No dia 17 de junho, às 19hs, estréia o documentário "Belo Monte, anúncio de uma guerra", de André D’Elia, que mostra conflitos relacionados à construção da hidrelétrica Belo Monte, em Altamira, Pará.
O projeto é independente e foi financiado através de crowdfunding ("financiamento coletivo"), e bateu recorde com mais de 3429 apoiadores.
O filme será lançado na internet e exibido, simultaneamente, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. A entrada é gratuita e os ingressos já podem ser retirados.
Mais informações: (11) 3629-1075 ou info@auditorioibirapuera.com.br
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terça-feira, 12 de junho de 2012
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Inaugurada a primeira usina solar comercial do Brasil
A primeira usina comercial de energia solar da América Latina entrou em operação ontem (04/08) no município de Tauá (CE), a 344km de Fortaleza.
O empreendimento da MPX, empresa de energia do Grupo EBX (do multibilionário Eike Batista), começou a operar com capacidade inicial de 1 MW, o suficiente para suprir de energia 1,5 mil famílias.


Usina solar MPX Tauá
(Fotos: divulgação)
A MPX Tauá ocupa 1,2 hectare de uma área de 200 hectares reservada ao empreendimento, e conta com 4.680 painéis fotovoltaicos. O projeto concebido pela MPX para a usina chega a 50 MW. Serão necessários 234 mil painéis para atingir essa potência.
A usina já possui autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e licença da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace) para expandir sua capacidade até 5 MW.
Durante o evento de inauguração, já foi feito o anúncio da primeira expansão, para 2 MW, em parceria com a multinacional americana GE (General Electric Company), que fornecerá os equipamentos.
A MPX também firmou parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece) para troca de dados e capacitação de estudantes na área de energia solar.
Apenas o começo
Eduardo Karrer, presidente da MPX, afirma que a empresa já está pensando nas três fases seguintes de expansão da usina, até que ela chegue aos 5 MW autorizados pela Aneel. "Eu espero que a gente tenha bastante agilidade para, ao longo do segundo semestre desse ano ou início do ano que vem, já podermos (sic) anunciar as outras expansões até 5 MW", declarou. Segundo Karrer, a empresa também pretende instalar usinas solares em outras localidades do País.
O Governo do Estado do Ceará deverá realizar, ainda este ano, um leilão para comprar energia elétrica produzida através de matriz solar. O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece), Zuza de Oliveira, informou ao Diário do Nordeste que o edital deverá ser lançado logo após ser regulamentado o Fundo Estadual de Incentivo à Energia Solar (Fies), o que, garante, será realizado em breve.
A energia solar ainda é muito cara. Enquanto o custo de produção do megawatt/hora de energia hidrelétrica gira em torno de R$ 150, o de matriz solar chega a R$ 700. O objetivo do Fies é exatamente tornar viável essa produção, pagando ao empreendedor a diferença entre o valor da energia convencional e a solar.
Segundo o deputado federal Antônio Balhmann (PSB-CE), existe uma sinalização do governo federal de realizar um leilão específico de energia solar no próximo ano, mas a bancada cearense na Câmara está se mobilizando para tentar antecipá-lo para ainda este ano.
Eduardo Karrer acredita que o preço da energia de matriz solar pode se tornar, em curto ou médio prazo, competitivo. "Com a queda no preço dos equipamentos e aumento de escala dos empreendimentos, é possível que a gente consiga, que a gente possa entrar numa faixa de competitividade pra fornecimento a pequenas indústrias, a nichos residenciais".
"A queda no preço vem mais do aumento da escala de produção dos painéis, do que propriamente dos custos de operação, que não são tão altos", diz.
Como a usina funciona (vídeo-propaganda da MPX):
Além da MPX Tauá, a EBX já tem dois outros empreendimentos no Ceará previstos para serem concluídos ainda este ano: as usinas termelétricas Energia Pecém e MPX Pecém II.
Segundo o site da MPX, as usinas utilizarão uma "Tecnologia de Queima Limpa do Carvão", que possibilita "eliminar cerca de 95% das emissões geradas pela combustão do carvão mineral".
Fontes:
MPX
Diário do Nordeste
Governo do Estado do Ceará
O empreendimento da MPX, empresa de energia do Grupo EBX (do multibilionário Eike Batista), começou a operar com capacidade inicial de 1 MW, o suficiente para suprir de energia 1,5 mil famílias.


(Fotos: divulgação)
A MPX Tauá ocupa 1,2 hectare de uma área de 200 hectares reservada ao empreendimento, e conta com 4.680 painéis fotovoltaicos. O projeto concebido pela MPX para a usina chega a 50 MW. Serão necessários 234 mil painéis para atingir essa potência.
A usina já possui autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e licença da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace) para expandir sua capacidade até 5 MW.
Durante o evento de inauguração, já foi feito o anúncio da primeira expansão, para 2 MW, em parceria com a multinacional americana GE (General Electric Company), que fornecerá os equipamentos.
A MPX também firmou parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece) para troca de dados e capacitação de estudantes na área de energia solar.
Apenas o começo
Eduardo Karrer, presidente da MPX, afirma que a empresa já está pensando nas três fases seguintes de expansão da usina, até que ela chegue aos 5 MW autorizados pela Aneel. "Eu espero que a gente tenha bastante agilidade para, ao longo do segundo semestre desse ano ou início do ano que vem, já podermos (sic) anunciar as outras expansões até 5 MW", declarou. Segundo Karrer, a empresa também pretende instalar usinas solares em outras localidades do País.
O Governo do Estado do Ceará deverá realizar, ainda este ano, um leilão para comprar energia elétrica produzida através de matriz solar. O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece), Zuza de Oliveira, informou ao Diário do Nordeste que o edital deverá ser lançado logo após ser regulamentado o Fundo Estadual de Incentivo à Energia Solar (Fies), o que, garante, será realizado em breve.
A energia solar ainda é muito cara. Enquanto o custo de produção do megawatt/hora de energia hidrelétrica gira em torno de R$ 150, o de matriz solar chega a R$ 700. O objetivo do Fies é exatamente tornar viável essa produção, pagando ao empreendedor a diferença entre o valor da energia convencional e a solar.
Segundo o deputado federal Antônio Balhmann (PSB-CE), existe uma sinalização do governo federal de realizar um leilão específico de energia solar no próximo ano, mas a bancada cearense na Câmara está se mobilizando para tentar antecipá-lo para ainda este ano.
Eduardo Karrer acredita que o preço da energia de matriz solar pode se tornar, em curto ou médio prazo, competitivo. "Com a queda no preço dos equipamentos e aumento de escala dos empreendimentos, é possível que a gente consiga, que a gente possa entrar numa faixa de competitividade pra fornecimento a pequenas indústrias, a nichos residenciais".
"A queda no preço vem mais do aumento da escala de produção dos painéis, do que propriamente dos custos de operação, que não são tão altos", diz.
Como a usina funciona (vídeo-propaganda da MPX):
Além da MPX Tauá, a EBX já tem dois outros empreendimentos no Ceará previstos para serem concluídos ainda este ano: as usinas termelétricas Energia Pecém e MPX Pecém II.
Segundo o site da MPX, as usinas utilizarão uma "Tecnologia de Queima Limpa do Carvão", que possibilita "eliminar cerca de 95% das emissões geradas pela combustão do carvão mineral".
Fontes:
MPX
Diário do Nordeste
Governo do Estado do Ceará
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quinta-feira, 3 de março de 2011
Evento em Campinas promove energia solar
Nos dias 15 e 16 de março, a UNICAMP sediará o Workshop Inovação para o Estabelecimento do Setor de Energia Solar Fotovoltaica no Brasil (Inova FV), um evento com o objetivo de "reunir especialistas e profissionais de empresas, governo e instituições de pesquisa nacionais para construir uma ação coordenada para o setor nos âmbitos tecnológico, regulatório, de infra-estrutura física, talentos, mercado e investimentos, debatendo e validando a agenda de ações para o estabelecimento de uma política industrial, científica e tecnológica de desenvolvimento e competitividade da indústria de equipamentos fotovoltaicos no país".
