Verde no Parlamento europeu
Monica Frassoni (Itália) co-presidente do Partido Verde europeu
Philippe Lamberts (Bélgica)co-presidente do Partido Verde europeu
Dominique Voynet (França) Senadora, Prefeita da Cidade de Montreuil , ex-Ministra do Meio Ambiente
Yves Cochet - ( França) Deputado Nacional, ex-MInistro do Meio Ambiente (Gov. Jospin)
Noël Mamère (França) - Deputado Nacional e Prefeito de Bègles (Bordeaux)
José Bové (França) - Deputado europeu
Alain Lipietz (França) - dirigente dos Verdes e ex-deputado europeu
Jérôme Gleizes (França) - Dirigente da comissão internacional dos Verdes
Yann Moulier Boutang (França) Co-diretor da Revista Multitudes (Paris)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A verdade sobre José Serra

Eu detesto spam e não gosto muito de discutir política (nem religião, pois percebi faz tempo que a maioria das pessoas já tem idéias pré-concebidas nesses dois assuntos e não está nem um pouco aberta a opiniões contrárias).
Mas o segundo turno das eleições se aproxima e eu não consigo mais ficar calada.

Muita gente bem intencionada está pensando em anular seu voto ou votar na oposição.
Se este é o seu caso, peço que leia esta postagem e pense muito bem.
E informe outras pessoas!

Você, eleitor, sabe o que José Serra representa?

- Entreguismo e perda do prestígio internacional que o Brasil adquiriu com o governo Lula

O governo FHC foi marcado pelas privatizações, uma política típica do PSDB e que o Serra defende.
Perdemos diversas estatais, como a Vale, e bancos. O Banco do Brasil e a Petrobrás estavam quase falindo no final do governo FHC e hoje estão mais fortes do que nunca.
Com o Serra, corremos o risco de perder mais essas estatais, e certamente perderemos o pré-sal.

No governo FHC, nosso país não tinha nenhum prestígio internacional e só agia com a permissão dos EUA e do FMI.
Hoje políticos do mundo inteiro param para ouvir o que o nosso presidente tem a dizer.
Taí mais uma coisa que não quero perder.

- Sucateamento da educação pública

Um dos principais pontos que causam minha perplexidade em relação aos paulistas que continuam votando no PSDB.
A educação pública em São Paulo é uma vergonha. Muitas salas de aula têm mais de 50 alunos, a progressão continuada leva alunos que nem sabem ler ao Ensino Médio e muitos professores ganham pouco mais de um salário mínimo.

Durante o governo FHC, as universidades federais foram praticamente abandonadas e proliferaram as universidades particulares de qualidade duvidosa (para dizer o mínimo).
Lula, pelo contrário, investiu nas federais, inaugurando 14 novas universidades, e também em escolas técnicas e no ProUni, e a educação é o principal ponto na campanha de Dilma.

- Falta de ética

Nas palavras de Ciro Gomes, "Serra não tem escrúpulos. Se preciso for, passa com um trator por cima da mãe".

Serra é conhecido por seu caráter vingativo e por ser capaz de fazer qualquer coisa para passar por cima de quem tenta enfrentá-lo.
Recentemente, seus esforços se concentraram em prejudicar o colega de partido Aécio Neves, seu concorrente nas prévias do PSDB para a candidatura à presidência.

Serra tem jogado sujo na campanha eleitoral, se aproveitando da fé das pessoas (que negócio é esse de "Serra é do bem" e "Serra é a favor da vida", e esses panfletos com mensagens religiosas e assinatura do Serra?!?) e desvirtuando a política brasileira
(o Estado precisa ser laico, e a discussão deveria ser em torno de propostas de governo e não de imagens de bebezinhos nascendo).
Com isso, Serra estimula a intolerância e desespeita as religiões.

- Desastre econômico

Serra é incapaz de fazer previsões econômicas corretas!

Parece que os eleitores se esqueceram de que, quando Lula afirmou que a crise econômica mundial passaria pelo Brasil apenas como uma "marolinha", a imprensa o ridicularizou, e Serra apareceu na televisão anunciando que a crise teria graves conseqüências para o Brasil.
Que grande talento o desse economista, não é?

Na campanha de 2002, Serra afirmou que a promessa de Lula de salário mínimo de US$100 era impossível.
Olha que interessante:
Salário mínimo em julho de 1994, governo FHC, era de R$ 63,70 ou 63,70 dólares.
Salário mínimo em dezembro de 2002, governo FHC, era de R$ 200,00 ou 55,00 dólares.
Salário mínimo em maio de 2010, governo lula, R$ 560,00 ou 320,00 dólares.

