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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Parada do Espinafre

Não sei por quê tanta comoção por causa da coluna de José Roberto Guzzo na última edição da Óia Veja...

Confesso que nem chego perto não leio essa revista e que a princípio, quando li a tal coluna, até concordei com algumas críticas.
Mas depois, pensando bem, vi que ele está com a razão.
Ora, eu não gosto de espinafre, e não aceito que ninguém venha me tirar o direito de dizer que não gosto de espinafre!
Não tenho nada contra gente que gosta de espinafre, desde que não queira exibir seu estilo de vida na frente de todo mundo. Mas eles querem comer espinafre em público! Querem direitos especiais! Vê se pode!

Caros leitores, existe um verdadeiro complô dos comedores de espinafre para dominar o mundo.
E o nosso governo participa disso! Você sabe o que o governo faz com os nossos impostos?
Imaginem vocês que muitas escolas públicas servem espinafre na merenda de crianças inocentes!
Incentivando o espinafrismo, como se fosse a coisa mais natural do mundo!

contra o kit espinafre nas escolas

COMO o Malafaia ainda não falou sobre essa ameaça gravíssima à sacrossantidade da família?!?

Guzzo, eu te entendo!

Popeye comendo espinafre. Que pouca-vergonha!
Que pouca vergonha!
Incentivando o espinafrismo em nossas crianças!

união estável com uma cabra
Depois de ler a coluna do Guzzo eu entendi que querer casar com a pessoa que se ama é a mesma coisa que querer casar com uma cabra! Que bobagem, não? Como se não desse para ser feliz só com um relacionamento estável com uma cabra!

Tem até um site de relacionamentos para ajudar VOCÊ a encontrar sua cabra-metade! É só clicar aqui!
Será que o Guzzo já encontrou a dele?
Espero que cabras e antas sejam compatíveis...

(peço desculpas por ofender as antas e as cabras, mas espero que elas não sejam como as feminazis e entendam que foi só uma piada. Nossa, tô empatizando até com o Rafinha Bosta Bastos!)


Falando sério agora, tem ato em repúdio à Veja e à homofobia na sexta-feira dia 23/11 em frente à Editora Abril (Av. das Nações Unidas, 7221). Aqui a página do evento no Facebook. Divulgue!

Você já cancelou sua assinatura da Veja hoje?

sábado, 22 de outubro de 2011

A Veja Mente!

Toda semana tem duas enormes pilhas de Veja na porta do meu prédio; quase todos os meus vizinhos assinam essa porcaria.

Tô afim de imprimir esse panfleto e colocar na caixa de correio de todo mundo.

Veja: revista criminosa!(Achei no Blog do Miro)

sábado, 3 de setembro de 2011

O crédito desmatamento

Felipe Milanez para a Carta Capital, 29 de agosto de 2011
Na amazônia, a expansão da fronteira agrícola criou o marco geo-gráfico do “Arco do Desmatamento”. É lá que avança a substituição da cobertura florestal pela produção agropecuária. Um processo caro que exige enormes somas de financiamento. E o pior: na sua maioria, o dinheiro tem saído dos cofres de bancos públicos. É o que aponta estudo inédito do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), coordenado pelo pesquisador Paulo Barreto e obtido com exclusividade por CartaCapital.

desmatamento na Amazônia - foto de Rogério Assis/Fotosite
Empréstimos, principalmente públicos, sustentam a devastação.
Foto: Rogério Assis/Fotosite

Segundo o levantamento, os dados do Banco Central mostram o aumento espetacular do crédito rural no bioma Amazônia entre 1997 e 2009, apesar de algumas oscilações. Nesse período, foram concedidos cerca de 35 bilhões de reais por meio de, aproximadamente, 2 milhões de contratos. No restante da Amazônia Legal fora do bioma, foram emprestados outros 43 bilhões de reais em 1,25 milhão de contratos. Os pesquisadores ressaltam que a queda do volume de crédito entre 2005 e 2008 coincidiu com a baixa dos preços do gado e da soja. A redução não teria, portanto, relação direta com a mudança da política de crédito adotada pelo governo federal para tentar diminuir o desmatamento, mas com uma contingência econômica. “Análises recentes mostram que o crédito rural estimula o desmatamento na Amazônia, apesar de as regras proibirem o crédito para a derrubada de florestas”, escrevem os pesquisadores. “O crédito amplia o desmatamento por causa do subsídio para as atividades agropecuárias e falhas de controle dos próprios bancos e órgãos ambientais.”

