Infelizmente, a violência obstetrícia é muito comum no Brasil. E não apenas entre mulheres com baixo poder aquisitivo.
Uma em cada quatro mulheres relata maus-tratos durante o parto.
Temos que lutar! A próxima pode ser você!
Vídeo realizado por Bianca Zorzam, Ligia Moreiras Sena, Ana Carolina Arruda Franzon, Kalu Brum e Armando Rapchan.
Leia mais:
- Parto no Brasil
- Mamíferas
- Parto Humanizado
- Parto do Princípio
- Cientista que virou mãe
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
A Parada do Espinafre
Não sei por quê tanta comoção por causa da coluna de José Roberto Guzzo na última edição da Óia Veja...
Confesso quenem chego perto não leio essa revista e que a princípio, quando li a tal coluna, até concordei com algumas críticas.
Mas depois, pensando bem, vi que ele está com a razão.
Ora, eu não gosto de espinafre, e não aceito que ninguém venha me tirar o direito de dizer que não gosto de espinafre!
Não tenho nada contra gente que gosta de espinafre, desde que não queira exibir seu estilo de vida na frente de todo mundo. Mas eles querem comer espinafre em público! Querem direitos especiais! Vê se pode!
Caros leitores, existe um verdadeiro complô dos comedores de espinafre para dominar o mundo.
E o nosso governo participa disso! Você sabe o que o governo faz com os nossos impostos?
Imaginem vocês que muitas escolas públicas servem espinafre na merenda de crianças inocentes!
Incentivando o espinafrismo, como se fosse a coisa mais natural do mundo!
COMO o Malafaia ainda não falou sobre essa ameaça gravíssima à sacrossantidade da família?!?
Guzzo, eu te entendo!
Depois de ler a coluna do Guzzo eu entendi que querer casar com a pessoa que se ama é a mesma coisa que querer casar com uma cabra! Que bobagem, não? Como se não desse para ser feliz só com um relacionamento estável com uma cabra!
Tem até um site de relacionamentos para ajudar VOCÊ a encontrar sua cabra-metade! É só clicar aqui!
Será que o Guzzo já encontrou a dele?
Espero que cabras e antas sejam compatíveis...
(peço desculpas por ofender as antas e as cabras, mas espero que elas não sejam como as feminazis e entendam que foi só uma piada. Nossa, tô empatizando até com o RafinhaBosta Bastos!)
Falando sério agora, tem ato em repúdio à Veja e à homofobia na sexta-feira dia 23/11 em frente à Editora Abril (Av. das Nações Unidas, 7221). Aqui a página do evento no Facebook. Divulgue!
Você já cancelou sua assinatura da Veja hoje?
Confesso que
Mas depois, pensando bem, vi que ele está com a razão.
Ora, eu não gosto de espinafre, e não aceito que ninguém venha me tirar o direito de dizer que não gosto de espinafre!
Não tenho nada contra gente que gosta de espinafre, desde que não queira exibir seu estilo de vida na frente de todo mundo. Mas eles querem comer espinafre em público! Querem direitos especiais! Vê se pode!
Caros leitores, existe um verdadeiro complô dos comedores de espinafre para dominar o mundo.
E o nosso governo participa disso! Você sabe o que o governo faz com os nossos impostos?
Imaginem vocês que muitas escolas públicas servem espinafre na merenda de crianças inocentes!
Incentivando o espinafrismo, como se fosse a coisa mais natural do mundo!
COMO o Malafaia ainda não falou sobre essa ameaça gravíssima à sacrossantidade da família?!?
Guzzo, eu te entendo!
Depois de ler a coluna do Guzzo eu entendi que querer casar com a pessoa que se ama é a mesma coisa que querer casar com uma cabra! Que bobagem, não? Como se não desse para ser feliz só com um relacionamento estável com uma cabra!
Tem até um site de relacionamentos para ajudar VOCÊ a encontrar sua cabra-metade! É só clicar aqui!
Será que o Guzzo já encontrou a dele?
Espero que cabras e antas sejam compatíveis...
(peço desculpas por ofender as antas e as cabras, mas espero que elas não sejam como as feminazis e entendam que foi só uma piada. Nossa, tô empatizando até com o Rafinha
Falando sério agora, tem ato em repúdio à Veja e à homofobia na sexta-feira dia 23/11 em frente à Editora Abril (Av. das Nações Unidas, 7221). Aqui a página do evento no Facebook. Divulgue!
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Dia da Visibilidade Lésbica
A data vem acompanhada de uma má notícia:
Casal de namoradas executado em Camaçari
... e de uma boa notícia:
Pela primeira vez na cidade de São Paulo um casal de lésbicas conquistou o direito de estarem as duas na certidão de nascimento dos filhos.
Homofobia mata!
Direitos iguais para todos!
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012
67 anos da bomba atômica
Era Little Boy, a primeira bomba atômica.
A temperatura do ambiente foi de 26 graus centígrados para cerca de 4mil graus.
Cerca de 100.000 homens, mulheres e crianças morreram no momento da explosão. Muitas, literalmente, evaporaram. Outras dezenas de milhares morreram nos meses e anos que se seguiram, em conseqüência de queimaduras e efeitos da radiação. O governo lista um total de 275.230 vítimas fatais.
À direita, um relógio que parou no momento da explosão.
Três dias depois, os americanos lançaram outra bomba atômica, na cidade de Nagazaki.
Eu tinha uns oito anos quando li uma reportagem sobre a bomba de Hiroshima, e fiquei traumatizada.
Era incompreensível - e ainda é! - que alguém fosse capaz de fazer isso com outras pessoas. E era assustador - e ainda é! - que armas assim ainda existam, que genocídios continuem acontecendo, e que o sofrimento de tanta gente seja invisível para tantas outras.
Em 2010, eu tive a oportunidade de passar duas semanas no Japão, e fui a Hiroshima.
Hoje, a cidade-símbolo da destruição da guerra é também um símbolo de paz e de renascimento.

alvo para o lançamento da bomba, ao centro (a ponte em forma de T).
Do site do Museu Memorial da Paz de Hiroshima
(as outras fotos nesta postagem são todas minhas)
Abaixo, detalhe da Chama da Paz
A Chama da Paz foi acesa em agosto de 1964, e permanecerá acesa "até o dia em que todas as armas nucleares forem banidas da Terra" (provavelmente para sempre, apesar do discurso esperançoso que o prefeito de Hiroshima proferiu hoje).
À direita, o que sobrou dele
Outros ângulos do Domo:
o que até então era uma cidade virou somente escombros
Todos esses prédios, pontes e ruas tinham pessoas que iam para o trabalho, para a escola, brincavam, tomavam café da manhã, esperavam o ônibus... e no instante seguinte não existiam mais, ou seus corpos estavam cobertos de queimaduras. Muitas das vítimas eram adolescentes, que não tiveram aula naquele dia e trabalhavam demolindo algumas casas para evitar que, no caso de um bombardeio, o fogo se espalhasse.
O Museu da Paz exibe objetos pessoais (como roupas queimadas, lancheiras com o conteúdo carbonizado, e relógios parados, como o que está no início desta postagem) e conta a história de algumas dessas milhares de pessoas. Muitos desses objetos e histórias podem ser vistos no site do museu. Um objeto que me impactou, pessoalmente, foi o triciclo de um garotinho de três anos que brincava no quintal de casa no momento da explosão. Ele sofreu queimaduras graves, e morreu três dias depois.
Muitos dos que sobreviveram à bomba adoeceram e morreram muitos anos depois em conseqüência de doenças causadas pela radiação.
Foi o caso da vítima mais famosa da bomba, Sadako Sasaki, que tinha apenas dois anos de idade quando a bomba explodiu. Ela estava dentro de casa com a família e não sofreu ferimentos graves, apesar do impacto da bomba a ter lançado para longe da janela.
Sadako foi diagnosticada com leucemia aos doze anos de idade, e os médicos declararam que ela teria poucos meses de vida.
