quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Liberdade de imprensa... liberdade?

Quem já entrou no site do jornal O Estado de São Paulo provavelmente já notou o aviso afirmando que ele se encontra "sob censura há 433 dias". Ele refere-se a uma proibição judicial de "publicar reportagens que contenham informações da Operação Faktor", envolvendo a família Sarney.

Pois este mesmo jornal que defende a "liberdade de imprensa" censurou esta semana uma de suas próprias articulistas.
Após publicar um artigo intitulado "Dois pesos...", no dia 2 de outubro, no qual expõe algumas denúncias infundadas que vêm sendo propagadas na internet por defensores da oposição, a psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida do jornal (veja entrevista com a psicanalista no Terra), tornando o título de seu artigo ainda mais apropriado.
Essa tal "liberdade de expressão" vale apenas para os donos dos jornais. Quem não concorda com a opinião deles é demitido. Você ainda acreditava que jornais serviam para informar?
E viva a democracia!

Leia abaixo o artigo de Maria Rita Kehl, vale a pena:


Dois pesos...

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sobrevivendo a um amigo biólogo

Texto de autoria desconhecida que rola há anos na internet...
Tenha paciência ao caminhar com ele na rua. É provável que ele faça paradas freqüentes... sempre há uma formiga carregando uma folha gigantesca nas costas ou uma samambaia disposta de uma forma estranha num buraco do muro.
Ele acha isso incrível!!!

Toda vez que vcs entrarem em qualquer assunto que envolva a área dele, ele se empolgará. Finja que presta atenção no que ele diz. Finja que está entendendo também.

Entenda que o conceito de beleza de seu amigo biólogo é um tantinho diferente do seu. Sapos verdes, gosmentos e verruguentos são lindos.
Escorpiões, aranhas, opiliões (hein??), aye-ayes são todos lindos.

Tente não vomitar quando ele te mostrar as fotos da última necrópsia feita num golfinho.

Simplesmente ignore quando o encontrar de quatro, agachado sobre o musgo... e faça o possível para que ele não te veja, pois uma vez que isso acontecer ele começará o discurso em biologuês: “são briófitas! São as plantas mais primitivas! Você acredita que elas não têm nem vasos condutores? E elas ainda dependem da água para a fecundação e...”

É provável que ele prefira ir para o congresso de Mastozoologia ao invés daquela viagem romântica. Vc quer ajudá-lo? Mostre que há outras coisas no mundo, por exemplo... convide-o para ir a um museu de arte. Ou a um grupo de discussão sobre literatura.

Ele terá tendência a chamar pinheiros de gimnospermas. E a pinha (de onde vem o pinhão) de estróbilo.

Não, ele não é um maníaco suicida se decidir entrar numa jaula para mergulhar com tubarões-brancos. Mas também não deve estar em seu juízo perfeito.

É melhor vc assistir filmes como A Era do Gelo e Procurando Nemo com amigos que não sejam biólogos. Caso contrário, vc ouvirá, durante o filme: "ah, mas baleias não têm essa conexão entre a boca e o nariz, o Marlin e a Dori nunca poderiam ter saído pelo nariz..."
(juro que pensei isso quando vi Procurando Nemo!)

Feliz Dia do Biólogo!!!

As duas imagens lindas abaixo foram encontradas em blogs... infelizmente não sei a autoria.
dia do biólogo - tartaruga
dia do biólogo - tatu

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Adeus, 25

Veruca Salt em 1997
Veruca Salt: formação de 1997 (Steve Lack, Nina Gordon, Louise Post e Stacy Jones)


Awesome
(Veruca Salt)

Goodbye 25, you were a good year for the girls.
Goodbye 25, you'll be the goldfinch, I'm the harpies.

There's something in the unity,
Forget humility,
Oh, what's coming over me

It's awesome, awesome,
God forgive me, I know it's so awesome, awesome,
Heaven help me, I know it's a fine place to be.

Goodbye indolence, your filthy left hand kept me down.
Goodbye cowardice, you'll be the Tigris, I'm Euphrates.

There's something in the unity,
Forget humility,
Oh, what's coming over me

It's awesome, awesome,
God forgive me, I know it's so awesome, awesome.
Heaven help me, I know, I know it's a fine place to be.

There's something in the unity,
What's coming over me...
Oh, fuck humility,

We're awesome, awesome.
All the Salts go, I know it's so awesome, awesome.
Everybody, I know, I know it's a fine place to be...

