"Sugestão de Presente para o Dia das Crianças:
Um pequeno espaço delimitado, entregue a uma criança para que plante e zele.
É preciso tão pouco para que tivessem experiências grandiosas, como ver o brotar de uma sementinha,
desenvolver a responsabilidade por cuidar de outra vida...
No Dia das Crianças, dê-lhes algo que durará para sempre!"
E não é preciso ter um jardim. Pode ser um vaso, um canteiro, uma pequena horta... mesmo em pequenos apartamentos. E dá pra fazer coisas lindas reciclando materiais. É uma ótima oportunidade para passar tempo com seus filhos e lhes ensinar valores.
A idéia me lembrou O Jardim Secreto, que está entre meus livros e filmes favoritos:
A pequena órfã Mary vai viver na casa mansão do tio, um homem amargurado e solitário. Quando ela finalmente o conhece (ela já estava morando ali há semanas), ele lhe oferece qualquer coisa... e ela, apaixonada por um jardim, pede apenas "um pouquinho de terra" onde possa "plantar coisas, fazê-las crescer".
É uma bela história sobre a importância da amizade e o encanto da natureza, e sobre superar as dificuldades e voltar a ser feliz. As imperfeições dos personagens os tornam mais realistas, e não menos adoráveis. E a história está repleta de magia - não o tipo de magia que existe apenas no universo do faz-de-conta, como em Harry Potter, mas que as crianças podem ver no mundo real.
Lindo.
No dia 17 de junho, às 19hs, estréia o documentário "Belo Monte, anúncio de uma guerra", de André D’Elia, que mostra conflitos relacionados à construção da hidrelétrica Belo Monte, em Altamira, Pará.
O projeto é independente e foi financiado através de crowdfunding ("financiamento coletivo"), e bateu recorde com mais de 3429 apoiadores.
O filme será lançado na internet e exibido, simultaneamente, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. A entrada é gratuita e os ingressos já podem ser retirados.
Mais informações: (11) 3629-1075 ou info@auditorioibirapuera.com.br
As ONGs Population Action International (P. A. I.) e #ChangeMob propõem uma discussão muito interessante com o projeto "Sobrevivendo à Mudança", através de exibições do curta-metragem Weathering Change (disponível aqui, sem legendas) acompanhadas de debates.
O filme e o debate são uma preparação para a conferência Rio+20.
Até o momento, há três sessões programadas: em São Paulo (para mídia independente e mídia de masas), Brasília (para políticos e assessores) e Rio de Janeiro (para militantes e ativistas). Cada uma delas tem lugar para pelos menos 50 pessoas (para participar, inscreva-se pelo site).
Exibição do filme Weathering Change em Brasília: Data: 22/05/2012 Horário: 17h30 Local: Plenário 3, Anexo II da Câmara dos Deputados.
Exibição do filme Weathering Change em São Paulo: Data: 31/05/2012 Horário: 19h30 Local: Auditório Editora Abril, R. Sumidouro, 747, Pinheiros.
Exibição do filme Weathering Change no Rio de Janeiro: Data: 14/06/2012 Horário: a confirmar Local: Auditório da Federação Nacional dos Urbanitários - Rua Visconde de Inhauma, 134, 7º andar, Centro.
Caso tenha interesse em promover uma seção na sua cidade, empresa, grupo, entre em contato com a organização do evento (contato@generoemudancasclimaticas.org).
Mais informações e inscrições pelo site www.generoemudancasclimaticas.org
Além de sofrerem com o abandono do Estado (faltam escolas e atendimento médico), os índios não apenas continuam sofrendo com as disputas por terras, como correm o risco de perder as poucas terras indígenas já regularizadas com o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) nº 215.
O PEC transfere do Executivo para o Legislativo o poder de demarcar terras indígenas e quilombolas.
Segundo Cleber Buzatto, secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em entrevista à IHU On-Line, das 1.046 terras indígenas, somente 363 estão regularizadas.
