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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O surfista verde

Matéria inspiradora que li na última edição da revista Brasileiros.

O surfista verde

João Malavolta ensina a pegar onda e, de quebra, organiza mutirões de limpeza de praias, rios e mangues. Promove, também, oficinas e projetos de conservação ambiental. Tudo isso lá em Itanhaém.


texto e fotos Liana John

o surfista João Malavolta, fundador da Ecosurfi, retirando lixo da praia. Foto de Liana John
João Malavolta, fundador da Ecosurfi, retirando lixo da praia

Jornalista por formação, surfista por teimosia, João Malavolta nasceu há 32 anos, em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo. Ou Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, como prefere. Ali se criou e aprendeu a surfar. Conhece aquele mar, identifica cada pedra, sabe de onde sopra o vento e reconhece de longe qualquer mudança na correnteza. E não manifesta a mínima intenção de deixar sua praia de origem para ganhar a vida na cidade grande.

A opção de João foi juntar alguns amigos surfistas e fundar um misto de organização não governamental e escola: a Ecosurfi. Desde 2000, eles promovem mutirões de limpeza de praias, rios e mangues, oficinas e projetos de conservação ambiental e aulas de surfe, além de articular movimentos socioambientais para influir nas políticas públicas de juventude, criança e adolescência, meio ambiente, educação ambiental, recursos hídricos, gerenciamento costeiro, resíduos sólidos e saneamento básico.

Quem está ligado à Ecosurfi acredita que: "Sendo homens do mar, os surfistas devem compactuar na busca incessante pela preservação das praias e oceanos ao redor do nosso planeta". Tal crença se esmiúça em dicas e atividades todas as terças e quintas-feiras, nas aulas ministradas a crianças e adolescentes das escolas de Itanhaém, alguns em clara situação de risco. As aulas são de surfe, claro. Atualmente, são 15 alunos de manhã e 21 à tarde, chova ou faça sol.

As aulas são gratuitas e a condição é estar matriculado na rede pública de ensino. O curso é uma iniciação ao surfe, mesclado com discussão de temas ambientais e participação em projetos realizados com apoio de ONGs sociais e ambientais, como Instituto Akatu, Sea Shepherd, Greenpeace e Fundação SOS Mata Atlântica, entre outras. Algumas atividades são beneficiadas com recursos governamentais, como os do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). Outras contaram, anteriormente, com recursos da prefeitura.

"A maneira de fazer política no Brasil muitas vezes atrapalha os resultados: os políticos querem fazer acordos para liberar verbas e nós queremos praia limpa, rio despoluído. Queremos, acima de tudo, transparência", diz Malavolta. A transparência no ser, no sentir, no falar e no fazer está, inclusive, definida como princípio da Ecosurfi, cuja visão é "Ser uma organização eficiente, inovadora, dinâmica e eficaz no emprego da educação socioambiental no Brasil".

O compromisso ali é com a "justiça socioambiental, a melhoria da qualidade de vida, a defesa do meio ambiente e o fortalecimento da cultura de paz". O engajamento de Malavolta com os princípios e a missão da Ecosurfi é tão definitivo que o nome da ONG-escola está tatuado em seu antebraço.

O ecosurfista prefere apostar na participação dos jovens voluntários a navegar nos meandros da política. "Procuramos mostrar a relação do surfe com as condições das praias", ensina. "As ondas dependem dos bancos de areia no fundo do mar. A erosão e a falta de conservação podem comprometer a qualidade das ondas."

João Malavolta com uma turma de alunos de surfe, em Itanhaém. Foto de Liana John
Com uma turma de alunos

Malavolta já viajou para muitos lugares atrás de ondas de qualidade. Viu paisagens fantásticas. Isso só será possível com movimentos de preservação. "A gente só preserva o que conhece. O surfe é um esporte que te leva a viajar, a conhecer. É um esporte que depende do oceano limpo, de praia boa. Existe um espírito e uma cultura associados ao esporte, muito além do consumismo de se vestir como surfista. É isso que procuro passar."

Um dos projetos da ONG-escola é estudar a regeneração do junduzal, a vegetação rasteira responsável pela fixação das dunas de areia e controle natural da erosão. "Vamos primeiro levantar as áreas em regeneração e aquelas em estado mais crítico. Estamos preparando mudas em um viveiro e depois vamos promover o replantio do junduzal onde for necessário."

Toda a atividade é fotografada e filmada para abastecer a mídia local e as redes sociais. "Quero que os jovens se apropriem da comunicação para conseguir entender o que foi realizado, as causas e as consequências de todo o processo", afirma ele. "As condições ambientais dependem dos cuidados que partem da base e nós somos essa base, nós fazemos nossas ondas de sustentabilidade."

Inicialmente, poucas pessoas apareciam nos mutirões de limpeza de praia. Agora já são mais de 300. "É nítido que essas pessoas têm o mesmo sentimento, a vontade de doar seu tempo por acreditar que podem fazer a diferença", diz Malavolta. "Vem gente de todas as idades, o apelo ambiental é grande, é uma oportunidade para cada um de se sentir bem."

Cada mutirão chega a reunir até uma tonelada e meia de resíduos. A maioria é de plásticos, que flutuam durante anos, mesmo quando se quebram ou se deterioram. Os resíduos são carregados pelas marés e representam riscos reais para a fauna marinha. Há riscos mecânicos, por exemplo: peixes, tartarugas e aves podem engolir os plásticos, que não são digeridos e permanecem no estômago a ponto de impedir a alimentação e matar os animais de inanição. Peixes e tartarugas também podem se enroscar em plásticos, tornando-se vulneráveis a predadores ou ao afogamento.

Existem ainda os riscos químicos: como são produzidos a partir do petróleo, os plásticos têm afinidade química com poluentes orgânicos persistentes (chamados de POPs) e coletam tais poluentes enquanto flutuam no mar. Ao ingerirem fragmentos de plástico rodados, os animais também se contaminam com os químicos.