Nos anos 1970 e 1980, quando se iniciou o projeto de ocupação da Amazônia, o principal financiador do desmatamento era o próprio Estado. Pressões à época levaram à suspensão da política do financiamento direto da devastação e, em 1991, as instituições federais comprometeram-se a exigir dos clientes o cumprimento de leis ambientais por meio do Protocolo Verde. Após 1992, o compromisso com sustentabilidade passou a fazer parte dos manuais de responsabilidade socioambiental do setor financeiro, especialmente as regras do Protocolo do Equador. Acontece que, mostra o Imazon, persistiu a “correlação entre crédito rural e desmatamento na Amazônia na última década”.

Para tentar conter a fonte financeira da destruição da floresta, em fevereiro de 2008 o Conselho Monetário Nacional (CNM) publicou a Resolução 3.545, que passou a exigir comprovantes de regularidade ambiental para a concessão de crédito rural no bioma da Amazônia. A medida teve, até agora, pouco sucesso. A torneira do financiamento continuou aberta, segundo Barreto. O estudo afirma que o crédito influencia o desmatamento tanto pelo volume de recursos e contratos concedidos quanto pelo perfil das atividades financiadas. A maioria dos recursos liberados pelos bancos estimulou atividades agropecuárias associadas ao desmatamento.

A pecuária, que ocupa, aproximadamente, 75% das áreas desmatadas da região, recebeu 13,6 bilhões de reais, ou 39% do total financiado, entre 1997 e 2009. Um exemplo recente é o caso ocorrido em 16 de julho, quando foi assinado um compromisso entre o Banco do Brasil, o Banco da Amazônia e o governo do estado de Rondônia para a liberação de 440 milhões aos pecuaristas. O financiamento teria por objetivo fortalecer a cadeia do leite, a agroindustrialização e a recuperação de pastagens. Mas não foram estabelecidos compromissos para reflorestar áreas desmatadas.

Desmatamento na Amazônia: Em várias áreas, as placas anunciam grandes obras industriais. Foto de Felipe MilanezUm dos casos mais graves de financiamento seria o crédito a criadores de gado cujas propriedades estão localizadas na região da chamada “terra do meio”, próximo ao Rio Xingu. Só em 2010, foram devastados mais de 14 mil hectares da Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, região de preservação que registrou o mais alto nível de desmatamento no Brasil (25% destruídos). Na falta de um “plano de manejo” da área, onde é possível ter propriedades individuais, os pecua-ristas fazem desmatamentos irregulares. Mesmo assim, aponta Barreto, conseguem crédito para financiar a pecuária. Dinheiro para comprar gado, por exemplo, cujo pasto está localizado em área desmatada. Ainda que o dinheiro não seja usado diretamente para o desmatamento, destina-se ao produto dessa devastação.

O estudo indica que o crédito subsidiado tende a aumentar as atividades financiadas mais do que ocorreria sem subsídio e pode estimular indiretamente o desmatamento. Um exemplo dado pelo Imazon é de um fazendeiro que pode desmatar novas áreas com capital próprio, pois sabe que obterá bons rendimentos com o crédito para comprar o rebanho. Na Transamazônica, pequenos produtores em assentamentos rurais desmataram mais do que aqueles fora dos assentamentos e sem crédito.

Ao mesmo tempo, falta dinheiro para o trabalho com a floresta. “O crédito para o setor florestal (reflorestamento e manejo de florestas nativas) somou apenas 0,8% do total ou 284 milhões de reais. Portanto, o enorme valor dos recursos subsidiados e a predominância do apoio à agropecuária indicam um forte potencial de estimular o desmatamento legal ou ilegalmente”, anotam os pesquisadores do Imazon.

É o que ocorre, por exemplo, no assentamento agroextrativista Praia Alta Piranheira, ao sul do Pará, na cidade de Nova Ipixuna. Foi lá que, em 24 de maio, foram assassinados José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo. Em um projeto cuja destinação é agroextrativista, atividades agropecuárias são toleradas, desde que não ultrapassem 20% da propriedade. Acontece que, na parte financeira, é só esse ramo, e não o florestal ou o extrativismo, a receber subsídios.

