sábado, 14 de agosto de 2010

O amor à música

Encontrei no blog Heartwood Guitar Instruction.

O vídeo abaixo é uma reportagem da CBS, de maio de 2009 (em inglês e sem legendas, infelizmente), sobre Andy Mackie, um senhor escocês de 71 anos que vive nos Estados Unidos.

Andy Mackie - CBS Após nove cirurgias cardíacas, ele estava tomando 15 remédios para o coração, mas seus efeitos colaterais eram muito debilitantes.
Então, um dia, ele decidiu parar de tomar os remédios, e dedicar seus últimos dias àquilo que sempre amou: a música. Ele usou o dinheiro que gastaria em remédios para comprar 300 gaitas, que deu a crianças carentes, com aulas inclusas.
Como Andy não morreu no mês seguinte, comprou mais algumas centenas.
Isso foi 12 anos, e mais de 13.000 gaitas, atrás.

Andy também passou a fabricar instrumentos simples de corda e ensinar técnicas de violão às crianças.
Algumas crianças aprenderam a fabricar os instrumentos, para que a prática se mantenha, e elas são encorajadas a ensinar o que aprendem a outras crianças.

Arrecadações da Andy Mackie Music Foundation são utilizadas para a doação de novos instrumentos, a contratação de professores e concessões de bolsas de estudo.

"Não acho que Bill Gates se sinta mais rico do que eu", diz Andy na reportagem.
Que bom que há pessoas assim no mundo!

Belo Monte?

Confesso não estar muito a par da polêmica acerca da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Estava sabendo que muita gente, incluindo cientistas e povos indígenas, estão preocupados com as implicações das mudanças na bacia do rio Xingu.
Há alguns dias, li uma entrevista no site do IHU (Instituto Humanitas Unisinos) que me deixou bastante preocupada também. A entrevista é com André Villas-Bôas, que trabalha com povos indígenas desde 1978 e é coordenador do Instituto Socioambiental (ISA).
Segundo ele, o projeto dessa usina já existe há 3 décadas. Ele chama Belo Monte de “cavalo de Tróia”, pois, para que seu funcionamento possa aproximar-se da capacidade instalada, será necessário fazer outras barragens no rio – causando um impacto muito maior do que o previsto. É como se fossem aprovadas 5 barragens 'pelo preço de uma'.

Leia abaixo a entrevista.

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IHU On-Line – Por que os índios que vivem fora da área de Belo Monte também estão preocupados com a construção dessa usina hidrelétrica?

André Villas-Bôas – Belo Monte vai afetar diretamente boa parte da bacia do Rio Xingu, dando outro rumo ao curso de água e isso é algo muito grave. Belo Monte vai ter a capacidade instalada de gerar 11 mil megawatts, mas, na verdade, a média de geração ao longo do ano vai ser de 4.600 megawatts, ou seja, a capacidade instalada só vai operar por um mês durante um ano todo. Para que você possa ter a média mais alta de aproveitamento da capacidade instalada, teriam que ser feito outros barramentos acima que pudessem reter água para que fossem liberadas no período de seca. A média passaria de quatro para 9.500 megawatts. Se outras barragens forem feitas, portanto, outras várias áreas indígenas e as unidades de conservação serão atingidas.
Em 2008, o governo afirmou, através de resolução do Conselho Nacional de Energia, que apenas a barragem de Belo Monte seria construída. Porém, esta é uma resolução que pode ser mudada na próxima reunião do conselho. Não há uma segurança de que não serão feitas as quatro barragens rio acima. Os povos da região acham que o governo vai mesmo construir esses quatro barramentos, mais cedo ou mais tarde. Resumindo: Belo Monte é um “cavalo de tróia” de um complexo hidrelétrico que está planejado para o Xingu há muitos anos, mas é só a ponta deste projeto.

IHU On-Line – Qual o argumento das tribos?

