No Paquistão, 150 mil crianças por ano morrem de doenças que seriam prevenidas por vacinação
Neste sábado, caro leitor, vou contar uma história que parece mentira. De início, deixo claro que dela tomei conhecimento através de duas fontes dignas de crédito: a revista "Science", publicação oficial da Academia Americana de Ciências, e o jornal inglês "The Guardian".
Obstinadamente empenhada na caça a Bin Laden, a U.S. Central Intelligence Agency (CIA) elaborou um plano que nada fica a dever à melhor ficção científica.
A agência havia recolhido indícios de que o homem mais procurado do mundo viveria pacatamente com os familiares em determinada área da cidade de Abbottabad, no Paquistão, mas desconhecia o local exato, informação necessária para que o grupo de elite, conhecido como Seals, montasse a estratégia para o ataque final.
Segundo o "Guardian", para executar o plano, os agentes da CIA contaram com a ajuda de um colaborador paquistanês, o médico Shakil Afridi, funcionário graduado do serviço público, hoje preso em seu país por haver se mancomunado com agentes estrangeiros no complô descrito a seguir.
Em março deste ano, com a colaboração do doutor Afridi, técnicos de saúde anunciaram uma campanha de vacinação gratuita contra a hepatite B. Para disfarçar o verdadeiro objetivo da empreitada, o programa foi iniciado num dos subúrbios mais pobres de Abbottabad.
Depois de administrar a primeira dose da vacina para os habitantes daquela área suburbana, os técnicos transferiram os equipamentos para uma clínica situada em outro bairro da cidade, justamente nas vizinhanças do local em que supunham encontrar Bin Laden.
A intenção não era simplesmente bisbilhotar as casas em busca daquela em que morava o homem procurado. O plano era mais complexo.
O que os agentes americanos pretendiam era que as enfermeiras encarregadas de aplicar a vacina em seguida colhessem amostras de sangue das crianças. De posse delas, seria feita a separação do DNA para compará-lo com aquele obtido de uma das irmãs de Bin Laden, morta na cidade americana de Boston, em 2010.
Dessa forma, esperavam identificar o DNA de um dos filhos do inimigo para chegar com certeza ao endereço do pai.
É provável que o complô tenha tido êxito, porque as enfermeiras encarregadas de administrar a vacina nos domicílios e colher sangue das crianças obtiveram permissão para entrar na área dos empregados que trabalhavam na residência do homem-alvo.
A esta altura, leitor cético, você estará imaginando que a "Science" e o "Guardian" aceitaram como verdade uma versão fantasiosa, simplesmente porque os seres humanos são dotados de uma boa vontade incrível para acreditar em complôs. Em especial, quando envolvem serviços secretos como a CIA, terrorismo internacional e países exóticos.
Está enganado; o próprio governo americano confirmou os fatos através de um comunicado à imprensa: "A campanha de vacinação foi parte de uma caçada ao maior terrorista do mundo, nada além disso. Foi uma vacinação verdadeira conduzida por profissionais da área médica. Esse tipo de ação não é realizado pela CIA todos os dias".
A Organização Mundial da Saúde, a Unicef, a Cruz Vermelha Internacional e os Médicos sem Fronteiras protestaram veementemente contra o uso de serviços médicos para uma população necessitada com finalidades militares.
No Paquistão, morrem de doenças que seriam prevenidas por vacinação 150 mil crianças por ano. A suspeição e a desconfiança dos paquistaneses em relação aos países ocidentais agravam o problema.
Em 2007, clérigos extremistas muçulmanos lançaram rumores de que as vacinas contra a poliomielite oferecidas à população tinham o propósito de disseminar a Aids e esterilizar meninas muçulmanas. Como resultado, 24 mil famílias se recusaram a vacinar os filhos, e algumas clínicas foram depredadas.
As organizações citadas estão trabalhando com os governos locais para reforçar entre os habitantes a importância e a segurança da imunização.
Sophie Delawney, diretora-executiva dos Médicos sem Fronteiras, resume o que penso a respeito desses acontecimentos: "Existem regras que devem ser obedecidas mesmo durante as guerras. A ética médica é universal".
sábado, 8 de outubro de 2011
O DNA de Bin Laden
Por Drauzio Varella, publicado hoje na Folha; vi no Conteúdo Livre
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Primavera nos EUA?
Declaradamente inspirados na chamada Primavera Árabe, centenas de manifestantes estão acampados há mais de duas semanas na praça Liberty em Nova York, a duas quadras de Wall Street.
O movimento descentralizado, denominado Ocupar Wall Street, protesta contra a corrupção e os privilégios do setor financeiro, representado pelos corretores e executivos de Wall Street, e os auxílios financeiros do governo aos bancos e corporações durante a crise.
No último sábado (01/10), cerca de 1500 manifestantes ocuparam a ponte do Brooklyn, bloqueando o tráfego. A polícia repreendeu a manifestação e prendeu mais de 700 pessoas, com respaldo da prefeitura de Nova York.
Segundo alguns manifestantes, a polícia teria preparado uma armadilha, permitindo que eles ocupassem a pista para, depois de percorrido um terço da ponte, cercá-los e prendê-los. A polícia nega e afirma que deu ordens explícitas para que os manifestantes não ocupassem a pista, e que aqueles que permaneceram na área para pedestres não foram detidos. No entanto, o New York Times diz que, horas antes, já haviam sido despachados 10 caminhões para a área, para transporte de presos, sugerindo que as prisões foram um movimento planejado.

