segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Qualquer maneira de amor vale a pena...

diversidade sexual Eu não entendo por que tantas pessoas se sentem ameaçadas pelos homossexuais.

A cada dois dias um homossexual morre no Brasil!


Recentemente, vieram à tona diversos casos de violência contra homossexuais no Brasil. Apenas alguns exemplos:

- no dia 22 de outubro, um aluno de biologia da USP e seu namorado, estudante de arquitetura, foram vítimas de agressão gratuita, verbal e física, em uma festa da ECA, diante de negligência por parte dos seguranças da festa.

- dia 07 de novembro, um travesti foi encontrado morto a pedradas em Tubarão (SC), e consta que é o 14º travesti assassinado na região.

- dia 14 de novembro, cinco rapazes - um de 19 anos, um de 17 e três de 16 - agrediram quatro pessoas na Avenida Paulista, ao que tudo indica com motivação homofóbica. Uma das agressões foi filmada por uma câmera de segurança e exibida em telejornais, mostrando um dos agressores quebrar duas lâmpadas fluorescentes na cabeça de um rapaz que passava pela calçada no sentido oposto. Um segurança do prédio socorreu o rapaz.
Os agressores foram presos, mas soltos em seguida, e seus pais afirmam ter sido "apenas uma briga". O pai de Jonathan Lauton Domingues, único maior preso, afirmou que o filho "foi assediado por homossexuais. Ele pediu para parar, eles não pararam. Aí, virou briga".
É um argumento recorrente, quando se lê opiniões a respeito desses casos: "ser gay não é problema, desde que não venha me cantar". Parece que espancar (ou matar?) homossexuais que passam cantadas é legítimo.
(oba! Podemos bater nos caras que nos passam cantadas na rua, também? Vou já comprar lâmpadas fluorescentes; isso deve ser divertido!)
ferimento por tiro de militar homofóbico
- no mesmo dia, 14 de novembro, algumas horas depois da Parada Gay do Rio de Janeiro, alguns jovens estavam namorando no Arpoador quando foram abordados por oficiais do exército. Um sargento deu um tiro de fuzil em um estudante. A bala perfurou a barriga e saiu pelas costas. Felizmente, o rapaz sobreviveu.
O sargento afirma que o tiro foi "acidental".

- 21 de novembro, o criador da série para a web "Apenas Heróis" (de temática GLS), Daniel Sena, foi agredido em Salvador. Ele foi atacado por três homens, que o espancaram, obrigaram a comer terra e beber gasolina e ameaçaram violentá-lo com uma barra de ferro.

- 23 de novembro, em um debate na TV Câmara sobre a "Lei da Palmada", o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) defendeu agressões físicas para mudar o comportamento de jovens homossexuais.
Entrevistado pela Folha, ele manteve a posição: "Se o garoto anda com maconheiro, ele vai acabar cheirando, e se anda com gay, vai virar boiola com toda certeza. Nesse momento, umas palmadas nele coloca (sic) o garoto no rumo certo"

- no mesmo dia, neonazistas ameaçam travestis e dizem que Parada Livre de Porto Alegre será "alvo", em telefonema para a sede do Igualdade — Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul. Segundo Marcelly Malta, presidente do grupo, dois travestis foram assassinados em Porto Alegre este ano.

Além de nossas fronteiras, a coisa também está feia.

Orientação sexual foi retirada da lista da ONU de motivos discriminatórios para execuções. O que significa que a Organização não condena mais que se mate homossexuais e bissexuais apenas pelo fato de o serem.
Uma resolução da ONU afirma que todas as pessoas têm o direito à vida, e faz um apelo aos países que não ratifiquem e que investiguem mortes com base discriminatória, como etnia, crença religiosa e minoria lingüística. Orientação sexual constava da lista, até o último dia 17, quando foi retirada por 79 votos a 70.
Dos 79 países que votaram a favor, 5 aplicam pena capital contra homossexuais, e outros - como Uganda - estão considerando acrescentar a pena de morte em suas leis que criminalizam a homossexualidade.