André Villas-Bôas – Os Carapó e os Caiapó temem que as outras usinas sejam construídas e que Belo Monte seja o início de um ciclo de destruição do rio Xingu. Tem outros grupos que serão afetados indiretamente, que é caso dos Arara, dos Araraté e dos Paracanã. São grupos cujas terras ainda não foram totalmente demarcadas. Como são terras consideradas como invadidas, podem ser ocupadas pelo fluxo migratório de aproximadamente cem mil pessoas para aquela região em decorrência das obras da barragem.
Então, se a terra dessas tribos não estiver protegida quando esse fluxo ocorrer os problemas provavelmente vão se agravar. O projeto vai desviar uma parte do rio, algo em torno de cem quilômetros, por um canal que vai passar a receber um fluxo de água menor. Esse hidrograma está em aberto dentro dos estudos que foram feitos pelas empresas e isso é determinante para sabermos os impactos e conseqüências da obra na navegabilidade, nos recursos pesqueiros e na sobrevivência de uma série de ambientes florestais localizados na beira do rio, fatores determinantes para os povos indígenas que vivem na região.

IHU On-Line – Como a obra está afetando esses povos?

André Villas-Bôas – Uma empresa que vai investir 30 bilhões numa obra tem interesse enorme sobre a construção desta obra. O que está havendo na região é um assédio em relação às etnias, ou seja, está sendo realizado um trabalho de cooptação sem que haja de fato uma discussão esclarecedora sobre os impactos e as definições de vários aspectos da obra. Com isso, os povos estão se dividindo politicamente.

IHU On-Line – Quem tem feito esse trabalho de cooptação?

André Villas-Bôas – Esse trabalho tem sido feito por parte da Eletronorte, que é a principal orquestradora da construção desta obra. Ela tem uma estrutura forte na região há 30 anos, quando começaram a pensar a viabilização de Belo Monte.

IHU On-Line – O que o senhor, como indigenista, pode falar sobre os problemas da região?

André Villas-Bôas – É preocupante o fato de não haver uma discussão aberta com a sociedade, e com os índios, sobre os impactos das obras. O governo não fez nenhuma consulta pública, que é o momento propício para esclarecimentos, para dizer o que é a obra, qual o sentido dela, quais são os impactos, as preocupações etc. É bastante preocupante essa maneira autoritária de definir as prioridades e desconsiderar as populações locais. O problema se torna ainda maior quando a falta de diálogo se estende para outros projetos na região, como o asfaltamento da BR 136 e 158, que fica do lado leste da bacia do rio Xingu e liga o Mato Grosso ao Pará. Tem ainda a construção de pequenas hidrelétricas na região das cabeceiras do Xingu.
Não são apenas as obras que afetam o povo do Xingu que há 30 anos sofreu com um processo de ocupação muito violento e desordenado e, atualmente, está no centro do desmatamento da Amazônia. Além disso, o quadro fundiário ainda é muito instável, o processo de regulação da área é lento, há muitas áreas que não estão tituladas. A presença do Estado na região é praticamente nula.

IHU On-Line – E como o senhor vê a atuação da Justiça nessa região?

André Villas-Bôas – Ainda é bastante desigual, porque há regiões bastante isoladas onde você não tem muito a presença do Estado, e, portanto, a Justiça chega tardiamente. Em Altamira existe o Ministério Público, mas as condições de governabilidade são baixas, há pouca capacidade de monitoramento dos acontecimentos, como a ordenação do processo de ocupação regional ou o controle do desmatamento.

IHU On-Line – O presidente da Eletronorte tem dito que a maioria das etnias indígenas da região é a favor da obra e que as únicas que são contra estão no Alto do Xingu. Como o senhor vê essa questão?

