Sonho de consumo de muita gente (eu, inclusive!), guitarras famosas como a Les Paul e a SG podem ser fabricadas com madeira de origem ilegal.
A empresa nega (claro!), e muitos fãs falam em conspiração política(o presidente da Gibson apóia políticos do Partido Republicano) ou "dicas anônimas" falsas da concorrente Fender, mas na semana passada agentes federais apreenderam guitarras, pedaços de madeira e arquivos digitais em fábricas da Gibson nas cidades de Memphis e Nashville.
A empresa está sob suspeita de importar ilegalmente ébano indiano.
O mandado de busca alegava que 1250 peças de ébano indiano, que entraram nos EUA pelo aeroporto de Dallas no dia 22 de junho, foram importados ilegalmente, pois a Índia não permite a exportação da madeira (informações do jornal The Australian).
Em nota oficial à imprensa, a Gibson afirma que as acusações são baseadas numa interpretação errada da lei indiana - a mesma madeira seria legal se utilizada por trabalhadores indianos, mas ilegal se utilizada por americanos, segundo a interpretação.
A nota afirma, também, que a madeira apreendida é certificada pelo Forest Stewardship Council.
Segundo o blog Contraversão, o presidente da Gibson, Henry Juszkiewicz, disse em uma coletiva que a empresa é objeto de investigações injustas, que não houve acusações formais e que as autoridades não revelaram o que procuravam nas buscas realizadas no dia 24 de agosto.
Juszkiewicz disse, ainda, que a empresa toma precauções para assegurar a importação legal da madeira.
As guitarras Gibson são feitas com madeiras nobres de espécies em risco de extinção, como o mogno e o jacarandá.
Em 2009, já haviam sido feitas apreensões, com a alegação de que a empresa havia comprado jacarandá ilegalmente de Madagascar. Também não foram feitas acusações formais, até hoje.
Segundo a empresa, a madeira foi adquirida legalmente.
Consta que o mogno usado nas guitarras é todo de madeira de reflorestamento, oriundo de países da América Central.
Será que dá pra confiar?
Na noite de 19 de maio passado, um soldado de 19 anos fazia a faxina no banheiro do alojamento de um quartel do Exército na cidade gaúcha de Santa Maria, terra natal do então ministro da Defesa, Nelson Jobim. De repente, sem nenhuma razão, foi atacado por outros quatro soldados, que o jogaram na cama e o violentaram várias vezes, em rodízio. Machucado, o jovem foi transferido em sigilo para um hospital militar, onde ficou internado durante oito dias. Só no quinto dia é que a família foi informada da internação, assim mesmo com uma falsa explicação: “Ele sofreu um mal súbito numa atividade interna do quartel”, fantasiou um militar aos pais do recruta.
A investigação interna do Exército corre sob sigilo militar, após a denúncia de um sargento sobre a violência sexual. Ninguém foi preso, já que não houve flagrante, e o inquérito já foi prorrogado, ampliando para três meses o mistério sobre o caso. O general Sérgio Westphalen Etchegoyen, responsável pela investigação, diz que a vítima foi isolada e mantida sob guarda pelo temor de que tentasse o suicídio. A mãe do jovem foi ameaçada de prisão, dentro do hospital, sob suposta “insubordinação contra autoridade militares”. Ainda na cama do hospital, o violentado ouviu o aviso de um soldado que fazia a guarda no seu quarto: “Tu vai se ferrar”.
O inquérito militar, segundo a família, deve concluir que tudo não passou de uma “luta corporal de brincadeira entre os rapazes”, complementando a divertida versão preliminar do Exército de “sexo consensual” do jovem, embora manietado por outros quatro soldados.
“Novas diligências”
Esta história escabrosa foi revelada com exclusividade, no final de maio, pelo Sul21, um site de Porto Alegre que escalou um repórter persistente, Igor Natusch, para acompanhar com destemor o caso. Estranhamente, ninguém mais da imprensa se interessou por este fato de inusitada violência cometida dentro de um quartel do Exército, em pleno regime democrático. O então ministro Nelson Jobim, procurado com insistência, não deu um pio, reforçando sua confissão de que vê os jornalistas como “idiotas sem modéstia”.