Por isso, cada sacolinha, cada frasco retirado do mar conta. Assim como conta - e muito - a atitude de não jogar lixo na praia, no mar, no rio, no mangue. Somam-se a essas contas opções como trocar o carro por bicicleta, por exemplo, sobretudo em uma cidade plana como Itanhaém, razão mais que suficiente para engajar Malavolta em uma campanha por mais ciclovias na cidade.

Em outro projeto - chamado Rio do Nosso Bairro - a Ecosurfi conseguiu envolver quatro escolas de cada um dos nove municípios da Baixada Santista, em um total de 36 escolas. Durante 2010, os alunos participantes levantaram a situação dos rios e córregos de suas regiões, fazendo um diagnóstico e colocando os resultados no mapa, conforme a metodologia internacional Green Maps. Em seguida, foram realizados seminários e uma conferência infanto-juvenil, ao final da qual as escolas assumiram a responsabilidade no cuidado com os cursos d'água. Em vários casos, os projetos foram para frente, com professores e estudantes trabalhando em defesa dos recursos hídricos.

Quando era moleque e ganhou sua primeira prancha do pai, aos 11 anos, Malavolta ia para o mar quase todos os dias. "Tinha o compromisso de ir à escola, mas fora do horário escolar a última alternativa era ficar em casa. Tinha coisa demais para fazer na praia", lembra-se.

Agora, apesar de ter menos tempo livre para a busca incessante da onda perfeita, ele continua surfando. "É o que me reconecta com tudo que acredito. Como todo surfista, acho que sempre vou encontrar uma onda melhor logo adiante." A diferença é que Malavolta não fica apenas esperando a próxima onda quebrar para conferir, mas ajuda na construção permanente desse ideal.

Barraca da Ecosurfi em Itanhaém
Site da Ecosurfi
Página no Facebook

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Jango

Hoje é o aniversário da morte do ex-presidente João Goulart, derrubado pelo golpe militar de 1964.
Gau gentilmente escreveu um
guest post sobre ele:

João Goulart em 1963 - foto de divulgação do livro João Goulart - uma biografia, do historiador Jorge Ferreira
Há 35 anos, em 6 de dezembro de 1976, morreu no exílio, na Argentina, João Goulart, o Jango, um dos melhores presidentes que o Brasil já teve e uma das mais importantes lideranças políticas do país. Com um projeto político de desenvolvimento e de redução da desigualdade social que só recentemente voltou a ser prioridade na política brasileira, Jango esteve à frente de seu tempo e por isto foi violentamente atacado pela direita e incompreendido e marginalizado pelas esquerdas de sua época.

Derrubado pelo golpe de 1º de abril de 1964, tentaram colocá-lo no limbo da história, como se ele mesmo fosse o culpado pela sua deposição, que resultou numa ditadura de mais de 20 anos. Classificaram-no de incompetente, despreparado, fraco. Mas essa versão que estão nos contando está virada do avesso. A verdade é bem outra. O governo Jango caiu pelas suas virtudes, não por seus defeitos, como disse o antropólogo Darcy Ribeiro, que foi seu ministro da Casa Civil.

Jango era um rico fazendeiro gaúcho. Poderia ser apenas isso e cuidar exclusivamente de ampliar suas propriedades e enriquecer mais ainda. Na política, poderia ser somente um defensor dos interesses da sua classe, como faz hoje a bancada ruralista no Congresso. Mas Jango entrou na política do lado dos mais fracos. E construiu uma carreira: foi deputado estadual, secretário estadual de governo, deputado federal, Ministro do Trabalho, vice-presidente da República (o que lhe dava a condição de presidir o Senado), antes de chegar à Presidência, com a renúncia de Jânio Quadros. Não era, portanto, um despreparado. Ao contrário. E não era tampouco um desconhecido. Como candidato a vice, recebeu mais votos que o candidato a presidente.

capa do livro João Goulart: Entre a Memória e a História, de Marieta De Moraes FerreiraNão era socialista nem queria realizar uma revolução para implantar o comunismo, como foi tão intensamente acusado. A historiadora Marieta de Moraes Ferreira, em "João Goulart: entre a memória e a história", diz que a política implementada pelo governo Jango teve como marcas principais a preocupação social e a defesa da economia nacional. Dito de uma forma bem simplificada, queria, dentro do capitalismo e das regras democráticas e constitucionais, realizar uma política de desenvolvimento nacionalista (herança da política de Getúlio Vargas) calcada na substituição de importações e no aumento da capacidade de produção interna, mas com redistribuição de renda e participação popular.

Isto significava, entre outras coisas, elevar o poder aquisitivo dos trabalhadores e marginalizados, incorporando-os ao mercado de consumo (sua reforma agrária previa a redistribuição de terra e criação de uma classe numerosa de pequenos proprietários), o que também estimularia a produção interna e o mercado de trabalho, criando um dinamismo na economia e um desenvolvimento mais justo e equilibrado. Não é isto que começou a ser feito por Lula e continua no governo Dilma?

A tese de doutorado "O projeto de nação do governo João Goulart: o plano trienal e as reformas de base", de Cassio Silva Moreira, apresentada no programa de pós-graduação em economia da UFRGS, traz dados interessantes sobre o assunto. Um resumo dela pode ser acessado em www.cassiomoreira.com.br.

Tese de doutorado: O projeto de nação do governo João Goulart
(Cassio Silva Moreira)


No plano social, o governo Goulart procurou dar voto ao analfabeto, situação de cerca de metade da população adulta; investir pesadamente em educação (não consegui confirmar, mas parece que para 1964 teria reservado cerca de 12,5% do Orçamento!); implantar uma política nacional de saúde; criação de uma linha de financiamento de longo prazo para aquisição de 100 mil moradias pela população de baixa renda (algo como o programa Minha Casa, Minha Vida?).