Esta canção maravilhosa é do álbum "Eight Arms to Hold You" (1997), da banda americana Veruca Salt.

Veruca Salt - Eight Arms to Hold YouLink para baixar o álbum (muito recomendado!):

http://www.4shared.com/file/131763814/7bf37612/Veruca_Salt__Eight_Arms_To_Hold_You_1997_.html

"Eu não irei a Yellowstone"

Este texto foi publicado no blog de Matthieu Auzanneau, jornalista independente, no dia 06 de agosto de 2010.

Eu não encontrei esse texto em português em lugar nenhum, então fiz um esforço para traduzir do francês e postar aqui.
Meu francês não é muito bom e eu peço desculpas.
Todas as aspas, parênteses, chaves, negritos e itálicos estavam assim no original.

Eu não irei a Yellowstone

Há algumas semanas, cruzei as Montanhas Rochosas de carro. Eu estava nos EUA para uma série de reportagens que devem preencher um livro no qual estou trabalhando. Eu sempre quis ir a Yellowstone, um dos parques naturais mais célebres da América do Norte, na fronteira entre Montana, Wyoming e Idaho, um canto perdido de altos vulcões, gêiseres e grandes vales cobertos de pinheiros e abetos e onde os animais selvagens são abundantes, livres, longe das cidades e das rodovias.

Eu sonhei muito com a América, realmente! Meu espírito viajou freqüentemente pelos topos das Rochosas, e compartilhou tendas com os índios sob os ramos das árvores, enfrentou corredeiras na pista de Lewis e Clark, ou caçou ursos com Teddy Roosevelt. E eu tinha certeza de que um dia veria como é Yellowstone, cujo nome evoca com a mesma força em mim o vigor do mundo antigo e sua beleza irreprimível.

Creio que tudo está morto em Yellowstone, ou quase, e eu não irei lá.

Yellowstone - Matthieu Auzanneau
A algumas milhas da nascente do Colorado; julho de 2010 [foto de Matthieu Auzanneau]

Ao longo dos últimos quinze anos, ao longo de toda a cadeia das Montanhas Rochosas, um pequeno besouro que se alimenta da casca das árvores tem devastado milhões e milhões de hectares das florestas frias de altitude. O aumento das temperaturas registrados tanto no verão quanto no inverno na América do Norte permite que esse inseto se reproduza cerca de duas vezes mais rápido do que antes. Sua população não pára de crescer. Do Círculo Polar Ártico ao México, as conseqüências têm tomado nos últimos anos dimensões assustadoras.

Oito anos atrás, no Alasca, eu já havia tido o coração partido por esse espetáculo de florestas petrificadas, vazias, silenciosas! Em suas bordas, havíamos filmado homens que tentavam cortar o mais rápido possível as árvores mortas, antes que a seca causasse os incêndios cataclísmicos que a América do Norte agora enfrenta a cada verão. Eu criei, então, o primeiro documentário francês mostrando as conseqüências humanas do aquecimento global. Estas imagens mórbidas me assombraram muito, e inspiraram também.

E este ano, sem ter realmente procurado, encontrei-me novamente em meio às árvores mortas. Então eu mudei o curso, atravessei as Rochosas pelo caminho mais curto, fugi para o deserto de Nevada; eu renunciei a Yellowstone, incapaz de suportar, mesmo para uma reportagem, a projeção concreta de nossa impotência durante dias inteiros de estrada.

Carl Jung, um dos pais da psicologia, observou há muito tempo que «as pessoas não conseguem enfrentar excesso de realidade.» A ironia desta frase enfureceu-me por muitas horas, quando eu estava procurando uma maneira de sair da floresta morta.

Sozinho ao volante, tive a sensação megalomaníaca e trágica de tomar na cara o diagnóstico do bom e velho Carl em nome de toda a humanidade.

Encontrar-me quase por acaso no meio de milhões de pinheiros mortos, seis meses após a farsa da conferência de Copenhague sobre o clima...

Por que essa cegueira? Como pode o estado de emergência climática não ter sido declarado por Washington, enquanto a floresta enraizada na espinha dorsal dos Estados Unidos está morrendo? Inacreditável.

