Apesar dos protestos de cientistas, juristas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais, a votação do "novo Código Florestal" na Câmara dos Deputados está prevista para a próxima terça-feira, dia 24 de abril.
Dia 22 é o Dia da Terra e, aproveitando a data, nos próximos dias ocorrerão várias manifestações contra o novo Código Florestal, em todo o Brasil.
A lista de eventos abaixo foi compilada pelo Blog do SOS Mata Atlântica:
quinta-feira, 19 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Aborto de anencéfalos: ainda há o que discutir?
No próximo dia 11, deve ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal uma ação que pode dar às grávidas de fetos com anencefalia (ausência de cérebro) o direito de abortar.
Como toda discussão sobre o direito ao aborto, esta ação está causando polêmica, principalmente devido a religiosos que querem impingir suas crenças a toda a sociedade. Campanhas mentirosas, inclusive, têm se alastrado pelas redes sociais, como fotos de crianças com deficiências sorrindo e frases como "fulaninha é anencéfala. Ela tem tanto direito à vida quanto uma criança normal".
Deveria ser óbvio mas, só para deixar claro: NÃO, fulaninha não é anencéfala.
Um feto sem cérebro não é a mesma coisa que um feto com uma deficiência.
Sem cérebro, não se sente. Não se pensa. Não se respira.
A chance da criança sobreviver após o nascimento é ZERO.
Manter a gravidez de um feto anencéfalo pode ser comparado a manter uma pessoa com morte cerebral respirando por aparelhos.
Se a sua religião é contra qualquer tipo de aborto, que as mulheres da sua religião não abortem. Obrigar todas as mulheres a carregar em seu ventre durante meses um feto que nascerá morto é crueldade!
E além de todo o sofrimento, a gestação e o parto de fetos anencéfalos trazem mais riscos para a mãe que uma gestação comum.
Mas, antes de tudo isso: se a lei permite o desligamento de aparelhos quando constatada morte cerebral, não há razão lógica para não permitir o aborto de anencéfalos.
Como toda discussão sobre o direito ao aborto, esta ação está causando polêmica, principalmente devido a religiosos que querem impingir suas crenças a toda a sociedade. Campanhas mentirosas, inclusive, têm se alastrado pelas redes sociais, como fotos de crianças com deficiências sorrindo e frases como "fulaninha é anencéfala. Ela tem tanto direito à vida quanto uma criança normal".
Deveria ser óbvio mas, só para deixar claro: NÃO, fulaninha não é anencéfala.
Um feto sem cérebro não é a mesma coisa que um feto com uma deficiência.
Sem cérebro, não se sente. Não se pensa. Não se respira.
A chance da criança sobreviver após o nascimento é ZERO.
Manter a gravidez de um feto anencéfalo pode ser comparado a manter uma pessoa com morte cerebral respirando por aparelhos.
Se a sua religião é contra qualquer tipo de aborto, que as mulheres da sua religião não abortem. Obrigar todas as mulheres a carregar em seu ventre durante meses um feto que nascerá morto é crueldade!
E além de todo o sofrimento, a gestação e o parto de fetos anencéfalos trazem mais riscos para a mãe que uma gestação comum.
Mas, antes de tudo isso: se a lei permite o desligamento de aparelhos quando constatada morte cerebral, não há razão lógica para não permitir o aborto de anencéfalos.
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domingo, 1 de abril de 2012
Carta Capital com reportagem de capa O CRIME DOMINA GOIÁS é recolhida das bancas por carros sem identificação
Ao longo do dia, foram se multiplicando as denúncias de que carros sem placa de identificação percorreram as bancas de jornal de Goiânia com homens comprando, de uma só vez, todos os exemplares da edição 691 da revista Carta Capital, que chegou às bancas hoje.
A reportagem de capa, do jornalista Leandro Fortes, aborda documentos, gravações e perícias que evidenciam o envolvimento do senador Demóstenes Torres (DEM) e do governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Segundo o portal Brasil 247, "o chefe da Comunicação do Estado está mandando aviso às redações de rádios, jornal e TVs dizendo que estão todos proibidos de sequer mencionar o caso Cachoeira-Demóstens-Marconi em qualquer noticiário. As ameaças são de demissão e de entrada na lista negra de agraciados com verba pública da comunicação do Estado."

A reportagem da Carta Capital foi escaneada e - pelo menos por enquanto - pode ser lida em pdf aqui.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Atualização: A Carta Capital disponibilizou hoje a reportagem no site da revista → link
A reportagem de capa, do jornalista Leandro Fortes, aborda documentos, gravações e perícias que evidenciam o envolvimento do senador Demóstenes Torres (DEM) e do governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Segundo o portal Brasil 247, "o chefe da Comunicação do Estado está mandando aviso às redações de rádios, jornal e TVs dizendo que estão todos proibidos de sequer mencionar o caso Cachoeira-Demóstens-Marconi em qualquer noticiário. As ameaças são de demissão e de entrada na lista negra de agraciados com verba pública da comunicação do Estado."

A reportagem da Carta Capital foi escaneada e - pelo menos por enquanto - pode ser lida em pdf aqui.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Atualização: A Carta Capital disponibilizou hoje a reportagem no site da revista → link
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terça-feira, 13 de março de 2012
Atenção, candidatos: essa é a São Paulo que queremos!
Está rolando no Facebook:

Os candidatos a prefeito bem que podiam ver esta imagem e tê-la como meta para daqui a 20, 30 anos...

Os candidatos a prefeito bem que podiam ver esta imagem e tê-la como meta para daqui a 20, 30 anos...
quinta-feira, 8 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
Mostra de Cinema Ambiental em SP, de 15 a 22 de março. Entrada gratuita.

De 15 a 22 de março, São Paulo vai receber a primeira Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.
Entre os 40 títulos confirmados estão o indicado ao Oscar 2012 de Melhor Documentário If a tree falls: a story of the earth liberation front, e Crude (sobre o ecocídio da Chevron no Equador). Também estão na programação o famoso curta-metragem brasileiro Ilha das Flores, de Jorge Furtado; o bastante divulgado (e polêmico) documentário sobre a caça aos golfinhos The Cove, que concorreu ao Oscar em 2010; e o ótimo A Terra da Lua Partida, que eu assisti na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2010 e já comentei aqui no blog.
A programação será guiada pelos temas Ativismo, Povos e Lugares, Consumo, Energia, Água e Mudanças Climáticas. Haverá também um Panorama Histórico, uma Mostra Infantil, uma homenagem ao diretor Adrian Cowell (que fez um trabalho de documentação da destruição da Floresta Amazônica) e 7 debates com especialistas e convidados internacionais. A programação completa estará no site da Mostra em breve.
O evento é uma realização da ONG Ecofalante, que atua na área socioambiental.