José Maria Gomes Sampaio, o Zé Rondon, cunhado de Maria, reclama da falta de incentivo à atividade florestal. Quando quis transformar parte da mata em pastagem e criar um pouco de gado para leite, dentro da área permitida, Zé Rondon conseguiu crédito do Pronaf no Banco da Amazônia. Foram 14 mil reais, dinheiro que, diz ele, “foi direto para pagar o trator e a compra do gado”. Mas em todas as tentativas de financiar a coleta de castanha, de andiroba e outros produtos florestais, e investir em equipamentos para extração dos óleos que agregariam valor ao extrativismo, não teve o mesmo sucesso. “Para trabalhar com a floresta, nunca consegui um tostão. Nem para fazer um plano de manejo. Dinheiro, só para mexer com gado.”

No mesmo assentamento, mantém-se a produção ilegal de carvão vegetal de mata nativa, destinado ao polo siderúrgico de Carajás. Mesmo que consumam carvão sem origem comprovada, Oduval Lobato Neto, gerente-executivo- do Banco da Amazônia, admite que o banco financia seis usinas produtoras de ferro-gusa. Segundo ele, todos os projetos contratados estão em conformidade com a sua política socioambiental e a legislação ambiental vigente. Embora quatro usinas financiadas pela instituição tenham sido fechadas em razão de multas ambientais, e duas, a Cosipar e a Sidepar, em atividade, tenham recebidos notificações recentes por causa do consumo de carvão ilegal, irregularidade pela qual são processadas pelo Ibama. Todas as guseiras estão em negociação com o Ministério Público Federal, em Marabá, para assinar um termo de ajustamento de conduta. O MPF chegou a ingressar com ações no início do ano contra o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia. “O sistema financeiro precisa assumir a sua responsabilidade”, afirma o procurador Ubiratan Cazetta.

Segundo a procuradoria, o dinheiro público tem sido utilizado para financiar o desmatamento. “Desvendou-se, de forma factual, que as propagandas de serviços e linhas de crédito que abusam dos termos ‘responsabilidade socioambiental’ e ‘sustentabilidade’ não retratam essa realidade nas operações de concessão desses financiamentos a diversos empreendimentos situados na Amazônia, que em sua maioria são subsidiados com recursos dos Fundos Constitucionais de Desenvolvimento e de outras fontes da União”, anota o Ministério Público nas ações. A ação tinha o objetivo de impedir que os bancos emprestassem a produtores irregulares.

O Banco do Brasil, que assumiu algumas falhas, informa ter tomado providências. Uma regulamentação interna estabeleceu uma medida que o diretor de crédito, Walter Malieni Jr., chama de “segregação”: a agência local não avalia créditos acima de 800 mil reais. Valores altos devem ser analisados por outras agências. Isso- impede, explica Malieni, a -pressão sobre o gerente. “O processo fica mais longo, aumenta o prazo de desembolso.” Outra medida, diz o executivo, visa- evitar empréstimos concedidos por agências da base domiciliar de empresas e pessoas físicas fora do bioma. Seria um modo indireto de financiar- -atividades na Amazônia.

Do total de crédito concedido na Amazônia pelo BB em 2011, 49% financiou a agricultura, enquanto cerca de 30% foi destinado ao Pronaf e 21% à pecuária. Malieni afirma que, neste ano, 23% dos 2.085 pedidos de crédito foram devolvidos.

Já o Banco da Amazônia contestou a ação proposta pelo Ministério Público. O banco nem tomou novas medidas de proteção ao sistema de crédito nem sofreu condenação judicial pelas práticas. O principal foco de financiamento do Banco da Amazônia é a agricultura familiar, responsável 74,4% de suas operações.

sábado, 21 de maio de 2011

A marcha da maconha

O mesmo acontecimento, duas visões muito diferentes:

"Democracia pero no mucho?"
(no blog Maria da Penha Neles)

policiais disparam balas de borracha contra manifestantes na Marcha da Maconhaferimento causado por repressão policial à Marcha da Maconha
"Parabéns, PM de SP e governador Alckmin! Quando maconheiros ou outros quaisquer resolvem cassar a Constituição, bomba de gás lacrimogêneo vale por um poema democrático!"
(no blog de Reinaldo Azevedo, da revista Veja - gente... não tenho palavras para comentar este texto... o cara tem coragem de escrever que os manifestantes "foram contidos pela democracia química das bombas de gás. Alguém conhece regime melhor do que esse?". O que é isso??)

E, por favor, alguém me mostre onde a Constituição diz algo sobre a maconha!!!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mulheres no esporte

elas são jogadoras de futebol, mas... quem se importa?O Santos está lançando um calendário 2012, para comemorar o centenário do clube e promover seu time de futebol feminino (apelidado de "Sereias da Vila").