Imagem divulgada no site occupywallst.org, mostrando alteração na cobertura
dos acontecimentos do dia 1 de outubro no site do New York Times:
Às 18h59, a notícia assinada por Colin Moynihan afirmava que "depois de permitir que ocupassem a ponte,
a polícia barrou e prendeu dúzias de manifestantes do Ocupar Wall Street"
Às 19h19, a mesma notícia, agora assinada por Colin Moynihan e Al Baker, dizia que "em um tenso confronto, a polícia prendeu centenas de manifestantes do Ocupar Wall Street após eles marcharem sobre a pista em direção ao Brooklyn"
Apesar da repressão, os protestos estão crescendo.
Manifestações menores estão se espalhando por outras cidades, como a ação "Ocupar Los Angeles", que reuniu centenas de pessoas no sábado. Em Boston, 24 pessoas foram presas em um protesto no Bank of America na sexta-feira.
Os manifestantes em Nova York contam com o apoio de algumas celebridades, como a atriz Susan Sarandon, o diretor Michael Moore e o lingüista Noam Chomsky, e de muitos fuzileiros navais. No sábado, os sindicatos dos trabalhadores do setor siderúrgico, dos professores, do setor de serviços e do setor de transportes declararam apoio ao movimento. Uma grande manifestação conjunta está sendo anunciada para a próxima quarta-feira.
Leia a seguir o primeiro comunicado oficial do Ocupar Wall Street (tradução de Idelber Avelar, da revista Fórum; original no site occupywallst.org):
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Assim como outros tantos protestos descentralizados realizados atualmente, o Ocupar Wall Street parece pecar pela falta de objetivos comuns (segundo alguns manifestantes, "não importa contra o quê você proteste, venha protestar!") e pela falta de profundidade dos questionamentos. Os pontos de objeção são certamente pertinentes, mas poucos parecem procurar as causas por trás deles.
As grandes corporações e os multimilionários ("o 1% da população que detém 50% da riqueza") controlam a política, e isto dificilmente vai mudar. Mas quero ser otimista e desejar sucesso aos manifestantes; pelo menos o fim da isenção de impostos dos mais ricos já seria uma grande conquista para os estadunidenses.
No entanto, seria ingenuidade esperar mudanças na essência do sistema capitalista americano.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Para entender a revolta:
Assista o documentário vencedor do Oscar Trabalho Interno ("Inside Job"), sobre o poder e os podres de Wall Street. Veja o trailer:
O movimento descentralizado, denominado Ocupar Wall Street, protesta contra a corrupção e os privilégios do setor financeiro, representado pelos corretores e executivos de Wall Street, e os auxílios financeiros do governo aos bancos e corporações durante a crise.
"Somos os 99% da população que não toleram mais a ganância e a corrupção do 1% restante", diz o site do movimento, occupywallst.org
No último sábado (01/10), cerca de 1500 manifestantes ocuparam a ponte do Brooklyn, bloqueando o tráfego. A polícia repreendeu a manifestação e prendeu mais de 700 pessoas, com respaldo da prefeitura de Nova York.
Segundo alguns manifestantes, a polícia teria preparado uma armadilha, permitindo que eles ocupassem a pista para, depois de percorrido um terço da ponte, cercá-los e prendê-los. A polícia nega e afirma que deu ordens explícitas para que os manifestantes não ocupassem a pista, e que aqueles que permaneceram na área para pedestres não foram detidos. No entanto, o New York Times diz que, horas antes, já haviam sido despachados 10 caminhões para a área, para transporte de presos, sugerindo que as prisões foram um movimento planejado.

