Parabéns para todas nós, mulheres. Hoje é o nosso dia! E é ainda mais especial, pois esta data está fazendo seu centésimo aniversário!
Infelizmente, nós ainda precisamos de um dia. E infelizmente, ao invés dele servir para lembrar a todos o quanto ainda nos falta em direitos, este dia para a maioria das pessoas é apenas um dia para receber "parabéns" no Facebook e ganhar uma flor no supermercado.
O Equador fez uma campanha contra o machismo, com uns comerciais bem legais que passaram na tevê. Alguns deles podem ser vistos aqui. Por quê ninguém faz uma coisa parecida aqui no Brasil? Com o 8 de março caindo no meio do carnaval, o que nossas tevês estão mostrando são mulheres sambando seminuas...
*~*~*~*~*~*~*~* Deixo aqui uma homenagem musical a este dia:
Woman is the Nigger of the World John Lennon & Yoko Ono (letra traduzida aqui - o site esqueceu do nome da co-autora, olha só...)
"A mulher é o escravo dos escravos"
Sisters, O Sisters Yoko Ono (letra traduzida aqui - a autora foi a Yoko, ao contrário do que diz o site)
As duas canções encontram-se no álbum "Some Time in New York", de John e Yoko. Você sabia que Yoko Ono, além de três álbuns em conjunto com o marido (que são fáceis de encontrar atualmente, pois a gravadora EMI relançou recentemente os trabalhos de John na fase pós-Beatles), lançou muitos trabalhos próprios e continua ativa até hoje (em 2010 saiu o álbum "Between My Head and the Sky")? E que nenhum de seus trabalhos foi lançado no Brasil? A Carta Capital publicou um artigo muito interessante sobre ela, no final do ano passado... recomendo.
Numa das minhas primeiras postagens, prometi que um dia me dedicaria a falar sobre o rock feminino nacional.
Poucos imaginam que o rock começou no país, oficialmente, com uma mulher. O primeiro rock gravado por aqui foi "A Ronda das Horas", em 1955, com a cantora de samba-canção Nora Ney - um cover de "Rock Around the Clock".
Confesso que foi difícil selecionar bandas boas; tem muita banda ruinzinha por aí. E não é porque é banda feminina, não! Dentre as bandas de homens também, para cada banda boa tem uma centena de porcarias.
Esta banda carioca, formada em 2006, descreve seu som no Myspace como uma mistura do "som cru do proto punk com música de cabaret e letras envenenadas", com "pitadas de psychobilly, psicodelia, glitter e dor-de-cotovelo".
Ela é formada por Flávia Couri (Guitarra e Voz ), Luciana Morozini (Baixo) e Helga Balbi (Bateria). Já lançou um CD autoral e um videoclipe, ambos intitulados “Envenenada”.
Confira a música "Odes e Lamentos":
Blue Sheep
Da página no Myspace: "A Blue Sheep é um Power Trio feminino formado em meados de 2008 por Eveline (Guitarra), Gabi (Bateria) e Béa (Baixo e Vocal). Com cerca de 1 ano de formação o trio possui músicas próprias e covers de bandas como ZZ Top, Stevie Ray Vaughan e Grand Funk Railroad no repertório, trazendo uma proposta sonora de Hard Blues simples e de qualidade! Em março de 2009 teve sua primeira estréia nos palcos e desde então recebeu boas críticas, ganhando espaço para mostrar seu som: Rock’n Roll!"
Infelizmente, a banda acabou no início deste ano.
Abaixo, um vídeo desta banda de João Pessoa (PB), canção (delas) "Reviens":
E a mesma canção, versão acústica, só voz e violão:
Banda de São Paulo, formada por três mulheres e dois homens: Juliana Freitas (Vocal), Rita Marques (Composições e Guitarra), Raquel Abdian (Teclado, guitarra e backing vocal), Felipe Melloso (Baixo) e Ale Totti (Bateria). Já lançou um cd ("O Jogo Mal Começou"), com capa bem estilosa, e o site é bem estiloso também, seguindo o mesmo tema.
Banda de Goiânia formada por cinco garotas (Sarah - vocal; Lola - baixo; Carol - bateria; Bullas - guitarra solo; Kaju - guitarra base) em 2008. Cantam músicas em inglês.
O som é bem decente, confiram vocês mesmos no clipe da música "Get Off":
Banda formada em 1996 e que, infelizmente, acabou em 2006. Também tinha 5 integrantes, quatro mulheres e um homem (Silvana Mello - vocal; Alê Briganti - baixo e vocal; Eliane Testone - guitarra e vocal; Helena Fagundes - bateria; Danilo Costabile - guitarra).
Em 2003, lançou seu primeiro CD, "La Motocyclette", do qual saiu o clipe da música "Igloo":
Só a vocalista (Bia Lombardi) é do sexo feminino, mas achei que valia a pena entrar para este Top 10.