A lista de palestrantes inclui Hamilton Moss de Souza, Diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME); Eduardo Soriano, do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), cientistas e representantes da Eletrobras e Eletrosul. Veja aqui a programação.
A inscrição é gratuita!
Gratuito também é o curso de Introdução à Instalação de Sistema Fotovoltaico que será oferecido em São Bernardo do Campo. Para participar, é necessário ser maior de idade e ter concluído o ensino fundamental. Inscrições até dia 22 de março.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Abrolhos ameaçado
No finalzinho de dezembro de 2010, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região cassou uma liminar obtida pelo Ministério Público da Bahia que impedia a exploração de petróleo na zona de amortecimento do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, a unidade de conservação marinha mais conhecida e importante do Brasil.
Desde 2003 não eram oferecidas novas concessões da Agência Nacional de Petróleo (ANP) na região por ordem do Ministério Público Federal.
Em 2010, o juiz Márcio Flávio Mafra Leal deu uma decisão de primeira instância ao caso, em que reconhecia a zona de amortecimento de 50 km ao redor do Parque.
Abrolhos é um local de preservação de recifes de coral (os corais estão em extinção em todo o mundo, e sua presença é necessária à sobrevivência de dezenas de espécies de peixes e outras formas de vida marinhas), local de procriação de baleias jubarte (Megaptera novaeangliae, espécie em extinção, que vive em águas mais frias no Pólo Sul e vem para o Brasil no inverno para dar à luz e criar seus filhotes) e abrigo de diversas espécies endêmicas (= que só existem ali, e em nenhum outro lugar no mundo).
"Abrolhos é a área com maior biodiversidade do Atlântico Sul", declarou Fábio Scarano, diretor executivo da ONG Conservação Internacional, responsável pelo estudo no qual se baseou o pedido de liminar.
Para que o Parque esteja realmente protegido, atividades de risco como a exploração de petróleo não podem ocorrer em suas imediações, e por isso é necessária a sua proibição em uma zona de amortecimento ao redor dele.
Quando foi aprovada a liminar com a proibição, o juiz Márcio Flávio Mafra Leal destacou que o risco de uma mancha de óleo atingir Abrolhos é real, conforme demonstrado pelo relatório da Conservação Internacional. "Se isso acontecer, seria um desastre de dimensões bíblicas e irreversíveis para o ecossistema da região e para o Brasil, com a possível extinção de várias espécies que existem apenas no local, conforme parecer do ICMBio".
A sentença que derrubou a liminar, do desembargador Olindo Menezes, não tem muito conteúdo jurídico ou técnico, de acordo com o site Ecopolítica. O desembargador usou argumentos como risco de "dano à ordem e economia pública", e afirmou que a liminar atinge o "planejamento estratégico da matriz energética do país" e é um "risco à própria segurança nacional", quando o único risco eminente é ao ambiente e à economia local, como a pesca e o ecoturismo.
Como dito no site, "há alternativas à exploração em Abrolhos e pode não haver remédio aos danos causados por um vazamento significativo de óleo que atinja o parque". Marcello Lourenço, ex-chefe do Parque Nacional de Abrolhos, argumenta juridicamente contra a decisão do desembargador: "Existe o princípio de precaução, adotado na Agenda 21. Não podemos tomar nenhuma atitude que não se tenha certeza do impacto ambiental daquela ação. No caso do petróleo, se encaixa perfeitamente. Não sabemos o que pode acontecer, caso haja exploração, seus riscos, acidentes... Além disso, esse princípio faz parte da legislação ambiental brasileira".
Segundo Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional, a decisão "está sendo discutida na coalização SOS Abrolhos, que possui 23 organizações. Estamos bastante preocupados. Vamos procurar o Ministério Público para entender qual será a postura deles e, se for o caso, dar um subsídio técnico para possíveis recursos".
No Twitter já existe uma campanha, com a tag #abrolhoslivre
Fontes:
Power - Petróleo, eletricidade e energias alternativas
Ecopolítica
O Eco
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ATUALIZAÇÃO (08/08/2011): assine a petição do Greenpeace contra a exploração de petróleo em Abrolhos
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sábado, 14 de agosto de 2010
Belo Monte?
Confesso não estar muito a par da polêmica acerca da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Estava sabendo que muita gente, incluindo cientistas e povos indígenas, estão preocupados com as implicações das mudanças na bacia do rio Xingu.
Há alguns dias, li uma entrevista no site do IHU (Instituto Humanitas Unisinos) que me deixou bastante preocupada também. A entrevista é com André Villas-Bôas, que trabalha com povos indígenas desde 1978 e é coordenador do Instituto Socioambiental (ISA).
Segundo ele, o projeto dessa usina já existe há 3 décadas. Ele chama Belo Monte de “cavalo de Tróia”, pois, para que seu funcionamento possa aproximar-se da capacidade instalada, será necessário fazer outras barragens no rio – causando um impacto muito maior do que o previsto. É como se fossem aprovadas 5 barragens 'pelo preço de uma'.
Leia abaixo a entrevista.
Também no IHU, há uma entrevista com o biólogo Paulo Buckup (UFRJ) intitulada "Belo Monte e o risco de extinção dos peixes do Xingu".
O pesquisador participou de um estudo, publicado recentemente, que aponta que há 819 espécies de peixes que correm o risco de sumir dos nossos rios, número mais de 6 vezes maior que as 133 oficialmente reconhecidas como ameaçadas. E "esse número tende a aumentar, porque, atualmente, toda semana novas espécies são descobertas no Brasil", aponta Buckup.
Ele fala sobre os principais problemas que os rios brasileiros têm enfrentado, e critica a forma como os rios amazônicos estão sendo tratados. Há espécies de peixes que vivem apenas na região de Altamira, e ainda não se sabe qual o impacto das obras sobre elas.
Há alguns dias, li uma entrevista no site do IHU (Instituto Humanitas Unisinos) que me deixou bastante preocupada também. A entrevista é com André Villas-Bôas, que trabalha com povos indígenas desde 1978 e é coordenador do Instituto Socioambiental (ISA).
Segundo ele, o projeto dessa usina já existe há 3 décadas. Ele chama Belo Monte de “cavalo de Tróia”, pois, para que seu funcionamento possa aproximar-se da capacidade instalada, será necessário fazer outras barragens no rio – causando um impacto muito maior do que o previsto. É como se fossem aprovadas 5 barragens 'pelo preço de uma'.
Leia abaixo a entrevista.
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IHU On-Line – Por que os índios que vivem fora da área de Belo Monte também estão preocupados com a construção dessa usina hidrelétrica?
André Villas-Bôas – Belo Monte vai afetar diretamente boa parte da bacia do Rio Xingu, dando outro rumo ao curso de água e isso é algo muito grave. Belo Monte vai ter a capacidade instalada de gerar 11 mil megawatts, mas, na verdade, a média de geração ao longo do ano vai ser de 4.600 megawatts, ou seja, a capacidade instalada só vai operar por um mês durante um ano todo. Para que você possa ter a média mais alta de aproveitamento da capacidade instalada, teriam que ser feito outros barramentos acima que pudessem reter água para que fossem liberadas no período de seca. A média passaria de quatro para 9.500 megawatts. Se outras barragens forem feitas, portanto, outras várias áreas indígenas e as unidades de conservação serão atingidas.
Em 2008, o governo afirmou, através de resolução do Conselho Nacional de Energia, que apenas a barragem de Belo Monte seria construída. Porém, esta é uma resolução que pode ser mudada na próxima reunião do conselho. Não há uma segurança de que não serão feitas as quatro barragens rio acima. Os povos da região acham que o governo vai mesmo construir esses quatro barramentos, mais cedo ou mais tarde. Resumindo: Belo Monte é um “cavalo de tróia” de um complexo hidrelétrico que está planejado para o Xingu há muitos anos, mas é só a ponta deste projeto.