dos acontecimentos do dia 1 de outubro no site do New York Times:
Às 18h59, a notícia assinada por Colin Moynihan afirmava que "depois de permitir que ocupassem a ponte,
a polícia barrou e prendeu dúzias de manifestantes do Ocupar Wall Street"
Às 19h19, a mesma notícia, agora assinada por Colin Moynihan e Al Baker, dizia que "em um tenso confronto, a polícia prendeu centenas de manifestantes do Ocupar Wall Street após eles marcharem sobre a pista em direção ao Brooklyn"
Apesar da repressão, os protestos estão crescendo.
Manifestações menores estão se espalhando por outras cidades, como a ação "Ocupar Los Angeles", que reuniu centenas de pessoas no sábado. Em Boston, 24 pessoas foram presas em um protesto no Bank of America na sexta-feira.
Os manifestantes em Nova York contam com o apoio de algumas celebridades, como a atriz Susan Sarandon, o diretor Michael Moore e o lingüista Noam Chomsky, e de muitos fuzileiros navais. No sábado, os sindicatos dos trabalhadores do setor siderúrgico, dos professores, do setor de serviços e do setor de transportes declararam apoio ao movimento. Uma grande manifestação conjunta está sendo anunciada para a próxima quarta-feira.
Leia a seguir o primeiro comunicado oficial do Ocupar Wall Street (tradução de Idelber Avelar, da revista Fórum; original no site occupywallst.org):
Este comunicado foi votado unanimemente pelos membros do Ocupar Wall Street, por volta das 20:00 do dia 29 de setembro. É nosso primeiro documento oficial. Temos outros três em preparação, que provavelmente serão lançados nos próximos dias: 1) uma declaração de demandas do movimento; 2) princípios de solidariedade; 3) documentação sobre como formar o seu próprio Grupo de Ocupação de Democracia Direta.
Este é um documento vivo. Você pode receber uma cópia oficial da última versão pelo e-mail c2anycga@gmail.com.
Ao nos reunirmos em solidariedade para expressar um sentimento de injustiça massiva, não devemos perder de vista aquilo que nos reuniu. Escrevemos para que todas as pessoas que se sentem atingidas pelas forças corporativas do mundo saibam que somos suas aliadas.
Unidos como povo, reconhecemos a realidade: que o futuro da raça humana exige a cooperação de seus membros; que nosso sistema deve proteger nossos direitos e que, ante a corrupção desse sistema, resta aos indivíduos a proteção de seus próprios direitos e daqueles de seus vizinhos; que um governo democrático deriva seu justo poder do povo, mas as corporações não pedem permissão para extrair riqueza do povo e da Terra; e que nenhuma democracia real é atingível quando o processo é determinado pelo poder econômico. Nós nos aproximamos de vocês num momento em que as corporações, que colocam o lucro antes das pessoas, o interesse próprio antes da justiça, e a opressão antes da igualdade, controlam nosso governo. Nós nos reunimos aqui, pacificamente, em asssembleia, como é de direito nosso, para tornar esses fatos públicos.
Elas tomaram nossas casas através de um processo de liquidação ilegal, apesar de que não eram donos da hipoteca original.
Elas receberam impunemente socorro financeiro tirado dos contribuintes, e continuam dando bônus exorbitantes a seus executivos.
Elas perpetuaram a desigualdade e a discriminação no local de trabalho, baseados em idade, cor da pele, sexo, identidade de gênero e orientação sexual.
Elas envenenaram a oferta de comida pela negligência e destruíram a agricultura familiar através do monopólio.
Elas lucraram com a tortura, o confinamento e o tratamento cruel de incontáveis animais não-humanos, e deliberadamente escondem essas práticas.
Elas continuamente arrancaram dos empregados o direito de negociar melhores salários e condições de trabalho mais seguras.
Elas mantiveram os estudantes reféns com dezenas de milhares de dólares em dívidas pela educação, que é, em si mesma, um direito humano.
Elas consistentemente terceirizaram o trabalho e usaram essa terceirização como alavanca para cortar salários e assistência médica dos trabalhadores.
Elas influenciaram os tribunais para que tivessem os mesmos direitos que os seres humanos, sem qualquer das culpabilidades ou responsabilidades.
Elas gastaram milhões de dólares com equipes de advogados para encontrar formas de escapar de seus contratos de seguros de saúde.
Elas venderam nossa privacidade como se fosse mercadoria.
