segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Driving Driving Driving - Kimya Dawson

Não é exatamente uma novidade, mas eu encontrei hoje e quero compartilhar.
A cantora folk (ou melhor, anti-folk, segundo ela) americana Kimya Dawson (responsável por boa parte das canções do filme Juno) fez uma música sobre o derramamento de petróleo no Golfo do México.

Consta que, após quatro meses da explosão da plataforma de petróleo, conseguiram parar o vazamento. Mas o petróleo continua no mar.

Eu adoro a Kimya. Suas músicas são simples, mas dizem tudo.
Ela publicou o clipe abaixo em seu blog no dia 24 de junho.



Driving Driving Driving

I'm not a conspiracy theorist, but I read blogs by scientists
And I believe they know more than we are being told
By the mainstream media sources who want the truth to hold it's horses
so there isn't mass hysteria as the sea floor erodes

And those in and on the ocean all say hey what's this commotion
and they try to get away but they are moving in slow motion
because their bodies are so heavy from a substance thick and deadly
they say I don't want to die It's all your fault I wasn't ready

I'm so sorry and I'm scared and sad and mad and unprepared
to see the stuff that's in the sea evaporate into the air
where it will gather and form clouds that travel north upon the wind
and drop their cool refreshing poison raindrops on our crops and children

So this may be the end I've always thought the end of man
would be exactly what we need for the earth to stand a chance
And I always thought I would be fine If this happened if my lifetime
But now that I'm a mother it seems much more terrifying

And I've always identified with a turtle's soft insides
Because there are times when I really need to hide
But even the strongest, hardest, thickest shell is not designed
to survive, to survive, to survive

Something of this magnitude

Because water is fluid and oil is crude

And it billows way down deep and it sticks to grains of sand
And it floats upon the surface where the birds all try to land
And the marshes are all ruined and ecosystems destroyed
And the people all along the Gulf Coast are now unemployed

While the men who cut the corners still scream DRILL, DRILL, DRILL
from their yachts so far away and their mansions on the hill
And they turn away the cameras and scream KILL, KILL, KILL
As they light endangered sea turtles on fire

They light turtles on fire

Because the seas are all connected, and we are all connected
And you are in denial if you think you won't be affected
You can't hide behind your flag because water knows no border
It will creep in every crack and seep in every pore

They lie about the numbers the solutions are illusions
But no cover up can hide this huge of a contusion
On the face of our mother, that's right, mother earth
Is the cost of every living thing what your product is worth?

Well, we are all afflicted with an underground addiction
will our desire for convenience be the cause of our extinction?
And the industry's the master and we are all the slaves
And we're DRIVING, DRIVING, DRIVING to our GRAVES, GRAVES, GRAVES

We must teach our kids to love themselves and let them live their lives
What will they be if they grow up? Whatever they like.
It's crucial to raise children who don't do what they're told
Who will fight for what's right and who can't be bought or sold

I want nothing of this business I am staying underground
And I'm gonna ride the railroad and let my guard down
We can forage, and ride bikes, and jump in lakes, and go on hikes
We can sing and sing for hours and click LIKE, LIKE, LIKE

When somebody posts something good we share and spread the truth
It's time to define what success means to you
I hope my kid will never be another cog in their machine
Trapped inside a box trying to remember her dreams

They will sell us all out for their GREED, GREED, GREED
As we cry for the earth as she BLEEDS, BLEEDS, BLEEDS

So hold on to your loved ones, yeah, hold on for dear life
Try to walk like thunder leaving footprints that are light
Hold on to your loved ones, hold on for dear life
Try to walk like thunder leaving footprints that are light

I'm not a conspiracy theorist, but I read blogs by scientists
And I believe they know more than we are being told
By the mainstream media sources who want the truth to hold it's horses
so there isn't mass hysteria as the sea floor erodes

And those in and on the ocean all say hey what's this commotion
and they try to get away but they are moving in slow motion
because their bodies are so heavy from a substance thick and deadly
they say I don't want to die It's all your fault I wasn't ready

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Quatro dígitos!!!