Segundo uma lenda japonesa, a cegonha ou tsuru vive mil anos e tem o poder de conceder desejos. Quem fizer mil tsurus em origami terá um desejo atendido. (veja aqui como fazer tsurus em origami)
Enquanto estava internada no hospital, Sadako passou a fazer tsurus com a esperança de que, ao completar mil, estaria curada. Segunda uma versão de sua história, ela teria completado os mil pássaros e seguido fazendo mais ao ver que não estava curada. Segundo outra versão, Sadako teria dobrado apenas 644 antes de morrer, em 25 de outubro de 1955, e seus colegas de escola teriam dobrado os 366 tsurus restantes.
Após a sua morte, seus colegas arrecadaram fundos e construíram um monumento no Parque da Paz em homenagem a Sadako e a todas as crianças vítimas da bomba atômica. Na base do monumento, estão gravadas as palavras: "Este é o nosso grito. Esta é a nossa oração. Paz na terra".
Sadako Sasaki e o tsuru tornaram-se símbolos da paz conhecidos no mundo inteiro.
O Parque da Paz exibe tsurus enviados por pessoas de vários países:
Todos trazem o mesmo desejo: que nunca mais aconteça.
O rio, que a reportagem que li 20 anos atrás contava estar cheio de cadáveres das pessoas que buscavam alívio para a dor das queimaduras, está hoje cheio de peixinhos e camarões; cheio de vida.
O Castelo de Hiroshima (à direita), ao redor do qual a cidade cresceu, no século XVI, foi reconstruído tal como era antes.
Poderíamos nos esquecer do que aconteceu no dia 6 de outubro de 1945, e pensar que ele sempre esteve lá, imutável.
Mas o Domo e o Parque da Paz não nos deixam esquecer.
É preciso lembrar da luz, do fogo, dos escombros, das crianças. Que o sofrimento daquelas pessoas e de suas famílias nunca seja esquecido, e sirva de lição para a humanidade!
Eu disse acima que a Chama da Paz deve ficar acesa para sempre. Espero que provem que eu estou errada.
Paz!
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
Absurdo! Imoral! Ilegal! CREMERJ proibe doulas e parteiras e cerceia parto domiciliar
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) deu um grande golpe no direito de escolha das parturientes.
Depois de atacar o médico-obstetra e professor da UNIFESP Jorge Kuhn por manifestar apoio ao parto domiciliar em gestações de baixo risco em um programa de televisão - ato que incentivou a Marcha pelo Parto em Casa em várias cidades do Brasil no dia 17 de junho, em defesa da liberdade de escolha e da humanização do parto -, o Cremerj publicou duas resoluções que cerceiam direitos das mulheres e ameaçam o bem-estar e a segurança do parto.
A Resolução 265/12, publicada no último dia 19, proíbe a presença de médicos em partos domiciliares e os impede de fazer parte de equipes de suporte, caso haja necessidade de remoção da mulher para ambiente hospitalar. Médicos cariocas que participarem de partos em casa serão punidos pelo Conselho.
"Art. 1º É vedada a participação do médico nas chamadas ações domiciliares relacionadas ao parto e assistência perinatal.Daí para criminalizar o parto domiciliar é um passo!
Art. 2º É vedado ao médico participar de equipes de suporte e sobreaviso, previamente acordadas, a partos domiciliares.
Art. 3º Ficam excetuadas as situações de urgência/emergência obstétrica, devendo ser feita a notificação compulsória ao CREMERJ, circunstanciando o evento.
Art. 4º É compulsória a notificação ao CREMERJ, pelos Diretores Técnicos e plantonistas de unidades hospitalares, do atendimento a complicações em pacientes submetidas a partos domiciliares e seus conceptos ou oriundas das chamadas “Casas de Parto”.
Art. 5º O descumprimento desta Resolução é considerado infração ética passível de competente processo disciplinar."
A Resolução 266/12, publicada no mesmo dia, proíbe a participação de "doulas, obstetrizes, parteiras, etc." "durante e após a realização do parto, em ambiente hospitalar", privando a mulher do direito de escolher a equipe de profissionais que acompanhará seu parto.
"Art. 1º É vedada a participação de pessoas não habilitadas e/ou de profissões não reconhecidas na área da saúde durante e após a realização do parto, em ambiente hospitalar, ressalvados os acompanhantes legais.
Parágrafo único. Estão incluídas nesta proibição as chamadas “doulas”, “obstetrizes”, “parteiras”, etc.
Art. 2º Esta Resolução não se aplica às enfermeiras obstetrizes legalmente reconhecidas conforme disposto nos incisos II e III do artigo 6º da Lei nº 7.498/86.
Art. 3º O descumprimento desta Resolução é considerado infração ética passível de competente processo disciplinar."
Estas medidas estão em desacordo com evidências científicas que demonstram que o parto domiciliar não representa aumento nos riscos para parturientes e recém-nascidos em gestações de baixo risco (ver, por exemplo, de Jonge et al., 2009. Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529 688 low-risk planned home and hospital births) e que o acompanhamento de profissionais qualificados, como obstetrizes e doulas, está relacionado a uma melhoria da qualidade da experiência do parto e redução de intervenções desnecessárias (ver, por exemplo, Hodnett et al., 2011. Continuous support for women during childbirth).
Além disso, as resoluções do Cremerj contrariam as recomendações da Organização Mundial da Saúde
- Respeitar a escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações....a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetricia (FIGO)
- Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante.
- Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto.
- Respeitar a escolha da mulher quanto ao acompanhante durante o trabalho de parto e parto.
"uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura"...o Ministério da Saúde
"É direito da mulher definir durante o pré-natal o local onde ocorrerá o parto"...e o próprio Código de Ética Médica!
"O parto natural pode ser realizado em maternidades, Centros de Parto Normal e em casa, mas é preciso contar com o acompanhamento de uma equipe especializada, liderada por enfermeiros-obstetras ou obstetrizes. Nesse tipo de parto, a presença de uma doula também é bastante apropriada, visto que ela oferece suporte físico e emocional à parturiente, transmitindo confiança, segurança e suporte afetivo, físico e emocional."
"Parto domiciliar: Este tipo de parto é realizado na casa da parturiente. É recomendado apenas para gestações de baixo risco e deve ser conduzido por um médico ou enfermeiro-obstetra. Durante o trabalho de parto, é preciso garantir que a gestante possa ser transferida para um hospital se for registrado qualquer problema ou complicação."
"No Brasil, nas regiões do campo e da floresta, muitas crianças nascem pelas mãos de parteiras tradicionais, mulheres que, de forma voluntária, seguem o ofício de ajudar outras mulheres a parir. Cada vez mais o governo brasileiro reconhece o valor e o trabalho das parteiras tradicionais, que também atuam nos centros urbanos."
Capítulo I, inciso XXI:
"No processo de tomada de decisões profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas."
O Cremerj não está agindo em prol do bem-estar das mulheres e de seus bebês.
Ele está, isso sim, agindo em benefício próprio, fazendo reserva de mercado e aumentando o poder dos médicos sobre nossos corpos e nossos direitos.
Assine a petição contra as resoluções 265 e 266/12 do Cremerj: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=265266RJ
No Rio de Janeiro haverá uma manifestação contra a atitude do Cremerj no domingo, 5 de agosto na praia de Ipanema, a partir das 14hs.
Página do evento no Facebook: Marcha pela Humanização do Parto - RJ
Leia mais:
- Notas de repúdio às resoluções do Cremerj: Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (COREN-RJ), Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (GAMA), Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO)
- Conselho entra com ação civil contra veto a parteiras em hospital no RJ
- Mulheres X Cremerj
- Mulheres do RJ - sentem no cantinho e obedeçam o Cremerj
- Parto só no hospital. E sem a sua doula.
- Resolução 267/12 do Cremerj: Proibida a utilização vaginal
AS RESOLUÇÕES DO CREMERJ REDUZEM O BEM-ESTAR E A SEGURANÇA DAS MULHERES E DOS RECÉM-NASCIDOS!