- Destruição do Meio Ambiente

Além de ameaçar nossos empregos, nossa soberania nacional, nosso Estado laico e nossa liberdade religiosa, o voto em Serra é também uma ameaça ao meio ambiente.
Nenhum dos dois candidatos à presidência prima por seu comprometimento com a sustentabilidade, mas nisso também Dilma se sai melhor, tendo o apoio de muitos ambientalistas.
Quando convém por motivos eleitoreiros, Serra diz que defende o "desenvolvimento sustentável". Porém, em um "almoço-debate" que realizou com empresários com tema "Programa de Desenvolvimento Sustentável para o Brasil", não foi abordado nenhum assunto referente a sustentabilidade. Nem uma palavra!
E, embora se esquive de falar sobre o assunto (como sempre faz, não é verdade?), apoiado por ruralistas, Serra apóia a terrível proposta de mudança no Código Florestal Brasileiro, enquanto Dilma já se comprmeteu a vetar seus pontos mais problemáticos, como a anistia aos desmatadores.

As obras do Rodoanel, sempre citadas quando tucanos falam em sustentabilidade, foram criticadas por Marina Silva por crimes ambientais.
A mesma Marina que Serra acusou, sem provas, de envolvimento no Mensalão, em debate na Globo, e que agora elogia em busca de apoio.

- Desrespeito às minorias e higienismo (!!!)

Lembram da truculência contra manifestantes durante o governo FHC?
Da chacina em Eldorado dos Carajás?
Lembram das agressões aos índios nas comemorações dos 500 anos do descobrimento? (as fotos na imprensa, na época, eram chocantes, mas o único link com fotos que eu encontrei hoje foi esse)
Você quer que isso volte?

Serra desrespeita minorias e foi responsável por políticas higienistas, como a expulsão de sem-tetos de espaços públicos sem oferecer alternativa (pelo contrário; vários albergues foram fechados, principalmente no centro da cidade), a ponto de ser considerado "o pai do higienismo em São Paulo"! E seu vice, Índio da Costa (DEM), apresentou um projeto de lei que tornaria ilegal dar esmolas!
(felizmente, alguém teve bom senso, e o projeto foi considerado inconstitucional e arquivado)

Apesar dos esforços de "limpeza social" de Serra, o número de moradores de rua em São Paulo só cresceu durante seu governo, enquanto a pobreza extrema em todo o país foi reduzida pela metade com o governo Lula.
Tem algo de podre em São Paulo...

- Propaganda enganosa

Serra fala muito, mas faz pouco.

Quanto será que gastou o governo de José Serra com toda aquela propaganda oficial, publicada em jornais e revistas, transmitida pela televisão, e espalhada pelas ruas?
Resposta: R$ 311 milhões, só no ano de 2009. O governo de Serra gastou mais com propaganda do que com programas sociais!
São Paulo é o estado brasileiro que mais gasta com propaganda oficial, e esses gastos cresceram quase 700% desde que Serra assumiu o governo.
Só com propaganda da CPTM: os recursos gastos com propaganda saltaram de R$ 15 mil, em 2006, para R$ 48 milhões, em 2009. Cerca de 310 mil por cento a mais.
E quanto foi gasto com a compra de novos trens? Em 2009, não passaram de R$ 19 milhões!

- Corrupção

Quero ver alguém dizer que o Serra e o PSDB estão livres de acusações de corrupção!

Não vou nem falar do governo FHC (mas vou dizer que lembro de ter sido abordada na rua mais de uma vez por pessoas com pranchetas pedindo assinaturas em um abaixo-assinado pelo seu impeachment).
Concentremo-nos no atual candidato.

Alguém lembra do escândalo das sanguessugas?

E que uma gráfica que publicou cerca de 1 milhão de panfletos mentirosos contra a Dilma pertence à irmã de um dos coordenadores da campanha de Serra (Sérgio Kobayashi) e também filiada ao PSDB, você sabia?
E sabia que isso poderia ser julgado crime eleitoral?