Essa é pra comemorar!

Hoje, o Raízes e Asas ultrapassou a marca das

mil visitas!!!
(1028, para ser exata!)

E daí que uns 10% das visitas são minhas mesmo (para ver se ficou tudo certinho com a postagem)?
E daí que tem blogs por aí com mais de mil visitas por dia?

Esse número foi alcançado sem praticamente nenhuma publicidade, e eu estou muito feliz!
E estou certa de que as próximas mil visitas virão mais rapidamente, uma vez que tem cada vez mais conteúdo por aqui.

Obrigada pela visita!
E muito obrigada também aos meus dois seguidores! Um beijo em cada um! rs

Guia ilustrado do doutorado

Você sabe o que é um doutorado?
Matt Might, professor de ciências da computação na Universidade de Utah, consegue explicar muito bem de um jeito simples:

Todo ano, eu explico para uma nova leva de alunos de doutorado o que é um doutorado.
É difícil descrever com palavras.
Então, eu uso images.

Veja abaixo o Guia Ilustrado para o Doutorado (Ph.D).

Imagine um círculo que contém todo o conhecimento humano:
PhD - Matt Might
Quando você termina o ensino fundamental, você sabe um pouco:
PhD - Matt Might
Quando termina o ensino médio, sabe um pouquinho mais:
PhD - Matt Might
Com uma graduação no ensino superior, você ganha uma especialização:
PhD - Matt Might
Um mestrado aumenta essa especialização:
PhD - Matt Might
Ler trabalhos acadêmicos leva você ao limite do conhecimento humano:
PhD - Matt Might
Quando alcança esse limite, você se foca:
PhD - Matt Might
Você força a barreira por alguns anos:
PhD - Matt Might
Até que, um dia, a barreira cede:
PhD - Matt Might
E esse pequeno calombo que você fez chama-se Ph.D:
PhD - Matt Might
Agora, é claro, você vê o mundo de um jeito diferente:
PhD - Matt Might
Mas não se esqueça da dimensão das coisas:
PhD - Matt Might
E continue forçando os limites.

sábado, 14 de agosto de 2010

O amor à música

Encontrei no blog Heartwood Guitar Instruction.

O vídeo abaixo é uma reportagem da CBS, de maio de 2009 (em inglês e sem legendas, infelizmente), sobre Andy Mackie, um senhor escocês de 71 anos que vive nos Estados Unidos.

Andy Mackie - CBS Após nove cirurgias cardíacas, ele estava tomando 15 remédios para o coração, mas seus efeitos colaterais eram muito debilitantes.
Então, um dia, ele decidiu parar de tomar os remédios, e dedicar seus últimos dias àquilo que sempre amou: a música. Ele usou o dinheiro que gastaria em remédios para comprar 300 gaitas, que deu a crianças carentes, com aulas inclusas.
Como Andy não morreu no mês seguinte, comprou mais algumas centenas.
Isso foi 12 anos, e mais de 13.000 gaitas, atrás.

Andy também passou a fabricar instrumentos simples de corda e ensinar técnicas de violão às crianças.
Algumas crianças aprenderam a fabricar os instrumentos, para que a prática se mantenha, e elas são encorajadas a ensinar o que aprendem a outras crianças.

Arrecadações da Andy Mackie Music Foundation são utilizadas para a doação de novos instrumentos, a contratação de professores e concessões de bolsas de estudo.

"Não acho que Bill Gates se sinta mais rico do que eu", diz Andy na reportagem.
Que bom que há pessoas assim no mundo!

Belo Monte?