ESCOLHER ONDE E COMO PARIR É UM DIREITO DA MULHER!
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quarta-feira, 25 de abril de 2012
"Chegou a hora": discurso do secretário-geral da ONU contra a homofobia
No dia 7 de março de 2012, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um discurso histórico contra a violência, a discriminação e a criminalização de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros.
Alguns membros do Conselho de Direitos Humanos abandonaram a sessão em protesto.
Veja abaixo uma versão "remix" do discurso:
(só achei a música de fundo meio esquisita, mas tá valendo)
Direitos humanos são para todos! Homofobia mata!
Alguns membros do Conselho de Direitos Humanos abandonaram a sessão em protesto.
Veja abaixo uma versão "remix" do discurso:
(só achei a música de fundo meio esquisita, mas tá valendo)
Direitos humanos são para todos! Homofobia mata!
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sexta-feira, 2 de março de 2012
Líder rural ameaçada de morte: "Eu sei que eles vão me matar"
Depoimento de Nilcelene Miguel de Lima, líder rural ameaçada de morte por grileiros e madeireiros do sul do Lábrea (Amazonas):
Trechos do artigo Mesmo com proteção, ativista diz que será assassinada, no Blog do Sakamoto:
Trechos do artigo Mesmo com proteção, ativista diz que será assassinada, no Blog do Sakamoto:
"Eles começaram a receber ameaças quando Nilce assumiu a presidência de associação criada pelos pequenos produtores para defender o grupo contra invasões de terra e roubo de árvores. Ao denunciar os madeireiros e grileiros, Nilce foi espancada e teve sua casa queimada em um incêndio anunciado. Em maio de 2011, teve que fugir enrolada em um lençol para despistar o pistoleiro de campana no portão. Depois de seis meses e muitos apelos da Comissão Pastoral da Terra, Nilce entrou no programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Em outubro, uma equipe da Força Nacional foi deslocada para que ela pudesse voltar para casa.Mais informações: leia a reportagem de Ana Aranha em apublica.org.
(...) Representantes do governo revelaram que eles também sofrem ameaças do crime local. Houve até um caso de agressão física contra funcionária do Incra. Mas, quando confrontado pela truculência do crime organizado, ao invés de voltar com mais força para enfrenta-la, o governo recua. Movimento que fortalece os criminosos.
Foi assim com o programa de regularização fundiária Terra Legal. Lábrea foi o primeiro município da Amazônia a receber o programa pois está no “Arco Verde” – ocupação que cerca a floresta nativa, onde avança a grilagem e extração de madeira. Mas o processo foi adiado. Devido a ameaças, a empresa contratada para o georeferenciamento não cumpriu o contrato e o governo abriu nova licitação.
Até hoje, nenhum título foi entregue. Pior: o conflito se agravou. Depois de iniciado o processo, a corrida pela terra se intensificou."
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quinta-feira, 1 de março de 2012
"Guerra" entre evangélicos e psicólogos - homossexualidade NÃO é doença!!!
Vi no Facebook:

Para entender melhor o que está acontecendo, leia o (ótimo) artigo de Hélio Schwartsman na Folha.
Homossexualidade NÃO é doença.
Mas a homofobia mata.

Para entender melhor o que está acontecendo, leia o (ótimo) artigo de Hélio Schwartsman na Folha.
Homossexualidade NÃO é doença.
Mas a homofobia mata.
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
domingo, 25 de setembro de 2011
Carta aberta das metroviárias de SP: Zorra Total faz apologia à violência sexual
O Sindicato dos Metroviários já havia denunciado.
Agora, as metroviárias publicaram uma carta aberta à população, denunciando quadro do programa Zorra Total que faz apologia à violência sexual.
NÃO É ENGRAÇADO!
(Vi no Maria da Penha Neles, que pegou do Contexto Livre. Vamos espalhar!)
Agora, as metroviárias publicaram uma carta aberta à população, denunciando quadro do programa Zorra Total que faz apologia à violência sexual.
NÃO É ENGRAÇADO!
(Vi no Maria da Penha Neles, que pegou do Contexto Livre. Vamos espalhar!)
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Uma visão realista sobre a crise na Somália
Artigo do Dr. Unni Karunakara, presidente internacional dos Médicos Sem Fronteiras

Clique aqui para apoiar a missão dos MSF na Somália
Doutor Unni Karunakara, presidente internacional de Médicos Sem Fronteiras,
visita o hospital de MSF em Galcayo, cidade da Somália.
Foto de Sven Torfinn
5 de setembro de 2011 - A emergência atual na Somália e nos países vizinhos está sendo descrita por muitas organizações de ajuda humanitária e pela mídia em termos simplistas, como "fome no Chifre da África" ou "pior seca dos últimos 60 anos". Mas culpar apenas causas naturais é ignorar a complexa realidade geopolítica que contribui para essa situação e sugerir que a solução para tais problemas se resume apenas a arrecadar fundos e enviar alimentos para o Chifre da África. Infelizmente, esconder as causas humanas para a fome na região e as dificuldades na resposta à crise não vai ajudar a resolver os problemas.
Acabo de retornar do Quênia e da Somália e o que eu e meus colegas de Médicos Sem Fronteiras (MSF) vimos naqueles países foi uma situação profundamente perturbadora. Em Mogadíscio, conheci uma jovem da região de Lower Shebelle, no sul do país, que agora vive em um dos acampamentos improvisados que se multiplicam pela cidade. Ela deixou sua casa com o marido e seus sete filhos após uma colheita muito ruim, e porque não tinha dinheiro para comprar água e alimentos. Durante sua jornada, ela teve que deixar seu marido e três de seus filhos para trás, pois eles estavam muito fracos para completar a viagem de cinco dias até a capital. É triste perceber que a história dela reflete a de outras milhares de famílias nas regiões central e sul da Somália, que foram devastadas por anos de conflito e que chegaram ao seu limite com a seca.
A desnutrição é crônica em muitas áreas do Chifre da África, e é preciso que haja um esforço internacional de longo prazo para garantir que alimentos cheguem às pessoas que mais precisam deles. Hoje, no entanto, as necessidades mais urgentes estão concentradas nas regiões central e sul da Somália. E mesmo não conhecendo o panorama em todo o país, nós sabemos que a situação é crítica devido à enorme quantidade de somalis que chegam, fracos e exaustos, na capital, Mogadíscio, e em acampamentos no Quênia e na Somália.
As colheitas fracas exacerbaram uma situação que já era catastrófica. A Somália é o palco de uma guerra brutal entre o Governo de Transição, que recebe o apoio das nações ocidentais e é guardado pelas tropas da União Africana, e grupos armados de oposição, com destaque para o Al-Shabaab. Em um cenário político fracassado, essa guerra, combinada com as mortíferas rivalidades de diversos clãs no país, impediu que a ajuda humanitária internacional independente chegasse a várias comunidades. A população somali está encurralada, no meio de múltiplas forças que, seja por motivos políticos ou para enfraquecer seus oponentes, privam as pessoas de receber assistência. O acesso a cuidados de saúde é praticamente inexistente em grande parte do país.
Em meio a esse cenário, onde muitos interesses estão em jogo, é difícil para uma organização de ajuda médico-humanitária como MSF expandir a oferta de cuidados de saúde e realizar ações de impacto. MSF está trabalhando na Somália há duas décadas e tem projetos em nove locais, que estão sob domínio de diferentes lados do conflito – Governo de Transição e Al-Shabaab. Nós estamos fazendo o máximo possível para aumentar nossa presença no país e responder às crescentes necessidades. Já existem mais de 8 mil crianças com desnutrição aguda em nossos programas nutricionais no país, e muitas delas não estão sofrendo apenas de desnutrição. As quatro crianças que saíram de Lower Shebelle que conheci também estão com sarampo, além de desnutridas. Elas vivem com a mãe e com milhares de deslocados em acampamentos superlotados, sem condições sanitárias. Outras pessoas nesses campos reclamam de infecções nos olhos e na pele, e há ainda aquelas que estão fracas demais até para procurar alimentos ou cuidados médicos.