E o "caixa 2" da campanha do PSDB? Já ouviu falar do engenheiro Paulo Vieira de Souza?
Esse cara, conhecido como "Paulo Preto", é ex-diretor da Dersa e comandou grandes obras durante a gestão de Serra em São Paulo, como o Rodoanel.
Em seu primeiro mês como governador, Serra contratou a filha de Paulo Preto, Tatiana Arana Souza Cremonini, na função de assistente técnica de gabinete, com salário de R$ 4.595 + gratificações.
Sua outra filha, Priscila Arana de Souza, é advogada das empreiteiras contratadas pelo governo para construir o Rodoanel.
Paulo Preto está sendo investigado pela PF sob acusação de receber propina de construtoras.
Além disso, matéria da Istoé de dois meses atrás o acusou de ter ficado com R$ 4 milhões arrecadados como "caixa-2" para a campanha serrista.
E talvez vocês se lembrem do engenheiro quando ele foi notícia em junho, preso por receptação ao tentar vender uma jóia roubada de uma loja Gucci.

Os tucanos estão envolvidos com ele até o pescoço. Sua família emprestou R$ 300 mil a Aloysio Nunes, ex-chefe da Casa Civil de Serra e eleito por SP ao Senado no último dia 3.
Quando perguntaram a Serra sobre ele, em debate na televisão, Serra afirmou que não o conhecia - mas fotografias provam o contrário.
Depois, após ameaças de Paulo Preto, Serra veio a público dizendo que não apenas o conhecia, como defendendo sua honra contra os "boatos".
Paulo Preto deve esconder informações muuuuuuuito interessantes...

E ainda tem o Caso Bierrenbach.
Em 1988, José Serra foi acusado por seu então colega de partido, Flávio Bierrenbach, de ter entrado pobre e saído rico do governo Montoro, onde foi secretário de Estado.
Serra iniciou um processo contra Bierrenbach por calúnia, injúria e difamação.
Bierrenbach solicitou ao juiz da 2a Zona Eleitoral, então o Dr.Wálter Maierovitch, o que se chama exceção da verdade, ou seja, o direito de provar que não é calunioso ou difamante (ou seja, que é verdade) o que havia sido afirmado.
O juiz atendeu e, então, Serra tentou reduzir o processo ao de injúria, que juridicamente não comporta a comprovação de ser verdadeiro o que se afirmou.
(O processo foi se arrastando, e até hoje não deu em nada)

- Mentiras

Serra mente!
Mente na cara do eleitor na televisão. E não foi uma vez, nem duas vezes, nem três...

Na campanha pela prefeitura de São Paulo, Serra se comprometeu a não abandonar o mandato em 2006 para concorrer ao governo.
Prometeu, não cumpriu, e hoje diz em sua propaganda eleitoral que "ter uma cara só, falar uma coisa hoje e a mesma coisa amanhã. Isso é fundamental".
Pode ver com seus próprios olhos:



Ele registrou a promessa em cartório, embora no vídeo acima ele minta de novo e diga que não assinou e registrou nada, "apenas" falou na televisão.
E ainda disse que só deixaria o cargo antes do término "se Deus me tirar a vida"!!!

Ele também mentiu dizendo que não sabia quem era Paulo Preto.
E mentiu dizendo que foi responsável pelos medicamentos genéricos.

Dá pra acreditar em alguma coisa que esse homem diz??

Serra o contador de estórias

Verdades e Mentiras

Finalmente, a campanha de Dilma colocou no ar um site oficial para desmentir boatos.
Mas eu continuo vendo gente divulgando um monte de mentiras sobre a Dilma!

Você ainda não sabe se o que ouviu ou leu é verdade ou não? Vamos lá:

- Dilma NÃO nasceu na Bulgária. Ela é brasileira.

- Dilma NÃO ameaça a liberdade de imprensa
Me mostre agora um único indício de que a Dilma, ou o Lula, ou o PT, tentaram de algum jeito censurar os meios de comunicação!
Basta olhar para as capas das revistas e jornais em uma banca para ver que isso não acontece.
Quem ameaça a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão são a campanha do Serra e a imprensa que o apóia!

- Muitos aposentados vão votar no Serra por causa das mudanças na Previdência que acham que o Lula implementou.
Não foi o Lula quem fez essas mudanças, foi o FHC!
E a coisa vai piorar muito se o Serra for eleito, pois o PSDB defende a desvinculação da aposentadoria com o salário mínimo!

- Dilma NÃO vai legalizar o aborto.
Quem votou na Marina porque disseram que a Dilma é a favor do aborto deu um tiro no pé, pois a descriminalização do aborto consta do programa do PV! Está disponível no site do PV para qualquer um consultar: no ítem “Reprodução Humana e Cidadania”, consta “a legalização da interrupção voluntária da gravidez”.
E Serra posa de moralista mas assinou medidas para abortos no SUS quando era Ministro da Saúde. E sua esposa Monica - aquela mesma que disse que "Dilma é a favor de matar criancinhas" - já fez aborto.