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Minha sugestão para para o fim de semana é assistir Xingu, filme de Cao Hamburguer sobre os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas (interpretados por Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat), que está em cartaz nos cinemas.
Veja o trailer:
(pra quem viu o filme: pois é, o trailer mostra algumas cenas que foram cortadas)
Estou lendo o livro de Cláudio e Orlando Villas-Bôas, A Marcha para o Oeste, uma das obras que inspiraram o filme.
Aliás, a compra do livro - pelo menos na livraria do Espaço Unibanco da Augusta - dá direito a dois ingressos!
A programação será guiada pelos temas Ativismo, Povos e Lugares, Consumo, Energia, Água e Mudanças Climáticas. Haverá também um Panorama Histórico, uma Mostra Infantil, uma homenagem ao diretor Adrian Cowell (que fez um trabalho de documentação da destruição da Floresta Amazônica) e 7 debates com especialistas e convidados internacionais. A programação completa estará no site da Mostra em breve.
O evento é uma realização da ONG Ecofalante, que atua na área socioambiental.
As exibições serão realizadas em três salas: Cine Livraria Cultura (Av. Paulista, 2073), Cine Sabesp (R. Fradique Coutinho, 361, Pinheiros) e Museu da Imagem e do Som (MIS - Avenida Europa, 158, Jardim Europa). A entrada é gratuita.
As aventuras de Tintim, clássico dos quadrinhos criado pelo belga Hergé em 1929, estão sendo transformadas em filme de animação digital com captura de movimentos.
O longa-metragem "As Aventuras de Tintim" (The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn) foi dirigido por Steven Spielberg e produzido por Peter Jackson, e baseia-se nos álbuns "O Caranguejo das Tenazes de Ouro", "O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackham, o Terrível". Os dois cineastas já declararam que este é o primeiro de uma série de filmes baseados nas aventuras do personagem (caso faça sucesso nos cinemas, é claro).
A estréia no Brasil, antes programada para 11/11/11, foi adiada para 20 de janeiro de 2012. :-(
O primeiro trailer do filme:
Com fã dos quadrinhos e, principalmente, dos desenhos (que passavam na TV Cultura quando eu era criança, não sei se ainda passam), estou ansiosíssima para assistir.
Tintim e Milu em duas versões: no filme de Spielberg (capa da revista Empire, à esquerda) e no desenho da Nelvana (acima)
Não posso realmente criticar o filme antes de vê-lo mas, tendo por base os trailers e as imagens já divulgadas, algumas coisas me decepcionaram um pouco...
Em primeiro lugar, me surpreendi com a cara de criança de Tintim. E mais ainda quando li que, segundo o ator Andy Serkis, que interpreta o Capitão Haddock, Tintim tem apenas 16 anos! O.O
Bom... nesta imagem, ele não aparenta ter mais de dez
Nos closes, o Milu parece pouco realista. E ele era tão mais simpático no desenho e nos quadrinhos...
No fórum do site Tintim por Tintim, alguns fãs apelidaram o Milu de "Scooby-Doo albino". Concordo! Parece que ele vai falar a qualquer momento!
Em algumas imagens, os personagens parecem bonequinhos de plástico...
...mas em movimento, no trailer, parece que ficaram bem.
Também achei triste que o Professor Girassol, tudo indica, não aparece no filme.
Agora, a notícia mais triste foi que a voz do Capitão Haddock vai mudar. Isaac Bardavid, que dublou o Capitão Haddock na versão animada da TV Cultura, não dublará o Capitão no filme.
O estúdio DoubleSound, do Rio de Janeiro, é o responsável pela dublagem e, para alegria dos fãs, teve a sensatez de convidar Oberdan Júnior para voltar a dublar Tintim - apesar de que o ator precisou passar por testes. Isaac Bardavid também foi convidado a realizar testes para dublar seu antigo personagem (o que eu já acho desnecessário, considerando que ele continua trabalhando - é dele, por exemplo, a voz brasileira do Wolverine - e, caramba, ele já fez isso antes, e muito bem!), porém a escolha foi feita pelo estúdio, nos Estados Unidos, e o ator não foi selecionado. "Puta falta de sacanagem" com os fãs, na minha opinião!