Em campos de refugiados no Quênia e na Etiópia, nós conseguimos oferecer ajuda médica e nutricional para dezenas de milhares de pessoas. Mas expandir as nossas atividades na Somália é um processo lento e difícil. MSF é constantemente forçada a fazer duras escolhas na hora de implementar ou aumentar suas atividades no país. E se não pudermos fazer avaliações independentes e oferecer assistência em áreas que acreditamos que estão mais afetadas, não seremos capazes de prevenir as piores conseqüências desta emergência.
A ajuda humanitária é vista no país, por todas as partes em conflito, como uma oportunidade ou uma ameaça. Em áreas consideradas como o centro desta crise, o Al-Shabaab, que já suspeita de interesses ocidentais no país, decretou a proibição da entrada de equipes internacionais, do envio aéreo de materiais e suprimentos médicos e da realização de campanhas de vacinação. Nem mesmo a suspensão temporária das restrições aos Estados Unidos na oferta de ajuda em certas áreas controladas pelo Al-Shabaab deve melhorar o acesso a cuidados de saúde. Em outros locais, a necessidade de conduzir intermináveis negociações para realizar procedimentos simples, como contratar uma enfermeira ou alugar um carro, toma grande parte de um tempo precioso, que poderia estar sendo empregado na resposta rápida que o país precisa.
A realidade da oferta de ajuda humanitária na Somália é a pior possível. Nossas equipes correm constantemente o risco de levarem tiros ou serem raptados enquanto tentam dar assistência médica fundamental para a população no país. Apesar de nossas constantes negociações com todas as partes do conflito para ganhar acesso a novas regiões, nós talvez tenhamos que nos conformar com a triste realidade de que não conseguiremos chegar até as comunidades que mais precisam de ajuda. Ou que teremos que comprometer parcialmente nossa independência quando finalmente conseguirmos chegar a elas.
É em meio a esse clima hostil que slogans como "Fome no Chifre da África" estão sendo utilizados com o objetivo de arrecadar grandes somas em dinheiro para enviar alimentos e outros suprimentos à região. Mas eu estou preocupado com o passo seguinte: levar assistência e suprimentos dos portos de Mogadishu às pessoas que necessitam deles urgentemente. A menos que todas as partes envolvidas no conflito removam as barreiras que separam organizações que podem salvar vidas das pessoas que dependem delas para sua sobrevivência, milhares de mortes que poderiam ser evitadas continuarão ocorrendo.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Estupro no exército
Por Luiz Cláudio Cunha em 22/08/2011 no Observatório da Imprensa
O estupro que Amorim herdou de Jobim
Na noite de 19 de maio passado, um soldado de 19 anos fazia a faxina no banheiro do alojamento de um quartel do Exército na cidade gaúcha de Santa Maria, terra natal do então ministro da Defesa, Nelson Jobim. De repente, sem nenhuma razão, foi atacado por outros quatro soldados, que o jogaram na cama e o violentaram várias vezes, em rodízio. Machucado, o jovem foi transferido em sigilo para um hospital militar, onde ficou internado durante oito dias. Só no quinto dia é que a família foi informada da internação, assim mesmo com uma falsa explicação: “Ele sofreu um mal súbito numa atividade interna do quartel”, fantasiou um militar aos pais do recruta.
A investigação interna do Exército corre sob sigilo militar, após a denúncia de um sargento sobre a violência sexual. Ninguém foi preso, já que não houve flagrante, e o inquérito já foi prorrogado, ampliando para três meses o mistério sobre o caso. O general Sérgio Westphalen Etchegoyen, responsável pela investigação, diz que a vítima foi isolada e mantida sob guarda pelo temor de que tentasse o suicídio. A mãe do jovem foi ameaçada de prisão, dentro do hospital, sob suposta “insubordinação contra autoridade militares”. Ainda na cama do hospital, o violentado ouviu o aviso de um soldado que fazia a guarda no seu quarto: “Tu vai se ferrar”.
O inquérito militar, segundo a família, deve concluir que tudo não passou de uma “luta corporal de brincadeira entre os rapazes”, complementando a divertida versão preliminar do Exército de “sexo consensual” do jovem, embora manietado por outros quatro soldados.
“Novas diligências”
Esta história escabrosa foi revelada com exclusividade, no final de maio, pelo Sul21, um site de Porto Alegre que escalou um repórter persistente, Igor Natusch, para acompanhar com destemor o caso. Estranhamente, ninguém mais da imprensa se interessou por este fato de inusitada violência cometida dentro de um quartel do Exército, em pleno regime democrático. O então ministro Nelson Jobim, procurado com insistência, não deu um pio, reforçando sua confissão de que vê os jornalistas como “idiotas sem modéstia”.
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, ficou chocada ao ser informada pelo repórter, no final de maio: “Isso é um crime comum, que deve ser tratado pela Justiça comum. O Código Penal Brasileiro já não concebe mais a ideia de ‘atentado violento ao pudor’. Todo crime sexual é conformado como estupro. A existência da figura do ‘atentado violento ao pudor’ no Código Militar demonstra um imenso equívoco no ordenamento jurídico brasileiro. Vou conversar com o Comando do Exército”.
Se Maria do Rosário conversou, ninguém sabe, ninguém viu.
Em Brasília, o crime foi empurrado para debaixo do edredom.
Em Porto Alegre, a Assembléia Legislativa gaúcha foi mais corajosa. “O Exército precisa responder à sociedade sobre o que aconteceu”, disse o deputado estadual Miki Breier (PSB), presidente da Comissão de Direitos Humanos. “Não é um caso de mau comportamento. É um fato gravíssimo, que pode manchar a imagem de uma instituição muito importante. Não pode ficar restrito ao foro interno do Exército”. O deputado Jeferson Fernandes (PT), enviado a Santa Maria pela comissão, conseguiu vencer o bloqueio em torno do jovem e conversar com ele. Voltou de lá ainda mais preocupado, ao ouvir sua resposta para a alegada tentação ao suicídio: “É o que eu mais penso, todos os dias”, confessou o recruta ao parlamentar, segundo relato do Sul21.
Apesar da solitária insistência do repórter Igor Natusch, a investigação militar patina, apostando na falta de reação popular e na indulgente memória coletiva. No final de julho, o Ministério Público Militar devolveu o inquérito sobre o estupro de Santa Maria à Justiça Militar, a pretexto de novas diligências, desta vez num celular apreendido que traria cenas de vídeo da violação. Não se sabe, até agora, quais os novos prazos para apresentar a conclusão das investigações.
Crime covarde
A baixa repercussão e a restrição de informações sobre o crime praticado no sul, dentro de um quartel, é um grave sintoma deste Brasil covarde: um país que não tem coragem de confrontar os crimes militares do presente não terá, jamais, força moral para resgatar os crimes militares do passado, como as torturas e violências (muitas sexuais) praticadas na longa ditadura de 21 anos instalada em 1964. O caso sigiloso, inconcluso e vergonhoso de Santa Maria é uma herança maldita que Nelson Jobim legou, sem dó nem consciência, ao seu sucessor Celso Amorim.
É um constrangimento – mais um – para a presidente Dilma Rousseff justamente quando o Ministério da Justiça abre em Brasília, a partir de segunda-feira (22), a ‘Semana da Anistia’, embalada por um lema inspirador: “Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”.
O bravo site do sul e seu corajoso repórter estão fazendo a sua parte para que não se esqueça o covarde crime do quartel de Santa Maria.
Já os governantes civis e comandantes militares não mostraram, até agora, o que fazem para que ele nunca mais aconteça.
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terça-feira, 24 de maio de 2011
Maria e Zé Claudio: a Amazônia ganha mais dois mártires
Esta manhã, o casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo foram assassinados, em Nova Ipixuna, no Pará.