Por tudo isso (suas virtudes!) foi deposto pelo golpe de 1964, conduzido por militares, empresariado, forças conservadores e apoio direto e ostensivo dos Estados Unidos, que não apenas já vinham financiando deputados e organizações de direita na campanha contra o governo, mas também mobilizaram força militar norte-americana para uma "ajuda" aos golpistas. No site do Instituto João Goulart é possível encontrar cópias de documentos originais sobre o tema. São documentos desclassificados, isto é, cujos conteúdos deixaram de ser secretos e foram abertos ao conhecimento público. Veja o de número 110910184038_brasil.doc. No site do instituto é possível também encontrar vídeos.

Jango poderia ter tentado resistir ao golpe, como queria grande parte da esquerda na época, esquerda que tentou radicalizar o projeto de reformas do governo, contribuindo para o seu isolamento. Resistir seria dar início a uma guerra civil com possibilidade de intervenção militar norte-americana. Não esqueçamos que os Estados Unidos estavam no Vietnã e não iriam correr o risco de perder o seu "quintal", a América Latina. O presidente eleito pelo povo brasileiro não quis a guerra, preferiu o exílio. E foi, talvez, o exilado tratado com maior crueldade pela ditadura brasileira: afastado de sua pátria, foi também "apagado" da história. Está na hora de rever isto e recuperar um dos legados mais belos da recente história brasileira.

capa do livro João Goulart - uma biografia, de Jorge FerreiraJango morreu no exílio no dia 6 de dezembro de 1976, possivelmente, sabe-se hoje, assassinado pela Operação Condor, que nos anos 1970 e 1980 reuniu as ditaduras militares de diversos países da América do Sul em ações conjuntas na repressão e eliminação de combatentes ou inimigos dessas ditaduras. É mais um silêncio que paira sobre o assunto, mas cujo véu precisa ser levantado.

O livro "João Goulart – uma biografia", do historiador Jorge Ferreira, traz uma enorme contribuição para esse merecido resgate da figura do homem Jango e do líder e político João Goulart.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

10 anos sem George Harrison

George Harrison nos anos 1960George Harrison nos anos 1990Gostaria de deixar uma breve homenagem ao "Beatle quieto", que deixou o mundo material no dia 29 de novembro de 2001, vítima de câncer no pulmão.

Marcaram sua imagem, além da música, a intensa espiritualidade e a paixão pela cultura indiana.

Além da extensa obra dos Beatles, Harrison também teve uma bela carreira solo. O álbum All Things Must Pass é ótimo, e eu aconselho a quem encontrá-lo à venda em algum lugar que compre imediatamente.

Veja o trailer do documentário sobre Harrison Living In The Material World, de Martin Scorsese:

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

In memoriam: Wangari Maathai

Homenagem a Wangari Maathai no site do Greenbelt Movement
Homenagem a Wangari Maathai no site do Greenbelt Movement,
fundado por ela em 1977


Wangari Maathai 1940-2011A bióloga, ambientalista, defensora dos direitos humanos, feminista e Prêmio Nobel da Paz Wangari Maathai faleceu ontem à noite, vítima de câncer.

Ela nasceu em 1940 em Nyeri, no Quênia.

Em 1960, como parte de programas relacionados com a independência do Quênia, Maathai foi um dos 300 estudantes quenianos a receber bolsas de estudos nos Estados Unidos (assim como o pai do presidente Barack Obama).
Graduou-se em biologia no Mount St. Scholastica College, no Kansas, em 1964. Cursou mestrado na Universidade de Pittsburgh, e doutorado na Alemanha (universidades de Giessen e Munique) e na Universidade de Nairóbi.

Foi a primeira mulher na África Ocidental e Central a obter o título de doutora.
Professora na Universidade de Nairóbi, tornou-se também a primeira mulher a presidir um departamento em uma universidade no Quênia.

Ela foi membro da Cruz Vermelha, tornando-se diretora da sede em Nairóbi em 1973.
Foi também diretora do Environment Liaison Centre (criado após a Conferência de Estocolmo), em 1974.

a ativista Wangari Maathai lutou contra o desmatamento no QuêniaEm 1977, Maathai fundou o Movimento Greenbelt (“Cinturão Verde”), ONG sem fins lucrativos que tem como missão "fortalecer comunidades em todo o mundo para proteger o meio ambiente e promover bons governos e culturas de paz".

O Movimento começou encorajando mulheres em áreas rurais do Quênia a plantar árvores, combater o desmatamento e restaurar a paisagem, melhorando a qualidade de vida através de acesso a água limpa, lenha, frutos e outros recursos.

Ainda em atividade, a organização já plantou mais de 40 milhões de árvores e capacitou mais de 30 mil mulheres.

“Não se pode proteger o meio ambiente a menos que se dê poder às pessoas, dê informações a elas e as ajude a entender que esses recursos são delas e que elas devem protegê-los.”

Maathai foi também uma líder no combate ao autoritarismo do regime do ex-presidente Daniel Arap Moi nas décadas de 1980 e 1990.

Por sua luta a favor do meio ambiente e da democracia e contra a corrupção em seu país, a ativista sofreu violência policial, foi presa várias vezes e recebeu ameaças de morte.

Após o advento do multipartidarismo no Quênia e a eleição de Mwai Kibaki, em 2002, ela foi eleita membro do Parlamento e se tornou secretária de Estado para o Meio Ambiente, ocupado o cargo de 2003 a 2005.
Wangari Maathai recebe o Prêmio Nobel da Paz, em 2004
Em 2004, Wangari Maathai recebeu o Prêmio Nobel da Paz por "sua contribuição ao desenvolvimento sustentável, à democracia e à paz".

Ela foi a primeira mulher africana e primeira ambientalista a receber o prêmio.

Seu trabalho inspirou a Campanha 1 Bilhão de Árvores do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), lançado em 2006.

11 milhões de árvores já foram plantadas em todo o mundo, como parte da campanha.

Wangari Maathai: a revolução das árvoresAlém do Nobel da Paz, Maathai recebeu muitas outras homenagens, como o Légion d'Honneur da França em 2006, o Prémio Nelson Mandela para a Saúde e Direitos Humanos em 2007 e a Ordem do Sol Nascente do Japão em 2009.
Ela também recebeu doutorados honoris causa de diversas universidades.