As exibições serão realizadas em três salas: Cine Livraria Cultura (Av. Paulista, 2073), Cine Sabesp (R. Fradique Coutinho, 361, Pinheiros) e Museu da Imagem e do Som (MIS - Avenida Europa, 158, Jardim Europa). A entrada é gratuita.
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Líder rural ameaçada de morte: "Eu sei que eles vão me matar"
Depoimento de Nilcelene Miguel de Lima, líder rural ameaçada de morte por grileiros e madeireiros do sul do Lábrea (Amazonas):
Trechos do artigo Mesmo com proteção, ativista diz que será assassinada, no Blog do Sakamoto:
Trechos do artigo Mesmo com proteção, ativista diz que será assassinada, no Blog do Sakamoto:
"Eles começaram a receber ameaças quando Nilce assumiu a presidência de associação criada pelos pequenos produtores para defender o grupo contra invasões de terra e roubo de árvores. Ao denunciar os madeireiros e grileiros, Nilce foi espancada e teve sua casa queimada em um incêndio anunciado. Em maio de 2011, teve que fugir enrolada em um lençol para despistar o pistoleiro de campana no portão. Depois de seis meses e muitos apelos da Comissão Pastoral da Terra, Nilce entrou no programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Em outubro, uma equipe da Força Nacional foi deslocada para que ela pudesse voltar para casa.Mais informações: leia a reportagem de Ana Aranha em apublica.org.
(...) Representantes do governo revelaram que eles também sofrem ameaças do crime local. Houve até um caso de agressão física contra funcionária do Incra. Mas, quando confrontado pela truculência do crime organizado, ao invés de voltar com mais força para enfrenta-la, o governo recua. Movimento que fortalece os criminosos.
Foi assim com o programa de regularização fundiária Terra Legal. Lábrea foi o primeiro município da Amazônia a receber o programa pois está no “Arco Verde” – ocupação que cerca a floresta nativa, onde avança a grilagem e extração de madeira. Mas o processo foi adiado. Devido a ameaças, a empresa contratada para o georeferenciamento não cumpriu o contrato e o governo abriu nova licitação.
Até hoje, nenhum título foi entregue. Pior: o conflito se agravou. Depois de iniciado o processo, a corrida pela terra se intensificou."
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quinta-feira, 1 de março de 2012
"Guerra" entre evangélicos e psicólogos - homossexualidade NÃO é doença!!!
Vi no Facebook:

Para entender melhor o que está acontecendo, leia o (ótimo) artigo de Hélio Schwartsman na Folha.
Homossexualidade NÃO é doença.
Mas a homofobia mata.

Para entender melhor o que está acontecendo, leia o (ótimo) artigo de Hélio Schwartsman na Folha.
Homossexualidade NÃO é doença.
Mas a homofobia mata.
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José Serra 2012: já começou mentindo
O mesmo José Serra (PSDB/SP) que acaba de lançar-se candidato a prefeito afirmou categoricamente que não tinha interesse em concorrer à prefeitura de São Paulo, no dia 25 de fevereiro de 2011, na Rádio Jovem Pan.
Não apenas negou, como desdenhou o cargo, deixando claro (caso ainda não estivesse) que, para ele, a prefeitura é apenas um trampolim para cargos mais altos - a presidência, em 2014.
Mentiras, aliás, não faltam no currículo de Serra.
Nas eleições de 2004 ele assinou um documento, registrado em cartório, prometendo que, caso fosse eleito prefeito, não abandonaria o cargo para concorrer em 2006.
O que aconteceu? Ele abandonou a prefeitura após 1 ano e 3 meses de mandato!

Lembram??
Será que os paulistanos ainda têm coragem de votar nesse cara de pau?
Não bastam os escândalos relatados no livro A Privataria Tucana (há meses entre os livros mais vendidos no país)?
Não apenas negou, como desdenhou o cargo, deixando claro (caso ainda não estivesse) que, para ele, a prefeitura é apenas um trampolim para cargos mais altos - a presidência, em 2014.
Mentiras, aliás, não faltam no currículo de Serra.
Nas eleições de 2004 ele assinou um documento, registrado em cartório, prometendo que, caso fosse eleito prefeito, não abandonaria o cargo para concorrer em 2006.
O que aconteceu? Ele abandonou a prefeitura após 1 ano e 3 meses de mandato!

Será que os paulistanos ainda têm coragem de votar nesse cara de pau?
Não bastam os escândalos relatados no livro A Privataria Tucana (há meses entre os livros mais vendidos no país)?
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
A beleza oculta da polinização
Belíssimas imagens do cineasta Louie Schwartzberg
(trecho de vídeo de uma palestra dele, que pode ser visto na íntegra no TED Talks, com opção de legendas em português)
(atenção para o morceguinho filhote agarrado à mãe aos 2min37s)
(trecho de vídeo de uma palestra dele, que pode ser visto na íntegra no TED Talks, com opção de legendas em português)
(atenção para o morceguinho filhote agarrado à mãe aos 2min37s)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Carta dos Povos do Cerrado denuncia a grave situação desse bioma
(Encontrei no site do Instituto Humanitas Unisinos)
Carta dos Extrativistas e Agroextrativistas do Cerrado diante da grave situação desse bioma e seus povos
Nós – extrativistas, agroextrativistas, agricultores familiares, assentados, mulheres quebradeiras de coco babaçu, vazanteiros, ribeirinhos, geraizeiros, retireiros e pescadores dos estados de Goiás, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Piauí, reunidos na cidade de Goiânia nos dias 1 e 2 de fevereiro de 2012, após avaliação e análise criteriosa do que vem ocorrendo nos cerrados brasileiros, vimos a público informar e exigir providências imediatas diante da grave situação que se encontra esse bioma e seus povos.
Para isso destacamos:
Até hoje, tanto o Executivo como o Legislativo sequer se dignaram a votar o pleito antigo dos Povos dos Cerrado de considerar nosso bioma como Patrimônio Nacional como são reconhecidos a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica. Por quê? Por quê?
Ignora-se que esse bioma detém mais de um terço da diversidade biológica do país?
Ignora-se que é no Cerrado que se formam os rios que conformam as grandes bacias hidrográficas brasileiras como a do São Francisco, a do Doce, a do Jequitinhonha, a do Jaguaribe, a do Parnaíba, a do Araguaia/Tocantins, do Xingu, do Tapajós e Madeira (da bacia amazônica), além dos formadores da bacia do Paraguai e do Paraná/bacia do Prata?
Ignora-se que estão relacionadas ao Cerrado as duas maiores áreas alagadas continentais do planeta, ou seja, o Pantanal e o Araguaia?
Ignora-se, como disse Guimarães Rosa, que o Cerrado é uma caixa d’água?
O que mais se precisa para reconhecer esse rico bioma como patrimônio nacional? Por que não? Por que não?