Acho que parte dessa divisão está relacionada com a discussão se a orientação sexual é uma escolha, ou é algo da "natureza" da pessoa. Acho que, na cabeça de muita gente, se uma pessoa nasce gay, condená-la à morte por isso seria contrário ao direito fundamental à vida. Mas se, pelo contrário, a homossexualidade for uma opção, os países teriam mais liberdade para criminalizá-la.
Considero essa discussão simplesmente inútil.
Eu tenho olhos castanhos, sou fã do U2 e heterossexual.
Acabo de citar três características minhas. Elas não me definem, mas são parte do que eu sou. Não importa realmente se eu nasci com algumas delas ou se eu as adquiri a partir de minhas experiências de vida. Se eu não estou prejudicando ninguém, por que alguém me pressionaria para mudar qualquer uma dessas características? Ou pior, me condenaria à morte por uma delas, sem que eu tenha feito mal a ninguém?
Agora, acredito que ninguém possa "escolher" por quem se sentir atraído. As pessoas podem escolher com quem se relacionar. Podem se relacionar com pessoas de quem não gostam e ser infelizes pelo resto da vida, mas não podem controlar seus sentimentos.
(e uma ressalva que, como bióloga, eu não posso deixar de fazer: nenhuma característica de nenhum ser vivo é totalmente "inata" ou totalmente "adquirida pela experiência")


Bullying homofóbico

Muitos adolescentes e pré-adolescentes cometem suicídio todos os anos por sofrerem preconceito por ser diferentes. Muitas vezes, o preconceito vêm dos próprios pais. Quem nunca ouviu alguém dizer que "prefere um filho morto a um filho gay"?

Vídeo: reportagem sobre o suicídio de um garoto de 14 anos, no Profissão Repórter


Nos Estados Unidos, uma campanha de depoimentos em vídeo, intitulada It Gets Better (algo como "vai melhorar") procura oferecer esperança a eses jovens. Até o presidente Obama participou:



PLC 122/2006
O PLC 122/06 é um projeo de lei em tramitação no Senado que pune a discriminação baseada na orientação sexual ou na identidade de gênero.
Se você concorda com o projeto, assine o abaixo-assinado!

abaixo-assinado a favor da PLC 122/6
Uma vez, acho que eu tinha uns 13 anos, estava descobrindo a internet e fui debater sobre homossexualidade num site, uma espécie de ancestral do Orkut que não existe mais há anos.
Eu perguntei por que as pessoas eram contra a homossexualidade. Um cara respondeu que não gostava de homossexuais "porque eles molestam garotinhos".
Eu respondi "puxa, não tinha pensado nisso! Vamos odiar os homens heterossexuais também, então, por molestarem garotinhas!"
O cara não se manifestou mais...

Caso alguém ainda tenha a falta de senso crítico para dizer algo parecido com o que o cara disse, sugiro procurar as palavras "homossexual" e "pedófilo" no dicionário. Elas não são sinônimos, ok?

Heterossexuais, homossexuais, bissexuais, transgêneros... são todos seres humanos, com virtudes e defeitos, e que merecem ter os mesmos direitos.

Qual é a justificativa para impedir que duas pessoas que se amam construam uma vida juntas?
Para que não se permita que duas pessoas que viveram juntas a maior parte de sua vida sejam reconhecidas como um casal? Para impedir uma pessoa de visitar quem ela ama no hospital por não ser oficialmente da família, independente de quantos anos elas viveram juntas?

Por que não aprovar o casamento gay, como fez recentemente a Argentina?
(para os assustados: o casamento legalmente aceito é o civil. Um casamento religioso pode - ou não - valer como civil. Mas aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo não significa dois homens ou duas mulheres no altar. Isso não depende da lei, depende de cada igreja. Uma igreja pode, hoje, realizar cerimônias de casamento para casais do mesmo sexo; elas só não terão valor legal)

Aqui está uma lista de países que reconhecem legalmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo (fonte: Wikipedia):
África do Sul, Argentina, Bélgica, Canadá, Espanha, Islândia, Noruega, Países Baixos, Portugal, Suécia e alguns estados (Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont, Washington D.C.) dos EUA.

o que há de tão ofensivo em um beijo?
Imagem publicada no tablóide britâncio One80news em junho de 2008

Faz sentido a imagem de dois homens se beijando ser mais chocante do que a imagem de dois homens se matando?