Eles foram vítimas de uma emboscada em uma ponte a 8km de sua casa, onde dois homens os alvejaram com muitos tiros de escopeta, revolver calibre 38 e pistola 380.

O casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo,
assassinados no Pará em 24/05/2011
Há vários meses o casal denunciava que estava sob ameaça. Eles moravam no assentamento extrativista Praia Alta/Piranheira, viviam de castanhas coletadas na floresta, e denunciavam madeireiros e carvoeiros que derrubavam árvores ilegalmente na área do assentamento.
Seus nomes juntam-se aos nomes de muitos outros mártires.
O Sul do Pará é considerado a região mais violenta do campo no Brasil.
Foi lá que também ocorreram o massacre de Eldorado dos Carajás e o assassinato da missionária Dorothy Stang.
Até quando o lucro vai ser mais importante do que a vida de alguém??
Veja o depoimento de Zé Claudio em novembro de 2010 no TEDxAmazônia:
A notícia do assassinato foi destaque na Al Jazeera e no The Guardian. Leia mais, também, na Carta Capital.
*~*~*~*~*~*~*~*
Enquanto isso, o Código Florestal está na pauta para ser votado esta noite na Câmara.
Eles foram vítimas de uma emboscada em uma ponte a 8km de sua casa, onde dois homens os alvejaram com muitos tiros de escopeta, revolver calibre 38 e pistola 380.

assassinados no Pará em 24/05/2011
Há vários meses o casal denunciava que estava sob ameaça. Eles moravam no assentamento extrativista Praia Alta/Piranheira, viviam de castanhas coletadas na floresta, e denunciavam madeireiros e carvoeiros que derrubavam árvores ilegalmente na área do assentamento.
Seus nomes juntam-se aos nomes de muitos outros mártires.
O Sul do Pará é considerado a região mais violenta do campo no Brasil.
Foi lá que também ocorreram o massacre de Eldorado dos Carajás e o assassinato da missionária Dorothy Stang.
Até quando o lucro vai ser mais importante do que a vida de alguém??
Veja o depoimento de Zé Claudio em novembro de 2010 no TEDxAmazônia:
A notícia do assassinato foi destaque na Al Jazeera e no The Guardian. Leia mais, também, na Carta Capital.
*~*~*~*~*~*~*~*
Enquanto isso, o Código Florestal está na pauta para ser votado esta noite na Câmara.
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
17/05: Dia Internacional Contra a Homofobia!
Uma mensagem a todos os Bolsonaros do Brasil:
Música: Fuck You, de Lily Allen
Ou, como colocou Sir Ian McKellen:

Algumas pessoas são gays.
Supere isso.
PS: o meu corretor ortográfico não sabia o que é homofobia.
Música: Fuck You, de Lily Allen
Ou, como colocou Sir Ian McKellen:

Supere isso.
PS: o meu corretor ortográfico não sabia o que é homofobia.
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
Adeus às armas?
Um homem perturbado entrou em uma escola municipal no Rio de Janeiro, matou dez meninas e dois meninos, e se suicidou após ser atingido por um policial.
O caso suscitou muitas discussões pelo país.
Comparações com o caso da escola de Columbine, nos EUA, em 1999 levaram a (necessários) debates sobre bullying e sobre segurança nas escolas.
Menos atenção tem sido dada ao aspecto de crime de ódio, expresso nos números de vítimas e nos depoimentos de testemunhas.
(os nomes de algumas das vítimas podem ser vistos na foto ao lado, da homenagem feita pelo U2 durante o show no Morumbi no dia 09/04)
O assassino não foi à escola para matar crianças.
Foi matar especificamente meninas.
Uma das coisas que mais estão dando o que falar é a ressurreição da discussão sobre o desarmamento.
O revólver 38 que foi disparado contra as crianças era, originalmente, uma arma legal, comprada há 18 anos e, posteriormente, roubada.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), apresentou ontem o projeto de realização de um novo plebiscito sobre o desarmamento (houve um referendo sobre o mesmo assunto em 2005), a ser realizado no dia 02 de outubro deste ano.
A pergunta do plebiscito seria "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"
Em 2005, 60% da população votou contra a proibição.
Sarney acredita que "a população foi induzida ao erro", pois "o que se nota é que a venda de armas torna o cidadão ainda mais vulnerável. E não seguro".
"A sociedade muda. O que estamos vivendo hoje não é o que vivíamos há alguns anos. Precisamos repensar o que foi decidido."
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, apoia a proposta.
Na realização do referendo de 2005, foram gastos 5,7 milhões de reais na campanha contra o desarmamento, quase toda patrocinada por empresas de armamentos. A Taurus doou R$ 2,8 milhões e a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), outros R$ 2,7 milhões.
A campanha pelo fim do comércio gastou R$ 2,2 milhões.
Gostaria de declarar que sou contra o comércio de armas de fogo e sou favorável à realização de um novo plebiscito.
Não sei se o episódio fez uma parcela significativa da população mudar de opinião, mas acredito que a opinião de muitas pessoas tenha sido manipulada na época do referendo pelo lobby dos fabricantes de armas e pela forte campanha contra o desarmamento feita por veículos de[des]informação como a revista Veja e a Rede Globo.
A proibição do comércio de armas não vai acabar com o comércio ilegal.
Mas vai reduzir a entrada de armas, antes legais, no mercado ilegal. Como foi o caso da arma usada na escola do Realengo.
Nem toda arma no mercado ilegal entrou em circulação ilegalmente. Quem tem controle sobre o paradeiro de uma arma na casa, carro ou bolsa de alguém?
E armas adquiridas legalmente não se tornam menos perigosas!
Eu não quero que você tenha uma arma em casa se meu filho for amigo do seu filho e for brincar na sua casa. Eu não quero que você tenha uma arma em casa e ela seja roubada por bandidos. Eu não quero que você tenha uma arma e seu filho ou sobrinho adolescente vítima de bullying um dia resolva levá-la para a escola para "se defender" ds colegas que o maltratam, ou utilize-a para cometer suicídio (óbvio que pessoas cometem suicídio sem ter armas, mas conheço pessoalmente casos de adolescentes que se mataram com a arma dos pais. E não conheci pessoalmente ninguém que tenha se matado de outra maneira, mas conheço gente que tentou, não deu certo, e hoje são felizes por não ter funcionado). Eu não quero que você tenha uma arma em casa e corra o risco de um dia decidir usá-la (você, ou sua esposa, seu irmão, seu pai, seu filho...) quando tiver uma briga no trânsito ou ou uma crise de ciúmes.
"Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas."
É verdade.
As armas apenas tornam isso infinitamente mais fácil.
Armas não sevem para proteger. Armas servem para matar.
E eu não acredito que o "cidadão comum" seja capaz de lidar com o poder imediato de vida e morte que uma arma proporciona.
Carolina Daemon (praticante de tiro, acho que vale a pena acrescentar este detalhe) escreveu sobre o desarmamento em seu blog.
Ela menciona uma simulação de roubo doméstico, feita há alguns anos, onde militares treinados ("divisões de elite", não o "batalhão do quartel da esquina") e civis com porte de armas seriam os moradores de uma residência invadida.
O resultado: nenhum civil que sacou sua arma da mesinha de cabeceira "sobreviveu" a um ataque inesperado de um bandido armado.
O projeto do plebiscito ainda tem um longo caminho a percorrer.
Para começar a tramitar, ele precisa de 27 assinaturas, que estão sendo recolhidas. Será, então, votado no Senado, e se aprovado ainda terá de passar por duas comissões na Câmara antes de ser votado pelos deputados.
O deputado Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, já declarou ser contra a proposta.
Para o líder do DEM, Demóstenes Torres, o plebiscito é um erro e não vai resolver o problema da violência: "A questão não é tirar a arma do homem de bem, mas impedir que ela chegue às mãos do marginal. É nisso que o governo deve se empenhar".