André Villas-Bôas – O presidente da Eletronorte está falando disto a partir da visão de cooptação que tem. A situação da saúde, das escolas, do grau de estabilidade fundiária é precária, por isso, os povos indígenas não estão preparados para receber os impactos dessas obras, pois são as partes frágeis desta história. O processo de cooptação está dando margem para essas divisões e análises. Eu me pergunto porque não abriram uma discussão ampla e forte junto aos índios antes de cooptá-los. Há 30 anos falam de Belo Monte e nunca conversaram com os indígenas sobre o que vai mudar, sobre a importância das obras. A universidade local tem um campus em Altamira e nunca recebeu qualquer incentivo para pesquisas ou levantamentos sócio-ambientais para que pudessem compreender a obra e seus impactos na região, e, assim, construir planos de mitigação mais consistentes.
Os dados que orientaram os estudos de impacto ambiental foram feitos pelas próprias empresas que elaboraram o projeto de Belo Monte. Veja o nível de promiscuidade a que chegamos! Eu espero que Belo Monte seja um divisor de águas para o futuro das prioridades e da maneira como a sociedade brasileira possa participar destas grandes obras. A sociedade quer informações isentas, quer processos mais transparentes, e não estes processos onde os interesses se entrelaçam no ponto de vista da real demanda de energia do Brasil com os interesses das empresas e construtoras e com os interesses político-partidários.
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Também no IHU, há uma entrevista com o biólogo Paulo Buckup (UFRJ) intitulada "Belo Monte e o risco de extinção dos peixes do Xingu".
O pesquisador participou de um estudo, publicado recentemente, que aponta que há 819 espécies de peixes que correm o risco de sumir dos nossos rios, número mais de 6 vezes maior que as 133 oficialmente reconhecidas como ameaçadas. E "esse número tende a aumentar, porque, atualmente, toda semana novas espécies são descobertas no Brasil", aponta Buckup.
Ele fala sobre os principais problemas que os rios brasileiros têm enfrentado, e critica a forma como os rios amazônicos estão sendo tratados. Há espécies de peixes que vivem apenas na região de Altamira, e ainda não se sabe qual o impacto das obras sobre elas.

domingo, 8 de agosto de 2010

Feliz dia dos pais!!!

Mafalda (Quino) - dia dos pais

49 anos de The Edge!

The Edge E daí que 49 não são 50?
Hoje é aniversário de um dos maiores guitarristas do mundo; temos que comemorar!

The Edge (ou "David Howell Evans") nasceu no dia 08 de agosto de 1961.

Uma característica marcante na guitarra do U2 é o uso que The Edge faz do efeito delay, ou "eco".
Pra quem quer entender e/ou tentar imitar (e lê inglês), um site publicou um "estudo do delay de The Edge".


Biografia detalhada, que nem a do Bono, deixo pro ano que vem. Agora, só um vídeo:

The Edge cantando e tocando Sunday Bloody Sunday na turnê Popmart, em 1998


Tá bom, dois vídeos!
O segundo vai de brinde, só para vocês verem o tal do delay:

Where the Streets have no Name, ao vivo


Amo!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Impactos do novo Código Florestal - II

Recentemente, postei a matéria da Agência Fapesp sobre o debate científico a respeito da reforma do código florestal.

Depois de presenciar o (ótimo) debate, estou mais informada, e gostaria de postar alguns comentários.
Começo comentando apenas alguns dos muitos absurdos que constam no projeto:

Encostas de morros até 45 graus ficam sem proteção!
Não temos visto deslizamentos de terra suficientes ultimamente?
Quantas pessoas mais precisam morrer para nos convencermos de que é preciso manter a vegetação das encostas?

