quarta-feira, 29 de agosto de 2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

67 anos da bomba atômica

relógio que parou no momento da explosão da bomba atômica em HiroshimaÀs 8:15 da manhã do dia 6 de agosto de 1945, um grande clarão iluminou e varreu a cidade de Hiroshima, no Japão.
Era Little Boy, a primeira bomba atômica.
A temperatura do ambiente foi de 26 graus centígrados para cerca de 4mil graus.
Cerca de 100.000 homens, mulheres e crianças morreram no momento da explosão. Muitas, literalmente, evaporaram. Outras dezenas de milhares morreram nos meses e anos que se seguiram, em conseqüência de queimaduras e efeitos da radiação. O governo lista um total de 275.230 vítimas fatais.

À direita, um relógio que parou no momento da explosão.

Três dias depois, os americanos lançaram outra bomba atômica, na cidade de Nagazaki.

Eu tinha uns oito anos quando li uma reportagem sobre a bomba de Hiroshima, e fiquei traumatizada.
Era incompreensível - e ainda é! - que alguém fosse capaz de fazer isso com outras pessoas. E era assustador - e ainda é! - que armas assim ainda existam, que genocídios continuem acontecendo, e que o sofrimento de tanta gente seja invisível para tantas outras.

Em 2010, eu tive a oportunidade de passar duas semanas no Japão, e fui a Hiroshima.
Hoje, a cidade-símbolo da destruição da guerra é também um símbolo de paz e de renascimento.

foto aérea de Hiroshima, em julho de 2000
Foto aérea de Hiroshima, em julho de 2000, com a ponte Aioi,
alvo para o lançamento da bomba, ao centro (a ponte em forma de T).
Do site do Museu Memorial da Paz de Hiroshima
(as outras fotos nesta postagem são todas minhas)

Parque da Paz em Hiroshima
Parque da Paz em Hiroshima, com a Chama da Paz ao centro e o Museu Memorial da Paz ao fundo.
Abaixo, detalhe da Chama da Paz


A Chama da Paz foi acesa em agosto de 1964, e permanecerá acesa "até o dia em que todas as armas nucleares forem banidas da Terra" (provavelmente para sempre, apesar do discurso esperançoso que o prefeito de Hiroshima proferiu hoje).

maquete de Hiroshima antes da bombamaquete de Hiroshima depois da bomba
Maquetes do centro de Hiroshima antes e depois da explosão de 1945, no Museu da Paz

Domo da Bomba Atômica de Hiroshima antes da bomba (maquete)Domo da Bomba Atômica de Hiroshima
Detalhe da maquete (à esquerda): o Mercado Municipal (hoje Domo da Bomba Atômica)
À direita, o que sobrou dele

Outros ângulos do Domo:

Domo da Bomba Atômica de HiroshimaDomo da Bomba Atômica de Hiroshima
Domo da Bomba Atômica de HiroshimaDomo da Bomba Atômica de Hiroshimagarça no Domo da Bomba Atômica de Hiroshima

foto de Hiroshima destruída após o lançamento da bomba atômica
Foto de Hiroshima arrasada pela bomba atômica, com o Domo ao centro:
o que até então era uma cidade virou somente escombros

Todos esses prédios, pontes e ruas tinham pessoas que iam para o trabalho, para a escola, brincavam, tomavam café da manhã, esperavam o ônibus... e no instante seguinte não existiam mais, ou seus corpos estavam cobertos de queimaduras. Muitas das vítimas eram adolescentes, que não tiveram aula naquele dia e trabalhavam demolindo algumas casas para evitar que, no caso de um bombardeio, o fogo se espalhasse.
O Museu da Paz exibe objetos pessoais (como roupas queimadas, lancheiras com o conteúdo carbonizado, e relógios parados, como o que está no início desta postagem) e conta a história de algumas dessas milhares de pessoas. Muitos desses objetos e histórias podem ser vistos no site do museu. Um objeto que me impactou, pessoalmente, foi o triciclo de um garotinho de três anos que brincava no quintal de casa no momento da explosão. Ele sofreu queimaduras graves, e morreu três dias depois.