Em 2005, foi eleita como o primeiro presidente do Conselho Econômico, Social e Cultural da União Africana. No mesmo ano, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade para os Ecossistemas Florestais da Bacia do Congo.

Em 2009, foi nomeada mensageira da paz pela ONU.

Em 2010, tornou-se administradora da recém-criada Fundação para a Educação Ambiental da Floresta de Karura, por cuja proteção vinha lutando há décadas.

Atualmente, era membro do Conselho da Associação de Parlamentares Europeus com a África (AWEPA).

“O problema é que ainda achamos que os nossos recursos durarão para sempre. Sem elevar o nosso nível de consciência ética, não poderemos entender que esse nível de vida tão elevado para poucos em detrimento de muitos não pode seguir adiante. No meu país, o Quênia, pelo menos 10% das pessoas vivem desperdiçando recursos porque querem imitar o nível de vida do mundo rico. Os recursos não são suficientes. Os países ricos exploram os recursos naturais dos pobres, e os poucos ricos dos países pobres fazem o mesmo. A nossa forma de lutar contra a pobreza é lutar contra esta forma de hiper-consumo não apenas no mundo industrializado, mas também nos países em desenvolvimento onde lamentavelmente estamos copiando o mundo rico em detrimento do nosso povo.”
(Wangari Maathai, em entrevista realizada em outubro de 2007)

Inabalável - autobiografia de Wangari Maathai
O documentário de 2008 "Taking Root: The Vision of Wangari Maathai", dirigido por Alan Dater, conta a história desta mulher incrível.
(veja o trailer - infelizmente, sem legendas)

Um de seus livros publicados é a autobiografia Inabalável, de 2007, disponível no Submarino.

Descanse em paz, Wangari Maathai!
Obrigada por ter existido!


"Eu serei um beija-flor." (Wangari Maathai)


(postagem escrita com informações do New York Times e da Wikipedia)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dia Internacional Nelson Mandela

Nelson Mandela, Madiba Hoje o mundo celebra o 93º aniversário de Nelson Mandela e o segundo Dia Internacional Nelson Mandela.
A ONU e a Fundação Nelson Mandela fazem um apelo para que a data seja celebrada com 67 minutos de trabalho comunitário, pois "Mandela devotou 67 anos de sua vida a serviço da humanidade - como advogado de direitos humanos, prisioneiro de consciência, defensor da paz mundial e o primeiro presidente democraticamente eleito de uma África do Sul livre".

"O próprio Nelson Mandela disse certa vez: “Nós podemos mudar o mundo e torná-lo um lugar um lugar melhor. Está em nossas mãos fazer a diferença", diz o secretário-geral Ban Ki-Moon. "A melhor forma de agradecer Mandela pelo seu trabalho é agir e inspirar a mudança".

Veja 67 sugestões de ações que você pode fazer para mudar o mundo no site do Nelson Mandela Day - e não se esqueça que datas especiais são criadas apenas para que pensemos nos assuntos, mas essas ações podem - e devem - ser feitas em qualquer dia. Como diz o site, make every day a Mandela day!

Mandela passou 27 anos de sua vida na prisão por sua luta contra o apartheid na África do Sul. Ele foi libertado em 1990.
Em 1993, foi homenageado com o prêmio Nobel da paz e, no ano seguinte, foi eleito presidente nas primeiras eleições livres do país.

"Ser livre não é apenas libertar-se das correntes, mas viver
de uma forma que respeite e reforce a liberdade dos outros"
(Nelson Mandela)

Para se inspirar: O filme Mandela - A Luta pela Liberdade (título original Goodbye Bafana) mostra o período em que Mandela esteve preso, do ponto de vista de um dos guardas da prisão, e o filme Invictus, dirigido por Clint Eastwood, mostra o início de seu mandato como presidente, e a forma como um esporte - o rugby - ajudou a promover a união em uma nação dividida.



quinta-feira, 9 de junho de 2011

Celebrando a vida de Les Paul

Les Paul
Hoje o músico e inventor Lester William Polfus, mais conhecido como Les Paul e falecido em 2009, completaria 96 anos.
O Google está homenageando Les Paul com um doodle musical, bem legal.
[Atualização: o dia da homenagem passou, mas você pode acessar a guitarrinha do Google quando quiser; é só clicar aqui]

Além de tocar country e jazz, ele criou uma das primeiras guitarras de corpo sólido, posteriormente fabricada pela marca Gibson. Até hoje, a guitarra que leva o seu nome é uma das guitarras mais famosas do mundo (e uma das mais caras também).

Jimi Page, do Led Zeppelin, tocando uma Les PaulSlash tocando uma Les Paul
Jimi Page, do Led Zeppelin, e Slash são dois guitarristas que elegeram a Les Paul


guitarra Gibson Les Paul Studio Wine Red - a guitarra dos meus sonhos
A guitarra dos meus sonhos!
(ainda vou ter!)

Ele também foi o inventor da gravação multicanais.
No vídeo abaixo, Les Paul e sua esposa Mary Ford demonstram seu método revolucionário de gravação.

Les Paul & Mary Ford - How High the Moon


Junto com Mary Ford, Les Paul gravou músicas muito populares nos EUA na década de 1950. Eles tiveram seu próprio programa de televisão (The Les Paul & Mary Ford Show), em 1954-1955.

The Les Paul & Mary Ford Show: World Is Waiting For The Sunrise


Tem um documentário muito interessante sobre sua vida, intitulado Chasing Sound! The Les Paul Story. Eu comprei em uma livraria de shopping, não deve ser difícil de encontrar.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Maria e Zé Claudio: a Amazônia ganha mais dois mártires

Esta manhã, o casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo foram assassinados, em Nova Ipixuna, no Pará.
Eles foram vítimas de uma emboscada em uma ponte a 8km de sua casa, onde dois homens os alvejaram com muitos tiros de escopeta, revolver calibre 38 e pistola 380.

o casal José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo - mártires da Amazônia
O casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo,
assassinados no Pará em 24/05/2011

Há vários meses o casal denunciava que estava sob ameaça. Eles moravam no assentamento extrativista Praia Alta/Piranheira, viviam de castanhas coletadas na floresta, e denunciavam madeireiros e carvoeiros que derrubavam árvores ilegalmente na área do assentamento.