Elas usaram o exército e a polícia para impedir a liberdade de imprensa.
Elas deliberadamente se recusaram a recolher produtos danificados que ameaçavam as vidas das pessoas, tudo em nome do lucro.
Elas determinaram a política econômica, apesar dos fracassos catastróficos que essas políticas produziram e continuam a produzir.
Elas doaram enormes quantidades de dinheiro a políticos cuja obrigação era regulá-las.
Elas continuam a bloquear formas alternativas de energia para nos manter dependentes do petróleo.
Elas continuam a bloquear formas genéricas de remédios que poderiam salvar vidas das pessoas para proteger investimentos que já deram lucros substanciais.
Elas deliberadamente esconderam vazamentos de petróleo, acidentes, arquivos falsificados e ingredientes inativos, tudo na busca do lucro.
Elas deliberadamente mantiveram as pessoas malinformadas e medrosas através de seu controle da mídia.
Elas aceitaram contratos privados para assassinar prisioneiros mesmo quando confrontadas com dúvidas sérias acerca de sua culpa.
Elas perpetuaram o colonialismo dentro e fora do país.
Elas participaram da tortura e do assassinato de civis inocentes em outros países.
Elas continuam a criar armas de destruição em massa para receber contratos do governo.
Para os povos do mundo,
Nós, a Assembleia Geral de Nova York que ocupa Wall Street na Praça Liberdade, os convocamos a que façam valer o seu poder.
Exercitem o seu direito a assembleias pacíficas; ocupem os espaços públicos; criem um processo que lide com os problemas que enfrentamos; e gerem soluções acessíveis a todos.
A todas as comunidades que formem grupos e ajam no espírito da democracia direta, nós oferecemos apoio, documentação e todos os recursos que temos.
Juntem-se a nós e façam com que suas vozes sejam ouvidas!
*Estas demandas não são exaustivas.
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Assim como outros tantos protestos descentralizados realizados atualmente, o Ocupar Wall Street parece pecar pela falta de objetivos comuns (segundo alguns manifestantes, "não importa contra o quê você proteste, venha protestar!") e pela falta de profundidade dos questionamentos. Os pontos de objeção são certamente pertinentes, mas poucos parecem procurar as causas por trás deles.
As grandes corporações e os multimilionários ("o 1% da população que detém 50% da riqueza") controlam a política, e isto dificilmente vai mudar. Mas quero ser otimista e desejar sucesso aos manifestantes; pelo menos o fim da isenção de impostos dos mais ricos já seria uma grande conquista para os estadunidenses.
No entanto, seria ingenuidade esperar mudanças na essência do sistema capitalista americano.
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Para entender a revolta:
Assista o documentário vencedor do Oscar Trabalho Interno ("Inside Job"), sobre o poder e os podres de Wall Street. Veja o trailer:
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sábado, 1 de outubro de 2011
Ecocídio pode virar crime contra a humanidade
Definição, traduzida do site Eradicating Ecocide ("erradicando o ecocídio"):
Esta foi a definição apresentada à ONU pela advogada ambiental Polly Higgins (www.pollyhiggins.com) - mas o termo já existia.
Ela lidera uma campanha para que o Tribunal Criminal Internacional inclua "ecocídio" na lista de crimes contra a humanidade.
Se for a votação, a proposta precisa ser aprovada por, pelo menos, 86 dos 116 países signatários.
A Suprema Corte do Reino Unido realizou ontem a simulação de julgamento de um caso fictício de ecocídio, com juiz de verdade, advogados de verdade, júri de verdade e um réu, o diretor de uma gigante do petróleo (interpretado por um ator).
O diretor foi acusado de ser responsável por um derramamento sem precedentes no Golfo do México e por um desastre decorrente da extração de óleo de areias betuminosas no Canadá.
Segundo os organizadores, o debate levantou questões importantes, como a divisão da culpa entre governos e empresas e as formas de medição dos danos. Depois de horas de argumentação, o júri considerou o CEO parcialmente culpado pelos desastres (informações do site da Istoé).
O julgamento foi transmitido ao vivo pela internet, e os vídeos serão disponibilizados em breve.
*~*~*~*~*~*~*~*~*
Veja dez exemplos de ecocídio, listados no site Eradicating Ecocide:
1) A exploração das areias betuminosas na província de Alberta, Canadá