IHU On-Line – Qual o argumento das tribos?
André Villas-Bôas – Os Carapó e os Caiapó temem que as outras usinas sejam construídas e que Belo Monte seja o início de um ciclo de destruição do rio Xingu. Tem outros grupos que serão afetados indiretamente, que é caso dos Arara, dos Araraté e dos Paracanã. São grupos cujas terras ainda não foram totalmente demarcadas. Como são terras consideradas como invadidas, podem ser ocupadas pelo fluxo migratório de aproximadamente cem mil pessoas para aquela região em decorrência das obras da barragem.
Então, se a terra dessas tribos não estiver protegida quando esse fluxo ocorrer os problemas provavelmente vão se agravar. O projeto vai desviar uma parte do rio, algo em torno de cem quilômetros, por um canal que vai passar a receber um fluxo de água menor. Esse hidrograma está em aberto dentro dos estudos que foram feitos pelas empresas e isso é determinante para sabermos os impactos e conseqüências da obra na navegabilidade, nos recursos pesqueiros e na sobrevivência de uma série de ambientes florestais localizados na beira do rio, fatores determinantes para os povos indígenas que vivem na região.
IHU On-Line – Como a obra está afetando esses povos?
André Villas-Bôas – Uma empresa que vai investir 30 bilhões numa obra tem interesse enorme sobre a construção desta obra. O que está havendo na região é um assédio em relação às etnias, ou seja, está sendo realizado um trabalho de cooptação sem que haja de fato uma discussão esclarecedora sobre os impactos e as definições de vários aspectos da obra. Com isso, os povos estão se dividindo politicamente.
IHU On-Line – Quem tem feito esse trabalho de cooptação?
André Villas-Bôas – Esse trabalho tem sido feito por parte da Eletronorte, que é a principal orquestradora da construção desta obra. Ela tem uma estrutura forte na região há 30 anos, quando começaram a pensar a viabilização de Belo Monte.
IHU On-Line – O que o senhor, como indigenista, pode falar sobre os problemas da região?
André Villas-Bôas – É preocupante o fato de não haver uma discussão aberta com a sociedade, e com os índios, sobre os impactos das obras. O governo não fez nenhuma consulta pública, que é o momento propício para esclarecimentos, para dizer o que é a obra, qual o sentido dela, quais são os impactos, as preocupações etc. É bastante preocupante essa maneira autoritária de definir as prioridades e desconsiderar as populações locais. O problema se torna ainda maior quando a falta de diálogo se estende para outros projetos na região, como o asfaltamento da BR 136 e 158, que fica do lado leste da bacia do rio Xingu e liga o Mato Grosso ao Pará. Tem ainda a construção de pequenas hidrelétricas na região das cabeceiras do Xingu.
Não são apenas as obras que afetam o povo do Xingu que há 30 anos sofreu com um processo de ocupação muito violento e desordenado e, atualmente, está no centro do desmatamento da Amazônia. Além disso, o quadro fundiário ainda é muito instável, o processo de regulação da área é lento, há muitas áreas que não estão tituladas. A presença do Estado na região é praticamente nula.
IHU On-Line – E como o senhor vê a atuação da Justiça nessa região?
André Villas-Bôas – Ainda é bastante desigual, porque há regiões bastante isoladas onde você não tem muito a presença do Estado, e, portanto, a Justiça chega tardiamente. Em Altamira existe o Ministério Público, mas as condições de governabilidade são baixas, há pouca capacidade de monitoramento dos acontecimentos, como a ordenação do processo de ocupação regional ou o controle do desmatamento.
IHU On-Line – O presidente da Eletronorte tem dito que a maioria das etnias indígenas da região é a favor da obra e que as únicas que são contra estão no Alto do Xingu. Como o senhor vê essa questão?
André Villas-Bôas – O presidente da Eletronorte está falando disto a partir da visão de cooptação que tem. A situação da saúde, das escolas, do grau de estabilidade fundiária é precária, por isso, os povos indígenas não estão preparados para receber os impactos dessas obras, pois são as partes frágeis desta história. O processo de cooptação está dando margem para essas divisões e análises. Eu me pergunto porque não abriram uma discussão ampla e forte junto aos índios antes de cooptá-los. Há 30 anos falam de Belo Monte e nunca conversaram com os indígenas sobre o que vai mudar, sobre a importância das obras. A universidade local tem um campus em Altamira e nunca recebeu qualquer incentivo para pesquisas ou levantamentos sócio-ambientais para que pudessem compreender a obra e seus impactos na região, e, assim, construir planos de mitigação mais consistentes.
Os dados que orientaram os estudos de impacto ambiental foram feitos pelas próprias empresas que elaboraram o projeto de Belo Monte. Veja o nível de promiscuidade a que chegamos! Eu espero que Belo Monte seja um divisor de águas para o futuro das prioridades e da maneira como a sociedade brasileira possa participar destas grandes obras. A sociedade quer informações isentas, quer processos mais transparentes, e não estes processos onde os interesses se entrelaçam no ponto de vista da real demanda de energia do Brasil com os interesses das empresas e construtoras e com os interesses político-partidários.
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Também no IHU, há uma entrevista com o biólogo Paulo Buckup (UFRJ) intitulada "Belo Monte e o risco de extinção dos peixes do Xingu".
O pesquisador participou de um estudo, publicado recentemente, que aponta que há 819 espécies de peixes que correm o risco de sumir dos nossos rios, número mais de 6 vezes maior que as 133 oficialmente reconhecidas como ameaçadas. E "esse número tende a aumentar, porque, atualmente, toda semana novas espécies são descobertas no Brasil", aponta Buckup.
Ele fala sobre os principais problemas que os rios brasileiros têm enfrentado, e critica a forma como os rios amazônicos estão sendo tratados. Há espécies de peixes que vivem apenas na região de Altamira, e ainda não se sabe qual o impacto das obras sobre elas.
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Dois pesos, duas medidas...
Esta está sendo difícil de digerir!
Em meio a toda a comoção causada pelo derramamento de petróleo no Golfo do México – que começou em 20 de abril e ainda continua (veja vídeo ao vivo nesta outra postagem) – uma reportagem publicada no New York Times no dia 16 de junho relata a situação no Delta do Níger, sul da Nigéria, onde grandes vazamentos de petróleo ocorrem há 50 anos.
Mais de 2 bilhões de litros já vazaram no Delta do Níger, o equivalente a um derramamento do navio Exxon Valdez (de 41 milhões de litros) por ano. O petróleo vaza quase todas as semanas, e alguns pântanos há muito tempo não têm mais vida.
Segundo reportagem da National Geographic, de 2007, relatórios da ONU identificaram diversas estratégias questionáveis empregadas na Nigéria pelas petrolíferas, incluindo: pagar chefes das comunidades pelo direito à exploração; construir estradas ou canais sem estudos de impacto ambiental; arrastar processos por anos nos tribunais; enviar forças de segurança para acabar violentamente com protestos; não limpar o local após vazamentos de óleo.
As companhias também praticam a queima do gás que sai do solo quando o petróleo é extraído, uma prática, teoricamente, ilegal, tanto na Nigéria quanto nos Estados Unidos.
Pessoas moram, literalmente, ao lado de chamas ao nível do solo e do tamanho de prédios, que queimam 24hs por dia, algumas há 40 anos.
A Nigéria é o país mais populoso da África, com 130 milhões de pessoas.
O país produziu mais de 2 milhões de barris de petróleo por dia no ano passado. O petróleo representa 95% das exportações e 80% dos lucros do país. Ironicamente, como as refinarias estão sempre quebrando, a Nigéria precisa importar seu combustível.