A banda conta com a participação de Heraldo Paarmann, ex-guitarrista do Ultraje a Rigor.
Seu primeiro CD, "Grow Up", foi lançado em 2008. Esta banda também canta em iglês.
Gostei da música "Sanity", mas aviso que o refrão é bem grudento.
Siete Armas
Banda de Sampa formada em 2006, com cinco garotas na formação: Débora Lopes (voz), Lu Carvalho (guitarra), Nessa Salvado (guitarra), Sarah C. Si. (baixo) e Helena Krausz (bateria). As principais influências são Bob Dylan, Johnny Cash, Doors, Beatles, Stones, Led Zeppelin. Segundo o Myspace da banda, as letras "falam sobre comportamento, política, poesia, dinheiro, status e viagens extra-sensoriais, entre outros".
O som é melhor no Myspace do que nas gravações ao vivo que encontrei no YouTube, mas dá pra curtir um pouco. Música "So Blues":
Banda gaúcha formada em 2007, com Juliana Nólibos (baixo e backing vocals), Luiza Gressler (guitarra and backing vocals) e Mariana Corbellini (bateria e vocal).
Mais uma banda cantando em inglês... mas o som é bem legal. Em 2008 elas abriram o show de The Donnas em Porto Alegre.
Banda de Sorocaba (SP), formada por Flavia Biggs (vocal e guitarra), Mayra Biggs (vocal e baixo) e Brown Biggs (bateria). Não, eles não nasceram com esse sobrenome. Na estrada desde 1997, tem dois CDs lançados: Wishful Thinking (2000) e The Roll Call (2007). Músicas em inglês. Em comparação com as outras bandas já mencionadas, o som do The Biggs é mais pesado, vocal mais gritado, mas eu gosto também.
Aqui vai o clipe de "I Know it":
The Moxine
Também cantando em inglês, a banda de Monica Agena (vocal e guitarra - já foi guitarrista da banda Natiruts), Hagape Cakau (baixo) e Caju (bateria) foi formada em 2009, e já se apresentou em palcos internacionais.
Segundo o Myspace, "o Moxine representa uma síntese de um bom rock dançante e canções com belas melodias".
O som é bem limpo, parece bem profissional mesmo. Vale a pena ouvir!
Não deixa de me espantar a razão desproporcional entre homens e mulheres famosos no mundo da música, e no rock em particular. São poucas as mulheres que conseguem estourar na mídia e ficar conhecidas, mas desde os primórdios do rock elas estão por aí, fazendo um som incrível. Decidi partilhar com vocês alguns vídeos dessas mulheres pioneiras. Prometo dedicar outra postagem a bandas brasileiras da atualidade, e aceito sugestões!
Começo com a maravilhosa Ruth Brown com a canção Mama He Treats Your Daughter Mean, gravação de 1955. A primeira música que ouvi na voz dela foi This Little Girl is Gone-a-Rocking, que baixei porque curti o título e não me arrependi.
Wanda Jackson ganhou o título de Rainha do Rock. Ela tem músicas muito legais, mas algumas coisas são muito country pro meu gosto... O vídeo abaixo é de 1958, música Hard Headed Woman.
Janis Martin, por sua vez, foi denominada "O Elvis Presley de Saia". Ela fez sucesso ainda adolescente, nos anos 50. Infelizmente, uma série de circunstâncias (incluindo a dificuldade de marcar shows, porque se parte do público já considerava Elvis "indecente", o que não diriam de uma garota roqueira, mas em particular o fato de ter se casado e engravidado bastante nova) interrompeu sua carreira, e ela só voltou a subir nos palcos após os 50 anos de idade. Não encontrei filmagens antigas, mas a montagem abaixo ficou bem razoável. A música chama-se Drugstore Rock'n'Roll.
Para encerrar, bem, vocês talvez saibam que está para ser lançado um filme sobre a banda dos anos 70 The Runaways. Esta banda ficou conhecida como a primeira banda de rock formada por garotas, mas provavelmente é mais correto dizer que foram a primeira banda formada por garotas a fazer sucesso. Sua integrante mais famosa foi Joan Jett, que seguiu carreira solo e emplacou o clássico I Love Rock'n'Roll nos anos 80. O filme tem Kristen Stewart (de Crepúsculo) no papel de Joan e uma Dakota Fanning mostrando que cresceu e não é mais uma "grande menina", interpretando Cherie Curie. Não vou fazer críticas ao filme antes de vê-lo, mas gostei do clipe de divulgação da música Cherry Bomb. Além de terem certa semelhança física com as personagens, as atrizes cantam mesmo, e até que se viram bem. Quero ver! Infelizmente, parece que só estréia por aqui no final do ano...
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