[Um relatório publicado em julho pelo United States Forest Service e pelo Natural Resources Defense Council mostra que mais da metade dos pinheiros com casca branca das Rochosas está morta, e que um quarto vai morrer em breve. Isso é o que foi noticiado no fim de julho em um pequenino editorial no rodapé do New York Times, que conecta a epidemia ao aquecimento climático. 80% das florestas da Columbia Britânica podem ser destruídos até 2013, prevê o Natural Resources Canada.]

Próximo às nascentes do Colorado, eu fiz a pergunta acima a um velho senhor barbado sentado em sua caminhonete. Ele estava ali, parado ao longo de uma estrada deserta, o olhar perdido frente à montanha descarnada, um boné Stars and Stripes desbotado encaixado sobre o crânio. Com o sotaque forte do povo do vasto Oeste, ele respondeu, sem convicção: «Eles fazem carros que engolem menos gasolina hoje, e depois fazem uns solares aqui e ali.» Ele não parecia muito convencido. Nós olhamos a floresta em silêncio. E então ele acrescentou, quase para si mesmo: «Ficou muito ruim nesses últimos anos. Temos mais é que rezar pra que tudo queime e que alguma coisa rebrote.»

Na estrada, finalmente vi uns pequenos aglomerados de jovens abetos de um verde benevolente crescendo aconchegados aos pés de seus pais. É idiota, mas eu pensei no destino dos búfalos e dos índios.

Mais tarde, li a seguinte frase no jornal do parque natural das Rochosas: «O problema do inseto comedor de casca (está) lá para nos lembrar da capacidade da natureza de mudar para além do controle dos homens»... O controle dos homens... O sofisma fedia a marketing turístico, e eu comentei isso com um ranger, oficial responsável pela proteção da natureza. O homem me explicou que, em meados da década de 2000, havia existido um programa de informações e passeios educativos sobre o aquecimento global. «Mas não havia muitas pessoas interessadas em participar, por causa das implicações. Há muita controvérsia sobre o assunto, entende, então eles pararam.»

O que “eles” não vão parar, podemos dizer, é de perfurar em busca de hidrocarboneto, o sangue do American Way of Life do qual a sociedade tecnológica parece pouco precisar (por assim dizer). Por toda parte, nas Rochosas, há dois ou três anos, um novo sistema de extração prolifera como cogumelos. Ele serve para "melhorar" o gás de xisto (shale gas), uma forma de gás natural dita "não-convencional", considerada até agora insuficientemente rentável, mas que as empresas de energia começaram a explorar a fundo, na falta de coisa melhor. É sem dúvida uma das últimas corridas em busca de combustíveis fósseis em território americano, um século e meio após as primeiras.

A floresta morreu, e ao redor dela, ganância e necessidade produzem ainda mais veneno.

Yellowstone - Matthieu AuzanneauYellowstone - Matthieu Auzanneau
«Drill, baby, drill!» (Sarah Palin) [fotos de Matthieu Auzanneau]

«As pessoas não conseguem enfrentar excesso de realidade.»: o veredito de Carl Jung não tem recurso.

Na highway 70 que vai de Las Vegas a Denver, a linha divisora de águas entre o Atlântico e o Pacífico, encontrei-me preso em um engarrafamento a cerca de 3000 metros de altitude. Ao nosso redor, a floresta se decompunha a perder de vista. Era um domingo à noite, os moradores do estado do Colorado voltavam de seu fim de semana à beira dos lagos dos altos vales. Muitos puxavam a reboque seus jet skis. O povo do Colorado é conhecido pelo seu amor à natureza. O engarrafamento durou tanto tempo que me fez perder o meu avião para Washington.

Yellowstone - Matthieu Auzanneau
[foto de Matthieu Auzanneau]

Entre os motoristas naquela noite, eu não sei quantos pensavam sobre as mudanças climáticas, ou meditavam a respeito dessa nossa incapacidade de enxergar as conseqüências da nossa dependência de combustíveis fósseis (em um dado momento, como que para me fazer parar, dois enormes jatos militares passaram raspando sobre os picos; o exército treina com freqüência nesta região pouco habitada). As florestas devastadas das Rochosas são muito distantes das megalópoles do Leste e da Califórnia. A morte dos pinheiros e abetos é facilmente esquecida. Fecha-se a porta e liga-se o ar condicionado. De qualquer maneira, a maioria das pessoas ignora completamente que ela ocorre.