Ignora-se que esse bioma é o único bioma que tem vizinhança com todos os outros biomas brasileiros (com a Amazônia, com a Caatinga, com a Mata Atlântica, com a Mata de Araucária)?
Ignora-se que somente essas áreas de contato correspondem a 14% do território brasileiro que somados aos 22% do bioma Cerrado correspondem a 36% do nosso território?
Ignora-se que esses 14% do território de contato com o bioma Cerrado a outros biomas são áreas de enorme complexidade e ainda maior diversidade biológica?
Ignora-se que nessas áreas, particularmente, o conhecimento em detalhe, o conhecimento local, é de enorme valia e que o Brasil detém um acervo enorme desse conhecimento com suas populações camponesas, indígenas e quilombolas que, assim, se mostram importantes para a sociedade brasileira, para a humanidade e para o planeta?
Não se pode ignorar tudo isso que clama por reconhecimento. Exigimos tanto do Executivo quanto do Legislativo que reconheçam o Cerrado, enfim como Patrimônio Nacional. Mesmo assim cabe a sociedade brasileira e a humanidade indagar porque o Cerrado continua sendo esquecido.
De nossa parte, como populações extrativistas e agroextrativistas do Cerrado temos envidados nossos melhores esforços para que tenhamos uma política socioambiental, justa, democrática e responsável.
Aprendemos com nossos irmãos amazônicos, sobretudo com os seringueiros e seu líder Chico Mendes que não há defesa de nenhum bioma sem seus povos. É de Chico Mendes a máxima, “não há defesa da floresta, sem os povos da floresta”. Daí dizermos em alto e bom tom: Não há defesa do Cerrado sem os povos do Cerrado.
O conhecimento de nossos povos e etnias desenvolvido com o Cerrado é essencial para sua preservação. Com todo o respeito que nutrimos pelo saber científico sabemos que o conhecimento e a sabedoria desenvolvidos há milênios e séculos pelos camponeses e indígenas é um acervo fundamental que colocamos a disposição para um diálogo com qualquer outro saber.
Daí a convicção que temos da importância de nosso conhecimento, reconhecido por vários cientistas e pesquisadores do Brasil e do exterior, surgiu a idéia de lutarmos por Reservas Extrativistas no Cerrado. Desde o início dos anos 1990 que vimos nessa luta, sabemos que a política socioambiental não pode se restringir à punição e à fiscalização. Ela tem que ser propositiva e ser positiva. Para isso propomos as Reservas Extrativistas onde nosso conhecimento tradicionalmente desenvolvido pode contribuir para a preservação e conservação do Cerrado garantindo uma vida digna para seus povos. Todavia como andamos?
No balanço que fizemos nesses dois dias de trabalho intenso constatamos que nas 30 Resex’s, tanto nas já decretadas como nas que estão em processo de reconhecimento e regularização, a situação das comunidades foi sensivelmente deteriorada pelo completo descaso das autoridades, sobretudo em resolver o problema fundiário, esse nó estrutural que impede até hoje que a sociedade brasileira seja mais justa e feliz.
O fato dessas áreas terem sido decretadas ou estarem em processo de decretação sem que o problema fundiário tenha sido resolvido, tem feito com que os fazendeiros que deveriam ser indenizados pelo poder público, passem a impedir que a população local tenha acesso para a coletar o baru, o pequi, a fava d’anta, o babaçu e mais de uma centenas de outros produtos com que temos sobrevivido e oferecido à sociedade alimentos, remédios e bebidas.
Desde que o ICMBIO foi criado em 2007 nenhuma Resex foi criada no Cerrado. Olhado da perspectiva dos Povos do Cerrado o ICMBIO não faz jus ao nome de um dos nossos companheiros que morreu por sua justa luta, para afirmar um paradigma, onde a defesa da natureza não se faça contra os povos mas, ao contrário, se faça através deles. Em função dessa omissão das autoridades cuja responsabilidade pública as obriga a zelar pelo patrimônio natural, uma das entidades de nossa articulação entrou com uma ação pública civil junto ao Ministério Público. Todavia, passado 1 ano sequer nossa ação mereceu qualquer resposta por parte do Ministério Público, apesar de ser uma denúncia de prevaricação de um órgão público. A julgar pelos dados oficiais que nos informa que no último ano foram desmatados somente no Cerrado 646 mil hectares, o que perfaz um total de 1.772,33 hectares por dia, podemos dizer que a cada dia que o Ministério Público deixa de se pronunciar e, assim, de julgar o crime de prevaricação, deixa de evitar que mais de mil e setecentos hectares sejam desmatados diariamente. A palavra está com o Ministério Público enquanto a nossa realidade espera com devastação e insegurança. Tudo isso alimenta um lamentável clima de impunidade.
Ignora-se que muitos remédios que curam o glaucoma, a hipertensão arterial depende de frutos colhidos por nós, como é o caso faveira/fava d’anta de onde se extrai mais de 90% da rutina, substância química para esses remédios. Ignora-se, e por ignorância alimenta-se o preconceito, que essas populações podem viver dignamente dessas atividades, como provamos que numa área com 4 arvores adultas de baru se obtém mais renda do que em um hectare plantado com soja.
Enfim, precisamos ter uma política que dialogue com nossa cultura, com nossos povos para que se tenha um viver bem com justiça social e responsabilidade ecológica. Mas para isso é preciso que as autoridades viabilizem as Resex’s no Cerrado. Toda nossa mobilização encontra a desculpa pouco crível da falta de recursos. Bem sabemos que se há falta recurso é preciso estabelecer prioridades. Isso é fundamental na política. Desse modo, a falta de recursos acaba sendo a confissão pública de que as Resex’s no Cerrado não são prioridade. Mas sabemos que o argumento da falta de recurso é um argumento em si mesmo falso. Afinal, o governo tem anunciado publicamente sua eficiência no recolhimento dos impostos que a cada ano engorda mais a receita federal. O nosso governo tem anunciado ainda os sucessivos saldos, nas contas externas, como prova de seu êxito. Se tanto êxito há na entrada de divisas no país e no recolhimento de impostos da receita federal como se sustenta o argumento de que não há recursos?
Mais grave ainda, é o fato de que aqueles que como nós, vimos lutando por essas reservas extrativistas estamos expostos à truculência não só dos fazendeiros que nos impedem o acesso das áreas onde tradicionalmente colhemos, como também da expansão do latifúndio da monocultura de exportação de soja, da monocultura de algodão, da monocultura de eucalipto, da monocultura de pinus, da monocultura de girassol, da invasão de madeireiros, da expansão de carvoarias para fazer carvão para ferro gusa e exportar minério puro para mineradoras que vem crescendo sobre nossas áreas da pressão para a construção de barragens que, via de regra, servem de base para a exploração mineral para exportação. Todos esses setores foram nominalmente citados na avaliação criteriosa das ameaças de cada uma das Resex’s criadas e em processo de criação nos cerrados.