Seus nomes juntam-se aos nomes de muitos outros mártires.

O Sul do Pará é considerado a região mais violenta do campo no Brasil.
Foi lá que também ocorreram o massacre de Eldorado dos Carajás e o assassinato da missionária Dorothy Stang.

Até quando o lucro vai ser mais importante do que a vida de alguém??


Veja o depoimento de Zé Claudio em novembro de 2010 no TEDxAmazônia:



A notícia do assassinato foi destaque na Al Jazeera e no The Guardian. Leia mais, também, na Carta Capital.


*~*~*~*~*~*~*~*
Enquanto isso, o Código Florestal está na pauta para ser votado esta noite na Câmara.

domingo, 3 de abril de 2011

Quatro de abril de 1968

O pastor protestante e ativista Martin Luther King Jr., 39 anos, é assassinado com um tiro na varanda de seu quarto no hotel Lorraine em Memphis, Tennesse, EUA.

Ele foi um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, baseado nos ideais de desobediência civil e não-violência de Gandhi.

Em 1964, ele tornou-se o mais jovem laureado com o prêmio Nobel da Paz.

Martin Luther King Jr (15 de janeiro de 1929 - 04 de abril de 1968)
Veja, na íntegra e com legendas, seu mais famoso discurso, intitulado "Eu tenho um sonho", proferido em 1963.

Parte 1:


Parte 2:

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quando o lucro é mais importante do que vidas

avião despejando venenoNo Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental (I SIBSA), evento que aconteceu em dezembro de 2010, Raquel Rigotto, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro do GT de Saúde e Ambiente da Abrasco, contou a experiência do núcleo de pesquisa Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a sustentabilidade – coordenado por ela. O grupo acompanha, há quatro anos, os problemas da população da região da Chapada do Apodi, entre os municípios de Limoeiro do Norte e Quixeré, no Ceará, área de expansão recente da fruticultura para exportação, com grande exploração da força de trabalho e degradação ambiental.

"Quando chegamos lá, a comunidade do Tomé nos falou de um problema que era a pulverização aérea de agrotóxicos, especificamente no cultivo da banana, com fungicidas que são muito tóxicos e persistentes no meio ambiente. E essa pulverização atingia também as comunidades, já que as empresas foram instaladas justamente onde já havia muitas comunidades há muitos anos. Eles fizeram relatos de que as roupas que eles lavavam ficavam com cheiro de veneno no varal, que galinhas morriam e crianças passavam mal", relata a pesquisadora.

O Diário do Nordeste denunciou, em 2008, que os casos de câncer em Limoeiro do Norte estão muito acima da média nacional (até o ano de 2007, média aproximada de um caso de câncer para cada 300 habitantes), e houve pelo menos três mortes de trabalhadores rurais por envenenamento desde 2006.

Diante das denúncias, o grupo Tramas fez um acompanhamento da pulverização aérea em 2008 e 2009, e verificou contaminação da água da região pelos mesmos agrotóxicos pulverizados, entre outros.

peixes mortos por agrotóxico - pessoas bebem essa água!
Peixes mortos em tanque que abastece famílias com água para beber, em Limoeiro do Norte.
Agrotóxicos são a causa da mortandade.

Em novembro de 2009, graças à mobilização das comunidades, a Câmara de Vereadores de Limoeiro do Norte aprovou uma lei proibindo a pulverização aérea, dez meses depois que a União Europeia havia proibido esse tipo de pulverização.

Entretanto, as empresas reagiram fortemente, falando do prejuízo que teriam sem a pulverização, e em uma sessão realizada, segundo Raquel, "às escondidas", a Câmara de Vereadores de Limoeiro revogou a lei anterior e a pulverização aérea voltou a ser permitida na região.

José Maria Filho, líder comunitário assassinadoHidelbrando dos Santos, diretor da Fafidam-Uece, em Limoeiro, publicou no início da década um levantamento sobre a intensa concentração de terras e a conseqüente expropriação de trabalhadores, como o líder comunitário José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé, que presidia a Associação dos Desapropriados São João.

José Maria denunciou a contaminação da água por agrotóxicos e combatia a pulverização aérea. Ele foi assassinado em 21 de abril de 2010, com 19 tiros.
Ninguém foi preso.

Outras regiões do Ceará também têm tido problemas com a pulverização (vide notícia Pulverização de agrotóxicos causa morte de gados e aves em Paraipaba, de 01/02/2011, no Ceará Agora).

*~*~*~*
Infelizmente, o assassinato de pessoas que lutam pelos direitos humanos e pelo meio ambiente, contrariando interesses particulares, é algo comum no nosso país.

No dia 12 de fevereiro, o assassinato da missionária Dorothy Stang completou 6 anos.
A região continua um cenário de faroeste. Madeireiros invadem o terreno dos agricultores, cortam árvores ilegalmente, e quem denuncia é ameaçado de morte. Há menos de um mês, a revista Carta Capital publicou um artigo intitulado "Continua tensa a situação em assentamento onde morreu missionária".

Em dezembro de 2008 foi assassinado o seringueiro e ambientalista Chico Mendes.

Muitos outros, anônimos, já foram mortos covardemente em nome do lucro individual de fazendeiros e empresários.
Infelizmente, é provável que muitos ainda serão.
E todos sabemos o porquê:

Não podemos perder um único dólar - trecho de carta sobre poluição causada pelos produtos, que circulou internamente na Monsanto
"Não podemos perder um único dólar" - trecho de carta sobre como lidar com a questão da poluição causada por seus produtos, que circulou internamente na Monsanto na década de 70.
Resume bem a maneira como as grandes empresas lidam com qualquer polêmica, não?
(não deixe de ver o documentário "O mundo segundo a Monsanto"!)