Proteção dos rios:
É preciso manter vegetação nativa nas margens dos rios, para evitar erosões, reduzir o assoreamento e a contaminação da água por agrotóxicos e outros produtos provenientes da agropecuária, e sustentar a vida aquática (mantendo uma temperatura adequada, nutrientes, etc). Além disso, essa vegetação mantém muitas espécies animais, e também serve como corredores para animais que, caso contrário, ficariam presos em um pequeno pedaço de mata (a palestra do professor da UNESP Mauro Galetti, sobre os potenciais efeitos das alterações no Código sobre os mamíferos, mostrou como esses trechos são importantes para muitas espécies).
Segundo José Galizia Tundisi (da USP de São Carlos), na região do Baixo Cotia, em São Paulo, o custo para tratar mil metros cúbicos de água é de cerca de R$ 300. Em comparação, o tratamento da mesma quantidade em uma cidade que possui rios com proteção de matas ciliares em seus mananciais cai para R$ 2.
Não se sabe se a área que consta no código atual, de 30 metros (contados a partir do leito maior, ou seja, na cheia), é suficiente – algumas pesquisas (citadas no debate) parecem demonstrar que o ideal seria muito mais. Com o novo código, a área de proteção passaria a ser proporcional à largura do rio. O que significa redução na proteção de rios menores (90% dos rios do país!). Pensem um pouco: quais são os rios que correm mais risco de desaparecer: os rios menores ou os rios grandes? Estamos reduzindo a proteção aos rios que mais precisam dela!
E a palestrante Lilian Casatti, professora da UNESP, afirmou que estudos realizados no Estado de São Paulo demonstram que o maior número de espécies de peixes está concentrado em pequenos córregos.
Além disso, a área passa a ser medida a partir da margem menor, enquanto a área a ser inundada na cheia é referida como várzea.
(os rios que secam, então, vão deixar de existir?)
Imaginem, agora, um rio que aumente mais de 15 metros na cheia.

É apenas um esquema! Desculpem a má qualidade das imagens...
fiz com um pouco de pressa e acabei salvando com baixa qualidade.

impactos da reforma do Código Florestal - proteção dos rios
O que acontece com a Área de Preservação Permanente?

impactos da reforma do Código Florestal - APP hoje
impactos da reforma do Código Florestal - APP após a mudança
Ou seja: na prática, proteção zero!

Áreas de Preservação Permanente podem ser utilizadas no cômputo da área de Reserva Legal (que já foi reduzida).
Ou seja, se as APPs de um terreno já forem equivalentes ao tamanho que teria que ter a Reserva Legal de um terreno, não precisa preservar mais nada!
E pequenas propriedades (até 4 módulos fiscais) não precisam ter Reserva Legal.

APPs e Reservas Legais são fundamentais para proteger e nossa fauna.
70% dos mamíferos em extinção da Mata Atlântica não estão protegidos em Unidades de Conservação; apenas em APPs e RLs (de acordo com Galetti).


Uma coisa que ficou clara nas palestras é que não é apenas "o sapinho", "o macaquinho" ou "as arvorezinhas" que precisam ser defendidos.
A reforma do Código Florestal afeta a flora e a fauna, sim, mas afeta também as pessoas. Todas as pessoas.

Ao diminuir a proteção aos rios, afetamos a distribuição de água (da qual dependem a própria agricultura, o gado e as pessoas), o funcionamento dos portos e a distribuição de energia elétrica.
Sérgius Gandolfi, da Esalq, deu um exemplo real do que aconteceu com a usina hidrelétrica de Assis Chateaubriand, no Mato Grosso do Sul, que viu seu reservatório desaparecer e parou de gerar energia em menos de dez anos porque os pequenos rios que a abasteciam não foram devidamente protegidos. E há outros problemas além da falta d'água: quando os rios não são protegidos, as hidrelétricas precisam trocar as turbinas com muita freqüência, por causa de sedimentos carregados pela água. Isso representa um gasto que poderia ser evitado.

Além disso, muitos medicamentos têm princípios ativos obtidos em plantas ou animais.
Alguns remédios contra hipertensão são feitos a partir do veneno de jararaca, sabiam? E recentemente foi descoberta uma planta que combate os efeitos do veneno da surucucu.
Novas aplicações de compostos animais e vegetais estão sendo estudadas hoje, e ainda há muitas espécies pouco conhecidas, muitos princípios ativos para se descobrir.
Reduzir a biodiversidade prejudica a saúde pública e a economia do país!

Falando em saúde pública, foram citados trabalhos que demonstraram um aumento nos vetores de diversas doenças que afetam a saúde humana (como a febre maculosa e o hantavírus) em áreas de cultivo sem espaços de vegetação, em oposição às áreas que mantinham vegetação nativa.