A autora do blog Escreva, Lola, Escreva dedicou uma postagem ao assunto, e eu recomendo muito que ela seja lida.


A questão gera polêmica.
Enquanto a maioria dos comentários que li se resume à aparência das jogadoras, algumas pessoas criticam sua atitude, dizendo que elas deveriam se preocupar em chamar a atenção por seu talento no esporte, como a atacante Marta, que foi eleita a melhor jogadora do mundo.
Mas será que isso é assim, tão simples? Será que podemos julgá-las tão facilmente?
Será que é tão fácil para as jogadoras, no Brasil, serem reconhecidas pelo seu talento, como são jogadores do sexo masculino?

O fato é que mulheres que assumem profissões tradicionalmente masculinas ainda precisam provar o tempo todo seu talento, mais do que os homens, para que ele seja reconhecido.
Quem já tinha ouvido falar na Marta, antes de ela ser eleita a melhor jogadora do mundo, levante a mão!

Marta, a melhor jogadora de futebol do mundo
Entre 26 de junho a 17 de julho deste ano acontece a Copa do Mundo de Futebol Feminino.
Você estava sabendo?
Será que alguma emissora irá interromper sua programação normal para transmitir os jogos?

Ainda por cima, além da pressão constante para provar sua capacidade, elas ainda precisam provar constantemente sua feminilidade.
(e esse é o argumento das próprias jogadoras do Santos para justificar a participação no calendário)

Por que, no país do futebol, membros de um time de futebol feminino ainda precisam tirar a roupa para que se fale delas?

Por que se considera normal que os esportistas do sexo masculino sejam celebrados na mídia por serem bons no que fazem, enquanto as mulheres esportistas só são celebradas por seu valor decorativo?

o tenista Roger Federer na capa da revista Sports Illustrateda tenista Anna Kournikova na capa da revista Sports Illustrated
A mesma revista tem padrões diferentes para esportistas do sexo feminino e esportistas do sexo masculino

quarta-feira, 23 de março de 2011

Beauty magazines promote low self-esteem

propaganda surrealista da Ralph Lauren"Revistas de beleza promovem baixa auto-estima"

A frase foi retirada de uma música da finada banda-de-dois-caras Savage Garden (que eu curtia muito na minha adolescência).

Ela não poderia ser mais verdadeira.
E não são apenas as revistas de beleza; toda a mídia está constantemente nos bombardeando com um ideal inalcançável de beleza.

É só olhar para a publicidade totalmente surreal aí ao lado!


capa da revista Zero, anunciando todo tipo de dicas para ter o corpo perfeito e o cabelo perfeitoguia de beleza para adolescentesAs revistas de beleza (leia-se 90% das revistas femininas) sobrevivem vendendo um ideal de beleza inalcançável para que as leitoras comprem os produtos de beleza que anunciam.

Elas enchem suas capas e páginas com manchetes que prometem ensinar a ficarmos lindas e perfeitas e fotos de modelos lindas e perfeitas, dando a impressão de que, se não nos encaixarmos nos padrões de beleza, a culpa é nossa e precisamos nos esforçar mais.



Mas acontece que nem os símbolos de beleza que nos apresentam são perfeitos.
Mas a mídia insiste em fingir que eles são. Olha só pra essas imagens:

Madonna com e sem photoshop - nem se você for a Madonna vão deixar suas rugas em paz!
Nem sendo a Madonna vão deixar suas rugas em paz!
A justificativa que vi por aí é que só assim ela consegue competir com "artistas" jovens, como essa tal de Miley... Você concorda?

Jennifer Lopez, com e sem photoshop
photoshop para fazer de conta que não ter celulite é uma coisa normal
photoshop para fazer de conta que não ter celulite é uma coisa normal
Avril Lavigne - pele limpa com photoshop
Keira Knightly com e sem photoshop - porque tem que ser magra, mas sem ossos aparecendo!
O ideal de beleza é ser magra, sim.
Mas ter ossos aparecendo também não pode.

Keira Knightly maquiada com photoshop
Aqui no Brasil, tivemos recentemente o caso da atriz Susana Vieira, que apareceu em uma revista feminina com um corpo que, obviamente, não era o dela

Susana Vieira: flagrada sendo... um ser humano normalSusana Vieira com (muito) photoshopAo lado: Susana Vieira flagrada sendo... um ser humano normal. Acima: uma revista fingindo que ela é uma boneca de plástico (não dá nem pra dizer que está fingindo que é uma garota de 20 anos porque, sinceramente, quantas garotas de 20 anos você conhece que têm um corpo assim?)