"No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a floresta amazônica. Agora, percebi que estava lutando pela humanidade."
~ Chico Mendes


Cuando los Ángeles Lloran - Maná

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Maurício Pestana: arte pela igualdade

o cartunista Maurício PestanaEm dezembro de 2010, o cartunista Maurício Pestana lançou a coletânea "Pestana: 30 anos de Arte pela Igualdade", celebrando sua obra que trata de questões de direitos humanos e inclusão social de minorias brasileiras.
capa do primeiro número do Pasquim

Seus primeiros trabalhos foram publicados no Pasquim, no final da década de 70.

Vale a pena conhecer!




charge de Maurício Pestanacharge de Maurício Pestana

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Você já deu um abraço hoje?

Estou com pouco tempo para postar este mês, mas gostaria de deixar aqui um vídeo que muita gente já deve conhecer, mas vale a pena ser visto de novo...



Muitos abraços para vocês!

sábado, 14 de agosto de 2010

O amor à música

Encontrei no blog Heartwood Guitar Instruction.

O vídeo abaixo é uma reportagem da CBS, de maio de 2009 (em inglês e sem legendas, infelizmente), sobre Andy Mackie, um senhor escocês de 71 anos que vive nos Estados Unidos.

Andy Mackie - CBS Após nove cirurgias cardíacas, ele estava tomando 15 remédios para o coração, mas seus efeitos colaterais eram muito debilitantes.
Então, um dia, ele decidiu parar de tomar os remédios, e dedicar seus últimos dias àquilo que sempre amou: a música. Ele usou o dinheiro que gastaria em remédios para comprar 300 gaitas, que deu a crianças carentes, com aulas inclusas.
Como Andy não morreu no mês seguinte, comprou mais algumas centenas.
Isso foi 12 anos, e mais de 13.000 gaitas, atrás.

Andy também passou a fabricar instrumentos simples de corda e ensinar técnicas de violão às crianças.
Algumas crianças aprenderam a fabricar os instrumentos, para que a prática se mantenha, e elas são encorajadas a ensinar o que aprendem a outras crianças.

Arrecadações da Andy Mackie Music Foundation são utilizadas para a doação de novos instrumentos, a contratação de professores e concessões de bolsas de estudo.

"Não acho que Bill Gates se sinta mais rico do que eu", diz Andy na reportagem.
Que bom que há pessoas assim no mundo!

domingo, 8 de agosto de 2010

49 anos de The Edge!

The Edge E daí que 49 não são 50?
Hoje é aniversário de um dos maiores guitarristas do mundo; temos que comemorar!

The Edge (ou "David Howell Evans") nasceu no dia 08 de agosto de 1961.

Uma característica marcante na guitarra do U2 é o uso que The Edge faz do efeito delay, ou "eco".
Pra quem quer entender e/ou tentar imitar (e lê inglês), um site publicou um "estudo do delay de The Edge".


Biografia detalhada, que nem a do Bono, deixo pro ano que vem. Agora, só um vídeo:

The Edge cantando e tocando Sunday Bloody Sunday na turnê Popmart, em 1998


Tá bom, dois vídeos!
O segundo vai de brinde, só para vocês verem o tal do delay:

Where the Streets have no Name, ao vivo


Amo!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Metamorfose Ambulante

Salvador, 28 de junho de 1945: nascia Raul Santos Seixas, um dos maiores nomes do rock nacional.
Mais um grande nome da música que nos deixou... mas sua obra vai viver para sempre!
(que o digam os músicos que ouvem toda hora a platéia gritar "TOCA RAUL!!!")

Hoje, Raulzito completaria 65 anos.
Em homenagem, o divertido clipe da canção Tente Outra Vez:

domingo, 27 de junho de 2010

The King is dead...

Michael Jackson, eterno Rei do PopJá fez um ano... difícil de acreditar.

A Lídia, no blog Ecos na Sala, também escreveu sobre este assunto.

Dia 25 foi o primeiro aniversário da morte de Michael Jackson.
Eu lembro do dia em que recebi a notícia. Estava em um congresso, fazendo plantão junto ao meu painel, quando um amigo me falou. A notícia correu como um rastro de pólvora e em instantes todos estavam sabendo.

No meio do circo que armaram em torno da morte dele, que me lembra a canção Candle in the Wind que Elton John fez para Marilyn Monroe ("even when you died all the press still haunted you"...), a minha sensação era estranha.
Porque, para ser sincera, as músicas que eu conheço dele são (relativamente) antigas. Eu o admirava muito, mas acho que admirava o Michael dos anos 80.
Isso não quer dizer que não tenha sentido muito pela sua morte. Senti, e ainda sinto, muita tristeza.

Ele era um artista fantástico.
Suas músicas ainda soam novas, seus clipes (Billie Jean, Thriller, Black or White...) ainda constam dentre os melhores clipes do mundo, e ainda me arrepio toda ao ver gravações suas ao vivo.
Como a música abaixo, Smooth Criminal:



Pouco depois da morte de Michael, eu li uma postagem no Mindprints que gostaria de partilhar, porque me identifiquei muito com ela. Especialmente o modo como o autor, Marcio K, fala da sua relação com música ao longo da vida.
Mesmo eu tendo nascido alguns anos depois dele, e tendo conhecido Michael quando ele já era o Rei do Pop há muito tempo, minha relação com a música foi semelhante.
Me lembro de como comprar CDs e assistir MTV eram obsessões, no começo da adolescência. Quando eu tinha uns 13, 14 anos, CDs não eram tão caros quanto agora (custavam uns R$18), e eu e minhas amigas baseávamos o preço das coisas em quantos CDs poderíamos comprar com aquele dinheiro ("Que absurdo! Essa calça custa uns cinco CDs!").
E eu sentava com minhas amigas para ouvir música e conversar... eu escrevia e traduzia letras de música para outras pessoas, e nós discutíamos as letras das músicas, e falávamos de música, filmes, livros, escola, garotos, artistas, política, futuro... Esses momentos foram uma parte muito importante do nosso crescimento.