E mais: mantendo um mosaico de áreas de cultivo e áreas de vegetação nativa, os próprios produtores ganham com aumento de produtividade!
Explico: alguns animais (como certas aves ou anfíbios) se alimentam de insetos, e sua presença reduz drasticamente a ocorrência de pragas.
Além disso, a produção de muitos frutos e vegetais cultivados no Brasil depende da ação de animais polinizadores (insetos, por exemplo), que precisam da vegetação nativa para sobreviver. A castanha-do-Pará, por exemplo, é polinizada por certas espécies de abelha que ninguém sabe criar até hoje. Se não tiver mata, não tem mais a abelha, e não tem mais castanha-do-Pará, um produto de exportação importante na nossa economia. Outro exemplo, dado (também) na palestra de Vera Fonseca, professora do Instituto de Biologia da USP, foi o morango. O tamanho desse "fruto" (na verdade, um pseudofruto) depende dos polinizadores, uma vez que quanto mais flores forem fertilizadas, maior é o tamanho do morango.

Para aumentar a produtividade, NÃO é necessário aumentar a área de cultivo.
Mas mesmo se fosse, não é necessário desmatar para aumentar a área de cultivo!
O trabalho da Esalq, apresentado pelo professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, demonstra que os produtores não utilizam toda a área a que têm direito para plantar. E já há muitos métodos disponíveis para aumentar a produtividade na agropecuária, de baixo custo, que não são utilizados pela maioria dos produtores.


Agora, vejam como outras mentiras outros argumentos que circulam em defesa da reforma também não se sustentam:

- “o relator do código florestal realizou audiências públicas e ouviu todos os interessados”
As audiências públicas foram realizadas só para constar. Muitas em dias de copa do mundo e outros eventos, propositadamente para que poucas pessoas comparecessem.
Pessoas contrárias se manifestaram nessas audiências, mas não foram ouvidas; o relator já tinha opinião formada.

- “o impacto da redução da Reserva Legal não é tão grande; 'ilhotas' de vegetação não fazem diferença”
Para muitas espécies essas “ilhotas” fazem toda a diferença. Por exemplo, para aves ou mamíferos de grande porte, que podem utilizá-las para poder se locomover entre duas áreas. Fazem diferença para as plantas – e para o seqüestro de carbono da atmosfera. E podem ajudar o próprio agricultor!

- "a briga é entre aqueles que defendem o desenvolvimento e os interesses nacionais e os 'ecochatos' que defendem os bichinhos e as plantinhas, contra os interesses nacionais"
Gente, sem querer ser repetitiva, NÃO, a gente não precisa desmatar para produzir mais, não precisa destruir a mata para acabar com a fome nem aumentar a produção, e só tem a ganhar com a preservação "dos bichinhos e das plantinhas".
Se os agricultores pararem de pensar no que vão ganhar amanhã ou no ano que vem, e olharem para os próximos cinco, dez anos, vão ver que preservar é melhor para eles e para as suas famílias. Olha, não tô nem pedindo o “impensável”, de pensar no bem dos outros também...

- "os Estados Unidos (ou outro país "mais desenvolvido") não têm nada semelhante à Reserva Legal"
Mas eles também têm parques nacionais e áreas de preservação. Um estudo recente mostra os locais do mundo onde estão as florestas com copas mais altas, e algumas destas estão nos Estados Unidos.
Além disso, e por acaso isso lá é argumento? Se os americanos pulam de um penhasco você pula também??
A Europa já desmatou muito ao longo de sua história. Mas isso não quer dizer que não sofra conseqüências hoje ou no futuro próximo. E ainda há florestas na Europa, também, apesar deles terem bem menos espaço para a agricultura do que nós temos hoje (com Código antigo e tudo).
Por causa do clima e de outros fatores, as florestas daqui têm maior biodiversidade do que as florestas de lá. Por isso, muitos cientistas europeus vêm trabalhar aqui, e se preocupam com a conservação das nossas matas.
(não só das matas, mas também do Cerrado, da Caatinga, do Pantanal...)
Além disso, a tendência atual na Europa e nos Estados Unidos é tornar a agropecuária mais produtiva, ao invés de expandi-la. É nesse caminho que nós também devemos ir.

