terça-feira, 24 de agosto de 2010

Adeus, 25

Veruca Salt em 1997
Veruca Salt: formação de 1997 (Steve Lack, Nina Gordon, Louise Post e Stacy Jones)


Awesome
(Veruca Salt)

Goodbye 25, you were a good year for the girls.
Goodbye 25, you'll be the goldfinch, I'm the harpies.

There's something in the unity,
Forget humility,
Oh, what's coming over me

It's awesome, awesome,
God forgive me, I know it's so awesome, awesome,
Heaven help me, I know it's a fine place to be.

Goodbye indolence, your filthy left hand kept me down.
Goodbye cowardice, you'll be the Tigris, I'm Euphrates.

There's something in the unity,
Forget humility,
Oh, what's coming over me

It's awesome, awesome,
God forgive me, I know it's so awesome, awesome.
Heaven help me, I know, I know it's a fine place to be.

There's something in the unity,
What's coming over me...
Oh, fuck humility,

We're awesome, awesome.
All the Salts go, I know it's so awesome, awesome.
Everybody, I know, I know it's a fine place to be...

Esta canção maravilhosa é do álbum "Eight Arms to Hold You" (1997), da banda americana Veruca Salt.

Veruca Salt - Eight Arms to Hold YouLink para baixar o álbum (muito recomendado!):

http://www.4shared.com/file/131763814/7bf37612/Veruca_Salt__Eight_Arms_To_Hold_You_1997_.html

"Eu não irei a Yellowstone"

Este texto foi publicado no blog de Matthieu Auzanneau, jornalista independente, no dia 06 de agosto de 2010.

Eu não encontrei esse texto em português em lugar nenhum, então fiz um esforço para traduzir do francês e postar aqui.
Meu francês não é muito bom e eu peço desculpas.
Todas as aspas, parênteses, chaves, negritos e itálicos estavam assim no original.

Eu não irei a Yellowstone

Há algumas semanas, cruzei as Montanhas Rochosas de carro. Eu estava nos EUA para uma série de reportagens que devem preencher um livro no qual estou trabalhando. Eu sempre quis ir a Yellowstone, um dos parques naturais mais célebres da América do Norte, na fronteira entre Montana, Wyoming e Idaho, um canto perdido de altos vulcões, gêiseres e grandes vales cobertos de pinheiros e abetos e onde os animais selvagens são abundantes, livres, longe das cidades e das rodovias.

Eu sonhei muito com a América, realmente! Meu espírito viajou freqüentemente pelos topos das Rochosas, e compartilhou tendas com os índios sob os ramos das árvores, enfrentou corredeiras na pista de Lewis e Clark, ou caçou ursos com Teddy Roosevelt. E eu tinha certeza de que um dia veria como é Yellowstone, cujo nome evoca com a mesma força em mim o vigor do mundo antigo e sua beleza irreprimível.

Creio que tudo está morto em Yellowstone, ou quase, e eu não irei lá.

Yellowstone - Matthieu Auzanneau
A algumas milhas da nascente do Colorado; julho de 2010 [foto de Matthieu Auzanneau]

Ao longo dos últimos quinze anos, ao longo de toda a cadeia das Montanhas Rochosas, um pequeno besouro que se alimenta da casca das árvores tem devastado milhões e milhões de hectares das florestas frias de altitude. O aumento das temperaturas registrados tanto no verão quanto no inverno na América do Norte permite que esse inseto se reproduza cerca de duas vezes mais rápido do que antes. Sua população não pára de crescer. Do Círculo Polar Ártico ao México, as conseqüências têm tomado nos últimos anos dimensões assustadoras.

Oito anos atrás, no Alasca, eu já havia tido o coração partido por esse espetáculo de florestas petrificadas, vazias, silenciosas! Em suas bordas, havíamos filmado homens que tentavam cortar o mais rápido possível as árvores mortas, antes que a seca causasse os incêndios cataclísmicos que a América do Norte agora enfrenta a cada verão. Eu criei, então, o primeiro documentário francês mostrando as conseqüências humanas do aquecimento global. Estas imagens mórbidas me assombraram muito, e inspiraram também.