Michael, no entanto, não participou muito desses momentos. Ele estava mais no fundo... mas sempre presente.
Acreditem ou não, o CD duplo HIStory foi um dos primeiros CDs que comprei na minha vida. Acho que eu tinha oito anos. Não me lembro a ordem, mas sei que os quatro primeiros CDs que comprei foram: Nove Luas dos Paralamas do Sucesso (que ouvi muito mas depois enjoei e dei para uma amiga), um de Sandy & Júnior (eu tinha oito anos, vai! Já sumiu faz tempo!), um com "os grandes sucessos de Raul Seixas" (esse eu ainda ouço e amo) e o HIStory.
Até recentemente, eu colocava o CD mais para dançar, não prestava muita atenção às músicas.
Com exceção de Man in the Mirror, que sempre achei linda:



É realmente uma pena termos perdido este grande talento.
Mas é maravilhoso que ele tenha existido e trazido tantas coisas boas!
Sua música não vai morrer, nunca!

Eu vou aprender a tocar guitarra e tocar Beat It, esperem para ver!

Beat It, ao vivo em Munique em 1997 (turnê HIStory), com a fodástica Jennifer Batten na guitarra:


Na verdade, Michael não morreu.
Ele só voltou para o planeta dele.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Patch Adams fala

Em novembro de 2007, o médico americano Patch Adams deu uma entrevista no programa Roda Viva, na TV Cultura.
Patch se considera um ativista social e há 40 anos luta para mudar a medicina. Ele é fundador do Instituto Gesundheit, hospital onde o tratamento é gratuito. Suas ações inspiraram a ONG Doutores da Alegria, que auxilia a recuperação de crianças em hospitais por meio do bom humor.
Você provavelmente ouviu falar dele após o filme inspirado em sua vida, de 1998, protagonizado por Robin Williams.

Robin Williams (Patch Adams)
Patch Adams
Na entrevista, em 10 partes no YouTube (com legendas em português), Patch critica o filme, o governo americano, as indústrias de medicamentos e pessoas que não agem para melhorar o mundo.
O programa foi um comentário inteligente e mordaz após o outro.

Quer você tenha gostado do filme, quer não tenha gostado, quer nem tenha assistido, vale *muito* a pena ver esta entrevista.
Patch é uma pessoa maravilhosa e inspiradora.


Parte 1: Patch Adams fala sobre o filme


Parte 2: sobre os hospitais


Parte 3: sobre o depoimento do entrevistador


Parte 4: Patch Adams responde pergunta formulada por Wellington Nogueira dos Doutores da Alegria, e faz uma crítica ao próprio programa


Parte 5: sobre saúde mental


Parte 6: sobre ser americano


Parte 7: sobre cura, qualidade de vida e pensamento positivo


Parte 8: sobre indústria farmacêutica


Parte 9: sobre sua trajetória


Parte 10 (final): sobre seu modo de vestir

quarta-feira, 12 de maio de 2010

50 anos de Bono!

Bono U2 Esta semana foi cheia de datas especiais!
No mesmo dia teve o dia das mães, o "aniversário" dos gatos e o aniversário de uma amiga muito querida (que eu esqueci de cumprimentar, e por isso vou ficar me chutando até o ano que vem!); ontem (dia 11) foi o aniversário da minha irmã de coração Dri, e segunda (dia 10) Bono, vocalista do U2, completou 50 anos.

Eu pretendia escrever alguma coisa sobre ele, mas simplesmente não tive tempo, então vai com dois dias de atraso, mesmo!



Bono, ou Paul David Hewson, nasceu em Dublin, Irlanda, no dia 10 de maio de 1960.

Bono bebê
Consta que este bebezinho é ele

Na escola Mount Temple, Bono conheceu Alison Stewart.

Bono e Ali nos tempos de colégio:
Bono e Ali no colégio Bono e Ali

Eles começaram a namorar quando Bono tinha 16 anos e Ali 15, e se casaram em 21 de agosto de 1982.
Eles têm 4 filhos.

casamento de Bono e Ali
Foto do casamento de Bono e Ali

Foi na mesma escola que, em 1976, Larry Mullen Jr., então com 14 anos, colocou um anúncio no mural procurando músicos para formar uma banda.
Bono, David Evans (The Edge) e Adam Clayton apareceram, e junto com Larry, Dik Evans (irmão de The Edge) Ivan McCormick e Peter Martin, formaram o "Feedback". McCormick e Martin logo saíram do grupo, que em 1977 mudou o nome para "The Hype".

Dik Evans, mais velho, deixou a banda em 1978.
A banda foi rebatizada novamente, tornando-se, então, o U2 que nós conhecemos, com Bono nos vocais, The Edge na guitarra, Larry Mullen Jr. na bateria e Adam Clayton no baixo.

Eles costumam dizer que, no início, Larry era o único que sabia tocar.

Algumas fotos antigas da banda:

U2 nos anos 80 U2 nos anos 80
Bono com bandeira branca
Bono agita uma bandeira branca durante a música "Sunday Bloody Sunday"

Bono é conhecido, também, por seu ativismo, e uma de suas principais causas é a luta contra a pobreza na África.