(Eu, normalmente, não suporto filme dublado, mas este eu quero ver dublado! Em inglês... não seria a mesma coisa. Mas eu quero as vozes que ficaram marcadas na minha infância, dos dubladores do desenho! Poxa, se mantiveram a voz do Tintim, deveriam manter a do Capitão Haddock também!!!)
Ouça a nova voz do Capitão Haddock, no segundo trailer do filme:
Pelo lado positivo, o filme parece uma boa adaptação das histórias, com cenas de ação que, pelo menos no trailer, parecem empolgantes; Dupont e Dupond parecem engraçados, e os vilões parecem iguaizinhos aos desenhos de Hergé.
O Cine Belas Artes perdeu o patrocínio do HSBC em maio do ano passado e, após quase um ano lutando para se manter em funcionamento e de uma grande camapanha que mobilizou vários restaurantes paulistanos, no final de novembro uma nova parceria foi encontrada e os cinéfilos respiraram aliviados. Aqui no blog, inclusive, escrevi uma postagem em comemoração.
Pois é. Infelizmente, depois de passar por tudo isso e sair vitorioso, esse ótimo cinema, em funcionamento desde 1952, vai ter que fechar as portas, porque os proprietários do imóvel cancelaram o contrato do aluguel para abrir uma loja no local. Os funcionários foram avisados no dia 04, e o anúncio oficial foi feito hoje.
O cinema preparou uma programação especial a ser exibida até o dia 27, além dos filmes em cartaz. Diariamente às 18h30 serão exibidos filmes que fizeram sucesso ao longo da história do cinema, e às 21hs, filmes clássicos diversos.
Os proprietários do Belas Artes afirmam que pretendem abrir um novo cinema, mantendo o padrão e a qualidade do Belas Artes, porém com outro nome. Até isso acontecer (se é que vão conseguir), perdemos um espaço tradicional e confortável para ver filmes de qualidade e que são excluídos do circuito dos grandes Cinemark e afins. É uma grande perda.
Um abaixo-assinado foi criado para tentar impedir o fechamento do Belas Artes, e já conta com mais de mil assinaturas. Por favor, assinem e divulguem! É só clicar na figura abaixo:
O cinema, que fica na rua Consolação, próximo à Avenida Paulista, perdeu em abril deste ano o patrocínio do banco HSBC e estava com dificuldades para se manter em funcionamento. No último dia 22, o empresário e sócio do cinema André Sturm anunciou que uma nova parceria foi estabelecida.
O Cine Belas Artes é um dos poucos cinemas da cidade que ainda passam filmes ditos "alternativos" (que não são blockbusters americanos). A notícia pode ser lida (e assistida, numa videoreportagem) no site da Folha.
ATUALIZAÇÃO: Após um ano de luta, quando finalmente foi encontrado um patrocinador e os cinéfilos acharam que podiam comemorar, foi anunciado, dia 06/01/2011, que o Cine Belas Artes fechará suas portas em 27/01 porque o dono do imóvel cancelou o contrato para abrir uma loja no local. Um abaixo-assinado foi criado para tentar mudar isso e, no mesmo dia de sua criação, já tem mais de mil assinaturas. Assine você também! Clique aqui para mais informações.
"Metrópolis" Versão restaurada do filme de 1927, que foi exibida, de graça, no Ibirapuera, com acompanhamento da Orquestra de Jazz Sinfônica.
"Clube do Suicídio" Comédia dramática alemã sobre um grupo de pessoas que tentam cometer suicídio.
"A Terra da Lua Partida" (o meu favorito!) Documentário brasileiro filmado no Himalaia, mostra o impacto (negativo) das mudanças climáticas na vida de uma família nômade. Quando a equipe estava lá filmando, não sabia exatamente qual seria o tema do filme; eles só queriam mostrar a vida daquelas pessoas. Um ótimo trabalho de edição.