Eu estou com a mente um pouco tendenciosa ultimamente, e essas palavras me lembraram um vídeo que, felizmente, encontrei para compartilhar com vocês. Ele começa mostrando uma fala do ator e notório defensor das armas de fogo Charlton Heston (quem assistiu Tiros em Columbine, de Michael Moore, se lembra dele):
U2 - Bullet the Blue Sky
Live from Boston, 2001
O caso suscitou muitas discussões pelo país.
Comparações com o caso da escola de Columbine, nos EUA, em 1999 levaram a (necessários) debates sobre bullying e sobre segurança nas escolas.
Menos atenção tem sido dada ao aspecto de crime de ódio, expresso nos números de vítimas e nos depoimentos de testemunhas.(os nomes de algumas das vítimas podem ser vistos na foto ao lado, da homenagem feita pelo U2 durante o show no Morumbi no dia 09/04)
O assassino não foi à escola para matar crianças.
Foi matar especificamente meninas.
Uma das coisas que mais estão dando o que falar é a ressurreição da discussão sobre o desarmamento.
O revólver 38 que foi disparado contra as crianças era, originalmente, uma arma legal, comprada há 18 anos e, posteriormente, roubada.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), apresentou ontem o projeto de realização de um novo plebiscito sobre o desarmamento (houve um referendo sobre o mesmo assunto em 2005), a ser realizado no dia 02 de outubro deste ano.
A pergunta do plebiscito seria "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"
Em 2005, 60% da população votou contra a proibição.
Sarney acredita que "a população foi induzida ao erro", pois "o que se nota é que a venda de armas torna o cidadão ainda mais vulnerável. E não seguro".
"A sociedade muda. O que estamos vivendo hoje não é o que vivíamos há alguns anos. Precisamos repensar o que foi decidido."
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, apoia a proposta.
Na realização do referendo de 2005, foram gastos 5,7 milhões de reais na campanha contra o desarmamento, quase toda patrocinada por empresas de armamentos. A Taurus doou R$ 2,8 milhões e a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), outros R$ 2,7 milhões.A campanha pelo fim do comércio gastou R$ 2,2 milhões.
Gostaria de declarar que sou contra o comércio de armas de fogo e sou favorável à realização de um novo plebiscito.
Não sei se o episódio fez uma parcela significativa da população mudar de opinião, mas acredito que a opinião de muitas pessoas tenha sido manipulada na época do referendo pelo lobby dos fabricantes de armas e pela forte campanha contra o desarmamento feita por veículos de
A proibição do comércio de armas não vai acabar com o comércio ilegal.
Mas vai reduzir a entrada de armas, antes legais, no mercado ilegal. Como foi o caso da arma usada na escola do Realengo.
Nem toda arma no mercado ilegal entrou em circulação ilegalmente. Quem tem controle sobre o paradeiro de uma arma na casa, carro ou bolsa de alguém?
E armas adquiridas legalmente não se tornam menos perigosas!
Eu não quero que você tenha uma arma em casa se meu filho for amigo do seu filho e for brincar na sua casa. Eu não quero que você tenha uma arma em casa e ela seja roubada por bandidos. Eu não quero que você tenha uma arma e seu filho ou sobrinho adolescente vítima de bullying um dia resolva levá-la para a escola para "se defender" ds colegas que o maltratam, ou utilize-a para cometer suicídio (óbvio que pessoas cometem suicídio sem ter armas, mas conheço pessoalmente casos de adolescentes que se mataram com a arma dos pais. E não conheci pessoalmente ninguém que tenha se matado de outra maneira, mas conheço gente que tentou, não deu certo, e hoje são felizes por não ter funcionado). Eu não quero que você tenha uma arma em casa e corra o risco de um dia decidir usá-la (você, ou sua esposa, seu irmão, seu pai, seu filho...) quando tiver uma briga no trânsito ou ou uma crise de ciúmes.
"Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas."
É verdade.
As armas apenas tornam isso infinitamente mais fácil.
Armas não sevem para proteger. Armas servem para matar.
E eu não acredito que o "cidadão comum" seja capaz de lidar com o poder imediato de vida e morte que uma arma proporciona.
"Boa parte dos homicídios não são cometidos durante assaltos. Na maioria das vezes eles ocorrem em decorrência de brigas e do consumo de álcool e drogas. A ausência de armas em situações como esta reduziram as mortes em 80%"
~ Paulo de Tarso Andrade (Economista)
Carolina Daemon (praticante de tiro, acho que vale a pena acrescentar este detalhe) escreveu sobre o desarmamento em seu blog.Ela menciona uma simulação de roubo doméstico, feita há alguns anos, onde militares treinados ("divisões de elite", não o "batalhão do quartel da esquina") e civis com porte de armas seriam os moradores de uma residência invadida.
O resultado: nenhum civil que sacou sua arma da mesinha de cabeceira "sobreviveu" a um ataque inesperado de um bandido armado.
"Sou bom atirador e, mesmo assim, fui ferido em assalto e vi minha mulher ser morta ao meu lado"Ter uma arma não traz segurança para ninguém. Apenas reduz a segurança de todos.
~ Ney Suassuna (ex-senador)
O projeto do plebiscito ainda tem um longo caminho a percorrer.
Para começar a tramitar, ele precisa de 27 assinaturas, que estão sendo recolhidas. Será, então, votado no Senado, e se aprovado ainda terá de passar por duas comissões na Câmara antes de ser votado pelos deputados.
O deputado Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, já declarou ser contra a proposta.
Para o líder do DEM, Demóstenes Torres, o plebiscito é um erro e não vai resolver o problema da violência: "A questão não é tirar a arma do homem de bem, mas impedir que ela chegue às mãos do marginal. É nisso que o governo deve se empenhar".
Eu estou com a mente um pouco tendenciosa ultimamente, e essas palavras me lembraram um vídeo que, felizmente, encontrei para compartilhar com vocês. Ele começa mostrando uma fala do ator e notório defensor das armas de fogo Charlton Heston (quem assistiu Tiros em Columbine, de Michael Moore, se lembra dele):
"Não há armas boas, não há armas ruins.Em qual categoria será que se encaixa essa garotinha?
Uma arma nas mãos de um homem mau é uma coisa ruim.
Uma arma nas mãos de um homem bom não é uma ameaça para ninguém, exceto pessoas más."
U2 - Bullet the Blue Sky
Live from Boston, 2001
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Sejamos gays. Juntos.
Atendendo ao convite da autora, a jornalista Carol Almeida, e dando ctrl C + ctrl V:Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, foi encontrada morta na pequena cidade de Tarumã, Goiás, no último dia 6. O fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, estão detidos e são acusados do assassinato. Segundo o delegado, o crime é de homofobia. Adriele era namorada da filha do fazendeiro que nunca admitiu o relacionamento das duas. E ainda que essa suspeita não se prove verdade, é preciso dizer algo.
Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando.
Sem conseguir entender mais nada depois de uma semana de “Bolsonaros”, me perguntei o que era possível ser feito. O que, se Adriele e tantos outros já morreram? Sim, porque estamos falando de um país que acaba de registrar um aumento de mais de 30% em assassinatos de homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis.
E me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão, todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual.
Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva.
Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim?
Quero então compartilhar essa ideia com todos.
Sejamos gays.
Independente de idade, sexo, cor, religião e, sobretudo, independente de orientação sexual, é hora de passar a seguinte mensagem pra fora da janela: #EUSOUGAY
Para que sejamos vistos e ouvidos é simples:
1) Basta que cada um de vocês, sozinhos ou acompanhados da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta, tirem uma foto com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY
2) Enviar essa foto para o mail projetoeusougay@gmail.com
3) E só :-)
Todas essas imagens serão usadas em uma vídeo-montagem será divulgada pelo You Tube e, se tudo der certo, por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e no monitor de várias pessoas que tomam a todos nós que amamos por seres invisíveis.
A edição desse vídeo será feita pelo Daniel Ribeiro, diretor de curtas que, além de lindos de morrer, são super premiados: Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.