O blog Mysterious Distance fez uma lista no dia 10 com o "top 10" dos atos humanitários de Bono, listando:

1 - a participação no Band-Aid, em 1984, contra a fome na Etiópia;
2 - a fundação DATA ("Debt, AIDS, Trade, Africa"), criada em 2002 e que, mais tarde, se tornou parte da campanha "One".
3 - a turnê Conspiracy of Hope, junto com Sting, para promover a Anistia Internacional, organização pelos direitos humanos.
4 - a organisação ONE, criada em 2004 por Bono e outros co-fundadores para combater a pobreza e doenças, particularmente na África, e que hoje conta com mais de 2 milhões de membros.
5 - produtos Red: iniciativa de Bono, é um meio de utilizar o consumismo das pessoas para uma boa causa. Quando alguém compra um produto ou utiliza um serviço Red, a empresa responsável pelo produto doa 50% do lucro para a compra e distribuição de remédios contra a AIDS para a África. Algumas empresas com produtos cadastrados incluem Motorola, Giorgio Armani, American Express, Converse, Apple e Microsoft.
6 - EDUN: linha de roupas "eco-friendly" e que utiliza produtos (como algodão orgânico) fabricados na África, criada pela esposa de Bono, Ali Hewson, e pelo designer Rogan Gregory. A idéia é promover a economia africana, ao invés de apenas dar esmolas.
7 - o prêmio Ted, que Bono ganhou em 2005, e utilizou para ajudar o trabalho da ONE.
8 - "The Africa Issue: Politics & Power": edição especial da revista Vanity Fair, em julho de 2007, editada por Bono.
9 - título "Man of Peace" por seus trabalhos humanitários, que Bono recebeu em 2008.
10 - lançamento do álbum "Hope for Haiti".

Uma campanha antiga do Bono é pela libertação da ativista Aung San Suu Kyi e pelo fim da ditadura na Birmânia (Myanmar).
Em sua homenagem foi escrita a canção "Walk On", cujo videoclipe (uma das versões) foi gravado no Rio de Janeiro.

U2 no Rio de Janeiro
Bono e Adam no Rio de Janeiro

Muita gente acusa Bono de usar essas campanhas para promover sua imagem e o U2.
É claro que se trata de uma ótima publicidade e ajudou a manter o U2 na mídia por 30 anos, mas ainda assim eu considero suas atitudes muito louváveis, e gostaria que mais "celebridades" usassem sua "celebridade" para promover boas causas.

Bono escreveu a maioria das letras do U2, e temas políticos, sociais e religiosos são recorrentes.

Já ouvi algumas pessoas dizerem que o fato de cantar sobre religião diminui o valor das músicas do U2, mas eu discordo profundamente.
Por exemplo, a canção "I Still Haven't Found What I'm Looking For" é assumidamente "uma música gospel", nas palavras dos membros da banda. Mas a maioria das músicas gospel nem se compara com ela. Algo como "Oh Happy Day", só para dar um exemplo, mesmo sendo uma música bonita, fala simplesmente "que dia feliz, quando Jesus limpou meus pecados..."
"I Still..." é uma canção universal. "Eu escalei as montanhas mais altas, eu corri pelos campos, só para estar com você... mas ainda não encontrei o que estou procurando". Pode ser Deus, amor, paz, um sentido para a vida... é uma música que assume um sentido pessoal para cada pessoa que a escuta, mesmo sem mudar a idéia por trás da música. Por isso, é uma música maravilhosa. Mesmo uma pessoa não-religiosa, como eu, pode apreciá-la.

Um dos motivos pelos quais eu mais admiro o U2 é o fato de muitas das letras permitirem diversas interpretações.
Um bom exemplo é a canção "One", uma das mais conhecidas, que assumiu diferentes papéis ao longo do tempo, tendo sido feitos, inclusive, três diferentes videoclipes para ela.

Segundo a Wikipedia, "One" foi escrita quando a banda passava por momentos de tensão enquanto gravava o álbum Achtung Baby, quase chegando a ponto de acabar com a banda.
Bono diz que é uma canção sobre aprender a conviver com outras pessoas, e entender que, apesar das diferenças, precisamos nos ajudar mutuamente.

Um das interpretações mais antigas é que a canção é sobre um jovem, homossexual e soropositivo, falando com seu pai.
Esta versão talvez tenha se originado no fato de que o single de "One" teve os lucros de venda revertidos para pesquisas sobre a AIDS e a capa trazia uma foto tirada por David Wojnarowicz, artista homossexual e que morreu de AIDS, na qual búfalos caiam de um penhasco.

single de One - U2
O primeiro videocipe da música mostrava os membros da banda em drag, e conta com a presença do pai de Bono.

One - Edge in drag One - Bono in drag
A banda, entretanto, decidiu fazer outro clipe, uma vez que estava insegura quanto à aceitação do vídeo nos conservadores Estados Unidos, e também não queria deixar a canção marcada com este tema.
O segundo videoclipe mostrava imagens em preto-e-branco e em câmera lenta de búfalos correndo, alternada com o título escrito em diversos idiomas.

Mas a MTV não ficou satisfeita com esta versão, acreditando que não seria muito popular, e uma terceira versão foi feita, na qual Bono canta em um bar e é mostrado com uma bela mulher.
Esta foi a versão mais divulgada do videoclipe, e ajudou a propagar a segunda interpretação da música, como o fim de um relacionamento amoroso.

Mais recentemente, a canção passou a ter um valor de promoção da paz e da justiça social, e inspirou o nome da organização "ONE", contra a pobreza na África.
Bono campanha One
Bono e o U2 também são conhecidos pelas turnês megalomaníacas.
Em 1992, começou a turnê ZooTV, na qual Bono interpretava personagens (como "The Fly" e "Mr. MacPhisto", na imagem abaixo), várias telas de vídeo e carros voadores. Foi uma turnê milionária, como tem sido todas as turnês do U2 desde então.

The Fly e Mr MacPhisto
Atualmente, a banda está viajando com a turnê 360º, do álbum "No Line on the Horizon".
Só o palco requer 120 caminhões para ser transportado, e o telão fica o tempo todo rodando 360º (o espetáculo é montado para que o público possa ver por todos os lados - daí o nome). Segundo a Folha, cada um dos três palcos usados pela banda custou cerca de R$ 53 milhões.

Palco U2 360º Bono em show da turnê 360º
Desde o ano passado, correm boatos de que o U2 trará esse show para o Brasil em novembro deste ano, com apresentações em São Paulo no estádio do Morumbi.
Estou torcendo para que os boatos se confirmem!