Termino citando o que a Lola escreveu - e eu adorei - no blog Escreva Lola Escreva:
"Não ser gay não é ser homofóbico. Os 90% da população que não é homossexual deveria ficar na sua e deixar os gays em paz. É totalmente absurdo odiar alguém por el@ ser diferente. Não compreendo essa necessidade de gastar tanta energia com algo que não lhe diz respeito. Tipo: eu não gosto de banana. Então o que faço? Ué, eu não como banana. Se alguém me oferece banana, eu agradeço e digo “Não, obrigada”. Quando vou a um buffet por quilo, não fico apontando pras bananas à milanesa e fazendo cara de nojo. Tampouco as procuro pra poder destrui-las com um garfo. E ninguém tenta me convencer a gostar de bananas. Eu não gosto, mas sei que tem um monte de gente que gosta. É meio egoísta eu querer que as bananas desapareçam da face da Terra só por eu não gostar delas. Sabe, quem morreu e me nomeou deus? E por falar em deus, não vou ficar procurando na bíblia passagens que possam ser interpretadas como “deus odeia bananas e quer que elas ardam no inferno”. Tenho mais o que fazer."

banana assassinada
Foto de ~candysores, no site DeviantArt

Boas notícias para os cinéfilos!

O Cine Belas Artes não vai fechar!

O cinema, que fica na rua Consolação, próximo à Avenida Paulista, perdeu em abril deste ano o patrocínio do banco HSBC e estava com dificuldades para se manter em funcionamento.
No último dia 22, o empresário e sócio do cinema André Sturm anunciou que uma nova parceria foi estabelecida.

O Cine Belas Artes é um dos poucos cinemas da cidade que ainda passam filmes ditos "alternativos" (que não são blockbusters americanos).
A notícia pode ser lida (e assistida, numa videoreportagem) no site da Folha.

ATUALIZAÇÃO:
Após um ano de luta, quando finalmente foi encontrado um patrocinador e os cinéfilos acharam que podiam comemorar, foi anunciado, dia 06/01/2011, que o Cine Belas Artes fechará suas portas em 27/01 porque o dono do imóvel cancelou o contrato para abrir uma loja no local.
Um abaixo-assinado foi criado para tentar mudar isso e, no mesmo dia de sua criação, já tem mais de mil assinaturas. Assine você também!
Clique aqui para mais informações.

Contagem final: 13

Tanta coisa para fazer este mês que acabei não contando todos os filmes que assisti na Mostra Internacional de Cinema deste ano!

A Mostra terminou dia 04/11, e eu consegui ver apenas 13 filmes, dos quase 500 que foram exibidos.
Já comentei aqui Micmacs, "Transfer", "O Mágico" e "Lixo Extraordinário".

Eu ainda vi:

"Metrópolis"
Versão restaurada do filme de 1927, que foi exibida, de graça, no Ibirapuera, com acompanhamento da Orquestra de Jazz Sinfônica.

"Clube do Suicídio"
Comédia dramática alemã sobre um grupo de pessoas que tentam cometer suicídio.

cena do filma A Terra da Lua Partida "A Terra da Lua Partida" (o meu favorito!)
Documentário brasileiro filmado no Himalaia, mostra o impacto (negativo) das mudanças climáticas na vida de uma família nômade. Quando a equipe estava lá filmando, não sabia exatamente qual seria o tema do filme; eles só queriam mostrar a vida daquelas pessoas. Um ótimo trabalho de edição.

"Marimbas do Inferno"
Filme guatemalteca, achei um pouco fraquinho. A história (um "semi-documentário") é sobre um homem que toca marimba - instrumento típico, parecido com o xilofone - e não consegue arrumar trabalho, que resolve se juntar a uma banda de heavy metal.

"Pink Floyd - The Wall"
Filme de 1982 com músicas do Pink Floyd, com várias cenas surreais. Infelizmente, o som estava muito alto (quando tinha vidro quebrando chegava a doer; várias pessoas tapavam os ouvidos) e não tinha legendas (o que eu acho imperdoável para um filme que não é novo).
Tá, minto: não tinha legendas durante as músicas. Nas - pouquíssimas - falas, tinha legendas em francês. Foi bem educativo...

"Minha Felicidade"
(o título é uma ironia, ok?)
Filme russo, mostrando a corrupção da polícia e o abandono longe dos grandes centros urbanos do país. O filme é bem feito e tal, mas... digamos que não dá a menor vontade de ir para a Rússia. Pesado.
Eu na verdade ia assistir o filme sobre Serge Gainsbourg, porém ele "não chegou", segundo os organizadores da Mostra, e "Minha Felicidade" o substituiu na sessão.

"Memória Cubanas"
Muito, muito bom. Documentário sobre o cinejornal cubano Noticieros ICAIC Latinoamericanos, mostrando a cobertura que os cineastas cubanos faziam de grandes acontecimentos da segunda metade do século XX, como a Guerra do Vietnã, o virtuosismo do pianista Bola de Nieve e a Revolução dos Cravos em Portugal.