"Marimbas do Inferno" Filme guatemalteca, achei um pouco fraquinho. A história (um "semi-documentário") é sobre um homem que toca marimba - instrumento típico, parecido com o xilofone - e não consegue arrumar trabalho, que resolve se juntar a uma banda de heavy metal.
"Pink Floyd - The Wall" Filme de 1982 com músicas do Pink Floyd, com várias cenas surreais. Infelizmente, o som estava muito alto (quando tinha vidro quebrando chegava a doer; várias pessoas tapavam os ouvidos) e não tinha legendas (o que eu acho imperdoável para um filme que não é novo). Tá, minto: não tinha legendas durante as músicas. Nas - pouquíssimas - falas, tinha legendas em francês. Foi bem educativo...
"Minha Felicidade" (o título é uma ironia, ok?) Filme russo, mostrando a corrupção da polícia e o abandono longe dos grandes centros urbanos do país. O filme é bem feito e tal, mas... digamos que não dá a menor vontade de ir para a Rússia. Pesado. Eu na verdade ia assistir o filme sobre Serge Gainsbourg, porém ele "não chegou", segundo os organizadores da Mostra, e "Minha Felicidade" o substituiu na sessão.
"Memória Cubanas" Muito, muito bom. Documentário sobre o cinejornal cubano Noticieros ICAIC Latinoamericanos, mostrando a cobertura que os cineastas cubanos faziam de grandes acontecimentos da segunda metade do século XX, como a Guerra do Vietnã, o virtuosismo do pianista Bola de Nieve e a Revolução dos Cravos em Portugal.
"Jardim Sonoro" Muito bonito. Documentário sobre um homem cego, que trabalha com crianças deficientes na Suiça - uma espécie de musicoterapia -, ajudando-as a superar suas dificuldades. Ganhou o prêmio de Melhor Documentário, na categoria Jovens Diretores.
"Pense Global, Aja Rural" Também gahou um prêmio de Melhor Documentário, este na seleção do público. É um documentário francês sobre os impactos da agricultura moderna no ambiente e na produção de alimentos, mostrando pessoas (cientistas, fazendeiros, economistas...) por todo o mundo que buscam uma "nova" forma de produzir alimentos, causando menos impacto, promovendo a auto-suficiência e melhorando a qualidade dos produtos e a qualidade de vida das pessoas. Dentre os entrevistados estão Pierre Rabhi, Claude e Lydia Bourguignon na França; os trabalhadores sem-terra e a professora Ana Primavesi no Brasil; e Vandana Shiva na Índia. O filme tem muitas cenas de entrevista e pode ser um pouco chatinho, mas o assunto não poderia ser mais pertinente. Seria tão bom se os agricultores brasileiros vissem esse filme!
Hoje assisti a três filmes: o alemão "Transfer", a animação francesa "O Mágico" e o documentário brasileiro/inglês "Lixo Extraordinário". Adorei os três! O saldo está sendo ótimo este ano!
"Transfer" é uma ficção científica de fundo filosófico... sem deixar ainda de se basear no abismo que separa ricos europeus e africanos miseráveis. Na história, um casal alemão idoso, através de um tecnologia de transferência de personalidade, "aluga" os corpos de dois jovens africanos, para que possam voltar a aproveitar a vida. O filme é muito bem-feito e interessante, e tem boas atuações. Também achei os personagens bem criados: ninguém é completamente mau ou bonzinho.
"O Mágico", eu fui ver porque meu pai estava aguardado este filme há meses. Tive uma surpresa muito boa: a históra (de Jacques Tatit) se passa na minha adorada Edimburgo! E o desenho das paisagens é lindo, lindo. Me senti lá! Foi muito bom! A história é bonita, mas talvez um tanto lenta... não é o forte desse filme (me desculpe quem é fã de Tatit!).
"Lixo Extraordinário" também foi uma ótima surpresa!
Trata-se de um documentário sobre o trabalho do artista plástico Vik Muniz com catadores de material reciclável no aterro de lixo Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro (o maior aterro sanitário do mundo!).