Quando a exploração do petróleo começou, na vila de Oloibiri, a Nigéria ainda era uma colônia britânica. O país só se tornou independente em 1960.
Em 1966, dois golpes sucessivos por diferentes grupos militares deixaram o país sob uma ditadura militar.
Uma nova constituição foi promulgada em 1977, e eleições foram realizadas em 1979, sendo ganhas por Shehu Shagari. Porém, em 1983, um novo golpe inicia mais uma ditadura militar, que só terminaria em 1999.
(fonte: Wikipedia)
A a indústria do petróleo foi nacionalizada em 1971. O Estado, em nome da Nigerian National Petroleum Corporation, recebe 55% dos lucros das operações das multinacionais em terra.
Embora, nesse meio tempo, o governo tenha passado de ditadura militar a democracia (duas vezes), uma coisa não mudou: a corrupção.
Apesar da região contribuir com cerca de 80% da receita do governo, a população do delta do Níger é muito pobre e a expectativa de vida é a menor do país.
Port Harcourt, a principal cidade da região do petróleo.
Fotografia de Ed Kashi (National Geographic)
O governo documentou 6.817 derramamentos de petróleo entre 1976 e 2001 – praticamente um por dia por 25 anos – mas analistas suspeitam que o número pode ser dez vezes maior. (National Geographic)
Os vazamentos são causados por dutos velhos e enferrujados, nunca fiscalizados devido a uma regulamentação ineficiente ou corrupta, e afetados por manutenção deficiente e sabotagens.
As companhias culpam sabotagens e roubos pelos vazamentos, especulando que membros da comunidade causam derramamentos deliberadamente para receber compensações.
Caroline Wittgenstein, porta-voz da Shell (responsável pela metade da produção do país) em Lagos, disse: "Nós não discutimos vazamento individuais", mas argumentou que a "vasta maioria" é causada por sabotagem ou roubo, com apenas 2% devido à falha de equipamento ou erro humano.
Mas muitos especialistas e autoridades locais dizem que as empresas atribuem excessiva culpa à sabotagem, para diminuir sua responsabilidade.
Ricardo Steiner, consultor de vazamentos de petróleo, concluiu num relatório de 2008 que, historicamente, "o índice de falhas nos oleodutos na Nigéria é muitas vezes maior que aquele encontrado em outras partes do mundo", e observou que mesmo a Shell reconheceu que "quase todos os anos" um vazamento pode ser ligado a um oleoduto corroído.
E não é somente o ambiente que sofre com a poluição.
Em 1999. cidadãos da comunidade de Erovie começaram a ter problemas de saúde (vômitos, tonturas, dores de estômago e tosse) pouco depois que a Shell jogou um milhão de litros de resíduos em um poço de petróleo abandonado. Dentro de dois meses, 93 pessoas haviam morrido da doença misteriosa.
Testes feitos independentemente por duas universidades da Nigéria e três outros laboratórios, conduzidos no ano seguinte, indicaram que a substância despejada era tóxica. Todos os testes confirmaram concentrações muito acima dos limites aceitáveis de chumbo, zinco e mercúrio, que provavelmente contaminaram o solo e a água da região.
A Shell e o governo da Nigéria se recusam a se responsabilizar, afirmando que a substância despejada é inofensiva.
(leia mais no site CorpWatch)
(Gente, acho que já vi esse filme...
Cadê a Erin Brockovich para defender as pessoas e o ambiente, quando o descaso acontece longe dos subúrbios americanos?)
A reportagem da National Geographic discute as repercussões sociais da exploração de petróleo na Nigéria.
As companhias multinacionais não contratam funcionários dentre a população local.
Membros das comunidades, que viviam basicamente da pesca, não têm mais fonte de renda nem alimento.
Em Oloibiri, cuja população baixou de 10.000 a menos de 1.000 pessoas nos últimos 30 anos, o chefe Osobere Inengit pede aos estrangeiros para enviar uma mensagem à Shell. "Diga a eles para nos ajudar. Diga a eles para treinar 50 garotos e garotas do local para empregos." E suspira: "se nunca tivéssemos visto petróleo, estaríamos muito melhor".
Esse descaso social leva pessoas sem perspectivas a atos desesperados. Atos de vandalismo e violência contra funcionários das multinacionais se tornam cada vez mais freqüentes, e seqüestros pelo dinheiro do resgate já se tornaram uma fonte de renda para algumas pessoas.
Militantes de grupos armados, como o MEND (movimento pela emancipação do delta do Niger), matam soldados e seguranças, seqüestram trabalhadores estrangeiros das companhias petrolíferas, sabotam poços e oleodutos e, em ocasião de uma visita de executivos chineses da indústria do petróleo, explodiram diversos carros-bomba na cidade de Warri.
Membros do grupo armado MEND
Fotografia de Ed Kashi (National Geographic)
O governo da Nigéria responde a esses ataques com devastação. Em uma tarde, uma gangue em Port Harcourt seqüestrou um empreiteiro italiano que trabalhava para a companhia petrolífera Saipem. Durante o seqüestro, um soldado foi morto. Dentro de poucas horas, tropas invadiram uma favela e atearam fogo a todas as construções, exceto um banco. Por volta de 3000 pessoas perderam suas casas.
O primeiro protesto em massa na Nigéria contra a indústria do petróleo ocorreu em Ogoniland.
Em 1990, o escritor Ken Saro-Wiwa fundou o Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni (Mosop) organização que representa o povo Ogoni em sua luta por direitos humanos e ambientais na Nigéria.
300.000 membros da comunidade, quase metade da população, marchou em 1993 para denunciar a poluição no delta do Níger pelas grandes companhias petrolíferas estrangeiras. No mesmo ano, a Shell, alegando preocupações com segurança, parou a produção de seus 96 poços em terras Ogoni – embora poços localizados fora da área ainda tivessem dutos atravessando o território.
Alarmado pela popularidade de Saro-Wiwa, o governo militar de Sani Abacha acusou-o e a outros oito ativistas de instigar o assassinato de quatro líderes de uma facção rival. Eles foram condenados, em um julgamento considerado uma farsa, e enforcados em 1995.
Ken Saro-Wiwa
Os Ogoni entraram com uma ação judicial contra a Shell, acusando-a de cumplicidade com o regime militar nos enforcamentos dos ativistas.
Em 2009, a Shell aceitou pagar 15,5 milhões de dólares (menos de 0,01% do lucro anual da companhia) de indenização para o povo Ogoni, em acordo obtido extrajudicialmente às vésperas do início do julgamento. A companhia, entretanto, se declara inocente das acusações, afirmando que o pagamento foi "um gesto humanitário". (BBC Para África)
Os protestos, hoje, não são freqüentes, e quando ocorrem são respondidos com violência.
A reportagem do NYT informa que, no mês de maio, soldados que guardam um local da Exxon Mobil espancaram mulheres que realizavam uma manifestação.
Em outro caso, documentado por jornalistas estrangeiros em 1998, a Chevron enviou tropas de helicóptero durante um protesto pacífico em uma de suas plataformas, em território da comunidade Ilaje. As tropas mataram dois jovens e feriram dezenas de pessoas.
Dez anos depois, a Chevron foi à Corte Federal dos Estados Unidos responder pelo episódio. Embora a companhia não tenha sido considerada responsável pelas ações dos militares, não negou ter pago os soldados, fornecido transporte e direcionado-os no dia dos ataques. (The True Cost of Chevron)
A Chevron têm uma longa tradição em contratar pessoas influentes.
Segundo postagem no Amautadiarie's Blog, Condoleezza Rice foi, por muito tempo, diretora da companhia, e o advogado recém contratado é advogado do Pentágono, William J. Haynes, que defendeu “técnicas severas de interrogatório” (eufemismo para “tortura”).
O General James L. Jones, conselheiro de segurança do presidente Obama, foi membro diretor em 2008, até receber o cargo na Casa Branca.