E este ano, sem ter realmente procurado, encontrei-me novamente em meio às árvores mortas. Então eu mudei o curso, atravessei as Rochosas pelo caminho mais curto, fugi para o deserto de Nevada; eu renunciei a Yellowstone, incapaz de suportar, mesmo para uma reportagem, a projeção concreta de nossa impotência durante dias inteiros de estrada.

Carl Jung, um dos pais da psicologia, observou há muito tempo que «as pessoas não conseguem enfrentar excesso de realidade.» A ironia desta frase enfureceu-me por muitas horas, quando eu estava procurando uma maneira de sair da floresta morta.

Sozinho ao volante, tive a sensação megalomaníaca e trágica de tomar na cara o diagnóstico do bom e velho Carl em nome de toda a humanidade.

Encontrar-me quase por acaso no meio de milhões de pinheiros mortos, seis meses após a farsa da conferência de Copenhague sobre o clima...

Por que essa cegueira? Como pode o estado de emergência climática não ter sido declarado por Washington, enquanto a floresta enraizada na espinha dorsal dos Estados Unidos está morrendo? Inacreditável.

[Um relatório publicado em julho pelo United States Forest Service e pelo Natural Resources Defense Council mostra que mais da metade dos pinheiros com casca branca das Rochosas está morta, e que um quarto vai morrer em breve. Isso é o que foi noticiado no fim de julho em um pequenino editorial no rodapé do New York Times, que conecta a epidemia ao aquecimento climático. 80% das florestas da Columbia Britânica podem ser destruídos até 2013, prevê o Natural Resources Canada.]

Próximo às nascentes do Colorado, eu fiz a pergunta acima a um velho senhor barbado sentado em sua caminhonete. Ele estava ali, parado ao longo de uma estrada deserta, o olhar perdido frente à montanha descarnada, um boné Stars and Stripes desbotado encaixado sobre o crânio. Com o sotaque forte do povo do vasto Oeste, ele respondeu, sem convicção: «Eles fazem carros que engolem menos gasolina hoje, e depois fazem uns solares aqui e ali.» Ele não parecia muito convencido. Nós olhamos a floresta em silêncio. E então ele acrescentou, quase para si mesmo: «Ficou muito ruim nesses últimos anos. Temos mais é que rezar pra que tudo queime e que alguma coisa rebrote.»

Na estrada, finalmente vi uns pequenos aglomerados de jovens abetos de um verde benevolente crescendo aconchegados aos pés de seus pais. É idiota, mas eu pensei no destino dos búfalos e dos índios.

Mais tarde, li a seguinte frase no jornal do parque natural das Rochosas: «O problema do inseto comedor de casca (está) lá para nos lembrar da capacidade da natureza de mudar para além do controle dos homens»... O controle dos homens... O sofisma fedia a marketing turístico, e eu comentei isso com um ranger, oficial responsável pela proteção da natureza. O homem me explicou que, em meados da década de 2000, havia existido um programa de informações e passeios educativos sobre o aquecimento global. «Mas não havia muitas pessoas interessadas em participar, por causa das implicações. Há muita controvérsia sobre o assunto, entende, então eles pararam.»

O que “eles” não vão parar, podemos dizer, é de perfurar em busca de hidrocarboneto, o sangue do American Way of Life do qual a sociedade tecnológica parece pouco precisar (por assim dizer). Por toda parte, nas Rochosas, há dois ou três anos, um novo sistema de extração prolifera como cogumelos. Ele serve para "melhorar" o gás de xisto (shale gas), uma forma de gás natural dita "não-convencional", considerada até agora insuficientemente rentável, mas que as empresas de energia começaram a explorar a fundo, na falta de coisa melhor. É sem dúvida uma das últimas corridas em busca de combustíveis fósseis em território americano, um século e meio após as primeiras.

A floresta morreu, e ao redor dela, ganância e necessidade produzem ainda mais veneno.