Claro, muitas vezes (não sei se foi o caso ou não nas fotos apresentadas aqui) a própria pessoa retratada prefere ter seus "defeitinhos" escondidos. Mas fala sério, né, gente??
Isso também não muda em nada o que eu estou dizendo. Demonstra, apenas, que mesmo pessoas que consideramos "de sucesso" sentem-se inseguras em relação à sua aparência, ou mesmo temem perder sua imagem se forem apresentadas ao público como imperfeitas (= humanas).

O photoshop também é muito usado para atrair público para o cinema.
Foi muito comentado quando os - aham - atributos da atriz Keira Knightly foram "digitalmente siliconados" para publicidade do filme Rei Arthur (porque, digamos, o caso dela foi meio óbvio...)

Keira Knightly com um implante instantâneo no cartaz do filme Rei Arthur
Aparentemente, os produtores não acharam que o filme atrairia público por mérito próprio

Mas ela não foi a primeira nem a última.
Nem a Hermione escapou!

num passe de mágica, até a Hermione colocou silicone
Alguém mais acha que isso não é (ou não deveria ser) normal?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Mais soluções #fail para o caos no transporte

engarrafamento na Avenida Paralela, em Salvador Não é só São Paulo que, diante do trânsito cada vez pior, toma decisões erradas e prioriza o carro em detrimento do transporte público.

Não sei quantos de meus leitores conhecem a cidade de Salvador, mas o trânsito lá está parando quase que completamente nos horários de pico. O fluxo de carros é cada vez maior, e há muitos trechos em que as vias se estreitam.

A Avenida Paralela (Luís Viana Filho), que vai da região do Iguatemi à divisa de Salvador com Lauro de Freitas, é a principal área de expansão urbana, com muitos empreendimentos imobiliários (há dezenas e dezenas de edifícios altos em fase final de construção).
À margens da Avenida está uma das mais importantes áreas ambientais da cidade, que abriga espécies em extinção. Muitos desses empreendimentos são ilegais e encontram-se em Áreas de Preservação Permanente da sofrida Mata Atlântica, como denunciou o jornalista Aguirre Peixoto no jornal A Tarde, antes de ser demitido no dia 08 por pressão das construtoras de Salvador, anunciantes do jornal.
(O site dA Tarde está fora do ar há dias. A Redação do jornal está em estado de greve desde quinta-feira, dia10)

A Paralela já vem se tornando uma avenida de tráfego cada vez mais intenso, e os muitos empreendimentos imobiliários ao longo dela prometem que, logo, logo, ela estará intransitável.
A solução da prefeitura? Expandir, transformando o canteiro central (onde há um lago) em novas pistas (para automóveis, é claro).

Avenida Paralela em 2005
empreendimento imobiliário Alphaville, na Avenida Paralela (Salvador)
Paralela em 2005 (esquerda), e um dos muitos empreendimentos imobiliários sendo erguidos ao longo da Avenida (direita)

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que esta medida não vai funcionar por muito tempo, pois priorizando o transporte individual dessa maneira o número de carros não vai parar de aumentar. Em poucos meses, a Paralela estará tão parada quanto antes da inauguração das novas pistas.
E isso para não falar do problema da drenagem da água das chuvas, com a destruição do lago.

vagões do metrô de SalvadorPor que ninguém pensa em, ao invés de fazer uma nova pista para carros, fazer um trem de superfície ao longo da Avenida? Seria uma solução muito melhor!
Mas acho que é esperar demais de uma cidade cuja linha de metrô de apenas 6km (o projeto original era de 40km) está em construção há 13 (treze!) anos, com inúmeras denúncias de desvio de dinheiro, trens (desde 2008) guardados num depósito (não duvido que acabe a garantia e se estraguem antes de começarem a funcionar), e sem previsão para ficar pronta.




(off topic) Por que aparece um monte de fotos de cadáveres quando se escreve “avenida paralela” no google imagens???

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Caos no transporte II - soluções #fail

Esta postagem baseia-se na reportagem Retrocesso em Vias Rápidas, de Rodrigo Martins, publicada na edição 632 da revista Carta Capital.
trânsito de são paulo
A reportagem refere-se ao projeto da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para reduzir os congestionamentos na cidade de São Paulo (que batem recordes quase que diariamente): alargamento de avenidas e criação de vias expressas e anéis (como o Rodoanel).