A exploração de areias betuminosas no Canadá para obtenção de petróleo
é considerada "o projeto mais destrutivo da Terra"
Foto de Peter Essick - National Geographic
2) A "ilha" de lixo do oceano pacífico
(Taí um pelo qual eu gostaria de saber quem seria apontado culpado!)

Há cinco depósitos de lixo (principalmente plástico) nos oceanos, que se formam nas áreas chamadas "giros", onde as correntes marítimas têm um movimento circular.
O maior deles fica no Pacífico Norte, entre os Estados Unidos e o Japão. Não se sabe exatamente o seu tamanho, mas estimativas a partir das correntes sugerem que pode ser maior que a área dos EUA.
Reportagem da ABC News sobre o acúmulo de lixo no Oceano Pacífico:
(não tem legendas, mas as imagens dizem muito)
3) O Delta do Níger, Nigéria

Petróleo vaza no Delta do rio Níger há 50 anos.
O desastre ecológico agravou e causou diversos problemas sociais,
em uma área tradicionalmente ocupada por comunidades de pescadores.
Foto tirada em 03/2011, próximo a uma refinaria ilegal nos mangues de Ogoniland
(AP Photo/Sunday Alamba)
4) A mineração no fundo do mar
Pouco se sabe sobre os impactos que essa nova forma de exploração de recursos naturais poderia causar, mas, assim como a exploração de petróleo, é uma atividade de alto risco e alto potencial destrutivo.
5) A erupção do vulcão Lusi, na Indonésia

O vulcão entrou em erupção em maio de 2006, e ainda hoje jorra lama fervente. A erupção levou ao deslocamento de cerca de 50mil pessoas, e soterrou 12 vilas.
Em uma conferência em 2008, cientistas concluíram que a exploração de gás natural foi a causa da erupção.
Estima-se que a lama continuará jorrando por, pelo menos, mais 20 anos.
6) A mina de cobre de Bingham Canyon, Estados Unidos

Trata-se da maior mina da Terra, e é explorada desde 1906.
Veja uma imagem da mina em 360 graus.
7) O derramamento de resíduos tóxicos no Equador
A Texaco (comprada pela Chevron em 2001) começou a extrair petróleo na Amazônia equatoriana na década de 1960.
Após 23 anos de operações, havia derramado 64 milhões de litros de petróleo e 68 bilhões de litros de água contaminada e tóxica, segundo a organização ambientalista Amazon Watch.
A batalha legal entre a Chevron e 30 mil equatorianos afetados já dura mais de 18 anos.
Veja mais informações aqui no blog, e no site Chevrontoxico
8) A cidade de Tianying, China

Uma das cidades mais poluídas do mudo, Tianying produz metade do chumbo do país. O resultado é uma atmosfera impregnada de chumbo e outros metais pesados.
Em 2007, a concentração de chumbo no ar e no solo eram, respectivamente,
8,5 e 10 vezes maiores que os níveis aceitáveis nacionais.
Informações: worstpolluted.org
9) O desmatamento da Amazônia

Ói nóis!
Orgulhoso?
(Foto de Jamil Bittar/Reuters)
10) A extração de petróleo no Ártico