"Jardim Sonoro"
Muito bonito.
Documentário sobre um homem cego, que trabalha com crianças deficientes na Suiça - uma espécie de musicoterapia -, ajudando-as a superar suas dificuldades. Ganhou o prêmio de Melhor Documentário, na categoria Jovens Diretores.

"Pense Global, Aja Rural"
Também gahou um prêmio de Melhor Documentário, este na seleção do público.
É um documentário francês sobre os impactos da agricultura moderna no ambiente e na produção de alimentos, mostrando pessoas (cientistas, fazendeiros, economistas...) por todo o mundo que buscam uma "nova" forma de produzir alimentos, causando menos impacto, promovendo a auto-suficiência e melhorando a qualidade dos produtos e a qualidade de vida das pessoas.
Dentre os entrevistados estão Pierre Rabhi, Claude e Lydia Bourguignon na França; os trabalhadores sem-terra e a professora Ana Primavesi no Brasil; e Vandana Shiva na Índia.
O filme tem muitas cenas de entrevista e pode ser um pouco chatinho, mas o assunto não poderia ser mais pertinente. Seria tão bom se os agricultores brasileiros vissem esse filme!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Feminista, graças a Deus

Ontem (25 de novembro) foi o Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta contra a Violência à Mulher.

violência contra a mulher
Andei lendo a respeito, e os dados são assustadores.
Segundo reportagem da Marie Claire, a cada 15 segundos uma mulher sofre algum tipo de agressão no Brasil.
Estima-se que 70% das mulheres vítimas de homicídio em todo o mundo tenham sido assassinadas por seus próprios maridos.

Avançamos bastante, mas ainda temos um longo caminho a percorrer contra o machismo no Brasil.
Infelizmente, exemplos de preconceito de gênero não faltam, para onde quer que se olhe. Seja numa piadinha "inocente" que seu amigo escreve no twitter; no comercial de tevê do cara que grita chamando a mulher para trocar o refil na privada; no filme em que dizem para o menininho que ele tem que cuidar da mãe porque agora é "o homem da casa"; no comentário infeliz de um candidato à presidência; na entrevista que o presidente dá a blogueiros progressistas (a entrevista foi ótima, a crítica foi à uniformidade de gênero dos entrevistadores); no salário de 20% a 30% inferior ao dos homens para exercer a mesma função; na minha colega que trabalhava o dia inteiro, estudava à noite e ao chegar em casa ainda tinha que fazer o jantar para o irmão (mais velho)...

São todos esses "pequenos" fatores que dão respaldo a estudantes universitários que xingam e lincham uma colega por usar um vestido curto, ou o homem que mata a esposa para "defender a honra", ou que estupra porque "ela estava pedindo, você viu como ela se veste?"
Feminismo é a idéia radical de que mulheres são pessoas
Eu já ouvi gente dizer que o movimento feminista teve seu momento, décadas atrás, mas hoje está ultrapassado.
Como alguém pode pensar assim, diante de tudo isso?

Ser feminista não é diminuir os homens. É acreditar que homens e mulheres, ainda que diferentes, têm o mesmo valor.
E que todos, homens ou mulheres, devem ter a liberdade de viver a vida que quiserem, seguir a carreira que quiserem, enquanto não prejudicarem ninguém.

Denuncie a violência contra a mulher: ligue 180, grátis, de qualquer lugar do Brasil. Serviço 24hs.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Código Florestal - O Retorno

Desmatamento - Angeli ATENÇÃO: em entrevista à Band, no último domingo, Aldo Rebelo afirmou que falaria com os deputados e tentaria retomar as "discussões" sobre a proposta de mudança do Código Florestal "a partir de amanhã" (segunda, dia 01/11).

Ontem (dia 3), a Frente Parlamentar da Agropecuária se reuniu em Brasília para traçar estratégias para a aprovação do novo Código (fonte: Estado).

Os ruralistas vão tentar apressar a votação do novo Código na câmara, para que ocorra ainda este mês.
Eles têm pressa para aprovar a proposta. Já havia um acordo para que a proposta fosse votada logo após o resultado do primeiro turno, caso não houvesse segundo turno, como noticiou o Último Segundo.

Já ouvi muitos defenderem as alterações no Código dizerem que aumentar a produção é mais importante do que "proteger uma floresta". Rebelo, na entrevista à Band, disse que "não podemos ser o jardim botânico da Europa". Esta frase indica uma enorme ignorância. Muita gente já viu, na prática, o estrago que impactos no meio ambiente causam na vida humana: enchentes, rios secos, deslizamentos...