Yellowstone - Matthieu AuzanneauYellowstone - Matthieu Auzanneau
«Drill, baby, drill!» (Sarah Palin) [fotos de Matthieu Auzanneau]

«As pessoas não conseguem enfrentar excesso de realidade.»: o veredito de Carl Jung não tem recurso.

Na highway 70 que vai de Las Vegas a Denver, a linha divisora de águas entre o Atlântico e o Pacífico, encontrei-me preso em um engarrafamento a cerca de 3000 metros de altitude. Ao nosso redor, a floresta se decompunha a perder de vista. Era um domingo à noite, os moradores do estado do Colorado voltavam de seu fim de semana à beira dos lagos dos altos vales. Muitos puxavam a reboque seus jet skis. O povo do Colorado é conhecido pelo seu amor à natureza. O engarrafamento durou tanto tempo que me fez perder o meu avião para Washington.

Yellowstone - Matthieu Auzanneau
[foto de Matthieu Auzanneau]

Entre os motoristas naquela noite, eu não sei quantos pensavam sobre as mudanças climáticas, ou meditavam a respeito dessa nossa incapacidade de enxergar as conseqüências da nossa dependência de combustíveis fósseis (em um dado momento, como que para me fazer parar, dois enormes jatos militares passaram raspando sobre os picos; o exército treina com freqüência nesta região pouco habitada). As florestas devastadas das Rochosas são muito distantes das megalópoles do Leste e da Califórnia. A morte dos pinheiros e abetos é facilmente esquecida. Fecha-se a porta e liga-se o ar condicionado. De qualquer maneira, a maioria das pessoas ignora completamente que ela ocorre.

Nos dias de verão em Washington DC, ao pé de cada edifício oficial, grandes placas de ventilação vomitam milhões de metros cúbicos de ar quente, empurrados com um rugido do inferno pelos sistemas de ar condicionado.

[Os gases refrigerantes usados na climatização escapam e aumentam o efeito estufa. Assim como a decomposição da madeira, que libera metano, outro poderoso gás estufa.]

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Driving Driving Driving - Kimya Dawson

Não é exatamente uma novidade, mas eu encontrei hoje e quero compartilhar.
A cantora folk (ou melhor, anti-folk, segundo ela) americana Kimya Dawson (responsável por boa parte das canções do filme Juno) fez uma música sobre o derramamento de petróleo no Golfo do México.

Consta que, após quatro meses da explosão da plataforma de petróleo, conseguiram parar o vazamento. Mas o petróleo continua no mar.

Eu adoro a Kimya. Suas músicas são simples, mas dizem tudo.
Ela publicou o clipe abaixo em seu blog no dia 24 de junho.



Driving Driving Driving

I'm not a conspiracy theorist, but I read blogs by scientists
And I believe they know more than we are being told
By the mainstream media sources who want the truth to hold it's horses
so there isn't mass hysteria as the sea floor erodes

And those in and on the ocean all say hey what's this commotion
and they try to get away but they are moving in slow motion
because their bodies are so heavy from a substance thick and deadly
they say I don't want to die It's all your fault I wasn't ready

I'm so sorry and I'm scared and sad and mad and unprepared
to see the stuff that's in the sea evaporate into the air
where it will gather and form clouds that travel north upon the wind
and drop their cool refreshing poison raindrops on our crops and children

So this may be the end I've always thought the end of man
would be exactly what we need for the earth to stand a chance
And I always thought I would be fine If this happened if my lifetime
But now that I'm a mother it seems much more terrifying

And I've always identified with a turtle's soft insides
Because there are times when I really need to hide
But even the strongest, hardest, thickest shell is not designed
to survive, to survive, to survive

Something of this magnitude

Because water is fluid and oil is crude

And it billows way down deep and it sticks to grains of sand
And it floats upon the surface where the birds all try to land
And the marshes are all ruined and ecosystems destroyed
And the people all along the Gulf Coast are now unemployed

While the men who cut the corners still scream DRILL, DRILL, DRILL
from their yachts so far away and their mansions on the hill
And they turn away the cameras and scream KILL, KILL, KILL
As they light endangered sea turtles on fire

They light turtles on fire

Because the seas are all connected, and we are all connected
And you are in denial if you think you won't be affected
You can't hide behind your flag because water knows no border
It will creep in every crack and seep in every pore

They lie about the numbers the solutions are illusions
But no cover up can hide this huge of a contusion
On the face of our mother, that's right, mother earth
Is the cost of every living thing what your product is worth?