Uma lista de abusos da Chevron, não somente na Nigéria mas também nas Filipinas, Kazaquistão, Iraque, Angola, Equador, e também nos Estados Unidos e Canadá, é detalhada em um "relatório anual alternativo", preparado por ongs e distribuído a acionistas da Chevron. O relatório está disponível ao público em The True Cost of Chevron (“O Verdadeiro Custo da Chevron”)
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O estado das coisas no Equador é chocante.
Apesar de diversos documentários já terem sido feitos sobre a contaminação (como Justicia Now!, disponível gratuitamente na internet, e o documentário Crude), o assunto ainda é pouco conhecido.
Eu não sabia até hoje!
O vídeo abaixo – falado em espanhol e com legendas em inglês – fala sobre a contaminação de petróleo na Amazônia equatoriana
A Texaco começou a extrair petróleo em uma área da Amazônia equatoriana afastada dos centros urbanos na década de 1960.
Após 23 anos de operações, havia derramado 64 milhões de litros de petróleo e 68 bilhões de litros de água contaminada e tóxica, segundo a organização ambientalista Amazon Watch.
O documentário Crude, dirigido por Joseph Berlinger, mostra a batalha legal que já dura 17 anos entre a Chevron e 30 mil equatorianos, que alegam que a Texaco, comprada pela Chevron em 2001, derramou nos rios da região 70 bilhões de litros de resíduos tóxicos, deixou 916 fossos com dejetos e queimou milhões de metros cúbicos de gases contaminantes.
Os resíduos tóxicos seriam a causa de uma epidemia de doenças, como a leucemia: a demanda vincula 1.401 mortes por câncer na região com a contaminação causada pela Texaco entre 1985 e 1998.
Mas a visão da Chevron é diferente. "Vemos as fotos, vemos a contaminação e não é só nossa", disse o próximo gerente-geral da companhia, John Watson, no auditório da Câmara de Comércio dos Estados Unidos.
Nos anos 90, a Texaco cedeu suas operações à estatal PetroEquador, que continua explorando os poços e admite continuar lançando água suja no meio ambiente.
A Chevron diz que testes científicos mostram que a água é segura, que as doenças têm outras causas, que a Texaco limpou sua poluição e que a responsabilidade pelo problema é da companhia estatal.
"Muitas das práticas habituais da Texaco se mantêm, embora a PetroEquador tenha feito mudanças desde a saída dessa empresa para operar com mais responsabilidade", afirmou Luis Yanza, membro da equipe de advogados dos demandantes. "A Texaco desenhou um sistema que contaminou e tem toda a responsabilidade".
Outro advogado, Pablo Farjado, diz no documentário que a PetroEquador não é inocente, e sugere que questionar a estatal pode ser o próximo passo.
Em 2002, a Chevron convenceu o juiz norte-americano Jed Rakoff a transferir o caso para tribunais do Equador, país que na época tinha um governo conservador ávido por capitais estrangeiros. A condição foi que a empresa se abstivesse de questionar uma eventual condenação no Equador na justiça dos Estados Unidos.
Agora o caso fica cada vez mais emaranhado no Poder Judiciário equatoriano (sob acusações de corrupção, feitas pela Chevron), algo que, segundo os advogados dos queixosos, era a intenção da companhia.
Um estudo concluiu que a Chevron deve pagar US$ 27 bilhões para limpar o meio ambiente e compensar as comunidades afetadas.
"Será muito caro limpar, mas ainda assim será bem menos do que o lucro obtido pela empresa no Equador", disse na semana passada outro advogado dos queixosos, Steven Donzinger.
As recentes estimativas da dívida da BP pelo desastre no Golfo do México, entretanto, sugerem que os US$27 bilhões são muito pouco.
Em maio, uma decisão da corte americana ordenou que Berlinger entregasse os copiões do documentário à Chevron.
Fontes:
Luta contra a Chevron vira filme (IPS – 30/10/2009)
Documentarista de "Crude" é obrigado a entregar copiões de filme à Chevron (Estadão – 07/05/10)
A atriz Daryl Hanna, o advogado Pablo Fajardo, e Emergildo Criollo, uma das vítimas do desastre.
© Amazon Watch
O blog Chevron in Ecuador divulga notícias sobre o caso (11/06/10: homem que denunciou corrupção na Chevron do Equador é ameaçado de morte).
No site ChevronToxico – campanha por justiça no Equador, pode-se ver os efeitos da contaminação na saúde da população e ler notícias e documentos.
O site possui também uma petição, a ser enviada a representantes da Chevron. Pode assinar.
E a Chevron não é a única companhia com problemas no Equador...
A Petrobrás também é acusada de causar contaminação que levou membros de comunidades indígenas à morte no país. O site Soberania.org noticiou, em 2008, que “crianças das Comunidades de Palo Azul já começaram a morrer devido à contaminação por petróleo extraído pela Petrobras”, que jogaria resíduos nos rios. "Cerca de 70% das crianças das quatro comunidades adquiriu uma doença de pele que certamente é causada pelo benzeno, um dos hidrocarbonetos aromáticos cíclicos do petróleo". "A doença de pele é acompanhada de outros sintomas que tem levado a morte."
Apesar de todos os problemas, a economia do Equador depende da exportação do petróleo, e uma solução parece distante.
Porém, segundo o blog Planet Green, uma iniciativa poderia evitar problemas futuros:
O Equador apresentou um projeto para deixar intactos os 850 milhões de barris de petróleo existentes no Parque Nacional Yasuní, em troca de financiamentos dos países desenvolvidos.
A reserva Yasuní não só tem uma riqueza biológica inestimável, como abriga tribos indígenas que nunca tiveram contato com o homem. O total de áreas protegidas representa nada menos que 38% do território equatoriano.
O website da iniciativa, criado pelo governo, incentiva doações de países, organizações e até particulares.
*~*~*~*~*~*
É vergonhoso como a comunidade internacional não toma conhecimento do que acontece nesses países.
Terisa Turner, coordenadora da ong International Oil Working Group, descreveu a conduta das companhias de petróleo multinacionais no delta do Níger ao longo de décadas como "racismo ambiental". "Essas práticas não são, e nunca poderiam ser, conduzidas na Europa Ocidental ou na América do Norte, e não deveriam ser praticadas em nenhum lugar." (CorpWatch)
Será que, agora que um país rico e que comanda a mídia internacional também está sofrendo as conseqüências da ganância da indústria petrolífera, alguma coisa vai mudar?
No dia 15 de junho, um dia antes da reportagem sobre a Nigéria no New York Times, o presidente dos EUA Barack Obama fez um pronunciamento sobre o vazamento de petróleo no Golfo do México.
Algumas frases que merecem ser repetidas:
"Uma das lições que aprendemos com esse derramamento (…) é que não importa o quanto melhorarmos a regulamentação da indústria; a busca por petróleo hoje envolve grandes riscos."
"Petróleo é um recurso finito. Nós consumimos mais de 20% do petróleo do mundo, mas temos menos de 2% das reservas."
"A tragédia que se desenrola em nosa costa é o mais doloroso e poderoso lembrete até hoje que o tempo de adotar energias limpas é agora."
"Há custos associados a essa transição, e há quem acredite que não podemos arcar com esses custos agora. Eu digo que não podemos arcar com não mudar o modo como produzimos e usamos a energia, pois os custos a longo prazo para a nossa economia, segurança nacional e meio ambiente são muito maiores."
Quando estas palavras deixarão de ser palavras?
BP, Chevron, Shell, Petrobrás...
Parece que nenhuma empresa petrolífera está limpa. Com perdão do trocadilho.
A indústria do petróleo é uma indústria criminosa e precisa assumir responsabilidade por seus atos.
Não podemos mais continuar com este nosso modo de vida!
É simples assim.
Temos que acordar. Chega de petróleo.