A truculência dos que ameaçam se concretiza na ameaça de morte aos nossos companheiros e companheiras que se vêem obrigados, tal e como na época da ditadura, a viverem escondidos longe de suas famílias. Exigimos das autoridades todas as providências para a garantia das vidas de Osmar Alves de Souza do município de São Domingos/GO; de Francisca Lustosa do município de Tanque/PI, Maria Lucia de Oliveira Agostinho, município de Rio Pardo de Minas/MG; Neurivan Pereira de Farias, município de Formoso/MG, Wedson Batista Campos, município de Aruanã/GO; Adalberto Gomes dos Santos do município de Lassance/MG; Welington Lins dos Santos, município de Buritizeiro/MG; Elaine Santos Silva, município Davinópolis/MA; José da Silva, município de Montezuma/MG.
Responsabilizamos antecipadamente as autoridades pelo que vier acontecer com a vida desses companheiros e dessas companheiras, cujo único crime tem sido o de lutar pela dignidade de suas famílias através da Resex’s. Não queremos que o nome desses companheiros e companheiras venha a se somar ao de Chico Mendes, ao de Dorothy Stang e aos quase 2000 assassinados no campo brasileiro desde 1985, conforme vem acompanhando a Comissão Pastoral da Terra. Temos todas as condições com as Resex’s de oferecer condições de vida digna, com justiça e equidade social com a defesa do Cerrado. Não queremos que nossas famílias venham engordar os dados estatísticos dos que dependem da bolsa família, ou outras bolsas para viver. Respeitamos essa política, até porque a temos como uma conquista do povo brasileiro, mas não vemos como bons olhos o aumento do número dos que vivem dela. A Resex é uma maneira mais sustentável de garantir a sobrevivência digna, como é a reforma agrária. Chico Mendes, dizia que a “Resex era reforma agrária dos seringueiros”. E nós afirmamos que a Resex é a forma de ampliar o significado da reforma agrária ao lhe dar sentido ecológico e cultural.
Este ano o Brasil estará recebendo não só governantes de todo o mundo como diversas populações de todo o planeta na Rio+20. Assim como nós, vários grupos sociais da África, da Ásia e na América Latina que vem sofrendo com avanço sobre suas terras de um agronegócio devastador e uma mineração voraz de minérios e água estarão também aqui presentes.
Esperamos que as autoridades brasileiras estejam a altura de suas responsabilidades de estarem à frente do maior país tropical do mundo e onde se encontram as maiores reservas de água do planeta. Que honre esse fato de ser a tropicalidade caracterizada pela enorme diversidade biológica e que ainda honre por zelar pelo enorme acervo de conhecimentos que está entre as quebradeiras de coco de babaçu, os vazanteiros, os retireiros, os caatingueiros, os pescadores, os geraizeiros para ficarmos com alguns grupos sociais dessa enorme sociodiversidade do Cerrado.
A diversidade biológica e a sociodiversidade, para nós indissociáveis, não podem continuar sendo retórica nos documentos oficiais, sem que haja o rebatimento no orçamento para garantia de solução da questão fundiária. De nada adianta falar de rica biodiversidade se não se garante no orçamento dinheiro para compra de terras.
Sabemos que nossas caras não são as caras que freqüentam as páginas nobres das principais revistas e jornais do país – somos em nossa maior parte mestiços, mulatos, cafuzos, negros, índios, brancos pobres muitas vezes com a cara suja de carvão. Sabemos que o Cerrado tem sido oferecido aos grandes latifúndios do agronegócio, que não só produzem muitas toneladas de grãos, de pasta de celulose, de carnes para exportação como também produzem muita poluição e muito desperdício das águas, produzem muita erosão, produzem monocultura onde há muita diversidade de plantas e animais e ainda produzem muito/as trabalhadore/as rurais sem terras com a concentração de terras e concentram poder econômico e político e, assim, contribuem para por em risco a democracia. Basta ver o poder que tem as empresas de mineração e dos agronegociantes para fazerem propaganda, financiarem noticiários nas rádios, jornais e TV’s onde, via de regra, somos criminalizados e vistos como aqueles que querem impedir o progresso, como se só houvesse uma maneira de progredir, e como se fôssemos o lado errado.
No entanto, estamos aqui cônscios de que temos muito a dar ao Brasil, à humanidade e ao planeta. Nossa luta não será em vão e, por isso, dizemos com o poeta:
“Nem tudo que é torto é errado,
veja as pernas do Garrincha
e as árvores do Cerrado”. Nicolas Behr
Viva o Cerrado!
Viva os Povos do Cerrado!
O Cerrado não vive por si só!
Que a Rio+20 seja a confluência dos diversos rios de resistência pela cultura e pela natureza!
Assinam:
- Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado
- Resex Mata Grande, Davinopólis/MA
- Resex Lago do Cedro, Aruanã/GO
- Resex Recanto das Araras de Terra Ronca, São Domingos/GO
- Resex Chapada Limpa, Chapadinha/MA
- Resex Chapada Grande, Tanque/PI
- Resex Galiota e Córrego das Pedras, Damianopólis/GO
- Resex Contagem dos Buritis, São Domingos/GO
- Resex Rio da Prata, Posse/GO
- Resex Tamanduá/Poções, Riacho dos Machados/MG
- Resex Sempre Viva, Lassance/MG
- Resex Serra do Múquem, Corinto/MG
- Resex Barra do Pacuí, Ibiaí/MG
- Resex Três Riachos, Santa Fé de Minas/MG
- Resex Brejos da Barra, Barra/BA
- Resex Serra do Alemão, Buritizeiro/MG
- Resex Curumataí, Buenopólis/MG
- Resex Retireiros do Médio Araguaia, Luciara/MT
- Resex Areião e Vale do Guará, Rio Pardo de Minas/MG
- Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros e Guias Turísticos do Cerrado – COOPCERRADO
- Cooperativa Grande Sertão
- Cooperativa de Agricultores Familiares Agroextrativistas de Água Boa II
- Associação dos Moradores agricultores familiares de Córrego Verde
- Associação dos Retireiros do Médio Araguaia
- Associação dos trabalhadores da reserva extrativista Mata Grande/MA
- Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu
- Associação dos agricultores familiares trabalhando junto
- Colônia de Pescadores de Aruanã/GO
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Riacho dos Machados/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Lassance/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Buritizeiro/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Jequitaí/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Santa Fé de Minas/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Ibiaí/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Montezuma/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Davinopólis/MA
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Tanque/PI
- Coordenação do Pólo Sindical do Pólo de Oeiras/PI
- Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado-CEDAC
- Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas Gerais – CAA
- Projeto Chico Fulô
- Universidade Federal Fluminense
- Federação dos Trabalhadores Rurais de Minas Gerais- FETAEMG
Carta dos Extrativistas e Agroextrativistas do Cerrado diante da grave situação desse bioma e seus povos
À Sociedade Brasileira
Nós – extrativistas, agroextrativistas, agricultores familiares, assentados, mulheres quebradeiras de coco babaçu, vazanteiros, ribeirinhos, geraizeiros, retireiros e pescadores dos estados de Goiás, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Piauí, reunidos na cidade de Goiânia nos dias 1 e 2 de fevereiro de 2012, após avaliação e análise criteriosa do que vem ocorrendo nos cerrados brasileiros, vimos a público informar e exigir providências imediatas diante da grave situação que se encontra esse bioma e seus povos.