Confesso não estar muito a par da polêmica acerca da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Estava sabendo que muita gente, incluindo cientistas e povos indígenas, estão preocupados com as implicações das mudanças na bacia do rio Xingu.
Há alguns dias, li uma entrevista no site do IHU (Instituto Humanitas Unisinos) que me deixou bastante preocupada também. A entrevista é com André Villas-Bôas, que trabalha com povos indígenas desde 1978 e é coordenador do Instituto Socioambiental (ISA).
Segundo ele, o projeto dessa usina já existe há 3 décadas. Ele chama Belo Monte de “cavalo de Tróia”, pois, para que seu funcionamento possa aproximar-se da capacidade instalada, será necessário fazer outras barragens no rio – causando um impacto muito maior do que o previsto. É como se fossem aprovadas 5 barragens 'pelo preço de uma'.

Leia abaixo a entrevista.

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IHU On-Line – Por que os índios que vivem fora da área de Belo Monte também estão preocupados com a construção dessa usina hidrelétrica?

André Villas-Bôas – Belo Monte vai afetar diretamente boa parte da bacia do Rio Xingu, dando outro rumo ao curso de água e isso é algo muito grave. Belo Monte vai ter a capacidade instalada de gerar 11 mil megawatts, mas, na verdade, a média de geração ao longo do ano vai ser de 4.600 megawatts, ou seja, a capacidade instalada só vai operar por um mês durante um ano todo. Para que você possa ter a média mais alta de aproveitamento da capacidade instalada, teriam que ser feito outros barramentos acima que pudessem reter água para que fossem liberadas no período de seca. A média passaria de quatro para 9.500 megawatts. Se outras barragens forem feitas, portanto, outras várias áreas indígenas e as unidades de conservação serão atingidas.
Em 2008, o governo afirmou, através de resolução do Conselho Nacional de Energia, que apenas a barragem de Belo Monte seria construída. Porém, esta é uma resolução que pode ser mudada na próxima reunião do conselho. Não há uma segurança de que não serão feitas as quatro barragens rio acima. Os povos da região acham que o governo vai mesmo construir esses quatro barramentos, mais cedo ou mais tarde. Resumindo: Belo Monte é um “cavalo de tróia” de um complexo hidrelétrico que está planejado para o Xingu há muitos anos, mas é só a ponta deste projeto.

IHU On-Line – Qual o argumento das tribos?

André Villas-Bôas – Os Carapó e os Caiapó temem que as outras usinas sejam construídas e que Belo Monte seja o início de um ciclo de destruição do rio Xingu. Tem outros grupos que serão afetados indiretamente, que é caso dos Arara, dos Araraté e dos Paracanã. São grupos cujas terras ainda não foram totalmente demarcadas. Como são terras consideradas como invadidas, podem ser ocupadas pelo fluxo migratório de aproximadamente cem mil pessoas para aquela região em decorrência das obras da barragem.
Então, se a terra dessas tribos não estiver protegida quando esse fluxo ocorrer os problemas provavelmente vão se agravar. O projeto vai desviar uma parte do rio, algo em torno de cem quilômetros, por um canal que vai passar a receber um fluxo de água menor. Esse hidrograma está em aberto dentro dos estudos que foram feitos pelas empresas e isso é determinante para sabermos os impactos e conseqüências da obra na navegabilidade, nos recursos pesqueiros e na sobrevivência de uma série de ambientes florestais localizados na beira do rio, fatores determinantes para os povos indígenas que vivem na região.

IHU On-Line – Como a obra está afetando esses povos?

André Villas-Bôas – Uma empresa que vai investir 30 bilhões numa obra tem interesse enorme sobre a construção desta obra. O que está havendo na região é um assédio em relação às etnias, ou seja, está sendo realizado um trabalho de cooptação sem que haja de fato uma discussão esclarecedora sobre os impactos e as definições de vários aspectos da obra. Com isso, os povos estão se dividindo politicamente.

IHU On-Line – Quem tem feito esse trabalho de cooptação?

André Villas-Bôas – Esse trabalho tem sido feito por parte da Eletronorte, que é a principal orquestradora da construção desta obra. Ela tem uma estrutura forte na região há 30 anos, quando começaram a pensar a viabilização de Belo Monte.