Well, we are all afflicted with an underground addiction
will our desire for convenience be the cause of our extinction?
And the industry's the master and we are all the slaves
And we're DRIVING, DRIVING, DRIVING to our GRAVES, GRAVES, GRAVES

We must teach our kids to love themselves and let them live their lives
What will they be if they grow up? Whatever they like.
It's crucial to raise children who don't do what they're told
Who will fight for what's right and who can't be bought or sold

I want nothing of this business I am staying underground
And I'm gonna ride the railroad and let my guard down
We can forage, and ride bikes, and jump in lakes, and go on hikes
We can sing and sing for hours and click LIKE, LIKE, LIKE

When somebody posts something good we share and spread the truth
It's time to define what success means to you
I hope my kid will never be another cog in their machine
Trapped inside a box trying to remember her dreams

They will sell us all out for their GREED, GREED, GREED
As we cry for the earth as she BLEEDS, BLEEDS, BLEEDS

So hold on to your loved ones, yeah, hold on for dear life
Try to walk like thunder leaving footprints that are light
Hold on to your loved ones, hold on for dear life
Try to walk like thunder leaving footprints that are light

I'm not a conspiracy theorist, but I read blogs by scientists
And I believe they know more than we are being told
By the mainstream media sources who want the truth to hold it's horses
so there isn't mass hysteria as the sea floor erodes

And those in and on the ocean all say hey what's this commotion
and they try to get away but they are moving in slow motion
because their bodies are so heavy from a substance thick and deadly
they say I don't want to die It's all your fault I wasn't ready

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Quatro dígitos!!!

Essa é pra comemorar!

Hoje, o Raízes e Asas ultrapassou a marca das

mil visitas!!!
(1028, para ser exata!)

E daí que uns 10% das visitas são minhas mesmo (para ver se ficou tudo certinho com a postagem)?
E daí que tem blogs por aí com mais de mil visitas por dia?

Esse número foi alcançado sem praticamente nenhuma publicidade, e eu estou muito feliz!
E estou certa de que as próximas mil visitas virão mais rapidamente, uma vez que tem cada vez mais conteúdo por aqui.

Obrigada pela visita!
E muito obrigada também aos meus dois seguidores! Um beijo em cada um! rs

Guia ilustrado do doutorado

Você sabe o que é um doutorado?
Matt Might, professor de ciências da computação na Universidade de Utah, consegue explicar muito bem de um jeito simples:

Todo ano, eu explico para uma nova leva de alunos de doutorado o que é um doutorado.
É difícil descrever com palavras.
Então, eu uso images.

Veja abaixo o Guia Ilustrado para o Doutorado (Ph.D).

Imagine um círculo que contém todo o conhecimento humano:
PhD - Matt Might
Quando você termina o ensino fundamental, você sabe um pouco:
PhD - Matt Might
Quando termina o ensino médio, sabe um pouquinho mais:
PhD - Matt Might
Com uma graduação no ensino superior, você ganha uma especialização:
PhD - Matt Might
Um mestrado aumenta essa especialização:
PhD - Matt Might
Ler trabalhos acadêmicos leva você ao limite do conhecimento humano:
PhD - Matt Might
Quando alcança esse limite, você se foca:
PhD - Matt Might
Você força a barreira por alguns anos:
PhD - Matt Might
Até que, um dia, a barreira cede:
PhD - Matt Might
E esse pequeno calombo que você fez chama-se Ph.D:
PhD - Matt Might
Agora, é claro, você vê o mundo de um jeito diferente:
PhD - Matt Might
Mas não se esqueça da dimensão das coisas:
PhD - Matt Might
E continue forçando os limites.