O trabalho de Muniz é extraordinário. As pessoas que o filme mostra são extraordinárias.
É um filme muito bom, que rende bastante discussão depois.
Apesar de não mostrar muito a vida daquelas pessoas, já dá pra entender muita coisa sobre elas, e sobre suas escolhas. Por exemplo, Irmã, a senhora que cozinha para os catadores, impressiona sempre que está em cena. E, ao meu ver, sua relação com o aterro é diferente - menos negativa - do que a das outras pessoas porque ela sente que está ajudando os outros em seu trabalho lá, sente um reconhecimento, que os catadores não têm. Também marcantes são os catadores Zumbi - que recolhe livros do meio do lixo e sonhava construir uma biblioteca - e o presidente da associação dos catadores, Tião - com uma compreensão da obra de Nietzsche e Maquiavel melhor do que a da maioria dos universitários.
Eu só não achei o filme "excelente" porque achei que ele cai um pouco quando os catadores não estão em cena (os primeiros 20 minutos foram meio chatos - na minha opinião; meu pai não achou), quando Muniz e as outras pessoas conversam em inglês e parecem pouco naturais. Também porque ele me passou um pouco a impressão de que o Vik Muniz é um cara meio arrogante, meio chato - mas talvez ele não seja assim, a culpa seja da montagem do filme (muito influenciada pelos produtores ingleses)... E também porque a trilha sonora incomoda um pouco em alguns momentos. Mas com certeza recomendo! Porque é um trabalho que teve um impacto na vida das pessoas que são retratadas e que tem um impacto em nós, também.
Em um dado momento do filme, Muniz comenta sobre o problema do preconceito de classe que há no Brasil, de pessoas mais ricas ou mais instruídas se acharem melhores do que as outras. No final da sessão, o diretor (João Jardim) esteve presente para responder questões do público, e um outro documentarista criticou-o por não aprofundar este tema. Eu achei que o filme discute este tema da melhor forma possível: sem discuti-lo, simplesmente deixando que o público perceba talvez algumas de suas próprias imagens pré-concebidas em conflito com o que vê em cena, à medida em que conhece um pouco melhor aquelas pessoas. (porque só conhecendo o "diferente", e percebendo que ele não é tão diferente assim, é que se pode quebrar preconceitos)
Também fica, para quem assiste o filme, uma outra deixa para reflexão: sobre a quantidade de lixo que produzimos, e para onde ele vai depois que você o descarta. Pode ser o seu lixo que está ali!
Pois é... um filme em relação ao qual eu não tinha muitas expectativas, mas que afetou um pouco a minha visão de mundo! Essa é a maravilha da Mostra de Cinema! (eu devia ser paga pra fazer propaganda, não acham?)
PS: é interessante a entrevista com o Sebastião Carlos dos Santos, o presidente da associação de catadores, no site Adoro Cinema. Ele é o sujeito retratado no cartaz do filme, ali acima.
Duas semanas. Mais de 450 filmes. É uma pena ter que escolher!
Meu recorde, ano passado, foi 21 filmes. A sessão dupla "Ninguém Sabe dos Gatos Persas" (se alguém vir o DVD deste filme me avise imediatamente!) e "A Todo Volume" foi o que mais me marcou nessa 33a edição.
Aqui está a seleção de filmes que pretendo ver este ano: (gostaria de poder ver muitos mais...)
2012 Tempo de Mudança A Arte do Pensamento Negativo A Terra da Lua Partida A Velha dos Fundos Academia de Platão Anjos de Asas Sujas Arcadia Lost Camponeses do Araguaia Clube do Suicídio Cultures of Resistence Gainsbourg Jardim Sonoro Katanga, a Guerra do Cobre Lixo Extraordinário Marimbas do Inferno Memória Cubana Micmacs Metrópolis O Mágico Pense Global, Aja Rural Pink Floyd The Wall Socialismo Transfer
Hoje, assisti a comédia francesa Micmacs. É engraçada e bem intencionada. Ingênua, apesar de tratar de um tema totalmente não ingênuo: a indústria armamentista. Recomendo, principalmente para quem adora Amélie Poulain.