IHU On-Line – O que o senhor, como indigenista, pode falar sobre os problemas da região?

André Villas-Bôas – É preocupante o fato de não haver uma discussão aberta com a sociedade, e com os índios, sobre os impactos das obras. O governo não fez nenhuma consulta pública, que é o momento propício para esclarecimentos, para dizer o que é a obra, qual o sentido dela, quais são os impactos, as preocupações etc. É bastante preocupante essa maneira autoritária de definir as prioridades e desconsiderar as populações locais. O problema se torna ainda maior quando a falta de diálogo se estende para outros projetos na região, como o asfaltamento da BR 136 e 158, que fica do lado leste da bacia do rio Xingu e liga o Mato Grosso ao Pará. Tem ainda a construção de pequenas hidrelétricas na região das cabeceiras do Xingu.
Não são apenas as obras que afetam o povo do Xingu que há 30 anos sofreu com um processo de ocupação muito violento e desordenado e, atualmente, está no centro do desmatamento da Amazônia. Além disso, o quadro fundiário ainda é muito instável, o processo de regulação da área é lento, há muitas áreas que não estão tituladas. A presença do Estado na região é praticamente nula.

IHU On-Line – E como o senhor vê a atuação da Justiça nessa região?

André Villas-Bôas – Ainda é bastante desigual, porque há regiões bastante isoladas onde você não tem muito a presença do Estado, e, portanto, a Justiça chega tardiamente. Em Altamira existe o Ministério Público, mas as condições de governabilidade são baixas, há pouca capacidade de monitoramento dos acontecimentos, como a ordenação do processo de ocupação regional ou o controle do desmatamento.

IHU On-Line – O presidente da Eletronorte tem dito que a maioria das etnias indígenas da região é a favor da obra e que as únicas que são contra estão no Alto do Xingu. Como o senhor vê essa questão?

André Villas-Bôas – O presidente da Eletronorte está falando disto a partir da visão de cooptação que tem. A situação da saúde, das escolas, do grau de estabilidade fundiária é precária, por isso, os povos indígenas não estão preparados para receber os impactos dessas obras, pois são as partes frágeis desta história. O processo de cooptação está dando margem para essas divisões e análises. Eu me pergunto porque não abriram uma discussão ampla e forte junto aos índios antes de cooptá-los. Há 30 anos falam de Belo Monte e nunca conversaram com os indígenas sobre o que vai mudar, sobre a importância das obras. A universidade local tem um campus em Altamira e nunca recebeu qualquer incentivo para pesquisas ou levantamentos sócio-ambientais para que pudessem compreender a obra e seus impactos na região, e, assim, construir planos de mitigação mais consistentes.
Os dados que orientaram os estudos de impacto ambiental foram feitos pelas próprias empresas que elaboraram o projeto de Belo Monte. Veja o nível de promiscuidade a que chegamos! Eu espero que Belo Monte seja um divisor de águas para o futuro das prioridades e da maneira como a sociedade brasileira possa participar destas grandes obras. A sociedade quer informações isentas, quer processos mais transparentes, e não estes processos onde os interesses se entrelaçam no ponto de vista da real demanda de energia do Brasil com os interesses das empresas e construtoras e com os interesses político-partidários.
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Também no IHU, há uma entrevista com o biólogo Paulo Buckup (UFRJ) intitulada "Belo Monte e o risco de extinção dos peixes do Xingu".
O pesquisador participou de um estudo, publicado recentemente, que aponta que há 819 espécies de peixes que correm o risco de sumir dos nossos rios, número mais de 6 vezes maior que as 133 oficialmente reconhecidas como ameaçadas. E "esse número tende a aumentar, porque, atualmente, toda semana novas espécies são descobertas no Brasil", aponta Buckup.
Ele fala sobre os principais problemas que os rios brasileiros têm enfrentado, e critica a forma como os rios amazônicos estão sendo tratados. Há espécies de peixes que vivem apenas na região de Altamira, e ainda não se sabe qual o impacto das obras sobre elas.