sábado, 3 de abril de 2010

Cinema - Criação

Hoje eu fui ver o filme sobre Charles Darwin, Criação, em cartaz nos cinemas.

poster do filme Criação
Na verdade, em São Paulo está em cartaz apenas no cinema Gemini, em dois horários.
Nenhuma empolgação das distribuidoras...

O filme foi realizado como parte das comemorações que ocorreram em 2009 por conta do centenário do nascimento de Darwin e os 150 anos da publicação de seu mais famoso livro, A Origem da Espécies.
Ele foi produzido na Inglaterra, onde foi lançado em setembro do ano passado.
Segundo andei lendo pela internet, não chegou a ser lançado nos Estados Unidos, onde as distribuidoras o consideraram muito forte para um país tão fundamentalista.
Tá, não foi com estas palavras que colocaram...

De qualquer modo, o filme ficou aquém das minhas expectativas.

Ele mostra um Darwin de meia idade, que já viajou o mundo no Beagle, casado e com quatro filhos, amadurecendo e juntando evidências de Evolução e Seleção Natural.
O livro e suas idéias são relegados a segundo plano, e o que o filme realmente retrata é a luta de Darwin para superar a morte de sua filha Annie, de dez anos, e os problemas conjugais que surgiram desde então.
Boa parte do filme mostra Darwin trancado sozinho em um quarto escuro com uma expressão desolada. Ele tem flashbacks, pesadelos, e longas conversas com o fantasma da filha.

A história é muito bonita, mas acaba se transformando em apenas um filme dramático, sobre a superação de uma perda. Vendo todas aquelas cenas de pesadelos e alucinações, não pude deixar de pensar que boa parte das cenas do filme poderíam ser totalmente fictícias.
Não é, realmente, um filme sobre Darwin.

Na verdade, Darwin aparece frágil, unidimensional e, honestamente, meio bobo quando personagens como Huxley e Hooker estão em cena.
Até Annie me pareceu muito mais interessante.

Além disso, o filme é bastante sombrio e monótono. Parece mais um filme feito para a televisão... e eu já vi filmes sobre Darwin feitos para a televisão de que gostei mais, embora eles tivessem outro foco.

Em suma; não me arrependo de ter assistido, não é um filme ruim, mas não recomendo o filme para um público que não tenha interesse particular na figura de Darwin, e os que têm esse interesse talvez se decepcionem com quão pouco o filme mostra.

Assista ao trailer:



Um detalhe: o anacronismo das legendas foi preocupante.
Os tradutores colocaram na boca dos personagens frases que só seriam ditas décadas mais tarde. Por exemplo, quando Darwin pergunta a um criador de pombos como ele faz para produzir novas variações em poucas gerações, de acordo com a legenda, o criador conta que faz "melhoramento genético". Não seria necessário conhecer o conceito de "genes" para falar em melhoramento genético?
Mendel já havia publicado suas idéias no período, mas elas não eram conhecidas (pelo menos, não por Darwin e seus colegas). Acho difícil acreditar que o criador de pombos fosse um entusiasta.
De qualquer modo, não foi isto que o personagem falou realmente, foi uma "licença poética" dos tradutores. E este não foi o único erro deste tipo.

Encerro a postagem com uma foto promocional que eu adorei:

Darwin e Jenny - Criação
I <3 Jenny!

Um comentário:

Karen Ambrozi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.