Estou ansiosa para (tentar) ver Metrópolis (domingo, grátis, no Ibirapuera). É um filme de ficção científica de Fritz Lang, de 1927. Após suas primeiras exibições, ele foi editado (ou melhor, retalhado) e ficou com metade do tempo e sem fazer muito sentido. O original ficou perdido por quase um século! Recentemente, foi encontrado no Museo del Cine de Buenos Aires e restaurado. Esta é a versão original, que praticamente ninguém nunca havia visto! Vai ser exibida com acompanhamento da Orquestra Jazz Sinfônica.
Um ótimo site para ajudar a se programar é o Guia da Mostra. (fiquei muito feliz quando o descobri; não precisei comprar a Folha!)
Hoje eu fui ver o filme sobre Charles Darwin, Criação, em cartaz nos cinemas.
Na verdade, em São Paulo está em cartaz apenas no cinema Gemini, em dois horários. Nenhuma empolgação das distribuidoras...
O filme foi realizado como parte das comemorações que ocorreram em 2009 por conta do centenário do nascimento de Darwin e os 150 anos da publicação de seu mais famoso livro, A Origem da Espécies. Ele foi produzido na Inglaterra, onde foi lançado em setembro do ano passado. Segundo andei lendo pela internet, não chegou a ser lançado nos Estados Unidos, onde as distribuidoras o consideraram muito forte para um país tão fundamentalista. Tá, não foi com estas palavras que colocaram...
De qualquer modo, o filme ficou aquém das minhas expectativas.
Ele mostra um Darwin de meia idade, que já viajou o mundo no Beagle, casado e com quatro filhos, amadurecendo e juntando evidências de Evolução e Seleção Natural. O livro e suas idéias são relegados a segundo plano, e o que o filme realmente retrata é a luta de Darwin para superar a morte de sua filha Annie, de dez anos, e os problemas conjugais que surgiram desde então. Boa parte do filme mostra Darwin trancado sozinho em um quarto escuro com uma expressão desolada. Ele tem flashbacks, pesadelos, e longas conversas com o fantasma da filha.
A história é muito bonita, mas acaba se transformando em apenas um filme dramático, sobre a superação de uma perda. Vendo todas aquelas cenas de pesadelos e alucinações, não pude deixar de pensar que boa parte das cenas do filme poderíam ser totalmente fictícias. Não é, realmente, um filme sobre Darwin.
Na verdade, Darwin aparece frágil, unidimensional e, honestamente, meio bobo quando personagens como Huxley e Hooker estão em cena. Até Annie me pareceu muito mais interessante.
Além disso, o filme é bastante sombrio e monótono. Parece mais um filme feito para a televisão... e eu já vi filmes sobre Darwin feitos para a televisão de que gostei mais, embora eles tivessem outro foco.
Em suma; não me arrependo de ter assistido, não é um filme ruim, mas não recomendo o filme para um público que não tenha interesse particular na figura de Darwin, e os que têm esse interesse talvez se decepcionem com quão pouco o filme mostra.
Assista ao trailer:
Um detalhe: o anacronismo das legendas foi preocupante. Os tradutores colocaram na boca dos personagens frases que só seriam ditas décadas mais tarde. Por exemplo, quando Darwin pergunta a um criador de pombos como ele faz para produzir novas variações em poucas gerações, de acordo com a legenda, o criador conta que faz "melhoramento genético". Não seria necessário conhecer o conceito de "genes" para falar em melhoramento genético? Mendel já havia publicado suas idéias no período, mas elas não eram conhecidas (pelo menos, não por Darwin e seus colegas). Acho difícil acreditar que o criador de pombos fosse um entusiasta. De qualquer modo, não foi isto que o personagem falou realmente, foi uma "licença poética" dos tradutores. E este não foi o único erro deste tipo.
Encerro a postagem com uma foto promocional que eu adorei:
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