sábado, 12 de novembro de 2011

Festa italiana

Hoje foi dia de festa na Itália.

Silvio Berlusconi deixa o Palácio Quirinale depois de entregar sua renúncia ao presidente Giorgio Napolitano - Foto: APApós um governo marcado por escândalos sexuais, corrupção e acusações de envolvimento com a máfia, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi renunciou ao cargo, após a aprovação de reformas econômicas exigidas pela União Européia.

Uma multidão o recebeu com vaias no Palácio Quirinale, sede da presidência.
Antes de sua chegada, um coral de 'Aleluia', de Handel, com dezenas de cantores e músicos clássicos, apresentou-se na frente do palácio.

orquestra toca Aleluia, de Handel, em homenagem à renúncia de Berlusconi
Lembrei-me de um e-mail emocionante que recebi alguns meses atrás e fui procurar.
O texto estava em espanhol; segue uma tradução minha:
A Itália finalmente despertou. É comovente.

No último dia 12 de março (de 2011), Silvio Berlusconi teve de enfrentar a realidade. A Itália festejava o 150o aniversário de sua unificação, e nessa ocasião foi encenada na Ópera de Roma a ópera 'Nabucco' de Giuseppe Verdi, sob regência do maestro Riccardo Muti. Nabucco é uma obra musical e política: evoca o episódio da escravidão dos judeus na Babilônia, e seu famoso coro 'Va Pensiero' é o canto dos escravos oprimidos. Na Itália, este canto é o símbolo da busca pela liberdade do povo, que no final do século XIX - quando foi escrita a ópera - estava oprimido pelo império Habsburgo, o qual combateu até a criação da Itália unificada.

Antes da apresentação, Gianni Alemanno, prefeito de Roma, subiu ao palco para proferir um discurso denunciando os cortes no orçamento para a cultura que o governo havia feito (e Alemanno é membro do partido governante e ministro de Berlusconi!). Esta intervenção em um dos momentos culturais mais simbólicos da Itália produziria um efeito inesperado, dado que Berlusconi em pessoa assistia à apresentação.

Entrevistado logo pelo Times, Riccardo Muti, regente da orquestra, contou que foi uma verdadeira noite de revolução: "A princípio houve uma grande ovação no público. Logo começamos a ópera. Se desenrolou muito bem, até que chegamos ao famoso canto 'Va Pensiero'. Imediatamente, senti que a atmosfera ficava mais tensa. Há coisas que não se pode descrever, mas se sente. Era um silêncio do público que se fazia sentir. Mas, no momento em que as pessoas se deram conta de que começava 'Va Pensiero', o silêncio se tornou um verdadeiro fervor. Se podia sentir a reação visceral do público diante do lamento dos escravos que cantam "Ó pátria minha, tão bela e perdida".

Quando o coro chegava ao fim, já se ouvia do público pedidos de "bis". O público começou a gritar "Viva Itália!", "Viva Verdi!", "Vida longa à Itália!". As pessoas no "poleiro" começou a lançar papéis com mensagens patrióticas.

Em apenas uma ocasião Muti havia aceitado fazer um bis para 'Va Pensiero', na Scala de Milão em 1986, dado que uma ópera não deve sofrer interrupções. "Eu não queria apenas fazer um bis. Tinha que haver uma intenção especial para fazê-lo", relata. Mas o público já havia despertado seu sentimento patriótico. Em um gesto teatral, Muti se virou e olhou para o público e para Berlusconi, e disse:

"Sim, estou de acordo com isto. 'Vida longa à Itália'. Porém...
Já não tenho mais 30 anos e vivi minha vida, mas viajei muito pelo mundo, e hoje sinto vergonha do que sucede em meu país. Então, se atendo hoje ao vosso pedido de um bis para 'Va Pensiero', não é apenas pela inspiração patriótica que sinto, mas porque esta noite, quando dirigia o coro que cantou 'Ai minha pátria, bela e perdida', pensei que, se seguirmos assim, vamos matar a cultura sobre a qual se construiu a história da Itália. Neste caso, nossa pátria estaria, de fato, 'bela e perdida'".
(Aplausos, inclusive dos artistas em cena)

Continuou: "Já que reina aqui um clima italiano, eu, Muti, me calei por muitos anos. Gostaria agora... teríamos que dar sentido a este canto; estamos em nossa casa, no teatro de Roma, e com um coro que cantou magnificamente bem e que foi acompanhado esplendidamente. Se quiserem, proponho que se unam a nós para que cantemos todos juntos".

Então convidou o público a cantar com o coro dos escravos. "Vi grupos de gente se levantarem. Toda a Ópera de Roma se levantou. E o coro também. Foi um momento mágico na Ópera".
Essa noite não foi somente uma apresentação de Nabucco, mas também uma declaração do teatro da capital para chamar a atenção dos políticos".

Aqui está o vídeo desse momento cheio de emoção:

Agora, festejam os italianos, "a Itália está livre!"

Um comentário:

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

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