quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

#greenwashing: Ser "reciclável" não basta!

Tempo para escrever postagens decentes anda em falta, para quem ainda não reparou...
Hoje quero apenas fazer um desabafo, escrito assim, no fluxo dos meus pensamentos, sem referências nem nada.

Ser "reciclável" não basta para ser sustentável.

Eu fico muito irritada quando leio em embalagens plásticas e tetra-pak ou vejo em comerciais de produtos como a Coca-Cola que suas embalagens são recicláveis e, portanto, ao comprá-las o consumidor estaria fazendo "bem" para o meio ambiente.

De que adianta ser reciclável, se apenas uma porcentagem muito ínfima do lixo reciclável no Brasil é, de fato, reciclado? Se o mais provável é que essas embalagens acabem num aterro ou jogada por aí, causando enchentes e poluindo terras e mares com materiais que podem levar centenas de anos, ou mais, para se desfazer?

Por acaso na fabricação desses produtos não está havendo gasto de matéria-prima? Eles não usam petróleo que causa guerras e polui os rios e oceanos, minérios cuja exploração também gera miséria e abre verdadeiras crateras na terra, árvores que podem até ser de "reflorestamento" mas ocupam o espaço que poderia ser de matas nativas ou aproveitado para a produção de alimento......?

Todos esses produtos que se anunciam como super ecológicos e sustentáveis por serem recicláveis estão fazendo PROPAGANDA ENGANOSA.
Sim, eles podem anunciar que são fabricados com material reciclável quando o forem, mas isso é O MÍNIMO que eles devem fazer, e produtos feitos com materiais que não são recicláveis, reutilizáveis ou biodegradáveis devem ser evitados SEMPRE.
Mas essas empresas querem convencer as pessoas a ficar de consciência tranqüila quanto ao impacto ambiental que ESTÃO GERANDO, SIM!, e comprar cada vez mais.

Consumismo é um conceito diametralmente oposto à sustentabilidade.
Por mais "ambientalmente correta" que seja a embalagem, você estará sendo muito mais sustentável se NÃO comprar a Coca-Cola na garrafa PET ou o suquinho na tetra-pak!

Além disso, essas embalagens todas seriam bem mais "verdes" se fossem feitas de material reciclADO, ao invés de simplesmente reciclÁVEL. Será que ninguém se toca disso?
Por que alardeiam tantos produtos reciclÁVEIS, se quase nada é feito de material reciclADO? Quem compra esses produtos não se pergunta PARA ONDE VÃO depois? Ninguém acha estranho?

Mas todo mundo que já tentou comprar sabe que produtos reciclados são mais difíceis de encontrar e muito mais caros.
E por quê? Porque não há incentivo para a reciclagem em larga escala. A enorme maioria, mais de 90%, do lixo reciclável produzido no Brasil não é reciclada.
Falta investimento. A coleta seletiva é inexistente ou ineficiente, não há centrais de reciclagem suficientes...

Mas para obras megalomaníacas para exploração de petróleo, minérios, madeira e outras matérias-primas há incentivo, sempre houve, e esses materiais, cuja obtenção causou tanto estrago, acabam saindo a preço de banana...

As empresas deveriam ser obrigadas a utilizar embalagens recicladas, ao invés de apenas recicláveis, e desse modo haveria uma transferência de parte do dinheiro investido na extração de matéria-prima para a reciclagem
Claro que isso vai reduzir os lucros das empresas a curto e médio prazo, e as empresas têm muito dinheiro e por isso muito poder político, e dificilmente algum governo teria interesse e força para fazer qualquer coisa nesse sentido...

Mas eu posso sonhar, não posso?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Relatos de violência obstetrícia

Infelizmente, a violência obstetrícia é muito comum no Brasil. E não apenas entre mulheres com baixo poder aquisitivo.
Uma em cada quatro mulheres relata maus-tratos durante o parto.

Temos que lutar! A próxima pode ser você!


Vídeo realizado por Bianca Zorzam, Ligia Moreiras Sena, Ana Carolina Arruda Franzon, Kalu Brum e Armando Rapchan.

Leia mais:
- Parto no Brasil
- Mamíferas
- Parto Humanizado
- Parto do Princípio

- Cientista que virou mãe

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Parada do Espinafre

Não sei por quê tanta comoção por causa da coluna de José Roberto Guzzo na última edição da Óia Veja...