Essas medidas terão um alto custo (ainda não definido) e, o mais importante, o efeito de melhora no trânsito não vai durar mais que alguns meses!

Lembram do ano passado, quando foi inaugurada a ampliação da Marginal Tietê?
A CET comemorou uma redução de 44% nos pontos de lentidão. Mas o mesmo estudo já indicava um aumento de 30 mil carros na via por dia!
Hoje, a marginal já está parada de novo.
Além disso, as margens do rio Tietê ficam cada vez mais impermeabilizadas, e as enchentes aumentam.
(e temos que ouvir Aldo Rebelo dizer, como argumento a favor da mudança no Código Florestal, que se é para proteger os rios não deveria existir a Marginal. Não deveria, mesmo! É só olhar para o que acontece com a Marginal e termos um ótimo argumento a favor do Código Florestal atual – e de um aumento na rigidez de sua aplicação!)

Enquanto isso, nada de investimento em meios de transporte alternativos, como a bicicleta e o transporte coletivo. E o preço do transporte público só aumenta (mas a qualidade, não).
Depois de receber críticas pelo aumento na passagem de ônibus (e agora já aumentaram também o metrô e a CPTM!), o prefeito Kassab (DEM) afirmou que retomaria a construção de corredores de ônibus (que foi iniciada na prefeitura da Marta Suplicy (PT) e, depois da mudança de governo, ficou praticamente paralisada). No entanto, as obras – se é que vão acontecer – só começariam em 2012 (promessa para as próximas eleições??).
A reportagem da Carta Capital lembra que, quatro anos atrás, o prefeito já havia prometido cinco pistas exclusivas para ônibus em grandes avenidas, e nenhuma saiu do papel. Além disso, a prefeitura prometeu investir R$ 1 bilhão até 2012, e só um quarto desse valor foi investido nos últimos dois anos.

O projeto da CET vai na contramão da tendência mundial.
Segundo o urbanista Nazareno Affonso, da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), “enquanto as grandes cidades do mundo, mesmo nos EUA, que sempre cultuaram os carros, discutem soluções como corredores de ônibus de alto desempenho trens de superfície e ampliação do metrô, causa estranheza que São Paulo volte a investir num modelo baseado no transporte individual. Ao dar mais espaço aos carros, a prefeitura estimula o seu uso. Com o crescimento da frota de veículos, os benefícios gerados para o trânsito serão superados em pouco tempo. Essa é apenas uma via mais rápida para congestionar a cidade ainda mais. Estamos mexicanizando nosso trânsito. Em breve, a paralisia não ficará restrita às horas de pico. Haverá lentidão durante todo o dia, a qualquer hora, como acontece na Cidade do México.”

moradores de rua sob o Minhocão (Elevado Costa e Silva)E essas grandes obras também contribuem para a degradação da cidade. Quando as ruas são feitas para os carros, elas não atraem pessoas; tudo vira apenas lugar de passagem. O urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis, comenta que “muitas dessas avenidas expressas cortam bairros ao meio, dificultam a circulação das pessoas que vivem na região, degradam todo o entorno.”
O exemplo mais óbvio é o “Minhocão” (Elevado Costa e Silva), na região central.
O cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João de que fala a música de Caetano não é mais o mesmo. A obra e o grande tráfego causam poluição visual, sonora e do ar. O local foi ficando abandonado e foi ocupado por moradores de rua e usuários de drogas.
O prefeito anunciou, no ano passado, que a obra deve ser demolida. Mas isso não deve acontecer antes de 2025!

A cada dia, mais de 800 carros novos entram em circulação na capital.
Ter um carro é prioridade para muita gente. A pessoa pode ficar devendo o aluguel, pode morar mal, mas tem que comprar um carro. E isso acontece porque a questão da praticidade se mistura com uma questão de status (ônibus, essa coisa terrivelmente desconfortável e pouco prática – porque demora, atrasa... – é para quem não tem dinheiro para ter um carro).
Isso resulta em uma média de um carro para cada dois habitantes da cidade.
A maioria dos carros em circulação tem apenas um ocupante. Um ônibus ocupa espaço equivalente a três carros, mas pode levar mais de 60 pessoas.