Em meio a toda a comoção causada pelo derramamento de petróleo no Golfo do México – que começou em 20 de abril e ainda continua (veja vídeo ao vivo nesta outra postagem) – uma reportagem publicada no New York Times no dia 16 de junho relata a situação no Delta do Níger, sul da Nigéria, onde grandes vazamentos de petróleo ocorrem há 50 anos.
Mais de 2 bilhões de litros já vazaram no Delta do Níger, o equivalente a um derramamento do navio Exxon Valdez (de 41 milhões de litros) por ano. O petróleo vaza quase todas as semanas, e alguns pântanos há muito tempo não têm mais vida.
Segundo reportagem da National Geographic, de 2007, relatórios da ONU identificaram diversas estratégias questionáveis empregadas na Nigéria pelas petrolíferas, incluindo: pagar chefes das comunidades pelo direito à exploração; construir estradas ou canais sem estudos de impacto ambiental; arrastar processos por anos nos tribunais; enviar forças de segurança para acabar violentamente com protestos; não limpar o local após vazamentos de óleo.As companhias também praticam a queima do gás que sai do solo quando o petróleo é extraído, uma prática, teoricamente, ilegal, tanto na Nigéria quanto nos Estados Unidos.
Pessoas moram, literalmente, ao lado de chamas ao nível do solo e do tamanho de prédios, que queimam 24hs por dia, algumas há 40 anos.
A Nigéria é o país mais populoso da África, com 130 milhões de pessoas.
O país produziu mais de 2 milhões de barris de petróleo por dia no ano passado. O petróleo representa 95% das exportações e 80% dos lucros do país. Ironicamente, como as refinarias estão sempre quebrando, a Nigéria precisa importar seu combustível.
Quando a exploração do petróleo começou, na vila de Oloibiri, a Nigéria ainda era uma colônia britânica. O país só se tornou independente em 1960.
Em 1966, dois golpes sucessivos por diferentes grupos militares deixaram o país sob uma ditadura militar.
Uma nova constituição foi promulgada em 1977, e eleições foram realizadas em 1979, sendo ganhas por Shehu Shagari. Porém, em 1983, um novo golpe inicia mais uma ditadura militar, que só terminaria em 1999.
(fonte: Wikipedia)
A a indústria do petróleo foi nacionalizada em 1971. O Estado, em nome da Nigerian National Petroleum Corporation, recebe 55% dos lucros das operações das multinacionais em terra.
Embora, nesse meio tempo, o governo tenha passado de ditadura militar a democracia (duas vezes), uma coisa não mudou: a corrupção.
Apesar da região contribuir com cerca de 80% da receita do governo, a população do delta do Níger é muito pobre e a expectativa de vida é a menor do país.
Fotografia de Ed Kashi (National Geographic)
O governo documentou 6.817 derramamentos de petróleo entre 1976 e 2001 – praticamente um por dia por 25 anos – mas analistas suspeitam que o número pode ser dez vezes maior. (National Geographic)
Os vazamentos são causados por dutos velhos e enferrujados, nunca fiscalizados devido a uma regulamentação ineficiente ou corrupta, e afetados por manutenção deficiente e sabotagens.
As companhias culpam sabotagens e roubos pelos vazamentos, especulando que membros da comunidade causam derramamentos deliberadamente para receber compensações.
Caroline Wittgenstein, porta-voz da Shell (responsável pela metade da produção do país) em Lagos, disse: "Nós não discutimos vazamento individuais", mas argumentou que a "vasta maioria" é causada por sabotagem ou roubo, com apenas 2% devido à falha de equipamento ou erro humano.
Mas muitos especialistas e autoridades locais dizem que as empresas atribuem excessiva culpa à sabotagem, para diminuir sua responsabilidade.
Ricardo Steiner, consultor de vazamentos de petróleo, concluiu num relatório de 2008 que, historicamente, "o índice de falhas nos oleodutos na Nigéria é muitas vezes maior que aquele encontrado em outras partes do mundo", e observou que mesmo a Shell reconheceu que "quase todos os anos" um vazamento pode ser ligado a um oleoduto corroído.
E não é somente o ambiente que sofre com a poluição.
Em 1999. cidadãos da comunidade de Erovie começaram a ter problemas de saúde (vômitos, tonturas, dores de estômago e tosse) pouco depois que a Shell jogou um milhão de litros de resíduos em um poço de petróleo abandonado. Dentro de dois meses, 93 pessoas haviam morrido da doença misteriosa.
Testes feitos independentemente por duas universidades da Nigéria e três outros laboratórios, conduzidos no ano seguinte, indicaram que a substância despejada era tóxica. Todos os testes confirmaram concentrações muito acima dos limites aceitáveis de chumbo, zinco e mercúrio, que provavelmente contaminaram o solo e a água da região.
A Shell e o governo da Nigéria se recusam a se responsabilizar, afirmando que a substância despejada é inofensiva.
(leia mais no site CorpWatch)
(Gente, acho que já vi esse filme...
Cadê a Erin Brockovich para defender as pessoas e o ambiente, quando o descaso acontece longe dos subúrbios americanos?)
A reportagem da National Geographic discute as repercussões sociais da exploração de petróleo na Nigéria.
As companhias multinacionais não contratam funcionários dentre a população local.
Membros das comunidades, que viviam basicamente da pesca, não têm mais fonte de renda nem alimento.
Em Oloibiri, cuja população baixou de 10.000 a menos de 1.000 pessoas nos últimos 30 anos, o chefe Osobere Inengit pede aos estrangeiros para enviar uma mensagem à Shell. "Diga a eles para nos ajudar. Diga a eles para treinar 50 garotos e garotas do local para empregos." E suspira: "se nunca tivéssemos visto petróleo, estaríamos muito melhor".
Esse descaso social leva pessoas sem perspectivas a atos desesperados. Atos de vandalismo e violência contra funcionários das multinacionais se tornam cada vez mais freqüentes, e seqüestros pelo dinheiro do resgate já se tornaram uma fonte de renda para algumas pessoas.
Militantes de grupos armados, como o MEND (movimento pela emancipação do delta do Niger), matam soldados e seguranças, seqüestram trabalhadores estrangeiros das companhias petrolíferas, sabotam poços e oleodutos e, em ocasião de uma visita de executivos chineses da indústria do petróleo, explodiram diversos carros-bomba na cidade de Warri.
Fotografia de Ed Kashi (National Geographic)
O governo da Nigéria responde a esses ataques com devastação. Em uma tarde, uma gangue em Port Harcourt seqüestrou um empreiteiro italiano que trabalhava para a companhia petrolífera Saipem. Durante o seqüestro, um soldado foi morto. Dentro de poucas horas, tropas invadiram uma favela e atearam fogo a todas as construções, exceto um banco. Por volta de 3000 pessoas perderam suas casas.
O primeiro protesto em massa na Nigéria contra a indústria do petróleo ocorreu em Ogoniland.
Em 1990, o escritor Ken Saro-Wiwa fundou o Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni (Mosop) organização que representa o povo Ogoni em sua luta por direitos humanos e ambientais na Nigéria.
300.000 membros da comunidade, quase metade da população, marchou em 1993 para denunciar a poluição no delta do Níger pelas grandes companhias petrolíferas estrangeiras. No mesmo ano, a Shell, alegando preocupações com segurança, parou a produção de seus 96 poços em terras Ogoni – embora poços localizados fora da área ainda tivessem dutos atravessando o território.
Alarmado pela popularidade de Saro-Wiwa, o governo militar de Sani Abacha acusou-o e a outros oito ativistas de instigar o assassinato de quatro líderes de uma facção rival. Eles foram condenados, em um julgamento considerado uma farsa, e enforcados em 1995.
Os Ogoni entraram com uma ação judicial contra a Shell, acusando-a de cumplicidade com o regime militar nos enforcamentos dos ativistas.