Muitos dos que sobreviveram à bomba adoeceram e morreram muitos anos depois em conseqüência de doenças causadas pela radiação.
Foi o caso da vítima mais famosa da bomba, Sadako Sasaki, que tinha apenas dois anos de idade quando a bomba explodiu. Ela estava dentro de casa com a família e não sofreu ferimentos graves, apesar do impacto da bomba a ter lançado para longe da janela.
Sadako foi diagnosticada com leucemia aos doze anos de idade, e os médicos declararam que ela teria poucos meses de vida.
Segundo uma lenda japonesa, a cegonha ou tsuru vive mil anos e tem o poder de conceder desejos. Quem fizer mil tsurus em origami terá um desejo atendido. (veja aqui como fazer tsurus em origami)
Enquanto estava internada no hospital, Sadako passou a fazer tsurus com a esperança de que, ao completar mil, estaria curada. Segunda uma versão de sua história, ela teria completado os mil pássaros e seguido fazendo mais ao ver que não estava curada. Segundo outra versão, Sadako teria dobrado apenas 644 antes de morrer, em 25 de outubro de 1955, e seus colegas de escola teriam dobrado os 366 tsurus restantes.
Após a sua morte, seus colegas arrecadaram fundos e construíram um monumento no Parque da Paz em homenagem a Sadako e a todas as crianças vítimas da bomba atômica. Na base do monumento, estão gravadas as palavras: "Este é o nosso grito. Esta é a nossa oração. Paz na terra".

Monumento em homenagem a Sadako Sasaki e às crianças vítimas da bomba atômica, no Parque da Paz, Hiroshima
Monumento em homenagem a Sadako Sasaki e às crianças vítimas da bomba atômica, no Parque da Paz, Hiroshima

Sadako Sasaki e o tsuru tornaram-se símbolos da paz conhecidos no mundo inteiro.
O Parque da Paz exibe tsurus enviados por pessoas de vários países:

Tsurus de origami em homenagem às vítimas de HiroshimaTsurus de origami em homenagem às vítimas de Hiroshima
Todos trazem o mesmo desejo: que nunca mais aconteça.

Castelo de Hiroshima A cidade foi reconstruída. Hoje é uma metrópole com mais de um milhão de habitantes, arranha-céus, trânsito e shopping centers.
O rio, que a reportagem que li 20 anos atrás contava estar cheio de cadáveres das pessoas que buscavam alívio para a dor das queimaduras, está hoje cheio de peixinhos e camarões; cheio de vida.
O Castelo de Hiroshima (à direita), ao redor do qual a cidade cresceu, no século XVI, foi reconstruído tal como era antes.
Poderíamos nos esquecer do que aconteceu no dia 6 de outubro de 1945, e pensar que ele sempre esteve lá, imutável.

Mas o Domo e o Parque da Paz não nos deixam esquecer.
É preciso lembrar da luz, do fogo, dos escombros, das crianças. Que o sofrimento daquelas pessoas e de suas famílias nunca seja esquecido, e sirva de lição para a humanidade!



Eu disse acima que a Chama da Paz deve ficar acesa para sempre. Espero que provem que eu estou errada.

Paz!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Jubileu de 125 anos do Esperanto!

jubileu de 125 anos do Esperanto
Feliĉan naskiĝtagon, Esperanto!

O Esperanto é uma língua internacional, neutra, fácil e muito viva.
Tão novinha e já é falada por milhões de pessoas em mais de 120 países!

Mais sobre o Esperanto aqui no blog:
- O Esperanto completa 124 aninhos
- Dia Internacional do Esperanto!
- Hodiaux mi parolos pri Esperanto.


Aprenda de graça em lernu.net!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Absurdo! Imoral! Ilegal! CREMERJ proibe doulas e parteiras e cerceia parto domiciliar

manchete sobre a resolução 266/12 do CREMERJ na primeira página do jornal O Dia
Manchete sobre a resolução 266/12 do CREMERJ na primeira página do jornal O Dia de 23/07/2012

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) deu um grande golpe no direito de escolha das parturientes.

Depois de atacar o médico-obstetra e professor da UNIFESP Jorge Kuhn por manifestar apoio ao parto domiciliar em gestações de baixo risco em um programa de televisão - ato que incentivou a Marcha pelo Parto em Casa em várias cidades do Brasil no dia 17 de junho, em defesa da liberdade de escolha e da humanização do parto -, o Cremerj publicou duas resoluções que cerceiam direitos das mulheres e ameaçam o bem-estar e a segurança do parto.

A Resolução 265/12, publicada no último dia 19, proíbe a presença de médicos em partos domiciliares e os impede de fazer parte de equipes de suporte, caso haja necessidade de remoção da mulher para ambiente hospitalar. Médicos cariocas que participarem de partos em casa serão punidos pelo Conselho.
"Art. 1º É vedada a participação do médico nas chamadas ações domiciliares relacionadas ao parto e assistência perinatal.

Art. 2º É vedado ao médico participar de equipes de suporte e sobreaviso, previamente acordadas, a partos domiciliares.

Art. 3º Ficam excetuadas as situações de urgência/emergência obstétrica, devendo ser feita a notificação compulsória ao CREMERJ, circunstanciando o evento.