três formas possíveis de transportar o mesmo número de pessoas - qual é mais inteligente?
carros: mito e realidadeO carro representa uma ilusão de liberdade e de praticidade. A publicidade de automóveis investe em duas imagens: ter um carro traz status (lembram da propaganda dos executivos se perguntando “onde você quer estar daqui a cinco anos”?) e liberdade (montanhas de propagandas com carros correndo em estradas, ou fora delas).
(Com os dois raciocínios, quanto maior e mais poderoso o carro, melhor – por uma triste coincidência, quanto maior e mais poderoso o carro, mais ele polui e mais espaço ele ocupa nas ruas também.)
Porém, o que vemos na prática é que ter um carro significa mais estresse por causa do trânsito e mais danos à saúde por causa da poluição (que, segundo dados de 2005, mata indiretamente 8 pessoas e provoca 1 aborto por dia na cidade de São Paulo!).

poluição do ar na cidade de São Paulo
Este é o ar que a gente respira!

Na Europa, não se precisa de carro para se locomover na maioria das cidades (em Paris, por exemplo, não é necessário caminhar mas que uns poucos quarteirões para encontrar uma estação de metrô) nem entre as cidades (graças à ótima malha ferroviária). O uso de bicicletas também já faz parte da cultura em muitos lugares.

A população se preocupa em resolver seus problemas individuais, sem pensar coletivamente.
A prefeitura só se preocupa em mostrar aos motoristas que está fazendo alguma coisa por eles para receber votos nas próximas eleições, investindo em medidas que só funcionarão num curto prazo.

As perguntas têm que ser outras.
Por que se gasta tanto dinheiro para ampliar a circulação de carros, quando podemos investir em formas melhores de transporte?
Como é a cidade onde você gostaria de estar vivendo daqui a cinco anos?
E o que podemos fazer para chegar lá?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Corrupção e roubalheiras

Para quem ainda diz que vai votar no PSDB porque ele é um partido "ético" e acha que "nunca se roubou tanto" quanto no governo do PT:

terça-feira, 26 de outubro de 2010

PetroBrax - duvida??

Encontrei no blog Tijolaço:

FHC transforma Petrobrás em PetroBrax em 2000 Folha

Para quem ainda acha que a mudança do nome Petrobrás para PetroBrax é uma lenda, taí na Folha do dia 17 de dezembro do ano 2000.
Durou poucos dias, porque todo mundo reclamou. Alguém duvida que o PSDB_DEMente tente de novo?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ilusão ou realidade?

Muita gente ri da "teoria da conspiração" de uma imprensa golpista brasileira, dizendo que é alucinação de esquerdistas que querem "censurar" críticas ao governo.

Internautas utilizam o termo "PIG", de "Partido da Imprensa Golpista", para referir-se a meios de comunicação que deixam sua suposta função de informar o público em segundo plano para propagar uma ideologia conservadora e de extrema direita, ainda que para isso distorça ou fraude informações.
Segundo a Wikipedia, o termo PIG foi popularizado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog Conversa Afiada. Amorim escreve o termo com um i minúsculo, em alusão ao portal iG, do qual foi demitido 2008, no que descreve como um processo de "limpeza ideológica".

Teorias da conspiração à parte, vale a pena dar uma olhada no que alguns dos veículos de maior circulação ou audiência estão divulgando.
Não tenho como não concordar com Amorim, quando ele afima que esses veículos, "com o discurso de jornalismo objetivo, fazem o trabalho não de imprensa que omite; mas que mente, deforma e frauda".

No início do mês, repercutiu a notícia da demissão da psicanalista Maria Rita Kehl, após ela publicar um artigo no qual refuta algumas denúncias infundadas que vêm sendo propagadas na internet.
E a oposição insiste em acusar Dilma e Lula de querer censurar a imprensa.
A imprensa já faz isso sozinha!

Dia 19 de outubro a Folha, um dos jornais de maior circulação no país, publicou na primeira página a manhete "Estatais bancam revista pró-PT". Na reportagem, o jornal "denuncia" que a edição deste mês da Revista do Brasil, vinculada à CUT, "teve anúncios pagos por Petrobras e Banco do Brasil".
Como se anunciar em uma revista fosse crime! Por acaso o BB e a Petrobras não anunciam também em imprensa pró-Serra, como a Veja e a própria Folha? Quero ver a manchete "Estatais bancam revista pró-PSDB" com o mesmo destaque!