Para isso destacamos:
Até hoje, tanto o Executivo como o Legislativo sequer se dignaram a votar o pleito antigo dos Povos dos Cerrado de considerar nosso bioma como Patrimônio Nacional como são reconhecidos a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica. Por quê? Por quê?
Ignora-se que esse bioma detém mais de um terço da diversidade biológica do país?
Ignora-se que é no Cerrado que se formam os rios que conformam as grandes bacias hidrográficas brasileiras como a do São Francisco, a do Doce, a do Jequitinhonha, a do Jaguaribe, a do Parnaíba, a do Araguaia/Tocantins, do Xingu, do Tapajós e Madeira (da bacia amazônica), além dos formadores da bacia do Paraguai e do Paraná/bacia do Prata?
Ignora-se que estão relacionadas ao Cerrado as duas maiores áreas alagadas continentais do planeta, ou seja, o Pantanal e o Araguaia?
Ignora-se, como disse Guimarães Rosa, que o Cerrado é uma caixa d’água?
O que mais se precisa para reconhecer esse rico bioma como patrimônio nacional? Por que não? Por que não?
Ignora-se que esse bioma é o único bioma que tem vizinhança com todos os outros biomas brasileiros (com a Amazônia, com a Caatinga, com a Mata Atlântica, com a Mata de Araucária)?
Ignora-se que somente essas áreas de contato correspondem a 14% do território brasileiro que somados aos 22% do bioma Cerrado correspondem a 36% do nosso território?
Ignora-se que esses 14% do território de contato com o bioma Cerrado a outros biomas são áreas de enorme complexidade e ainda maior diversidade biológica?
Ignora-se que nessas áreas, particularmente, o conhecimento em detalhe, o conhecimento local, é de enorme valia e que o Brasil detém um acervo enorme desse conhecimento com suas populações camponesas, indígenas e quilombolas que, assim, se mostram importantes para a sociedade brasileira, para a humanidade e para o planeta?
Não se pode ignorar tudo isso que clama por reconhecimento. Exigimos tanto do Executivo quanto do Legislativo que reconheçam o Cerrado, enfim como Patrimônio Nacional. Mesmo assim cabe a sociedade brasileira e a humanidade indagar porque o Cerrado continua sendo esquecido.
De nossa parte, como populações extrativistas e agroextrativistas do Cerrado temos envidados nossos melhores esforços para que tenhamos uma política socioambiental, justa, democrática e responsável.
Aprendemos com nossos irmãos amazônicos, sobretudo com os seringueiros e seu líder Chico Mendes que não há defesa de nenhum bioma sem seus povos. É de Chico Mendes a máxima, “não há defesa da floresta, sem os povos da floresta”. Daí dizermos em alto e bom tom: Não há defesa do Cerrado sem os povos do Cerrado.
O conhecimento de nossos povos e etnias desenvolvido com o Cerrado é essencial para sua preservação. Com todo o respeito que nutrimos pelo saber científico sabemos que o conhecimento e a sabedoria desenvolvidos há milênios e séculos pelos camponeses e indígenas é um acervo fundamental que colocamos a disposição para um diálogo com qualquer outro saber.
Daí a convicção que temos da importância de nosso conhecimento, reconhecido por vários cientistas e pesquisadores do Brasil e do exterior, surgiu a idéia de lutarmos por Reservas Extrativistas no Cerrado. Desde o início dos anos 1990 que vimos nessa luta, sabemos que a política socioambiental não pode se restringir à punição e à fiscalização. Ela tem que ser propositiva e ser positiva. Para isso propomos as Reservas Extrativistas onde nosso conhecimento tradicionalmente desenvolvido pode contribuir para a preservação e conservação do Cerrado garantindo uma vida digna para seus povos. Todavia como andamos?
No balanço que fizemos nesses dois dias de trabalho intenso constatamos que nas 30 Resex’s, tanto nas já decretadas como nas que estão em processo de reconhecimento e regularização, a situação das comunidades foi sensivelmente deteriorada pelo completo descaso das autoridades, sobretudo em resolver o problema fundiário, esse nó estrutural que impede até hoje que a sociedade brasileira seja mais justa e feliz.
O fato dessas áreas terem sido decretadas ou estarem em processo de decretação sem que o problema fundiário tenha sido resolvido, tem feito com que os fazendeiros que deveriam ser indenizados pelo poder público, passem a impedir que a população local tenha acesso para a coletar o baru, o pequi, a fava d’anta, o babaçu e mais de uma centenas de outros produtos com que temos sobrevivido e oferecido à sociedade alimentos, remédios e bebidas.
Desde que o ICMBIO foi criado em 2007 nenhuma Resex foi criada no Cerrado. Olhado da perspectiva dos Povos do Cerrado o ICMBIO não faz jus ao nome de um dos nossos companheiros que morreu por sua justa luta, para afirmar um paradigma, onde a defesa da natureza não se faça contra os povos mas, ao contrário, se faça através deles. Em função dessa omissão das autoridades cuja responsabilidade pública as obriga a zelar pelo patrimônio natural, uma das entidades de nossa articulação entrou com uma ação pública civil junto ao Ministério Público. Todavia, passado 1 ano sequer nossa ação mereceu qualquer resposta por parte do Ministério Público, apesar de ser uma denúncia de prevaricação de um órgão público. A julgar pelos dados oficiais que nos informa que no último ano foram desmatados somente no Cerrado 646 mil hectares, o que perfaz um total de 1.772,33 hectares por dia, podemos dizer que a cada dia que o Ministério Público deixa de se pronunciar e, assim, de julgar o crime de prevaricação, deixa de evitar que mais de mil e setecentos hectares sejam desmatados diariamente. A palavra está com o Ministério Público enquanto a nossa realidade espera com devastação e insegurança. Tudo isso alimenta um lamentável clima de impunidade.
Ignora-se que muitos remédios que curam o glaucoma, a hipertensão arterial depende de frutos colhidos por nós, como é o caso faveira/fava d’anta de onde se extrai mais de 90% da rutina, substância química para esses remédios. Ignora-se, e por ignorância alimenta-se o preconceito, que essas populações podem viver dignamente dessas atividades, como provamos que numa área com 4 arvores adultas de baru se obtém mais renda do que em um hectare plantado com soja.