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, ficou chocada ao ser informada pelo repórter, no final de maio: “Isso é um crime comum, que deve ser tratado pela Justiça comum. O Código Penal Brasileiro já não concebe mais a ideia de ‘atentado violento ao pudor’. Todo crime sexual é conformado como estupro. A existência da figura do ‘atentado violento ao pudor’ no Código Militar demonstra um imenso equívoco no ordenamento jurídico brasileiro. Vou conversar com o Comando do Exército”.
Se Maria do Rosário conversou, ninguém sabe, ninguém viu.
Em Brasília, o crime foi empurrado para debaixo do edredom.
Em Porto Alegre, a Assembléia Legislativa gaúcha foi mais corajosa. “O Exército precisa responder à sociedade sobre o que aconteceu”, disse o deputado estadual Miki Breier (PSB), presidente da Comissão de Direitos Humanos. “Não é um caso de mau comportamento. É um fato gravíssimo, que pode manchar a imagem de uma instituição muito importante. Não pode ficar restrito ao foro interno do Exército”. O deputado Jeferson Fernandes (PT), enviado a Santa Maria pela comissão, conseguiu vencer o bloqueio em torno do jovem e conversar com ele. Voltou de lá ainda mais preocupado, ao ouvir sua resposta para a alegada tentação ao suicídio: “É o que eu mais penso, todos os dias”, confessou o recruta ao parlamentar, segundo relato do Sul21.
Apesar da solitária insistência do repórter Igor Natusch, a investigação militar patina, apostando na falta de reação popular e na indulgente memória coletiva. No final de julho, o Ministério Público Militar devolveu o inquérito sobre o estupro de Santa Maria à Justiça Militar, a pretexto de novas diligências, desta vez num celular apreendido que traria cenas de vídeo da violação. Não se sabe, até agora, quais os novos prazos para apresentar a conclusão das investigações.
Crime covarde
A baixa repercussão e a restrição de informações sobre o crime praticado no sul, dentro de um quartel, é um grave sintoma deste Brasil covarde: um país que não tem coragem de confrontar os crimes militares do presente não terá, jamais, força moral para resgatar os crimes militares do passado, como as torturas e violências (muitas sexuais) praticadas na longa ditadura de 21 anos instalada em 1964. O caso sigiloso, inconcluso e vergonhoso de Santa Maria é uma herança maldita que Nelson Jobim legou, sem dó nem consciência, ao seu sucessor Celso Amorim.
É um constrangimento – mais um – para a presidente Dilma Rousseff justamente quando o Ministério da Justiça abre em Brasília, a partir de segunda-feira (22), a ‘Semana da Anistia’, embalada por um lema inspirador: “Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”.
O bravo site do sul e seu corajoso repórter estão fazendo a sua parte para que não se esqueça o covarde crime do quartel de Santa Maria.
Já os governantes civis e comandantes militares não mostraram, até agora, o que fazem para que ele nunca mais aconteça.
A primeira usina comercial de energia solar da América Latina entrou em operação ontem (04/08) no município de Tauá (CE), a 344km de Fortaleza. O empreendimento da MPX, empresa de energia do Grupo EBX (do multibilionário Eike Batista), começou a operar com capacidade inicial de 1 MW, o suficiente para suprir de energia 1,5 mil famílias.
Usina solar MPX Tauá (Fotos: divulgação)
A MPX Tauá ocupa 1,2 hectare de uma área de 200 hectares reservada ao empreendimento, e conta com 4.680 painéis fotovoltaicos. O projeto concebido pela MPX para a usina chega a 50 MW. Serão necessários 234 mil painéis para atingir essa potência.
A usina já possui autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e licença da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace) para expandir sua capacidade até 5 MW. Durante o evento de inauguração, já foi feito o anúncio da primeira expansão, para 2 MW, em parceria com a multinacional americana GE (General Electric Company), que fornecerá os equipamentos.
A MPX também firmou parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece) para troca de dados e capacitação de estudantes na área de energia solar.
Apenas o começo
Eduardo Karrer, presidente da MPX, afirma que a empresa já está pensando nas três fases seguintes de expansão da usina, até que ela chegue aos 5 MW autorizados pela Aneel. "Eu espero que a gente tenha bastante agilidade para, ao longo do segundo semestre desse ano ou início do ano que vem, já podermos (sic) anunciar as outras expansões até 5 MW", declarou. Segundo Karrer, a empresa também pretende instalar usinas solares em outras localidades do País.