Em 2009, a Shell aceitou pagar 15,5 milhões de dólares (menos de 0,01% do lucro anual da companhia) de indenização para o povo Ogoni, em acordo obtido extrajudicialmente às vésperas do início do julgamento. A companhia, entretanto, se declara inocente das acusações, afirmando que o pagamento foi "um gesto humanitário". (BBC Para África)
Os protestos, hoje, não são freqüentes, e quando ocorrem são respondidos com violência.
A reportagem do NYT informa que, no mês de maio, soldados que guardam um local da Exxon Mobil espancaram mulheres que realizavam uma manifestação.
Em outro caso, documentado por jornalistas estrangeiros em 1998, a Chevron enviou tropas de helicóptero durante um protesto pacífico em uma de suas plataformas, em território da comunidade Ilaje. As tropas mataram dois jovens e feriram dezenas de pessoas.
Dez anos depois, a Chevron foi à Corte Federal dos Estados Unidos responder pelo episódio. Embora a companhia não tenha sido considerada responsável pelas ações dos militares, não negou ter pago os soldados, fornecido transporte e direcionado-os no dia dos ataques. (The True Cost of Chevron)
A Chevron têm uma longa tradição em contratar pessoas influentes.
Segundo postagem no Amautadiarie's Blog, Condoleezza Rice foi, por muito tempo, diretora da companhia, e o advogado recém contratado é advogado do Pentágono, William J. Haynes, que defendeu “técnicas severas de interrogatório” (eufemismo para “tortura”).
O General James L. Jones, conselheiro de segurança do presidente Obama, foi membro diretor em 2008, até receber o cargo na Casa Branca.
Uma lista de abusos da Chevron, não somente na Nigéria mas também nas Filipinas, Kazaquistão, Iraque, Angola, Equador, e também nos Estados Unidos e Canadá, é detalhada em um "relatório anual alternativo", preparado por ongs e distribuído a acionistas da Chevron. O relatório está disponível ao público em The True Cost of Chevron (“O Verdadeiro Custo da Chevron”)*~*~*~*~*~*
O estado das coisas no Equador é chocante.
Apesar de diversos documentários já terem sido feitos sobre a contaminação (como Justicia Now!, disponível gratuitamente na internet, e o documentário Crude), o assunto ainda é pouco conhecido.
Eu não sabia até hoje!
O vídeo abaixo – falado em espanhol e com legendas em inglês – fala sobre a contaminação de petróleo na Amazônia equatoriana
A Texaco começou a extrair petróleo em uma área da Amazônia equatoriana afastada dos centros urbanos na década de 1960.
Após 23 anos de operações, havia derramado 64 milhões de litros de petróleo e 68 bilhões de litros de água contaminada e tóxica, segundo a organização ambientalista Amazon Watch.
O documentário Crude, dirigido por Joseph Berlinger, mostra a batalha legal que já dura 17 anos entre a Chevron e 30 mil equatorianos, que alegam que a Texaco, comprada pela Chevron em 2001, derramou nos rios da região 70 bilhões de litros de resíduos tóxicos, deixou 916 fossos com dejetos e queimou milhões de metros cúbicos de gases contaminantes.Os resíduos tóxicos seriam a causa de uma epidemia de doenças, como a leucemia: a demanda vincula 1.401 mortes por câncer na região com a contaminação causada pela Texaco entre 1985 e 1998.
Mas a visão da Chevron é diferente. "Vemos as fotos, vemos a contaminação e não é só nossa", disse o próximo gerente-geral da companhia, John Watson, no auditório da Câmara de Comércio dos Estados Unidos.
Nos anos 90, a Texaco cedeu suas operações à estatal PetroEquador, que continua explorando os poços e admite continuar lançando água suja no meio ambiente.
A Chevron diz que testes científicos mostram que a água é segura, que as doenças têm outras causas, que a Texaco limpou sua poluição e que a responsabilidade pelo problema é da companhia estatal.
"Muitas das práticas habituais da Texaco se mantêm, embora a PetroEquador tenha feito mudanças desde a saída dessa empresa para operar com mais responsabilidade", afirmou Luis Yanza, membro da equipe de advogados dos demandantes. "A Texaco desenhou um sistema que contaminou e tem toda a responsabilidade".
Outro advogado, Pablo Farjado, diz no documentário que a PetroEquador não é inocente, e sugere que questionar a estatal pode ser o próximo passo.
Em 2002, a Chevron convenceu o juiz norte-americano Jed Rakoff a transferir o caso para tribunais do Equador, país que na época tinha um governo conservador ávido por capitais estrangeiros. A condição foi que a empresa se abstivesse de questionar uma eventual condenação no Equador na justiça dos Estados Unidos.
Agora o caso fica cada vez mais emaranhado no Poder Judiciário equatoriano (sob acusações de corrupção, feitas pela Chevron), algo que, segundo os advogados dos queixosos, era a intenção da companhia.
Um estudo concluiu que a Chevron deve pagar US$ 27 bilhões para limpar o meio ambiente e compensar as comunidades afetadas.
"Será muito caro limpar, mas ainda assim será bem menos do que o lucro obtido pela empresa no Equador", disse na semana passada outro advogado dos queixosos, Steven Donzinger.
As recentes estimativas da dívida da BP pelo desastre no Golfo do México, entretanto, sugerem que os US$27 bilhões são muito pouco.
Em maio, uma decisão da corte americana ordenou que Berlinger entregasse os copiões do documentário à Chevron.
Fontes:
Luta contra a Chevron vira filme (IPS – 30/10/2009)
Documentarista de "Crude" é obrigado a entregar copiões de filme à Chevron (Estadão – 07/05/10)
© Amazon Watch
O blog Chevron in Ecuador divulga notícias sobre o caso (11/06/10: homem que denunciou corrupção na Chevron do Equador é ameaçado de morte).
No site ChevronToxico – campanha por justiça no Equador, pode-se ver os efeitos da contaminação na saúde da população e ler notícias e documentos.
O site possui também uma petição, a ser enviada a representantes da Chevron. Pode assinar.
E a Chevron não é a única companhia com problemas no Equador...
A Petrobrás também é acusada de causar contaminação que levou membros de comunidades indígenas à morte no país. O site Soberania.org noticiou, em 2008, que “crianças das Comunidades de Palo Azul já começaram a morrer devido à contaminação por petróleo extraído pela Petrobras”, que jogaria resíduos nos rios. "Cerca de 70% das crianças das quatro comunidades adquiriu uma doença de pele que certamente é causada pelo benzeno, um dos hidrocarbonetos aromáticos cíclicos do petróleo". "A doença de pele é acompanhada de outros sintomas que tem levado a morte."
Apesar de todos os problemas, a economia do Equador depende da exportação do petróleo, e uma solução parece distante.
Porém, segundo o blog Planet Green, uma iniciativa poderia evitar problemas futuros:
O Equador apresentou um projeto para deixar intactos os 850 milhões de barris de petróleo existentes no Parque Nacional Yasuní, em troca de financiamentos dos países desenvolvidos.
A reserva Yasuní não só tem uma riqueza biológica inestimável, como abriga tribos indígenas que nunca tiveram contato com o homem. O total de áreas protegidas representa nada menos que 38% do território equatoriano.
O website da iniciativa, criado pelo governo, incentiva doações de países, organizações e até particulares.
*~*~*~*~*~*
É vergonhoso como a comunidade internacional não toma conhecimento do que acontece nesses países.
Terisa Turner, coordenadora da ong International Oil Working Group, descreveu a conduta das companhias de petróleo multinacionais no delta do Níger ao longo de décadas como "racismo ambiental". "Essas práticas não são, e nunca poderiam ser, conduzidas na Europa Ocidental ou na América do Norte, e não deveriam ser praticadas em nenhum lugar." (CorpWatch)
Será que, agora que um país rico e que comanda a mídia internacional também está sofrendo as conseqüências da ganância da indústria petrolífera, alguma coisa vai mudar?