O Ártico abriga um ecossistema frágil que atualmente está sofrendo grandes mudanças,
e um grande número de espécies em extinção, como o urso polar e a baleia azul.
Estima-se que 30% do gás e 13% do óleo ainda não descobertos no mundo estão no Ártico. Se explorados, podem ser responsáveis por uma emissão de CO2 equivalente à do mundo inteiro em um ano.
Ninguém faz idéia de como limpar petróleo sob o gelo. Nas águas frias, o óleo demora mais tempo para se dispersar, e o gelo atrapalharia a aproximação de embarcações em caso de emergência. Segundo o Greenpeace, devido às condições climáticas, um vazamento na temporada de perfuração só poderia ser contido no ano seguinte.
O Serviço de Administração de Minerais dos EUA estima que as chances de ocorrer um derramamento de petróleo na região são de 20%, para cada bloco de concessões. Quanto mais blocos, maiores as probabilidades.
Mesmo assim, o Serviço liberou a exploração no Alasca.
Populações nativas protestam, pois sofrerão grande impacto socioeconômico.
A Rússia recentemente mudou a lei para permitir que novas plataformas de extração de petróleo se estabeleçam
sem estudos de impacto ambiental.
A imagem é do blog Bush Warriors, que questiona: será o Ártico o próximo Delta do Níger?
Ecocídio: destruição extensa, dano a ou perda de ecossistema(s) em determinado território, por ação humana ou outras causas, em tal proporção que o aproveitamento pacífico do território por seus habitantes tenha sido severamente prejudicado.
Esta foi a definição apresentada à ONU pela advogada ambiental Polly Higgins (www.pollyhiggins.com) - mas o termo já existia.Ela lidera uma campanha para que o Tribunal Criminal Internacional inclua "ecocídio" na lista de crimes contra a humanidade.
Se for a votação, a proposta precisa ser aprovada por, pelo menos, 86 dos 116 países signatários.
A Suprema Corte do Reino Unido realizou ontem a simulação de julgamento de um caso fictício de ecocídio, com juiz de verdade, advogados de verdade, júri de verdade e um réu, o diretor de uma gigante do petróleo (interpretado por um ator).
O diretor foi acusado de ser responsável por um derramamento sem precedentes no Golfo do México e por um desastre decorrente da extração de óleo de areias betuminosas no Canadá.
Segundo os organizadores, o debate levantou questões importantes, como a divisão da culpa entre governos e empresas e as formas de medição dos danos. Depois de horas de argumentação, o júri considerou o CEO parcialmente culpado pelos desastres (informações do site da Istoé).
O julgamento foi transmitido ao vivo pela internet, e os vídeos serão disponibilizados em breve.
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Veja dez exemplos de ecocídio, listados no site Eradicating Ecocide:
1) A exploração das areias betuminosas na província de Alberta, Canadá

é considerada "o projeto mais destrutivo da Terra"
Foto de Peter Essick - National Geographic
2) A "ilha" de lixo do oceano pacífico
(Taí um pelo qual eu gostaria de saber quem seria apontado culpado!)

O maior deles fica no Pacífico Norte, entre os Estados Unidos e o Japão. Não se sabe exatamente o seu tamanho, mas estimativas a partir das correntes sugerem que pode ser maior que a área dos EUA.
Reportagem da ABC News sobre o acúmulo de lixo no Oceano Pacífico:
(não tem legendas, mas as imagens dizem muito)
3) O Delta do Níger, Nigéria

O desastre ecológico agravou e causou diversos problemas sociais,
em uma área tradicionalmente ocupada por comunidades de pescadores.
Foto tirada em 03/2011, próximo a uma refinaria ilegal nos mangues de Ogoniland
(AP Photo/Sunday Alamba)
4) A mineração no fundo do mar
Pouco se sabe sobre os impactos que essa nova forma de exploração de recursos naturais poderia causar, mas, assim como a exploração de petróleo, é uma atividade de alto risco e alto potencial destrutivo.
5) A erupção do vulcão Lusi, na Indonésia

Em uma conferência em 2008, cientistas concluíram que a exploração de gás natural foi a causa da erupção.
Estima-se que a lama continuará jorrando por, pelo menos, mais 20 anos.
6) A mina de cobre de Bingham Canyon, Estados Unidos

Veja uma imagem da mina em 360 graus.
7) O derramamento de resíduos tóxicos no Equador
A Texaco (comprada pela Chevron em 2001) começou a extrair petróleo na Amazônia equatoriana na década de 1960.
Após 23 anos de operações, havia derramado 64 milhões de litros de petróleo e 68 bilhões de litros de água contaminada e tóxica, segundo a organização ambientalista Amazon Watch.
A batalha legal entre a Chevron e 30 mil equatorianos afetados já dura mais de 18 anos.
Veja mais informações aqui no blog, e no site Chevrontoxico
8) A cidade de Tianying, China

Em 2007, a concentração de chumbo no ar e no solo eram, respectivamente,
8,5 e 10 vezes maiores que os níveis aceitáveis nacionais.
Informações: worstpolluted.org
9) O desmatamento da Amazônia