Confesso que nem chego perto não leio essa revista e que a princípio, quando li a tal coluna, até concordei com algumas críticas.
Mas depois, pensando bem, vi que ele está com a razão.
Ora, eu não gosto de espinafre, e não aceito que ninguém venha me tirar o direito de dizer que não gosto de espinafre!
Não tenho nada contra gente que gosta de espinafre, desde que não queira exibir seu estilo de vida na frente de todo mundo. Mas eles querem comer espinafre em público! Querem direitos especiais! Vê se pode!

Caros leitores, existe um verdadeiro complô dos comedores de espinafre para dominar o mundo.
E o nosso governo participa disso! Você sabe o que o governo faz com os nossos impostos?
Imaginem vocês que muitas escolas públicas servem espinafre na merenda de crianças inocentes!
Incentivando o espinafrismo, como se fosse a coisa mais natural do mundo!

contra o kit espinafre nas escolas

COMO o Malafaia ainda não falou sobre essa ameaça gravíssima à sacrossantidade da família?!?

Guzzo, eu te entendo!

Popeye comendo espinafre. Que pouca-vergonha!
Que pouca vergonha!
Incentivando o espinafrismo em nossas crianças!

união estável com uma cabra
Depois de ler a coluna do Guzzo eu entendi que querer casar com a pessoa que se ama é a mesma coisa que querer casar com uma cabra! Que bobagem, não? Como se não desse para ser feliz só com um relacionamento estável com uma cabra!

Tem até um site de relacionamentos para ajudar VOCÊ a encontrar sua cabra-metade! É só clicar aqui!
Será que o Guzzo já encontrou a dele?
Espero que cabras e antas sejam compatíveis...

(peço desculpas por ofender as antas e as cabras, mas espero que elas não sejam como as feminazis e entendam que foi só uma piada. Nossa, tô empatizando até com o Rafinha Bosta Bastos!)


Falando sério agora, tem ato em repúdio à Veja e à homofobia na sexta-feira dia 23/11 em frente à Editora Abril (Av. das Nações Unidas, 7221). Aqui a página do evento no Facebook. Divulgue!

Você já cancelou sua assinatura da Veja hoje?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Gostaria que todas as crianças pudessem ser crianças

"Imaginem todos vocês
Se o mundo inteiro vivesse em paz..."

(comecinho da lindinha Imaginem, de Toquinho, canção inspirada na Declaração Universal dos Direitos da Criança com vídeo e letra na postagem de Dia das Crianças do ano passado)

Neste Dia das Crianças, penso em quem não vai comemorar nem ganhar presentes.
Nas crianças que vivem na rua em todo o Brasil, nos pequenos esqueletinhos na Somália, nas crianças em zonas de guerra...

Gostaria que todos lessem o artigo do Pragmatismo Político, do dia 4 de setembro, que reproduzo abaixo:

Jornal The Independent revela como Israel se vinga de crianças que atiram pedras

Na maioria dos casos, crianças palestinas de até 12 anos de idade são arrancadas da cama à noite, algemadas e vendadas, ficam sem dormir ou sem comida, são submetidas a longos interrogatórios e então forçadas a assinar confissões em hebreu, um idioma que poucas tem capacidade de ler.


Menino palestino se urina ao ser capturado por soldados de Israel
O menino, pequeno e frágil, está lutando para ficar acordado. Sua cabeça pende para o lado, a certa altura caindo sobre o peito. “Levanta a cabeça! Levanta!”, grita um dos interrogadores, estapeando o menino. Mas ele a essa altura não parece mais se importar, porque está acordado por pelo menos doze horas desde que foi tirado de casa e separado dos pais às duas da manhã, sob a mira de uma arma. “Eu gostaria que vocês me soltassem”, ele choraminga, “assim eu poderia dormir um pouco”.

Durante o vídeo, de quase seis horas, o palestino Islam Tamimi, de 14 anos de idade, exausto e amedrontado, é continuamente pressionado, a ponto de começar a incriminar homens de sua vila e a tecer lendas fantásticas que, acredita, seus tormentadores querem ouvir.

Estas imagens raras, vistas pelo Independent, oferecem uma janela num interrogatório israelense, quase um rito de passagem que centenas de crianças palestinas acusadas de atirar pedras enfrentam todo ano.

Israel tem defendido fortemente seu comportamento, argumentando que o tratamento dados aos menores melhorou vastamente com a criação de uma corte militar juvenil dois anos atrás. Mas as crianças que enfrentaram a dura justiça da ocupação contam uma história bem diferente.