Enfim, precisamos ter uma política que dialogue com nossa cultura, com nossos povos para que se tenha um viver bem com justiça social e responsabilidade ecológica. Mas para isso é preciso que as autoridades viabilizem as Resex’s no Cerrado. Toda nossa mobilização encontra a desculpa pouco crível da falta de recursos. Bem sabemos que se há falta recurso é preciso estabelecer prioridades. Isso é fundamental na política. Desse modo, a falta de recursos acaba sendo a confissão pública de que as Resex’s no Cerrado não são prioridade. Mas sabemos que o argumento da falta de recurso é um argumento em si mesmo falso. Afinal, o governo tem anunciado publicamente sua eficiência no recolhimento dos impostos que a cada ano engorda mais a receita federal. O nosso governo tem anunciado ainda os sucessivos saldos, nas contas externas, como prova de seu êxito. Se tanto êxito há na entrada de divisas no país e no recolhimento de impostos da receita federal como se sustenta o argumento de que não há recursos?
Mais grave ainda, é o fato de que aqueles que como nós, vimos lutando por essas reservas extrativistas estamos expostos à truculência não só dos fazendeiros que nos impedem o acesso das áreas onde tradicionalmente colhemos, como também da expansão do latifúndio da monocultura de exportação de soja, da monocultura de algodão, da monocultura de eucalipto, da monocultura de pinus, da monocultura de girassol, da invasão de madeireiros, da expansão de carvoarias para fazer carvão para ferro gusa e exportar minério puro para mineradoras que vem crescendo sobre nossas áreas da pressão para a construção de barragens que, via de regra, servem de base para a exploração mineral para exportação. Todos esses setores foram nominalmente citados na avaliação criteriosa das ameaças de cada uma das Resex’s criadas e em processo de criação nos cerrados.
A truculência dos que ameaçam se concretiza na ameaça de morte aos nossos companheiros e companheiras que se vêem obrigados, tal e como na época da ditadura, a viverem escondidos longe de suas famílias. Exigimos das autoridades todas as providências para a garantia das vidas de Osmar Alves de Souza do município de São Domingos/GO; de Francisca Lustosa do município de Tanque/PI, Maria Lucia de Oliveira Agostinho, município de Rio Pardo de Minas/MG; Neurivan Pereira de Farias, município de Formoso/MG, Wedson Batista Campos, município de Aruanã/GO; Adalberto Gomes dos Santos do município de Lassance/MG; Welington Lins dos Santos, município de Buritizeiro/MG; Elaine Santos Silva, município Davinópolis/MA; José da Silva, município de Montezuma/MG.
Responsabilizamos antecipadamente as autoridades pelo que vier acontecer com a vida desses companheiros e dessas companheiras, cujo único crime tem sido o de lutar pela dignidade de suas famílias através da Resex’s. Não queremos que o nome desses companheiros e companheiras venha a se somar ao de Chico Mendes, ao de Dorothy Stang e aos quase 2000 assassinados no campo brasileiro desde 1985, conforme vem acompanhando a Comissão Pastoral da Terra. Temos todas as condições com as Resex’s de oferecer condições de vida digna, com justiça e equidade social com a defesa do Cerrado. Não queremos que nossas famílias venham engordar os dados estatísticos dos que dependem da bolsa família, ou outras bolsas para viver. Respeitamos essa política, até porque a temos como uma conquista do povo brasileiro, mas não vemos como bons olhos o aumento do número dos que vivem dela. A Resex é uma maneira mais sustentável de garantir a sobrevivência digna, como é a reforma agrária. Chico Mendes, dizia que a “Resex era reforma agrária dos seringueiros”. E nós afirmamos que a Resex é a forma de ampliar o significado da reforma agrária ao lhe dar sentido ecológico e cultural.
Este ano o Brasil estará recebendo não só governantes de todo o mundo como diversas populações de todo o planeta na Rio+20. Assim como nós, vários grupos sociais da África, da Ásia e na América Latina que vem sofrendo com avanço sobre suas terras de um agronegócio devastador e uma mineração voraz de minérios e água estarão também aqui presentes.
Esperamos que as autoridades brasileiras estejam a altura de suas responsabilidades de estarem à frente do maior país tropical do mundo e onde se encontram as maiores reservas de água do planeta. Que honre esse fato de ser a tropicalidade caracterizada pela enorme diversidade biológica e que ainda honre por zelar pelo enorme acervo de conhecimentos que está entre as quebradeiras de coco de babaçu, os vazanteiros, os retireiros, os caatingueiros, os pescadores, os geraizeiros para ficarmos com alguns grupos sociais dessa enorme sociodiversidade do Cerrado.
A diversidade biológica e a sociodiversidade, para nós indissociáveis, não podem continuar sendo retórica nos documentos oficiais, sem que haja o rebatimento no orçamento para garantia de solução da questão fundiária. De nada adianta falar de rica biodiversidade se não se garante no orçamento dinheiro para compra de terras.
Sabemos que nossas caras não são as caras que freqüentam as páginas nobres das principais revistas e jornais do país – somos em nossa maior parte mestiços, mulatos, cafuzos, negros, índios, brancos pobres muitas vezes com a cara suja de carvão. Sabemos que o Cerrado tem sido oferecido aos grandes latifúndios do agronegócio, que não só produzem muitas toneladas de grãos, de pasta de celulose, de carnes para exportação como também produzem muita poluição e muito desperdício das águas, produzem muita erosão, produzem monocultura onde há muita diversidade de plantas e animais e ainda produzem muito/as trabalhadore/as rurais sem terras com a concentração de terras e concentram poder econômico e político e, assim, contribuem para por em risco a democracia. Basta ver o poder que tem as empresas de mineração e dos agronegociantes para fazerem propaganda, financiarem noticiários nas rádios, jornais e TV’s onde, via de regra, somos criminalizados e vistos como aqueles que querem impedir o progresso, como se só houvesse uma maneira de progredir, e como se fôssemos o lado errado.
No entanto, estamos aqui cônscios de que temos muito a dar ao Brasil, à humanidade e ao planeta. Nossa luta não será em vão e, por isso, dizemos com o poeta:
“Nem tudo que é torto é errado,
veja as pernas do Garrincha
e as árvores do Cerrado”. Nicolas Behr
Viva o Cerrado!
Viva os Povos do Cerrado!
O Cerrado não vive por si só!
Que a Rio+20 seja a confluência dos diversos rios de resistência pela cultura e pela natureza!