Quanto à minha pessoa, me chamo Carol Almeida, sou jornalista e espero por um mundo melhor, sempre.
As fotos podem ser enviadas até o dia 1º de maio.
Como diria uma canção de ninar da banda Belle & Sebastian: "Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça." Não vamos adormecer. Vamos acordar. Acordar Adriele.
— Convido a todos os blogueiros de plantão a dar um Ctrl C + Ctrl V neste texto e saírem replicando essa iniciativa —
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sexta-feira, 4 de março de 2011
A cada 2 minutos
Ainda temos um longo caminho pela frente.
Texto da escritora Ana Rüsche, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
Se ainda não viu, assista os ótimos comerciais da Campanha Contra o Machismo no Equador!
PARA LER EM VOZ ALTA
A cada 2 minutos.
A cada 2 minutos.
A cada 2 minutos.
Neste momento, em que você está lendo em voz alta, se ficar com os ouvidos alertas, ouvirá o grito de cinco mulheres. Elas nem te conhecem. Nem ao certo concordarão com as reivindicações que fizeram com que você chegasse a este blogue das Pedalinas.
Mas saiba: a cada dois minutos, cinco mulheres são violentamente espancadas neste país.
A cada 4 bebês que nascem neste país, 1 teve sua mãe agredida durante o parto. Será você um desses quatro?
E agora o que se recebe? Uma promoção para cortar cabelo. Uma flor no supermercado. Teu namorado não veio dizer que este é o teu dia, enquanto no resto do ano, todos os dias são dele? Não ouviu essas cinco mulheres que gritam? Tem certeza? Então, pare. Respire fundo.
Gênero não é apenas um atributo de mulher. Homem tem gênero também.
Escuta o invisível. E tenha certeza que, no enfrentar do quem lava a louça suja depois do jantar, podem começar as minúsculas e as enormes mudanças.
Texto da escritora Ana Rüsche, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
Se ainda não viu, assista os ótimos comerciais da Campanha Contra o Machismo no Equador!
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Quando o lucro é mais importante do que vidas
No Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental (I SIBSA), evento que aconteceu em dezembro de 2010, Raquel Rigotto, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro do GT de Saúde e Ambiente da Abrasco, contou a experiência do núcleo de pesquisa Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a sustentabilidade – coordenado por ela. O grupo acompanha, há quatro anos, os problemas da população da região da Chapada do Apodi, entre os municípios de Limoeiro do Norte e Quixeré, no Ceará, área de expansão recente da fruticultura para exportação, com grande exploração da força de trabalho e degradação ambiental."Quando chegamos lá, a comunidade do Tomé nos falou de um problema que era a pulverização aérea de agrotóxicos, especificamente no cultivo da banana, com fungicidas que são muito tóxicos e persistentes no meio ambiente. E essa pulverização atingia também as comunidades, já que as empresas foram instaladas justamente onde já havia muitas comunidades há muitos anos. Eles fizeram relatos de que as roupas que eles lavavam ficavam com cheiro de veneno no varal, que galinhas morriam e crianças passavam mal", relata a pesquisadora.
O Diário do Nordeste denunciou, em 2008, que os casos de câncer em Limoeiro do Norte estão muito acima da média nacional (até o ano de 2007, média aproximada de um caso de câncer para cada 300 habitantes), e houve pelo menos três mortes de trabalhadores rurais por envenenamento desde 2006.
Diante das denúncias, o grupo Tramas fez um acompanhamento da pulverização aérea em 2008 e 2009, e verificou contaminação da água da região pelos mesmos agrotóxicos pulverizados, entre outros.

Agrotóxicos são a causa da mortandade.
Em novembro de 2009, graças à mobilização das comunidades, a Câmara de Vereadores de Limoeiro do Norte aprovou uma lei proibindo a pulverização aérea, dez meses depois que a União Europeia havia proibido esse tipo de pulverização.
Entretanto, as empresas reagiram fortemente, falando do prejuízo que teriam sem a pulverização, e em uma sessão realizada, segundo Raquel, "às escondidas", a Câmara de Vereadores de Limoeiro revogou a lei anterior e a pulverização aérea voltou a ser permitida na região.
Hidelbrando dos Santos, diretor da Fafidam-Uece, em Limoeiro, publicou no início da década um levantamento sobre a intensa concentração de terras e a conseqüente expropriação de trabalhadores, como o líder comunitário José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé, que presidia a Associação dos Desapropriados São João.José Maria denunciou a contaminação da água por agrotóxicos e combatia a pulverização aérea. Ele foi assassinado em 21 de abril de 2010, com 19 tiros.
Ninguém foi preso.
Outras regiões do Ceará também têm tido problemas com a pulverização (vide notícia Pulverização de agrotóxicos causa morte de gados e aves em Paraipaba, de 01/02/2011, no Ceará Agora).
*~*~*~*
Infelizmente, o assassinato de pessoas que lutam pelos direitos humanos e pelo meio ambiente, contrariando interesses particulares, é algo comum no nosso país.
No dia 12 de fevereiro, o assassinato da missionária Dorothy Stang completou 6 anos.
A região continua um cenário de faroeste. Madeireiros invadem o terreno dos agricultores, cortam árvores ilegalmente, e quem denuncia é ameaçado de morte. Há menos de um mês, a revista Carta Capital publicou um artigo intitulado "Continua tensa a situação em assentamento onde morreu missionária".
Em dezembro de 2008 foi assassinado o seringueiro e ambientalista Chico Mendes.
Muitos outros, anônimos, já foram mortos covardemente em nome do lucro individual de fazendeiros e empresários.
Infelizmente, é provável que muitos ainda serão.
E todos sabemos o porquê:

Resume bem a maneira como as grandes empresas lidam com qualquer polêmica, não?
(não deixe de ver o documentário "O mundo segundo a Monsanto"!)
"No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a floresta amazônica. Agora, percebi que estava lutando pela humanidade."
~ Chico Mendes
Cuando los Ángeles Lloran - Maná
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Qualquer maneira de amor vale a pena...
Eu não entendo por que tantas pessoas se sentem ameaçadas pelos homossexuais.A cada dois dias um homossexual morre no Brasil!
Recentemente, vieram à tona diversos casos de violência contra homossexuais no Brasil. Apenas alguns exemplos:
- no dia 22 de outubro, um aluno de biologia da USP e seu namorado, estudante de arquitetura, foram vítimas de agressão gratuita, verbal e física, em uma festa da ECA, diante de negligência por parte dos seguranças da festa.
- dia 07 de novembro, um travesti foi encontrado morto a pedradas em Tubarão (SC), e consta que é o 14º travesti assassinado na região.
- dia 14 de novembro, cinco rapazes - um de 19 anos, um de 17 e três de 16 - agrediram quatro pessoas na Avenida Paulista, ao que tudo indica com motivação homofóbica. Uma das agressões foi filmada por uma câmera de segurança e exibida em telejornais, mostrando um dos agressores quebrar duas lâmpadas fluorescentes na cabeça de um rapaz que passava pela calçada no sentido oposto. Um segurança do prédio socorreu o rapaz.
Os agressores foram presos, mas soltos em seguida, e seus pais afirmam ter sido "apenas uma briga". O pai de Jonathan Lauton Domingues, único maior preso, afirmou que o filho "foi assediado por homossexuais. Ele pediu para parar, eles não pararam. Aí, virou briga".
É um argumento recorrente, quando se lê opiniões a respeito desses casos: "ser gay não é problema, desde que não venha me cantar". Parece que espancar (ou matar?) homossexuais que passam cantadas é legítimo.
(oba! Podemos bater nos caras que nos passam cantadas na rua, também? Vou já comprar lâmpadas fluorescentes; isso deve ser divertido!)

- no mesmo dia, 14 de novembro, algumas horas depois da Parada Gay do Rio de Janeiro, alguns jovens estavam namorando no Arpoador quando foram abordados por oficiais do exército. Um sargento deu um tiro de fuzil em um estudante. A bala perfurou a barriga e saiu pelas costas. Felizmente, o rapaz sobreviveu.