- "a campanha contra a reforma é encabeçada por ongs fajutas / corruptas" ou "por interesses estrangeiros, que querem controlar o território nacional / não querem que o Brasil cresça"
Essa eu já cansei de ouvir! Teorias da conspiração fazem sucesso, né, gente?
E nada mais fácil do que atacar quem questiona as suas idéias, ao invés de argumentar contra, não é mesmo?
Nem vale a pena discutir se as acusações são verdadeiras ou falsas. Assim como não vale a pena discutir sobre a história da vida e os podres de quem propôs ou defende a reforma do código. Não é disso que estamos falando. A proposta é ruim o suficiente, não precisemos baixar o nível para questioná-la.

- “a lei atual é de 1965, está muito desatualizada”
O nosso Código Florestal atual é uma das leis ambientais mais avançadas do mundo (o que não quer dizer que não precise melhorar).
Além disso, ele já foi modificado por diversas portarias (em 1989, em 2001, em 2006...)
Se prestarem atenção, algumas modificações propostas na reforma levam artigos a uma forma mais parecida com a antiga (por exemplo, ao reduzir a área de proteção à beira dos rios).

- "segundo a lei atual, a maioria dos produtores está na ilegalidade"
Hum... então, a melhor solução é mudar a lei e perdoar todos eles, né?
Que lógica, no mínimo, estranha.
Além disso, como mostrado no debate, algumas propriedades não precisam de muitas modificações para se legalizar. Só falta um pouco de esforço. Ou, talvez, de incentivo.
Agora, muitas propriedades também cometem absurdos, acabam com toda a vegetação, com os rios que passam por ela, em pouco tempo o solo fica pobre, o lugar fica quase abandonado e fica tudo por isso mesmo. Aí não dá!
E estudos demonstraram que, se a lei atual fosse obedecida, não haveria redução na produção(veja minha primeira postagem sobre o assunto).
Algumas pessoas não preservam porque não querem, outras porque não podem, e outras ainda por falta de informação. Não podemos tratar todos os casos da mesma forma, e tirar os deveres de todo mundo certamente não é a resposta.

- "a reforma vai beneficiar os pequenos produtores"
Essa, muitos pequenos produtores, e também o MST, já disseram que é mentira (como já expus, no link logo aí acima).
E olhem esse detalhe: segundo a proposta de reforma, quando um proprietário preservar uma área, ele deve ser compensado pelo governo, com uma quantia proporcional ao tamanho da área (por prestar “serviços ambientais”).
Como se desmatar fosse um "direito" do dono do terreno, e os recursos que ele está destruindo - a vegetação, que reduz o aquecimento global, a fauna e a flora, que poderiam gerar novos medicamentos, a própria água que bebemos - não fossem de todos. Como bem disse Sérgius Gandolfi em sua palestra: se uma fábrica começa a poluir o ar, de quem deve ser a responsabilidade por instalar chaminés e filtros para que isso pare de ocorrer: do governo, ou do dono da fábrica?
Esse dinheiro viria de onde? Ora, dos nossos impostos!
E quem teria uma área maior, e ganharia mais dinheiro? Quem tem um terreno pequeno? Ou os grandes proprietários?

Não caia nessa!


Nós, que somos contra esta proposta de reforma do código, somos chamados de retrógrados e conservadores.
Retrógrada e conservadora é a bancada ruralista! Precisamos de uma nova agropecuária! E o caminho para ela foi apontado pelos cientistas na última terça-feira.
Viver como se não fizéssemos parte do “meio ambiente” - pior, como se ele fosse nosso inimigo -, nós já não podemos mais. É esse pensamento que nos atrasa, e que atrasa o nosso desenvolvimento!


A relação dos deputados que votaram contra e a favor da reforma pode ser vista aqui.
Lembre-se desses nomes nas próximas eleições!

É provável que a Câmara decida votar ainda este ano, após as eleições e antes que os novos deputados e presidente eleitos tomem posse.
Temos que ficar de olho!

Por favor, assine e divulgue o abaixo-assinado no site Avaaz.


Muitos meios de comunicação estão do lado da reforma!
A população está sendo mal informada!
O que mais podemos fazer? Sugestões?