As imagens abaixo são da apresentação sobre os impactos da mudança no Código Florestal, do Dr Sergius Gandolfi, da Esalq. Os slides da apresentação estão disponíveis no site da Frente Parlamentar Ambientalista

impactos do novo Código Florestal - Sergius Gandolfiimpactos do novo Código Florestal - Sergius Gandolfi
As duas imagens acima mostram situações que seriam legalizadas com a aprovação da proposta que tramita na Câmara.
Abaixo, exemplo concreto do impacto dessas situações na vida humana: a Usina Hidrelétrica de Assis Chateaubriant (MS) deixou de produzir energia em menos de 10 anos de funcionamento, devido à falta de proteção das APPs de rios que a abasteciam.

Sergius Gandolfi - desmatamento acaba com hidrelétrica de Assis ChateaubriantSergius Gandolfi - desmatamento acaba com hidrelétrica de Assis Chateaubriant
Sergius Gandolfi - desmatamento acaba com hidrelétrica de Assis Chateaubriant
Mudanças no Código Florestal podem até ser necessárias. Porém, a proposta que atualmente tramita na Câmara é muito ruim, e uma votação ainda este ano será muito precipitada.
Diversos setores da sociedade já alertaram para os impactos negativos da proposta - negativos não só para as florestas, mas para as pessoas, e mesmo para os próprios produtores rurais! Alguns desses impactos foram comentados em uma postagem anterior. Segundo Jean Paul Metzger, professor da USP, "a mudança do Código Florestal será a pior coisa que pode acontecer ao Brasil."

Alguns dos pontos mais polêmicos da proposta são: redução das Áreas de Proteção Permanente (APPs), que são as áreas que precisam ser protegidas nas encostas dos morros e margens de rios e lagos - senão, podem ocorrer secas, deslizamento de terra, além da preservação dessa vegetação ser crucial para a preservação da fauna e flora -; redução da Reserva Legal (porcentagem da propriedade que deve ser preservada), e isenção das propriedades de até quatro módulos fiscais de manter a Reserva Legal (90% das propriedades não precisam preservar nada); e anistia a crimes ambientais cometidos até 2008 (quando seria muito mais vantajoso para todo mundo se houvesse incentivo à regularização, que é a proposta do Ministério do Meio Ambiente).

Aqueles que defendem a mudança do Código o fazem com argumentos falsos. É bom que se saiba, por exemplo, que o Código atual não prejudica a agricultura familiar (e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETAF) assinaram um manifesto contra a proposta de alteração), e que a utilização da APP de maneira sustentável, como o extrativismo e o plantio de frutíferas nativas, é permitida.

Com a aprovação do novo Código, o que acontece com a Área de Preservação Permanente?

impactos da reforma do Código Florestal - APP hoje
impactos da reforma do Código Florestal - APP após a mudança
Na prática, proteção zero para os rios!


O Ministério do Meio Ambiente (MMA), contrário à proposta de Rebelo, elabora uma proposta substitutiva (informação também no Último Segundo).

Enquanto isso, a comunidade científica também se mobiliza.
Deputados federais, senadores e os dois candidatos à Presidência receberam uma carta, no dia 28 de outubro, elaborada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), solicitando que a revisão do Código Florestal Brasileiro seja feita com base em parâmetros científicos.
As duas entidades formaram um grupo de trabalho, com cientistas, ambientalistas e representantes do setor agropecuário, para discutir o Código Florestal. Um relatório técnico deve ser apresentado em dezembro.
A íntegra da carta pode ser lida no site do Canal Rural.

Para que todos esses esforços não sejam em vão, é preciso impedir a votação precipitada.

Não podemos ficar calados!

Primeiro passo: assine a petição no site Avaaz!
Divulgue o link para a petição.
Ajude seus conhecidos a se informarem. Divulgue este blog.
Mande e-mails para o atual Presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB) (pelo site oficial ou pelo site da Câmara) e o deputado Cândido Vaccarezza (PT), líder do governo na Câmara e um dos nomes cotados para presidi-la a partir do próximo ano (através do site oficial ou do site da Câmara). Importune-os no Twitter (@MichelTemer e @vaccarezza).
Discuta com seus colegas, cole cartazes em sua escola ou faculdade, organize manifestações... mexa-se!

Turma da Mônica defende o Código Florestal
Quadrinho de Maurício de Souza, feito no ano 2000,
quando houve outra tentativa de mudar o Código para pior