Assinam:
- Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado
- Resex Mata Grande, Davinopólis/MA
- Resex Lago do Cedro, Aruanã/GO
- Resex Recanto das Araras de Terra Ronca, São Domingos/GO
- Resex Chapada Limpa, Chapadinha/MA
- Resex Chapada Grande, Tanque/PI
- Resex Galiota e Córrego das Pedras, Damianopólis/GO
- Resex Contagem dos Buritis, São Domingos/GO
- Resex Rio da Prata, Posse/GO
- Resex Tamanduá/Poções, Riacho dos Machados/MG
- Resex Sempre Viva, Lassance/MG
- Resex Serra do Múquem, Corinto/MG
- Resex Barra do Pacuí, Ibiaí/MG
- Resex Três Riachos, Santa Fé de Minas/MG
- Resex Brejos da Barra, Barra/BA
- Resex Serra do Alemão, Buritizeiro/MG
- Resex Curumataí, Buenopólis/MG
- Resex Retireiros do Médio Araguaia, Luciara/MT
- Resex Areião e Vale do Guará, Rio Pardo de Minas/MG
- Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros e Guias Turísticos do Cerrado – COOPCERRADO
- Cooperativa Grande Sertão
- Cooperativa de Agricultores Familiares Agroextrativistas de Água Boa II
- Associação dos Moradores agricultores familiares de Córrego Verde
- Associação dos Retireiros do Médio Araguaia
- Associação dos trabalhadores da reserva extrativista Mata Grande/MA
- Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu
- Associação dos agricultores familiares trabalhando junto
- Colônia de Pescadores de Aruanã/GO
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Riacho dos Machados/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Lassance/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Buritizeiro/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Jequitaí/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Santa Fé de Minas/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Ibiaí/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Montezuma/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Davinopólis/MA
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Tanque/PI
- Coordenação do Pólo Sindical do Pólo de Oeiras/PI
- Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado-CEDAC
- Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas Gerais – CAA
- Projeto Chico Fulô
- Universidade Federal Fluminense
- Federação dos Trabalhadores Rurais de Minas Gerais- FETAEMG
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Mobilização em Santos contra o Novo Código Florestal - 12/02
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
ATENÇÃO: devido ao mau tempo, a mobilização foi adiada para o dia 26/2, também um domingo
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
De volta à Câmara após revisão do Senado, o projeto de reforma do Código Florestal (PL 1876/99) já tem datas previstas para votação – dias 6 e 7 de março.
O movimento Mangue Faz a Diferença, composto por organizações de todos os estados brasileiros que possuem litoral com Mata Atlântica, têm realizado eventos em várias cidades a fim de alertar e mobilizar as pessoas, que culminarão em uma manifestação em Brasília no início de março.
Leia o manifesto da campanha aqui.
Acompanhe notícias da campanha no Facebook: #manguefazadiferenca
No próximo domingo, dia 12 de fevereiro, haverá um ato público na cidade de Santos (SP).
Pretendendo chamar a atenção da comunidade do surf para os impactos que essas regiões sofrem, será realizada uma grande remada em defesa do litoral. A concentração e largada será em frente ao Aquário Municipal, e o percurso vai seguir a orla da cidade pelo mar.
Não-remadores deverão acompanhar o percurso por terra, conversando com os freqüentadores da praia sobre os objetivos da campanha.
Após o ato, haverá uma confraternização em frente ao Aquário, com música ao vivo e sorteios.
Programação:
09h - Concentração - em frente ao Aquário Municipal
09:30h - Retirada do kit #manguefazadiferenca
10:30h - Saída - Percurso do Aquário ao Gonzaga
11:30h - Manifestação Praça da Bandeira
13:30h - Confraternização - em frente ao Aquário
Veja mais informações no blog da Ecosurfi.
ATENÇÃO: devido ao mau tempo, a mobilização foi adiada para o dia 26/2, também um domingo
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De volta à Câmara após revisão do Senado, o projeto de reforma do Código Florestal (PL 1876/99) já tem datas previstas para votação – dias 6 e 7 de março.
O movimento Mangue Faz a Diferença, composto por organizações de todos os estados brasileiros que possuem litoral com Mata Atlântica, têm realizado eventos em várias cidades a fim de alertar e mobilizar as pessoas, que culminarão em uma manifestação em Brasília no início de março.
Leia o manifesto da campanha aqui.
Acompanhe notícias da campanha no Facebook: #manguefazadiferenca
No próximo domingo, dia 12 de fevereiro, haverá um ato público na cidade de Santos (SP).
Pretendendo chamar a atenção da comunidade do surf para os impactos que essas regiões sofrem, será realizada uma grande remada em defesa do litoral. A concentração e largada será em frente ao Aquário Municipal, e o percurso vai seguir a orla da cidade pelo mar.
Não-remadores deverão acompanhar o percurso por terra, conversando com os freqüentadores da praia sobre os objetivos da campanha.
Após o ato, haverá uma confraternização em frente ao Aquário, com música ao vivo e sorteios.
Programação:
09h - Concentração - em frente ao Aquário Municipal
09:30h - Retirada do kit #manguefazadiferenca
10:30h - Saída - Percurso do Aquário ao Gonzaga
11:30h - Manifestação Praça da Bandeira
13:30h - Confraternização - em frente ao Aquário
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
O surfista verde
Matéria inspiradora que li na última edição da revista Brasileiros.
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O surfista verdeSite da Ecosurfi
João Malavolta ensina a pegar onda e, de quebra, organiza mutirões de limpeza de praias, rios e mangues. Promove, também, oficinas e projetos de conservação ambiental. Tudo isso lá em Itanhaém.
texto e fotos Liana JohnJoão Malavolta, fundador da Ecosurfi, retirando lixo da praia
Jornalista por formação, surfista por teimosia, João Malavolta nasceu há 32 anos, em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo. Ou Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, como prefere. Ali se criou e aprendeu a surfar. Conhece aquele mar, identifica cada pedra, sabe de onde sopra o vento e reconhece de longe qualquer mudança na correnteza. E não manifesta a mínima intenção de deixar sua praia de origem para ganhar a vida na cidade grande.
A opção de João foi juntar alguns amigos surfistas e fundar um misto de organização não governamental e escola: a Ecosurfi. Desde 2000, eles promovem mutirões de limpeza de praias, rios e mangues, oficinas e projetos de conservação ambiental e aulas de surfe, além de articular movimentos socioambientais para influir nas políticas públicas de juventude, criança e adolescência, meio ambiente, educação ambiental, recursos hídricos, gerenciamento costeiro, resíduos sólidos e saneamento básico.
Quem está ligado à Ecosurfi acredita que: "Sendo homens do mar, os surfistas devem compactuar na busca incessante pela preservação das praias e oceanos ao redor do nosso planeta". Tal crença se esmiúça em dicas e atividades todas as terças e quintas-feiras, nas aulas ministradas a crianças e adolescentes das escolas de Itanhaém, alguns em clara situação de risco. As aulas são de surfe, claro. Atualmente, são 15 alunos de manhã e 21 à tarde, chova ou faça sol.