O Governo do Estado do Ceará deverá realizar, ainda este ano, um leilão para comprar energia elétrica produzida através de matriz solar. O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece), Zuza de Oliveira, informou ao Diário do Nordeste que o edital deverá ser lançado logo após ser regulamentado o Fundo Estadual de Incentivo à Energia Solar (Fies), o que, garante, será realizado em breve.
A energia solar ainda é muito cara. Enquanto o custo de produção do megawatt/hora de energia hidrelétrica gira em torno de R$ 150, o de matriz solar chega a R$ 700. O objetivo do Fies é exatamente tornar viável essa produção, pagando ao empreendedor a diferença entre o valor da energia convencional e a solar.
Segundo o deputado federal Antônio Balhmann (PSB-CE), existe uma sinalização do governo federal de realizar um leilão específico de energia solar no próximo ano, mas a bancada cearense na Câmara está se mobilizando para tentar antecipá-lo para ainda este ano.
Eduardo Karrer acredita que o preço da energia de matriz solar pode se tornar, em curto ou médio prazo, competitivo. "Com a queda no preço dos equipamentos e aumento de escala dos empreendimentos, é possível que a gente consiga, que a gente possa entrar numa faixa de competitividade pra fornecimento a pequenas indústrias, a nichos residenciais". "A queda no preço vem mais do aumento da escala de produção dos painéis, do que propriamente dos custos de operação, que não são tão altos", diz.
Como a usina funciona(vídeo-propaganda da MPX):
Além da MPX Tauá, a EBX já tem dois outros empreendimentos no Ceará previstos para serem concluídos ainda este ano: as usinas termelétricas Energia Pecém e MPX Pecém II. Segundo o site da MPX, as usinas utilizarão uma "Tecnologia de Queima Limpa do Carvão", que possibilita "eliminar cerca de 95% das emissões geradas pela combustão do carvão mineral".
The New York Times, Tradução de Celso Paciorni, no Estado de S.Paulo 28/07/2011
Mulheres israelenses e palestinas se refrescam em praia de Tel-Aviv
Com ajuda de mulheres israelenses, palestinas ”driblam” fiscalização para frequentar praias
Apreensivas no início, depois arregalando os olhos de satisfação, as mulheres e meninas entraram no mar sorrindo. De mãos dadas, atiravam as cabeças para trás e riam. A maioria jamais tinha visto o mar. Elas eram palestinas da parte sul da Cisjordânia. O território não tem saída marítima e Israel não lhes permite entrar no país. Elas se arriscaram a um processo criminal, com dezenas de mulheres israelenses que as levaram à praia. E isso, aliás, era parte da questão: protestar contra o que elas e suas anfitriãs consideram leis injustas.
Nas relações palestino-israelenses – sem negociações, com recriminações mútuas, distância crescente e desumanização -, a viagem ilícita foi um raro evento que uniu o mais simples dos prazeres à mais complexa das políticas. Ela mostrou que a coexistência é dura, mas há quem se recuse a desistir dela.
“O que estamos fazendo aqui não mudará a situação”, disse Hanna Rubinstein, que viajou de Haifa a Tel-Aviv para participar. “Mas é mais uma atividade contra a ocupação. Um dia, no futuro, as pessoas perguntarão “Vocês sabiam?” E eu poderei dizer, “Eu sabia. E eu agi”.”
Essas visitas começaram há um ano por ideia de uma israelense. Prosperaram e se transformaram em um pequeno, mas determinado, movimento de desobediência civil. A jornalista Ilana Hammerman vivia na Cisjordânia, onde aprendia árabe, quando uma menina lhe disse que estava desesperada para sair, mesmo por um dia. Aos 66 anos, viúva e mãe de um filho adulto, ela decidiu “contrabandeá-la” para a praia.
Disfarce. Na viagem da semana passada, as mulheres palestinas foram disfarçadas: tiraram as roupas em vez de se cobrir. Elas se sentaram nos bancos traseiros de carros israelenses guiados por mulheres judias de meia-idade, e não usavam os tradicionais lenços de cabeça e vestidos compridos. Quando os carros cruzavam por um posto de inspeção do Exército, apenas acenaram.
As visitantes palestinas têm histórias complicadas. Na maioria de suas famílias, os homens foram presos em algum momento. Por exemplo, Manal, que nunca viu o mar, tem 36 anos, é mãe de três filhos e está grávida; cinco de seus irmãos estão em prisões israelenses, e outro foi morto quando entrou numa escola religiosa de um assentamento armado com uma faca.