Nos dias de verão em Washington DC, ao pé de cada edifício oficial, grandes placas de ventilação vomitam milhões de metros cúbicos de ar quente, empurrados com um rugido do inferno pelos sistemas de ar condicionado.

[Os gases refrigerantes usados na climatização escapam e aumentam o efeito estufa. Assim como a decomposição da madeira, que libera metano, outro poderoso gás estufa.]

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Driving Driving Driving - Kimya Dawson

Não é exatamente uma novidade, mas eu encontrei hoje e quero compartilhar.
A cantora folk (ou melhor, anti-folk, segundo ela) americana Kimya Dawson (responsável por boa parte das canções do filme Juno) fez uma música sobre o derramamento de petróleo no Golfo do México.

Consta que, após quatro meses da explosão da plataforma de petróleo, conseguiram parar o vazamento. Mas o petróleo continua no mar.

Eu adoro a Kimya. Suas músicas são simples, mas dizem tudo.
Ela publicou o clipe abaixo em seu blog no dia 24 de junho.



Driving Driving Driving

I'm not a conspiracy theorist, but I read blogs by scientists
And I believe they know more than we are being told
By the mainstream media sources who want the truth to hold it's horses
so there isn't mass hysteria as the sea floor erodes

And those in and on the ocean all say hey what's this commotion
and they try to get away but they are moving in slow motion
because their bodies are so heavy from a substance thick and deadly
they say I don't want to die It's all your fault I wasn't ready

I'm so sorry and I'm scared and sad and mad and unprepared
to see the stuff that's in the sea evaporate into the air
where it will gather and form clouds that travel north upon the wind
and drop their cool refreshing poison raindrops on our crops and children

So this may be the end I've always thought the end of man
would be exactly what we need for the earth to stand a chance
And I always thought I would be fine If this happened if my lifetime
But now that I'm a mother it seems much more terrifying

And I've always identified with a turtle's soft insides
Because there are times when I really need to hide
But even the strongest, hardest, thickest shell is not designed
to survive, to survive, to survive

Something of this magnitude

Because water is fluid and oil is crude

And it billows way down deep and it sticks to grains of sand
And it floats upon the surface where the birds all try to land
And the marshes are all ruined and ecosystems destroyed
And the people all along the Gulf Coast are now unemployed

While the men who cut the corners still scream DRILL, DRILL, DRILL
from their yachts so far away and their mansions on the hill
And they turn away the cameras and scream KILL, KILL, KILL
As they light endangered sea turtles on fire

They light turtles on fire

Because the seas are all connected, and we are all connected
And you are in denial if you think you won't be affected
You can't hide behind your flag because water knows no border
It will creep in every crack and seep in every pore

They lie about the numbers the solutions are illusions
But no cover up can hide this huge of a contusion
On the face of our mother, that's right, mother earth
Is the cost of every living thing what your product is worth?

Well, we are all afflicted with an underground addiction
will our desire for convenience be the cause of our extinction?
And the industry's the master and we are all the slaves
And we're DRIVING, DRIVING, DRIVING to our GRAVES, GRAVES, GRAVES

We must teach our kids to love themselves and let them live their lives
What will they be if they grow up? Whatever they like.
It's crucial to raise children who don't do what they're told
Who will fight for what's right and who can't be bought or sold

I want nothing of this business I am staying underground
And I'm gonna ride the railroad and let my guard down
We can forage, and ride bikes, and jump in lakes, and go on hikes
We can sing and sing for hours and click LIKE, LIKE, LIKE

When somebody posts something good we share and spread the truth
It's time to define what success means to you
I hope my kid will never be another cog in their machine
Trapped inside a box trying to remember her dreams

They will sell us all out for their GREED, GREED, GREED
As we cry for the earth as she BLEEDS, BLEEDS, BLEEDS

So hold on to your loved ones, yeah, hold on for dear life
Try to walk like thunder leaving footprints that are light
Hold on to your loved ones, hold on for dear life
Try to walk like thunder leaving footprints that are light

I'm not a conspiracy theorist, but I read blogs by scientists
And I believe they know more than we are being told
By the mainstream media sources who want the truth to hold it's horses
so there isn't mass hysteria as the sea floor erodes

And those in and on the ocean all say hey what's this commotion
and they try to get away but they are moving in slow motion
because their bodies are so heavy from a substance thick and deadly
they say I don't want to die It's all your fault I wasn't ready