O sargento afirma que o tiro foi "acidental".
- 21 de novembro, o criador da série para a web "Apenas Heróis" (de temática GLS), Daniel Sena, foi agredido em Salvador. Ele foi atacado por três homens, que o espancaram, obrigaram a comer terra e beber gasolina e ameaçaram violentá-lo com uma barra de ferro.
- 23 de novembro, em um debate na TV Câmara sobre a "Lei da Palmada", o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) defendeu agressões físicas para mudar o comportamento de jovens homossexuais.
Entrevistado pela Folha, ele manteve a posição: "Se o garoto anda com maconheiro, ele vai acabar cheirando, e se anda com gay, vai virar boiola com toda certeza. Nesse momento, umas palmadas nele coloca (sic) o garoto no rumo certo"
- no mesmo dia, neonazistas ameaçam travestis e dizem que Parada Livre de Porto Alegre será "alvo", em telefonema para a sede do Igualdade — Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul. Segundo Marcelly Malta, presidente do grupo, dois travestis foram assassinados em Porto Alegre este ano.
Além de nossas fronteiras, a coisa também está feia.
Orientação sexual foi retirada da lista da ONU de motivos discriminatórios para execuções. O que significa que a Organização não condena mais que se mate homossexuais e bissexuais apenas pelo fato de o serem.
Uma resolução da ONU afirma que todas as pessoas têm o direito à vida, e faz um apelo aos países que não ratifiquem e que investiguem mortes com base discriminatória, como etnia, crença religiosa e minoria lingüística. Orientação sexual constava da lista, até o último dia 17, quando foi retirada por 79 votos a 70.
Dos 79 países que votaram a favor, 5 aplicam pena capital contra homossexuais, e outros - como Uganda - estão considerando acrescentar a pena de morte em suas leis que criminalizam a homossexualidade.
Acho que parte dessa divisão está relacionada com a discussão se a orientação sexual é uma escolha, ou é algo da "natureza" da pessoa. Acho que, na cabeça de muita gente, se uma pessoa nasce gay, condená-la à morte por isso seria contrário ao direito fundamental à vida. Mas se, pelo contrário, a homossexualidade for uma opção, os países teriam mais liberdade para criminalizá-la.
Considero essa discussão simplesmente inútil.
Eu tenho olhos castanhos, sou fã do U2 e heterossexual.
Acabo de citar três características minhas. Elas não me definem, mas são parte do que eu sou. Não importa realmente se eu nasci com algumas delas ou se eu as adquiri a partir de minhas experiências de vida. Se eu não estou prejudicando ninguém, por que alguém me pressionaria para mudar qualquer uma dessas características? Ou pior, me condenaria à morte por uma delas, sem que eu tenha feito mal a ninguém?
Agora, acredito que ninguém possa "escolher" por quem se sentir atraído. As pessoas podem escolher com quem se relacionar. Podem se relacionar com pessoas de quem não gostam e ser infelizes pelo resto da vida, mas não podem controlar seus sentimentos.
(e uma ressalva que, como bióloga, eu não posso deixar de fazer: nenhuma característica de nenhum ser vivo é totalmente "inata" ou totalmente "adquirida pela experiência")
Bullying homofóbico
Muitos adolescentes e pré-adolescentes cometem suicídio todos os anos por sofrerem preconceito por ser diferentes. Muitas vezes, o preconceito vêm dos próprios pais. Quem nunca ouviu alguém dizer que "prefere um filho morto a um filho gay"?
Vídeo: reportagem sobre o suicídio de um garoto de 14 anos, no Profissão Repórter
Nos Estados Unidos, uma campanha de depoimentos em vídeo, intitulada It Gets Better (algo como "vai melhorar") procura oferecer esperança a eses jovens. Até o presidente Obama participou:
PLC 122/2006
O PLC 122/06 é um projeo de lei em tramitação no Senado que pune a discriminação baseada na orientação sexual ou na identidade de gênero.
Se você concorda com o projeto, assine o abaixo-assinado!

Uma vez, acho que eu tinha uns 13 anos, estava descobrindo a internet e fui debater sobre homossexualidade num site, uma espécie de ancestral do Orkut que não existe mais há anos.
Eu perguntei por que as pessoas eram contra a homossexualidade. Um cara respondeu que não gostava de homossexuais "porque eles molestam garotinhos".
Eu respondi "puxa, não tinha pensado nisso! Vamos odiar os homens heterossexuais também, então, por molestarem garotinhas!"
O cara não se manifestou mais...
Caso alguém ainda tenha a falta de senso crítico para dizer algo parecido com o que o cara disse, sugiro procurar as palavras "homossexual" e "pedófilo" no dicionário. Elas não são sinônimos, ok?
Heterossexuais, homossexuais, bissexuais, transgêneros... são todos seres humanos, com virtudes e defeitos, e que merecem ter os mesmos direitos.
Qual é a justificativa para impedir que duas pessoas que se amam construam uma vida juntas?
Para que não se permita que duas pessoas que viveram juntas a maior parte de sua vida sejam reconhecidas como um casal? Para impedir uma pessoa de visitar quem ela ama no hospital por não ser oficialmente da família, independente de quantos anos elas viveram juntas?
Por que não aprovar o casamento gay, como fez recentemente a Argentina?
(para os assustados: o casamento legalmente aceito é o civil. Um casamento religioso pode - ou não - valer como civil. Mas aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo não significa dois homens ou duas mulheres no altar. Isso não depende da lei, depende de cada igreja. Uma igreja pode, hoje, realizar cerimônias de casamento para casais do mesmo sexo; elas só não terão valor legal)
Aqui está uma lista de países que reconhecem legalmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo (fonte: Wikipedia):
África do Sul, Argentina, Bélgica, Canadá, Espanha, Islândia, Noruega, Países Baixos, Portugal, Suécia e alguns estados (Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont, Washington D.C.) dos EUA.
Faz sentido a imagem de dois homens se beijando ser mais chocante do que a imagem de dois homens se matando?
Termino citando o que a Lola escreveu - e eu adorei - no blog Escreva Lola Escreva:
"Não ser gay não é ser homofóbico. Os 90% da população que não é homossexual deveria ficar na sua e deixar os gays em paz. É totalmente absurdo odiar alguém por el@ ser diferente. Não compreendo essa necessidade de gastar tanta energia com algo que não lhe diz respeito. Tipo: eu não gosto de banana. Então o que faço? Ué, eu não como banana. Se alguém me oferece banana, eu agradeço e digo “Não, obrigada”. Quando vou a um buffet por quilo, não fico apontando pras bananas à milanesa e fazendo cara de nojo. Tampouco as procuro pra poder destrui-las com um garfo. E ninguém tenta me convencer a gostar de bananas. Eu não gosto, mas sei que tem um monte de gente que gosta. É meio egoísta eu querer que as bananas desapareçam da face da Terra só por eu não gostar delas. Sabe, quem morreu e me nomeou deus? E por falar em deus, não vou ficar procurando na bíblia passagens que possam ser interpretadas como “deus odeia bananas e quer que elas ardam no inferno”. Tenho mais o que fazer."
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Homofobia = CRIME!!!
Na última sexta-feira, dia 22 de outubro, um aluno de biologia da USP e seu namorado, estudante de arquitetura, foram vítimas de agressão gratuita, verbal e física, em uma festa da ECA, diante de negligência por parte dos seguranças da festa.
O relato desse absurdo pode ser lido aqui.
Enquanto isso, O candidato José Serra promete, em convenção na Assembléia de Deus, vetar a Lei da Homofobia.
Para aqueles que não querem que cenas como essa se repitam... é bom saber com quem não contar.
O relato desse absurdo pode ser lido aqui.
Enquanto isso, O candidato José Serra promete, em convenção na Assembléia de Deus, vetar a Lei da Homofobia.
Para aqueles que não querem que cenas como essa se repitam... é bom saber com quem não contar.
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