Art. 4º É compulsória a notificação ao CREMERJ, pelos Diretores Técnicos e plantonistas de unidades hospitalares, do atendimento a complicações em pacientes submetidas a partos domiciliares e seus conceptos ou oriundas das chamadas “Casas de Parto”.

Art. 5º O descumprimento desta Resolução é considerado infração ética passível de competente processo disciplinar."
Daí para criminalizar o parto domiciliar é um passo!

A Resolução 266/12, publicada no mesmo dia, proíbe a participação de "doulas, obstetrizes, parteiras, etc." "durante e após a realização do parto, em ambiente hospitalar", privando a mulher do direito de escolher a equipe de profissionais que acompanhará seu parto.
"Art. 1º É vedada a participação de pessoas não habilitadas e/ou de profissões não reconhecidas na área da saúde durante e após a realização do parto, em ambiente hospitalar, ressalvados os acompanhantes legais.

Parágrafo único. Estão incluídas nesta proibição as chamadas “doulas”, “obstetrizes”, “parteiras”, etc.

Art. 2º Esta Resolução não se aplica às enfermeiras obstetrizes legalmente reconhecidas conforme disposto nos incisos II e III do artigo 6º da Lei nº 7.498/86.

Art. 3º O descumprimento desta Resolução é considerado infração ética passível de competente processo disciplinar."

Estas medidas estão em desacordo com evidências científicas que demonstram que o parto domiciliar não representa aumento nos riscos para parturientes e recém-nascidos em gestações de baixo risco (ver, por exemplo, de Jonge et al., 2009. Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529 688 low-risk planned home and hospital births) e que o acompanhamento de profissionais qualificados, como obstetrizes e doulas, está relacionado a uma melhoria da qualidade da experiência do parto e redução de intervenções desnecessárias (ver, por exemplo, Hodnett et al., 2011. Continuous support for women during childbirth).

Além disso, as resoluções do Cremerj contrariam as recomendações da Organização Mundial da Saúde
- Respeitar a escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações.
- Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante.
- Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto.
- Respeitar a escolha da mulher quanto ao acompanhante durante o trabalho de parto e parto.
...a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetricia (FIGO)
"uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura"
...o Ministério da Saúde
"É direito da mulher definir durante o pré-natal o local onde ocorrerá o parto"
"O parto natural pode ser realizado em maternidades, Centros de Parto Normal e em casa, mas é preciso contar com o acompanhamento de uma equipe especializada, liderada por enfermeiros-obstetras ou obstetrizes. Nesse tipo de parto, a presença de uma doula também é bastante apropriada, visto que ela oferece suporte físico e emocional à parturiente, transmitindo confiança, segurança e suporte afetivo, físico e emocional."
"Parto domiciliar: Este tipo de parto é realizado na casa da parturiente. É recomendado apenas para gestações de baixo risco e deve ser conduzido por um médico ou enfermeiro-obstetra. Durante o trabalho de parto, é preciso garantir que a gestante possa ser transferida para um hospital se for registrado qualquer problema ou complicação."
"No Brasil, nas regiões do campo e da floresta, muitas crianças nascem pelas mãos de parteiras tradicionais, mulheres que, de forma voluntária, seguem o ofício de ajudar outras mulheres a parir. Cada vez mais o governo brasileiro reconhece o valor e o trabalho das parteiras tradicionais, que também atuam nos centros urbanos."
...e o próprio Código de Ética Médica!
Capítulo I, inciso XXI:
"No processo de tomada de decisões profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas."

O Cremerj não está agindo em prol do bem-estar das mulheres e de seus bebês.
Ele está, isso sim, agindo em benefício próprio, fazendo reserva de mercado e aumentando o poder dos médicos sobre nossos corpos e nossos direitos.

Assine a petição contra as resoluções 265 e 266/12 do Cremerj: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=265266RJ

No Rio de Janeiro haverá uma manifestação contra a atitude do Cremerj no domingo, 5 de agosto na praia de Ipanema, a partir das 14hs.
Página do evento no Facebook: Marcha pela Humanização do Parto - RJ

Leia mais:
- Notas de repúdio às resoluções do Cremerj: Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (COREN-RJ), Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (GAMA), Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO)
- Conselho entra com ação civil contra veto a parteiras em hospital no RJ
- Mulheres X Cremerj
- Mulheres do RJ - sentem no cantinho e obedeçam o Cremerj
- Parto só no hospital. E sem a sua doula.
- Resolução 267/12 do Cremerj: Proibida a utilização vaginal


AS RESOLUÇÕES DO CREMERJ REDUZEM O BEM-ESTAR E A SEGURANÇA DAS MULHERES E DOS RECÉM-NASCIDOS!
ESCOLHER ONDE E COMO PARIR É UM DIREITO DA MULHER!