Quanto será que gastou o governo de José Serra com propaganda, publicada em jornais e revistas, transmitida pela televisão, e espalhada pelas ruas?
Resposta: R$ 311 milhões, só no ano de 2009. O governo de Serra gastou mais com propaganda do que com programas sociais! São Paulo é o estado brasileiro que mais gasta com propaganda oficial, e esses gastos cresceram quase 700% desde que Serra assumiu o governo.
Só com propaganda da CPTM: os recursos gastos com propaganda saltaram de R$ 15 mil, em 2006, para R$ 48 milhões, em 2009. Cerca de 310 mil por cento a mais. E quanto foi gasto com a compra de novos trens? Em 2009, não passaram de R$ 19 milhões.

A mesma Folha publicou, na primeira página da edição de 5 de abril, uma ficha falsa de Dilma, que, segundo afirmaram mais tarde, havia sido recebida por e-mail e foi publicada como sendo do arquivo do Dops. Seis meses depois, a mesma ficha falsa pode ser vista colada em postes na periferia de São Paulo.

Esse mesmo ilustríssimo jornal está conduzindo uma ação judicial para obter acesso à íntegra do processo contra Dilma durante a ditadura.
Em editorial, a Folha defendeu seu interesse com as seguintes palavras:
"É da essência republicana que a biografia de um candidato se exponha ao exame até mesmo impiedoso da opinião pública. Trata-se, afinal, de alguém que pretende assumir o comando do país."
Concordo totalmente. A Folha tem que publicar, então, os autos do processo que Serra moveu contra Flávio Bierrenbach, seu então colega de partido.

Em 1988, José Serra foi acusado por Bierrenbach de ter entrado pobre e saído rico do governo Montoro, onde foi secretário de Estado. Serra iniciou um processo contra Bierrenbach por calúnia, injúria e difamação.
Bierrenbach solicitou ao juiz da 2a Zona Eleitoral, então o Dr.Wálter Maierovitch, o que se chama exceção da verdade, ou seja, o direito de provar que não é calunioso ou difamante (ou seja, que é verdade) o que havia sido afirmado.
O juiz atendeu e, então, Serra tentou reduzir o processo ao de injúria, que juridicamente não comporta a comprovação de ser verdadeiro o que se afirmou.

Outro exemplo de mídia que deforma os fatos ao invés de informar é a Rede Globo de televisão.
A manipulação descarada das eleições de 1989 já entrou para a História. Vamos pegar um fato mais recente.
arma branca: bolinha de papel

Quem não ouviu falar da perigosíssima bolinha de papel na cabeça, que levou o Serra a fazer uma tomografia?

Quem viu o incidente no Jornal Nacional (ou melhor, viu a versão Globo dos fatos, já que o momento em que o objeto atinge o candidato não foi exibido) deve ter ficado preocupado com a saúde de Serra e com a violência dos militantes do PT!


E quando a Globo e a Record mostraram a mesma visita de Serra à Zona Leste de São Paulo com duas histórias completamente diferentes?



(não estou dizendo que a Record é melhor ou pior do que a Globo. Sinceramente, não assisto nenhuma das duas)


Claro que esse negócio de não apenas tomar partido na disputa eleitoral mas manipular a opinião pública com distorções e mentiras não é de agora.
Talvez esteja ficando mais difícil de esconder.
Espero que isto signifique que essa situação se reverta em um futuro próximo, e fica aqui minha pequena contribuição para que isto aconteça.

Serra Veja Folha Estado

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Liberdade de imprensa... liberdade?

Quem já entrou no site do jornal O Estado de São Paulo provavelmente já notou o aviso afirmando que ele se encontra "sob censura há 433 dias". Ele refere-se a uma proibição judicial de "publicar reportagens que contenham informações da Operação Faktor", envolvendo a família Sarney.

Pois este mesmo jornal que defende a "liberdade de imprensa" censurou esta semana uma de suas próprias articulistas.
Após publicar um artigo intitulado "Dois pesos...", no dia 2 de outubro, no qual expõe algumas denúncias infundadas que vêm sendo propagadas na internet por defensores da oposição, a psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida do jornal (veja entrevista com a psicanalista no Terra), tornando o título de seu artigo ainda mais apropriado.
Essa tal "liberdade de expressão" vale apenas para os donos dos jornais. Quem não concorda com a opinião deles é demitido. Você ainda acreditava que jornais serviam para informar?
E viva a democracia!

Leia abaixo o artigo de Maria Rita Kehl, vale a pena:


Dois pesos...

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.