“Os problemas começam muito antes de as crianças serem trazidas para o tribunal, começam com a prisão delas”, diz Naomi Lalo, uma ativista do No Legal Frontiers, um grupo israelense que monitora os tribunais militares. É durante os interrogatórios que o destino da criança “é decidido”, ela diz.

Sameer Shilu, de 12 anos, estava dormindo quando soldados derrubaram a porta da frente da casa dele uma noite. Ele e o irmão mais velho sairam do quarto com os olhos embaçados para encontrar seis soldados destruindo a sala-de-estar.

Checando o nome do menino na carteira de identidade do pai, o oficial israelense parecia “chocado” quando viu que precisava prender uma criança, disse o pai de Sameer, Saher. “Eu disse, ‘ele é muito jovem: por que você o quer?’ ‘Eu não sei’, ele respondeu”. Vendado e com as mãos dolorosamente atadas por algemas plásticas nas costas, Sameer foi colocado em um Jeep, com o pai gritando que não tivesse medo. “Nós choramos, todos nós”, o pai diz. “Eu conheço meus filhos; eles não atiram pedras”.

Nas horas que antecederam o interrogatório, Sameer foi mantido vendado e algemado, sem poder dormir. Eventualmente levado para um interrogatório sem um advogado ou parente presente, um homem o acusou de participar de uma demonstração e mostrou imagens de um menino atirando pedras, dizendo que era ele.

“Ele disse, ‘este é você’ e eu disse que não era eu. Então ele me perguntou, ‘quem são eles?’ e eu disse que não sabia”, Sammer conta. “A certa altura, o homem começou a gritar comigo, me agarrou pelo colarinho e disse ‘eu vou jogar você pela janela e te bater com um pau, se você não confessar’”.

Sameer, que se disse inocente, teve sorte; ele foi solto algumas horas depois. Mas a maior parte das crianças é amedrontada a ponto de assinar uma confissão, sob ameaça de violência física ou contra as famílias, como a da retirada das permissões de trabalho.

Quando uma confissão é assinada, os advogados geralmente orientam as crianças a aceitar um acordo e a servir uma sentença de prisão, mesmo que não sejam culpadas. Alegar inocência quase sempre representa longas ações no tribunal, durante as quais a criança quase sempre fica presa. Sentenças em favor das crianças são raras. “Numa corte militar, você deve saber que não deve procurar por justiça”, diz Gabi Lasky, uma advogada israelense que representou crianças.

Existem muitas crianças palestinas em vilas da Cisjordânia sob a sombra do Muro israelense da separação ou de assentamentos judaicos em terras palestinas. Onde grandes protestos não-violentos se deram como forma de resistência, existem crianças que atiraram pedras e patrulhas de Israel nessas vilas são comuns. Mas advogados e grupos de defesa dos Direitos Humanos protestam contra a política de Israel de tornar alvo as crianças de vilas que resistem à ocupação.

crianças palestinas presas
Na maioria dos casos, crianças de até 12 anos de idade são arrancadas da cama à noite, algemadas e vendadas, ficam sem dormir ou sem comida, são submetidas a longos interrogatórios e então forçadas a assinar confissões em hebreu, um idioma que poucas tem capacidade de ler.

O grupo de Direitos Humanos B’Tselem concluiu que “os direitos dos menores são severamente violados, que a lei quase sempre fracassa na proteção de seus direitos, e que os poucos direitos dados a eles sob a lei não são implementados”.

Israel alega que trata os menores palestinos no espírito de sua própria lei para jovens mas, na prática, este é raramente o caso. Por exemplo, crianças não deveriam ser presas à noite, advogados e parentes deveriam estar presentes durante os interrogatórios e é preciso ler os direitos para as crianças presas. Mas Israel trata isso como comportamento recomendando, não como exigência legal, e os direitos das crianças são frequentemente violados. Israel considera jovens israelenses como crianças até 18 anos, enquanto palestinos são vistos como adultos a partir dos 16 anos de idade.

Advogados e ativistas dizem que mais de 200 crianças palestinas estão em prisões israelenses. “Se você quer prender estas crianças, se quer julgá-las”, diz a srta. Lalo, “tudo bem, mas faça isso de acordo com a lei de Israel. Dê a elas os seus direitos”.

No caso de Islam, o menino do vídeo, a advogada dele, srta. Lasky, acredita que o vídeo é prova de sérias irregularidades no interrogatório.

Em particular, o interrogador não disse a Islam que ele tinha direito de ficar calado, e o menino foi ouvido sem a advogada, que tentou vê-lo mas não conseguiu. Em vez disso, o interrogador pediu a Islam que contasse tudo a ele e aos colegas, sugerindo que se fizesse isso ele seria solto. Um interrogador sugestivamente socou uma das mãos, fechada, na palma da outra.