Na época da eleição de 2002 já teve campanha contra o PT dizendo que, se Lula fosse eleito, o aborto seria "legalizado". Tivemos dois governos Lula, e cadê?
Estamos em 2010 e temos que ouvir isso de novo?

Só falta agora voltar a Regina Duarte dizendo que está com medo!

- Gostam de dizer para não votar na Dilma devido às alianças com figuras controversas como Renan Calheiros, Fernando Collor e José Sarney.
Mas escondem que Serra está associado ao casal Roriz, Roberto Jefferson, ACM Neto, Orestes Quércia e muitos outros.
Aliás, antes do Indio da Costa, quem era cotado para vice dele era o Arruda, do mensalão do DEM, lembra-se?
E seus principais apoiadores, Aloysio Nunes e Fernando Gabeira, participaram da luta armada contra a ditadura, o primeiro em assaltos e o segundo em seqüestro (voltarei a falar disso mais adiante), enquanto Dilma não participou diretamente de ações como essas, ao contrário do que dizem. Pra quem não vota "em bandido" a coisa está feia, hein?

- Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3)
Tanta gente fala sobre a "ameaça" à democracia que ele representa. Será?
Quase ninguém fala que ele não é uma lei, mas um Decreto do Poder Executivo, incapaz, portanto, de gerar obrigações em relação a terceiros.
Também não se fala que o PNDH-3 é uma compilação de futuros projetos de governo, que teriam que passar pelo crivo do Poder Legislativo.
Não foi mencionado que ele não partiu do governo, mas de uma Conferência Nacional, que reuniu os setores da sociedade civil ligados ao tema (nossa, que "antidemocrático"!).
E pior, a imprensa deliberadamente omitiu que seus pontos polêmicos já estavam presentes nos Planos de Direitos Humanos lançados no governo FHC (por exemplo, a questão do aborto).

- A "ficha" de Dilma que a Folha publicou na primeira página meses atrás e que agora está sendo colada em postes na cidade de São Paulo é falsa!
Dilma foi, sim, presa e torturada por lutar contra a ditadura no nosso país, mas nunca matou ninguém.
A foto dela com uma arma também é falsa.
Quem chama dilma de bandida não sabe o que foi a ditadura. Dilma é uma heroína, isso sim!

Serra também participou da militância contra a ditadura.
Aliás, seus grandes apoiadores, Aloysio Nunes e Fernando Gabeira participaram, estes, sim, da luta armada.
Nunes, secretário da Casa Civil de Serra, teve participação direta em assaltos. É isso mesmo, Serra colocou um assaltante na Casa Civil!
Gabeira participou do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick.

- Dilma NÃO disse a frase "nem Jesus Cristo tira a minha vitória".
Mas Serra disse, em 2004, que só deixaria a prefeitura de São Paulo antes de terminar o mandato "se Deus me tirar a vida"!
E deixou, em 2006, para concorrer ao governo do Estado.

- Finalmente, não deveria ser da conta de ninguém, mas a suposta "ex-amante" de Dilma também não existe e nada prova que Dilma seja gay.
E se fosse? O prefeito de Paris é gay, o prefeito de Berlim também, e a Primeira Ministra da Islândia também.

Vamos parar de falar desses assuntos e falar de coisas realmente importantes, por favor?

Ilusão ou realidade?

Muita gente ri da "teoria da conspiração" de uma imprensa golpista brasileira, dizendo que é alucinação de esquerdistas que querem "censurar" críticas ao governo.

Internautas utilizam o termo "PIG", de "Partido da Imprensa Golpista", para referir-se a meios de comunicação que deixam sua suposta função de informar o público em segundo plano para propagar uma ideologia conservadora e de extrema direita, ainda que para isso distorça ou fraude informações.
Segundo a Wikipedia, o termo PIG foi popularizado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog Conversa Afiada. Amorim escreve o termo com um i minúsculo, em alusão ao portal iG, do qual foi demitido 2008, no que descreve como um processo de "limpeza ideológica".

Teorias da conspiração à parte, vale a pena dar uma olhada no que alguns dos veículos de maior circulação ou audiência estão divulgando.
Não tenho como não concordar com Amorim, quando ele afima que esses veículos, "com o discurso de jornalismo objetivo, fazem o trabalho não de imprensa que omite; mas que mente, deforma e frauda".