As aulas são gratuitas e a condição é estar matriculado na rede pública de ensino. O curso é uma iniciação ao surfe, mesclado com discussão de temas ambientais e participação em projetos realizados com apoio de ONGs sociais e ambientais, como Instituto Akatu, Sea Shepherd, Greenpeace e Fundação SOS Mata Atlântica, entre outras. Algumas atividades são beneficiadas com recursos governamentais, como os do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). Outras contaram, anteriormente, com recursos da prefeitura.
"A maneira de fazer política no Brasil muitas vezes atrapalha os resultados: os políticos querem fazer acordos para liberar verbas e nós queremos praia limpa, rio despoluído. Queremos, acima de tudo, transparência", diz Malavolta. A transparência no ser, no sentir, no falar e no fazer está, inclusive, definida como princípio da Ecosurfi, cuja visão é "Ser uma organização eficiente, inovadora, dinâmica e eficaz no emprego da educação socioambiental no Brasil".
O compromisso ali é com a "justiça socioambiental, a melhoria da qualidade de vida, a defesa do meio ambiente e o fortalecimento da cultura de paz". O engajamento de Malavolta com os princípios e a missão da Ecosurfi é tão definitivo que o nome da ONG-escola está tatuado em seu antebraço.
O ecosurfista prefere apostar na participação dos jovens voluntários a navegar nos meandros da política. "Procuramos mostrar a relação do surfe com as condições das praias", ensina. "As ondas dependem dos bancos de areia no fundo do mar. A erosão e a falta de conservação podem comprometer a qualidade das ondas."Com uma turma de alunos
Malavolta já viajou para muitos lugares atrás de ondas de qualidade. Viu paisagens fantásticas. Isso só será possível com movimentos de preservação. "A gente só preserva o que conhece. O surfe é um esporte que te leva a viajar, a conhecer. É um esporte que depende do oceano limpo, de praia boa. Existe um espírito e uma cultura associados ao esporte, muito além do consumismo de se vestir como surfista. É isso que procuro passar."
Um dos projetos da ONG-escola é estudar a regeneração do junduzal, a vegetação rasteira responsável pela fixação das dunas de areia e controle natural da erosão. "Vamos primeiro levantar as áreas em regeneração e aquelas em estado mais crítico. Estamos preparando mudas em um viveiro e depois vamos promover o replantio do junduzal onde for necessário."
Toda a atividade é fotografada e filmada para abastecer a mídia local e as redes sociais. "Quero que os jovens se apropriem da comunicação para conseguir entender o que foi realizado, as causas e as consequências de todo o processo", afirma ele. "As condições ambientais dependem dos cuidados que partem da base e nós somos essa base, nós fazemos nossas ondas de sustentabilidade."
Inicialmente, poucas pessoas apareciam nos mutirões de limpeza de praia. Agora já são mais de 300. "É nítido que essas pessoas têm o mesmo sentimento, a vontade de doar seu tempo por acreditar que podem fazer a diferença", diz Malavolta. "Vem gente de todas as idades, o apelo ambiental é grande, é uma oportunidade para cada um de se sentir bem."
Cada mutirão chega a reunir até uma tonelada e meia de resíduos. A maioria é de plásticos, que flutuam durante anos, mesmo quando se quebram ou se deterioram. Os resíduos são carregados pelas marés e representam riscos reais para a fauna marinha. Há riscos mecânicos, por exemplo: peixes, tartarugas e aves podem engolir os plásticos, que não são digeridos e permanecem no estômago a ponto de impedir a alimentação e matar os animais de inanição. Peixes e tartarugas também podem se enroscar em plásticos, tornando-se vulneráveis a predadores ou ao afogamento.
Existem ainda os riscos químicos: como são produzidos a partir do petróleo, os plásticos têm afinidade química com poluentes orgânicos persistentes (chamados de POPs) e coletam tais poluentes enquanto flutuam no mar. Ao ingerirem fragmentos de plástico rodados, os animais também se contaminam com os químicos.
Por isso, cada sacolinha, cada frasco retirado do mar conta. Assim como conta - e muito - a atitude de não jogar lixo na praia, no mar, no rio, no mangue. Somam-se a essas contas opções como trocar o carro por bicicleta, por exemplo, sobretudo em uma cidade plana como Itanhaém, razão mais que suficiente para engajar Malavolta em uma campanha por mais ciclovias na cidade.
Em outro projeto - chamado Rio do Nosso Bairro - a Ecosurfi conseguiu envolver quatro escolas de cada um dos nove municípios da Baixada Santista, em um total de 36 escolas. Durante 2010, os alunos participantes levantaram a situação dos rios e córregos de suas regiões, fazendo um diagnóstico e colocando os resultados no mapa, conforme a metodologia internacional Green Maps. Em seguida, foram realizados seminários e uma conferência infanto-juvenil, ao final da qual as escolas assumiram a responsabilidade no cuidado com os cursos d'água. Em vários casos, os projetos foram para frente, com professores e estudantes trabalhando em defesa dos recursos hídricos.
Quando era moleque e ganhou sua primeira prancha do pai, aos 11 anos, Malavolta ia para o mar quase todos os dias. "Tinha o compromisso de ir à escola, mas fora do horário escolar a última alternativa era ficar em casa. Tinha coisa demais para fazer na praia", lembra-se.
Agora, apesar de ter menos tempo livre para a busca incessante da onda perfeita, ele continua surfando. "É o que me reconecta com tudo que acredito. Como todo surfista, acho que sempre vou encontrar uma onda melhor logo adiante." A diferença é que Malavolta não fica apenas esperando a próxima onda quebrar para conferir, mas ajuda na construção permanente desse ideal.Barraca da Ecosurfi em Itanhaém
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Chevron é condenada no Equador a pagar US$ 18 bilhões
Vi nas Manchetes Socioambientais:
(Mais sobre o ecocídio da Chevron no Equador aqui no blog)
Chevron é condenada no Equador a pagar US$ 18 bilhõesO Globo, 5/1, Economia, p.23.
Um tribunal de apelação do Equador confirmou na terça-feira uma bilionária decisão contra a Chevron, que havia sido anunciada em fevereiro de 2011. A petrolífera foi condenada a pagar US$ 18 bilhões por danos aos que acusam a empresa americana de poluir a floresta amazônica e prejudicar a saúde da população. O valor representa um terço do PIB do Equador e, segundo o "Financial Times", é o mais alto por um crime ambiental na História. Inicialmente, um juiz ordenou que a Chevron pagasse US$ 8,6 bilhões por danos ambientais causados pela Texaco - comprada em 2001 -, mas o valor mais que dobrou, para US$ 18 bilhões, porque a empresa não fez um pedido público de desculpas como exigido na decisão original.
(Mais sobre o ecocídio da Chevron no Equador aqui no blog)
domingo, 1 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
Feliz 2012!

"Para ganhar um Ano NovoCarlos Drummond de Andrade
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."
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