No dia 15 de junho, um dia antes da reportagem sobre a Nigéria no New York Times, o presidente dos EUA Barack Obama fez um pronunciamento sobre o vazamento de petróleo no Golfo do México.
Algumas frases que merecem ser repetidas:
"Uma das lições que aprendemos com esse derramamento (…) é que não importa o quanto melhorarmos a regulamentação da indústria; a busca por petróleo hoje envolve grandes riscos."
"Petróleo é um recurso finito. Nós consumimos mais de 20% do petróleo do mundo, mas temos menos de 2% das reservas."
"A tragédia que se desenrola em nosa costa é o mais doloroso e poderoso lembrete até hoje que o tempo de adotar energias limpas é agora."
"Há custos associados a essa transição, e há quem acredite que não podemos arcar com esses custos agora. Eu digo que não podemos arcar com não mudar o modo como produzimos e usamos a energia, pois os custos a longo prazo para a nossa economia, segurança nacional e meio ambiente são muito maiores."
Quando estas palavras deixarão de ser palavras?
BP, Chevron, Shell, Petrobrás...
Parece que nenhuma empresa petrolífera está limpa. Com perdão do trocadilho.
A indústria do petróleo é uma indústria criminosa e precisa assumir responsabilidade por seus atos.
Não podemos mais continuar com este nosso modo de vida!
É simples assim.
Temos que acordar. Chega de petróleo.
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domingo, 9 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
A catástrofe do petróleo
Conforme noticiado por todos os jornais, uma plataforma perolífera Deepwater Horizon, da empresa suiça Transocean e operada pela British Petroleum, explodiu no Golfo do México, próximo ao Delta do rio Mississippi, no dia 20 de abril e afundou no dia 22, após ficar dois dias em chamas.
11 trabalhadores morreram, e o acidente provocou um vazamento de petróleo gigantesco.
Até quarta-feira, as estimativas eram de cerca de mil barris de petróleo sendo despejados no mar por dia, mas desde então este número subiu para cinco mil barris, ou 800 mil litros de petróleo.
Porém, esse número pode ser muito maior: estimativas citadas pelo The Wall Street Journal calculam que podem estar vazando 25 mil barris de petróleo por dia!
A mancha de óleo já mede mais de 200km e já atingiu a costa da Louisiana.
Os estados do Alabama, Mississippi, Louisiana e Flórida declararam estado de emergência, e o governo dos Estados Unidos declarou o vazamento, nesta quinta (29/04), uma "catástrofe nacional".
A causa da explosão ainda é desconhecida. De acordo com o Último Segundo, um documento anônimo em inglês atribui o desastre a uma falha técnica (óleo ou gás teriam entrado no revestimento da tubulação) associada a erro humano (a tripulação teria demorado para acionar os dispositivos de segurança).
De qualquer forma, o aparelho responsável por cortar o fluxo de petróleo também não funcionou como deveria, e com a destruição da plataforma o oleoduto ligado a ela ficou vazando petróleo.
Até o momento, os esforços para conter o impacto têm sido insuficientes.
Foram utilizados robôs submarinos para tentar fechar os focos de vazamento no oleoduto, sem sucesso. A Guarda Costeira instalou barreiras para tentar impedir que o petróleo chegue à costa, e queimas estão sendo realizadas desde quarta-feira para tentar conter a mancha. As despesas com a limpeza da mancha de óleo estão estimadas em US$ 6 milhões por dia.
A British Petroleum está construindo uma estrutura para conter o vazamento, uma espécie de cúpula gigante (isso me lembra Os Simpsons...). O petróleo se acumularia dentro dela, e seria bombeado para fora, evitando mais vazamento no mar. Hoje, representantes da empresa afirmaram que a estrutura deve estar pronta dentro de uma semana.
Segundo o governo americano, uma solução definitiva deve levar meses.
Enquanto isso, a maré negra continua se espalhando e pode se tornar o pior desastre ecológico da história do país.
Cerca de 40% dos pântanos costeiros do país ficam na região, e esse tipo de ecossistema é muito rico e, por ser relativamente seguro, serve como “berçário” de muitas espécies animais. Uma contaminação por petróleo é mais difícil de ser contida neste ambiente, devido às características da água e do solo e ao emaranhado de vegetação. Também torna-se mais difícil o resgate de animais.
De acordo com o Greenpeace, o mês de abril é temporada de reprodução de peixes, pássaros, tartarugas e outras criaturas marinhas no Golfo do México. “Segundo afirmam pesquisadores, 90% de todas as espécies marinhas do Golfo do México fazem uso das regiões costeiras e dos estuários do Rio Mississipi ao menos uma vez na vida para reprodução”.
Mais de cinco mil espécies de aves migratórias, muitas delas em perigo de extinção, passam pela costa da Louisiana. O Golfo também abriga lontras, tubarões e baleias, como a Cachalote e a Baleia Azul, o maior animal que já existiu no planeta.
Os impactos a curto prazo de um vazamento de petróleo são inúmeros, e os danos ambientais podem ser sentidos durante muito tempo. A região do Alasca que foi afetada em 1989 pelo petroleiro da Exxon Valdez ainda não se recuperou totalmente.
O óleo é hidrofóbico – não se mistura com a água. Por ser menos denso, ele flutua, formando uma camada que bloqueia a penetração da luz solar, impedindo a fotossíntese das algas e fitoplâncton, que são a base da cadeia alimentar dos oceanos.
Os oceanos são a maior fonte de oxigênio para a nossa atmosfera.
A Amazônia é um ecossistema muito importante, mas não é o pulmão do mundo. Estima-se que cerca de 90% do oxigênio presente na atmosfera terrestre seja gerado pela fotossíntese das algas planctônicas.
Por isso, o impacto de desastres ecológicos no oceano pode ser muito maior do que você imagina!
O petróleo também pode obstruir as brânquias dos peixes e os orifícios respiratórios de outros animais marinhos, como tartarugas e golfinhos, impedindo-os de respirar.
Ele se gruda às penas das aves marinhas, tornando-as permeáveis à água e atrapalhando a manutenção do calor corporal, e impedindo as aves de voar. Muitas aves morrem por sufocamento ou hipotermia.
Além disso, a ingestão do óleo tem diversos efeitos tóxicos e pode ser letal. As aves ingerem o petróleo ao tentar limpar suas penas ou ingerir alimento, mas comer alimentos contaminados também pode causar danos à saúde a longo prazo, inclusive em seres humanos.
A decomposição de algas e animais mortos diminui ainda mais o oxigênio na água.
A queima da mancha de petróleo provocará seus próprios problemas ambientais, criando enormes nuvens de fumaça tóxica e deixando resíduos no mar.
Voluntário segura uma ave coberta de óleo derramado do navio Prestige, na costa da Galícia, Espanha (Greenpeace).
Em "O custo da energia", fotos da National Geographic Brasil mostram como "paisagens e vidas humanas sofrem com a busca febril por mais combustível"
É impressionante como, apesar de toda a tecnologia que temos para a exploração de petróleo, estamos tão despreparados para lidar com um acidente como este.
Nesses momentos de calamidade nos damos conta de como a nossa relação com os recursos que exploramos é doentia.
Toda a discussão sobre o aquecimento global e o nosso impacto no ambiente não são suficientes para mudarmos de atitude!
Até quando?
Além das atitudes que já deveríamos adotar em nosso dia-a-dia, como reduzir o consumo de combustível, é preciso maior atenção e incentivo a fontes de energia mais limpas e renováveis.
Alguém conhece o Portal das Energias Renováveis? Me deparei com ele hoje, pareceu bem interessante.
E também me deparei com um livro que parece ser leitura básica para entender o mundo: A Tirania do Petróleo. Quero ler!
Fontes:
G1
Estado
Último Segundo
Greenpeace
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petróleo
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