As viagens à praia – sete até agora – produziram alguns momentos tensos: um esforço para provocar interesse numa biblioteca universitária fracassou. Além disso, um convite para passar a noite sofreu rejeição dos maridos palestinos. Um policial deixou todos nervosos em uma praia frequentada por judeus.
O jantar da última visita foi uma surpresa. O evento foi organizado por Hagit Aharoni, uma psicoterapeuta e mulher do chef celebridade Yisrael Aharoni. As convidadas amaram a comida de Aharoni.
“Por 44 anos nós ocupamos outro país. Estou com 53, o que significa que a maior parte de minha vida fui uma ocupante”, disse a anfitriã. “Não sou Rosa Parks, mas a admiro, pois ela teve a coragem de violar uma lei que não era justa.”
Ato normativo do procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, publicado nesta sexta-feira (29), institui no Ministério Público do Estado de São Paulo o Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento Irregular do Solo Urbano (GECAP), que, entre suas atribuições, vai combater os abusos, maus tratos, ferimentos e mutilação de animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.
A proposta de criação do grupo especial foi aprovada pelo Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça na última quarta-feira (27).
No ato de criação do GECAP, o procurador-geral de Justiça destaca que é função institucional do MP, prevista na Constituição Federal, a proteção do meio ambiente, incluída a da fauna. Segundo o Ato, a medida nasce em razão do elevado número de ocorrências envolvendo abusos, maus tratos, ferimento mutilação de animais, inclusive em ambiente urbano e doméstico, caracterizando a prática de delitos tipificados na Lei nº 9.605/98; e a grande incidência de parcelamento irregular do solo urbano, que exige a atuação especializada do Ministério Público no âmbito criminal.
“Os crimes contra o meio ambiente e os parcelamentos Irregulares do solo urbano produzem significativos prejuízos sociais, conspirando contra o ecossistema, o desenvolvimento sustentável e o crescimento ordenado do município de São Paulo”, diz o ato.
O Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento Irregular do Solo Urbano será integrado por promotores de Justiça que oficiem nas Promotorias de Justiça Criminais do Foro Central da Capital, designados pelo procurador-geral de Justiça, após consulta aos órgãos de execução abrangidos por sua atuação.
De acordo com o Ato, constitui missão do GECAP a atuação coordenada em feitos de suas atribuições, oficiando de forma integrada e harmônica com as Promotorias de Justiça Criminais do Foro Central, do Meio Ambiente e de Habitação e Urbanismo da Capital e, quando couber, com os demais órgãos de execução do Ministério Público do Estado de São Paulo.
O GECAP vai atuar sempre de forma integrada com o promotor de Justiça Natural, oficiando em representações criminais, peças de informação, inquéritos policiais, termos circunstanciados e processos criminais. Atuará, ainda, de forma coordenada e em colaboração com os demais Grupos de Atuação Especial e com os demais órgãos de execução do MP, podendo sugerir a atuação coordenada com outras Instituições públicas ou privadas.
Os promotores de Justiça que integrarão o novo Grupo de Atuação Especial do MP-SP serão indicados em 30 dias, mediante processo de legitimação pelos promotores de Justiça Naturais.
No último sábado, comemorou-se, na Bahia, a data de 2 de julho. Comemoração que passa completamente despercebida no restante do país. E o que se comemora nessa data? Nada menos que o fim das lutas de Independência do Brasil, com a expulsão das tropas portuguesas em 2 de julho de 1823.
Parece estranho se falar de guerra de Independência, quando aprendemos na escola que a Independência do Brasil foi proclamada em 7 de setembro de 1822, quando, às margens plácidas do riacho Ipiranga, em São Paulo, o então príncipe regente D. Pedro bradou “Independência ou Morte” , e depois seguiu para o Rio de Janeiro, onde, em 12 de outubro, foi proclamado imperador. Tudo de forma pacífica. A realidade na Bahia (e no Piauí, onde se travou a Batalha do Jenipapo, em março de 1823), entretanto, foi outra. Houve guerra, violentas batalhas em terra e mar, e milhares de vítimas.