No início do mês, repercutiu a notícia da demissão da psicanalista Maria Rita Kehl, após ela publicar um artigo no qual refuta algumas denúncias infundadas que vêm sendo propagadas na internet.
E a oposição insiste em acusar Dilma e Lula de querer censurar a imprensa.
A imprensa já faz isso sozinha!

Dia 19 de outubro a Folha, um dos jornais de maior circulação no país, publicou na primeira página a manhete "Estatais bancam revista pró-PT". Na reportagem, o jornal "denuncia" que a edição deste mês da Revista do Brasil, vinculada à CUT, "teve anúncios pagos por Petrobras e Banco do Brasil".
Como se anunciar em uma revista fosse crime! Por acaso o BB e a Petrobras não anunciam também em imprensa pró-Serra, como a Veja e a própria Folha? Quero ver a manchete "Estatais bancam revista pró-PSDB" com o mesmo destaque!

Quanto será que gastou o governo de José Serra com propaganda, publicada em jornais e revistas, transmitida pela televisão, e espalhada pelas ruas?
Resposta: R$ 311 milhões, só no ano de 2009. O governo de Serra gastou mais com propaganda do que com programas sociais! São Paulo é o estado brasileiro que mais gasta com propaganda oficial, e esses gastos cresceram quase 700% desde que Serra assumiu o governo.
Só com propaganda da CPTM: os recursos gastos com propaganda saltaram de R$ 15 mil, em 2006, para R$ 48 milhões, em 2009. Cerca de 310 mil por cento a mais. E quanto foi gasto com a compra de novos trens? Em 2009, não passaram de R$ 19 milhões.

A mesma Folha publicou, na primeira página da edição de 5 de abril, uma ficha falsa de Dilma, que, segundo afirmaram mais tarde, havia sido recebida por e-mail e foi publicada como sendo do arquivo do Dops. Seis meses depois, a mesma ficha falsa pode ser vista colada em postes na periferia de São Paulo.

Esse mesmo ilustríssimo jornal está conduzindo uma ação judicial para obter acesso à íntegra do processo contra Dilma durante a ditadura.
Em editorial, a Folha defendeu seu interesse com as seguintes palavras:
"É da essência republicana que a biografia de um candidato se exponha ao exame até mesmo impiedoso da opinião pública. Trata-se, afinal, de alguém que pretende assumir o comando do país."
Concordo totalmente. A Folha tem que publicar, então, os autos do processo que Serra moveu contra Flávio Bierrenbach, seu então colega de partido.

Em 1988, José Serra foi acusado por Bierrenbach de ter entrado pobre e saído rico do governo Montoro, onde foi secretário de Estado. Serra iniciou um processo contra Bierrenbach por calúnia, injúria e difamação.
Bierrenbach solicitou ao juiz da 2a Zona Eleitoral, então o Dr.Wálter Maierovitch, o que se chama exceção da verdade, ou seja, o direito de provar que não é calunioso ou difamante (ou seja, que é verdade) o que havia sido afirmado.
O juiz atendeu e, então, Serra tentou reduzir o processo ao de injúria, que juridicamente não comporta a comprovação de ser verdadeiro o que se afirmou.

Outro exemplo de mídia que deforma os fatos ao invés de informar é a Rede Globo de televisão.
A manipulação descarada das eleições de 1989 já entrou para a História. Vamos pegar um fato mais recente.
arma branca: bolinha de papel

Quem não ouviu falar da perigosíssima bolinha de papel na cabeça, que levou o Serra a fazer uma tomografia?

Quem viu o incidente no Jornal Nacional (ou melhor, viu a versão Globo dos fatos, já que o momento em que o objeto atinge o candidato não foi exibido) deve ter ficado preocupado com a saúde de Serra e com a violência dos militantes do PT!


E quando a Globo e a Record mostraram a mesma visita de Serra à Zona Leste de São Paulo com duas histórias completamente diferentes?



(não estou dizendo que a Record é melhor ou pior do que a Globo. Sinceramente, não assisto nenhuma das duas)


Claro que esse negócio de não apenas tomar partido na disputa eleitoral mas manipular a opinião pública com distorções e mentiras não é de agora.
Talvez esteja ficando mais difícil de esconder.
Espero que isto signifique que essa situação se reverta em um futuro próximo, e fica aqui minha pequena contribuição para que isto aconteça.

Serra Veja Folha Estado