Ao final do interrogatório Islam, chorando entre soluços, sucumbiu aos interrogadores, aparentemente dando a eles o que queriam ouvir. Numa página de fotografias, a mão do menino se moveu sobre as imagens, identificando moradores da vila que mais tarde seriam presos por protestar.

A srta. Lasky espera que a divulgação do vídeo mude o tratamento das crianças presas nos territórios ocupados, em particular na forma como são usadas para incriminar outros, o que advogados alegam é o principal objetivo dos interrogadores. O vídeo ajudou a conseguir a soltura de Islam, do presídio para prisão domiciliar, e pode levá-lo a ser inocentado das acusações de atirar pedras. Mas, neste momento, um Islam silencioso não acredita em sua sorte. A metros de sua casa em Nabi Saleh fica a casa de uma prima, cujo marido está preso à espera de julgamento junto com uma dúzia de outros com base na confissão do menino.

A prima é magnânima. “Ele é uma vítima, ele é apenas uma criança”, diz Nariman Tamimi, de 35 anos, cujo marido, Bassem, de 45 anos, está na prisão. “Não devemos culpá-lo pelo que aconteceu. Ele estava sob enorme pressão”.

A política de Israel tem sido bem sucedida num sentido: criar medo entre as crianças e evitar que elas participem de futuras manifestações. Mas as crianças ficam traumatizadas, sujeitas a pesadelos e a molhar a cama à noite. A maioria acaba perdendo o ano escolar, ou abandona a escola.

Os críticos de Israel dizem que a política em relação às crianças palestinas está criando uma nova geração de ativistas com os corações cheios de ódio contra Israel. Outros dizem que ela mancha o caráter do país. “Israel não tem nada que prender estas crianças, julgá-las ou oprimí-las”, a srta. Lalo diz, com os olhos marejados.

“Elas não são nossas crianças. Meu país está fazendo muitas coisas erradas e as justificando. Nós deveríamos servir de exemplo, mas nos tornamos um estado opressor”.

Números de crianças detidas

7000. O número estimado de crianças palestinas detidas e processadas pelos tribunais militares israelenses desde 2000, de acordo com relatório do Defesa Internacional de Crianças Palestinas (DCIP)

87. Porcentagem de crianças submetidas a alguma forma de violência física durante a custódia.
Cerca de 91% tiveram os olhos vendados em algum momento da detenção.

12. A idade mínima de responsabilidade criminal, conforme estipulado pela Ordem Militar 1651.

62. Porcentagem das crianças presas entre meia-noite e 5 da manhã.

É... feliz dia das crianças.

Ajude:
- Unicef
- Médicos Sem Fronteiras

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Para o Dia das Crianças: um presente que dura

Linda sugestão da página Reciclagem, Jardinagem e Decoração no Facebook:

um pouco de terra: sugestão para presentear no Dia das Crianças
"Sugestão de Presente para o Dia das Crianças:
Um pequeno espaço delimitado, entregue a uma criança para que plante e zele.
É preciso tão pouco para que tivessem experiências grandiosas, como ver o brotar de uma sementinha,
desenvolver a responsabilidade por cuidar de outra vida...
No Dia das Crianças, dê-lhes algo que durará para sempre!"

E não é preciso ter um jardim. Pode ser um vaso, um canteiro, uma pequena horta... mesmo em pequenos apartamentos. E dá pra fazer coisas lindas reciclando materiais. É uma ótima oportunidade para passar tempo com seus filhos e lhes ensinar valores.

A idéia me lembrou O Jardim Secreto, que está entre meus livros e filmes favoritos:

imagem de divulgação do filme O Jardim Secreto
A pequena órfã Mary vai viver na casa mansão do tio, um homem amargurado e solitário. Quando ela finalmente o conhece (ela já estava morando ali há semanas), ele lhe oferece qualquer coisa... e ela, apaixonada por um jardim, pede apenas "um pouquinho de terra" onde possa "plantar coisas, fazê-las crescer".

É uma bela história sobre a importância da amizade e o encanto da natureza, e sobre superar as dificuldades e voltar a ser feliz. As imperfeições dos personagens os tornam mais realistas, e não menos adoráveis. E a história está repleta de magia - não o tipo de magia que existe apenas no universo do faz-de-conta, como em Harry Potter, mas que as crianças podem ver no mundo real.
Lindo.

cenas do filme O Jardim Secreto