Para se compreender a independência e a guerra ocorrida na Bahia é preciso retroceder um pouco nos fatos históricos daquela época. O Brasil foi uma Colônia de Portugal até 1808. Ser Colônia significava, do ponto de vista econômico, ter apenas relações comerciais com a metrópole, para onde se exportava matéria prima e de onde se importava todo tipo de manufaturados. Do ponto de vista político, significava seguir e obedecer integralmente as ordens e leis da metrópole, sem governo próprio.
Com a vinda da família real, em 1808, fugindo da invasão de Portugal por tropas napoleônicas, a situação brasileira muda e o país perde a condição de Colônia. O comércio é aberto a outras nações, especialmente a Inglaterra, e o Brasil passa a ser sede de governo, integrando o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
A derrota de Napoleão leva os portugueses, em Portugal, a buscar retomar o domínio de seu exército (que estava sob comando inglês) e o retorno à sua condição de metrópole sede do reino. Em 1820 ocorre a Revolução Liberal do Porto, que exige o regresso de D. João VI a Portugal, o retorno do chamado Pacto Colonial (restrição do comércio brasileiro exclusivamente com a metrópole) e propõe a formação das Cortes Constituintes.
D. João volta efetivamente a Portugal, deixando Pedro como príncipe regente do Brasil. No final de 1821, as Cortes portuguesas decretam o fim da regência e o retorno do príncipe. Em 9 de janeiro de 1822, pressionado pelo partido brasileiro e pelos liberais do país, ele decide desobedecer às Cortes e ficar no Brasil. Este é o significado do “Dia do Fico”, que estudamos na escola. Em 7 de setembro, às margens do Ipiranga, ele recebe novas cartas da Corte, desta vez exigindo o seu retorno e sua submissão. É quando ocorre o grito “Independência ou Morte”.
Nesse contexto se entende melhor a guerra. Na Bahia, havia uma grande população civil de portugueses e grande contingente de soldados portugueses no exército e marinha. A cisão entre brasileiros e portugueses começa a se agravar a partir de 1821, com os primeiros conflitos. Em novembro daquele ano, por exemplo, soldados portugueses atacaram soldados brasileiros nas ruas de Salvador, culminando em um confronto maior na Praça da Piedade.
Em fevereiro de 1822, é destituído o comandante das Armas, favorável ao rompimento com Portugal, e nomeado outro, completamente submisso às Cortes: Madeira de Melo. Tropas portuguesas tomam, após violentos confrontos, quartéis em Salvador em poder de soldados brasileiros. E invadem o Convento da Lapa, de freiras, onde se haviam refugiado revoltosos. À porta do convento, matam a abadessa Joana Angélica, que tentava impedir a invasão. Joana Angélica foi a primeira mártir da guerra da Independência. Surpreendentemente, ninguém sabe disso.
Outros conflitos se sucedem. Representantes da Bahia nas Cortes de Lisboa consultam por carta seus municípios sobre qual a posição da Bahia com relação a Portugal. As cidades de Cachoeira e São Francisco do Conde, seguidas pelas demais do Recôncavo, se manifestam favorável à regência e ao príncipe regente e contra as decisões da Corte. Em 25 de junho de 1822 essa posição é oficializada pela Câmara de Cachoeira. Uma escuna militar enviada por Madeira de Melo chega à cidade. Três dias depois, inicia-se o combate e o povo toma a embarcação. É o começo da guerra.
Reforços chegam à Bahia para apoio às tropas portuguesas. Da parte dos brasileiros, soldados se juntam ao povo, que se arma e se mobiliza para a guerra. Surge uma heroína: Maria Quitéria, jovem que se veste de homem e se alista como voluntário, participando de inúmeras batalhas. Um herói: Luís Lopes, o Corneteiro Lopes, português que lutava do lado brasileiro. Na batalha de Pirajá, com as tropas portuguesas em maior número e quase a vencer, o comandante brasileiro ordena o toque de retirada. Por conta própria, o Corneteiro Lopes substitui pelo toque de avançar cavalaria. Surpresas e em pânico, as tropas portuguesas se desorganizam e acabam derrotadas e em fuga.
Outra heroína da Independência do Brasil, ainda menos conhecida, foi Maria Felipa de Oliveira,
que liderou a resistência aos portugueses na ilha de Itaparica:
A guerra na Bahia prosseguirá violenta até 2 de julho de 1823 quando, derrotado, Madeira de Melo embarca para Portugal com sua tropa, e vitoriosas, as tropas brasileiras entram na capital.