Orgulhoso?
(Foto de Jamil Bittar/Reuters)
10) A extração de petróleo no Ártico

e um grande número de espécies em extinção, como o urso polar e a baleia azul.
Estima-se que 30% do gás e 13% do óleo ainda não descobertos no mundo estão no Ártico. Se explorados, podem ser responsáveis por uma emissão de CO2 equivalente à do mundo inteiro em um ano.
Ninguém faz idéia de como limpar petróleo sob o gelo. Nas águas frias, o óleo demora mais tempo para se dispersar, e o gelo atrapalharia a aproximação de embarcações em caso de emergência. Segundo o Greenpeace, devido às condições climáticas, um vazamento na temporada de perfuração só poderia ser contido no ano seguinte.
O Serviço de Administração de Minerais dos EUA estima que as chances de ocorrer um derramamento de petróleo na região são de 20%, para cada bloco de concessões. Quanto mais blocos, maiores as probabilidades.
Mesmo assim, o Serviço liberou a exploração no Alasca.
Populações nativas protestam, pois sofrerão grande impacto socioeconômico.
A Rússia recentemente mudou a lei para permitir que novas plataformas de extração de petróleo se estabeleçam
sem estudos de impacto ambiental.
A imagem é do blog Bush Warriors, que questiona: será o Ártico o próximo Delta do Níger?
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Qual é o problema com a propaganda da Hope com a Gisele Bündchen?
A Secretaria de Políticas para Mulheres do governo federal pediu ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) a suspensão do campanha publicitária "Hope ensina" (veja na Carta Capital - que até apelidou a Gisele de "Amélia Bündchen"!).
O caso está entre os dez assuntos mais comentados de hoje no twitter e, pelos comentários da maioria dos usuários, deu pra ver que quase ninguém entendeu qual é o problema.

A campanha consiste em três comerciais "educativos", que "ensinam" o jeito "certo" (de lingerie, salto agulha e em uma pose sedutora) e o jeito "errado" (vestida) de dar uma má notícia para o "maridão".
Em um desses comerciais, intitulado "Estourei o Cartão", a má notícia é que ela estourou o limite do cartão de crédito (dele).
A propagando está reforçando dois estereótipos: o homem como "o provedor" e a mulher como "a viciada em compras descontrolada".
Em outro, "Bati o Carro", ela precisa contar que bateu o carro dele (e de novo, com o "de novo" em destaque).
Mais uma vez, reforça a idéia de que o homem é o provedor (por que ela não tem um carro dela?), e também reforça o mito de que mulheres dirigem mal (quando, de fato, mulheres dirigem muito melhor que os homens, tanto que seguro de carro é mais barato para mulheres).
Além disso tudo, a campanha reforça o estereótipo de femme fatale, que usa o sexo para controlar os homens.
E os comerciais ainda terminam com o narrador dizendo "você é brasileira, use seu charme", reforçando o estereótipo de puta mulher sensual que a mulher brasileira tem (não, isso não é bom!).
Ninguém tem nada contra a Gisele Bündchen nem acha ruim o fato dela aparecer de calcinha e sutiã na televisão, viu, povo burro do Twitter?
Mas na mesma época em que temos nossa primeira presidentA, e uma mulher faz o discurso inaugural na Assembléia Geral da ONU pela primeira vez na História, as mulheres ainda são vítima de violência doméstica (faltou a propaganda contar o que acontece com a mulher que der a notícia "do jeito errado"... Será que ela apanha?), ainda sofrem assédio e abuso sexual de estranhos e de conhecidos, ainda ganham menos que os homens... e muita gente no exterior associa brasileiras a prostitutas, ou turismo no Brasil a turismo sexual.
(e a gente continua reforçando isso... quantas vezes você já viu uma entrevista em que o repórter NÃO pergunta a um artista que veio pra cá o que achou das mulheres brasileiras? Argh!)
Não precisamos de comerciais que reforcem tudo isso!
Parabéns à Secretaria de Políticas para Mulheres!
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A Hope divulgou a seguinte nota em resposta à Secretaria:
(e estou longe de ser a única - leiam a perspectiva publicitária da Marjorie Rodrigues, que é ótima!)
O caso está entre os dez assuntos mais comentados de hoje no twitter e, pelos comentários da maioria dos usuários, deu pra ver que quase ninguém entendeu qual é o problema.

A campanha consiste em três comerciais "educativos", que "ensinam" o jeito "certo" (de lingerie, salto agulha e em uma pose sedutora) e o jeito "errado" (vestida) de dar uma má notícia para o "maridão".Em um desses comerciais, intitulado "Estourei o Cartão", a má notícia é que ela estourou o limite do cartão de crédito (dele).
A propagando está reforçando dois estereótipos: o homem como "o provedor" e a mulher como "a viciada em compras descontrolada".
Em outro, "Bati o Carro", ela precisa contar que bateu o carro dele (e de novo, com o "de novo" em destaque).
Mais uma vez, reforça a idéia de que o homem é o provedor (por que ela não tem um carro dela?), e também reforça o mito de que mulheres dirigem mal (quando, de fato, mulheres dirigem muito melhor que os homens, tanto que seguro de carro é mais barato para mulheres).
Além disso tudo, a campanha reforça o estereótipo de femme fatale, que usa o sexo para controlar os homens.
E os comerciais ainda terminam com o narrador dizendo "você é brasileira, use seu charme", reforçando o estereótipo de
Ninguém tem nada contra a Gisele Bündchen nem acha ruim o fato dela aparecer de calcinha e sutiã na televisão, viu, povo burro do Twitter?
Mas na mesma época em que temos nossa primeira presidentA, e uma mulher faz o discurso inaugural na Assembléia Geral da ONU pela primeira vez na História, as mulheres ainda são vítima de violência doméstica (faltou a propaganda contar o que acontece com a mulher que der a notícia "do jeito errado"... Será que ela apanha?), ainda sofrem assédio e abuso sexual de estranhos e de conhecidos, ainda ganham menos que os homens... e muita gente no exterior associa brasileiras a prostitutas, ou turismo no Brasil a turismo sexual.
(e a gente continua reforçando isso... quantas vezes você já viu uma entrevista em que o repórter NÃO pergunta a um artista que veio pra cá o que achou das mulheres brasileiras? Argh!)
Não precisamos de comerciais que reforcem tudo isso!
Parabéns à Secretaria de Políticas para Mulheres!
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A Hope divulgou a seguinte nota em resposta à Secretaria:
"Em relação às denúncias recebidas por essa Secretaria por conta da campanha publicitária “HOPE ensina”, a HOPE, empresa com 45 anos de história e que sempre primou pela excelente relação com as suas consumidoras, esclarece que a propaganda teve o objetivo claro e bem definido de mostrar, de forma bem-humorada, que a sensualidade natural da mulher brasileira, reconhecida mundialmente, pode ser uma arma eficaz no momento de dar uma má notícia. E que utilizando uma lingerie HOPE seu poder de convencimento será ainda maior.Sinceramente, eu acho que a resposta saiu tão ruim quanto os comerciais!
Os exemplos nunca tiveram a intenção de parecer sexistas, mas sim, cotidianos de um casal. Bater o carro, extrapolar nas compras ou ter que receber uma nova pessoa em sua casa por tempo indeterminado são fatos desagradáveis que podem acontecer na vida de qualquer casal, seja o agente da ação homem ou mulher.
Foi exatamente para evitar que fôssemos analisados sob o viés da subserviência ou dependência financeira da mulher que utilizamos a modelo Gisele Bundchen, uma das brasileiras mais bem sucedidas internacionalmente. Gisele está ali para evidenciar que todas as situações apresentadas na campanha são brincadeiras, piadas do dia-a-dia, e em hipótese alguma devem ser tomadas como depreciativas da figura feminina. Seria absurdo se nós, que vivemos da preferência das mulheres, tomássemos qualquer atitude que desvalorizasse nosso público consumidor."
(e estou longe de ser a única - leiam a perspectiva publicitária da Marjorie Rodrigues, que é ótima!)
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Mafalda completa 47 anos
O (brilhante) cartunista Joaquin Salvador Lavado, conhecido como Quino, publicou as primeiras tiras com a personagem Mafalda no dia 29 de setembro de 1964, na revista argentina Primera Plana.


Primeiras tiras de Mafalda
Mafalda era fã dos Beatles e detestava sopa. Estava sempre questionando os problemas do mundo, e sonhava ser intérprete da ONU quando crescesse.
Minha mãe tinha uma série de livros com as tirinhas, e eu cresci lendo Mafalda!
Depois, quando eu tinha uns 8 anos mais ou menos, foi lançado o livro Toda Mafalda. Eu lia toda noite antes de dormir. Muitas vezes caía no sono em cima do livro, e ele acabou ficando todo arrebentado, tadinho... mas ainda está aqui na minha estante e é muito querido!
Mais algumas ótimas tirinhas com a Mafalda:








Mafalda era fã dos Beatles e detestava sopa. Estava sempre questionando os problemas do mundo, e sonhava ser intérprete da ONU quando crescesse.
Minha mãe tinha uma série de livros com as tirinhas, e eu cresci lendo Mafalda!
Depois, quando eu tinha uns 8 anos mais ou menos, foi lançado o livro Toda Mafalda. Eu lia toda noite antes de dormir. Muitas vezes caía no sono em cima do livro, e ele acabou ficando todo arrebentado, tadinho... mas ainda está aqui na minha estante e é muito querido!
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