O símbolo da independência na Bahia é o caboclo, identificado como o índio dono original da terra, em oposição ao colonizador europeu. Há em Salvador o monumento ao 2 de Julho, encimado pela figura do índio. Nos festejos da data, há desfile com as imagens do índio e da índia pelas ruas de Salvador.
Monumento ao Dois de Julho na Praça do Campo Grande, em Salvador
Abaixo: detalhes do monumento - à esquerda, o caboclo, representando o povo brasileiro; à direita, Maria Quitéria
O Hino a 2 de julho foi, no ano passado, oficializado como Hino do Estado da Bahia. E o poeta baiano Castro Alves – o Poeta da Liberdade – escreveu vários poemas comemorativos, sendo o mais conhecido a Ode ao 2 de Julho:
Ode ao 2 de Julho
Era no Dous de Julho
A pugna imensa
Travara-se nos cerros da Bahia…
O anjo da morte pálido cosia
Uma vasta mortalha em Pirajá.
“Neste lençol tão largo, tão extenso,
“Como um pedaço roto do infinito …
O mundo perguntava erguendo um grito:
“Qual dos gigantes morto rolará?! …
Debruçados do céu. . . a noite e os astros
Seguiam da peleja o incerto fado…
Era tocha — o fuzil avermelhado!
Era o Circo de Roma — o vasto chão!
Por palmas — o troar da artilharia!
Por feras — os canhões negros rugiam!
Por atletas — dous povos se batiam!
Enorme anfiteatro — era a amplidão!
Não! Não eram dous povos os que abalavam
Naquele instante o solo ensangüentado…
Era o porvir — em frente do passado,
A liberdade — em frente à escravidão.
Era a luta das águias — e do abutre,
A revolta do pulso — contra os ferros,
O pugilato da razão — com os erros,
O duelo da treva — e do clarão! …
No entanto a luta recrescia indômita
As bandeiras – corno águias eriçadas —
Se abismavam com as asas desdobradas
Na selva escura da fumaça atroz…
Tonto de espanto, cego de metralha
O arcanjo do triunfo vacilava…
E a glória desgrenhada acalentava
O cadáver sangrento dos heróis!
Mas quando a branca estrela matutina
Surgiu do espaço e as brisas forasteiras
No verde leque das gentis palmeiras
Foram cantar os hinos do arrebol,
Lá do campo deserto da batalha
Uma voz se elevou clara e divina.
Eras tu — liberdade peregrina!
Esposa do porvir — noiva do Sol!…
Eras tu que, com os dedos ensopados
No sangue dos avós mortos na guerra,
Livre sagravas a Colúmbia terra,
Sagravas livre a nova geração!
Tu que erguias, subida na pirâmide
Formada pelos mortos do Cabrito,
Um pedaço de gládio — no infinito…
Um trapo de bandeira — n’amplidão!...
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Crianças representam personagens do 2 de Julho nas festas da Independência da Bahia
(fotos de Eduardo Martins; veja mais imagens no site do jornal A Tarde)
O nome do aeroporto da cidade de Salvador homenageava a data histórica. Porém, em 1998, os baianos foram surpreendidos com a mudança repentina do nome para Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em homenagem ao filho do ex-senador Antônio Carlos Magalhães.
Tramitando no Congresso Nacional desde 2002, o Projeto de Lei 6.106/02 do Deputado Federal Luiz Alberto (PT/BA) luta para trazer de volta o nome do Aeroporto 2 de Julho.
Uma notícia que eu não vi na mídia: No sábado passado (4 de junho), milhares de israelenses marcharam em Tel Aviv, defendendo a criação de um Estado Palestino com base nas fronteiras de 1967, antes da Guerra dos Seis Dias.
Desculpem, mas gritei mesmo. Estou muito indignada!
Foi ontem (24/05/2011), às 15h57min. Sarney Filho (PV) lê um trecho de entrevista com o castanheiro e ativista José Claudio Ribeiro, e ao final denuncia que ele havia sido assassinado naquela manhã, junto com sua esposa Maria do Espírito Santo. Ouve-se uma grande vaia.
Pode conferir, no registro em áudio da sessão, obtido no site da Câmara:
(a fala de Sarney Filho inicia-se aos 2:10. A vaia pode ser ouvida claramente perto do final do arquivo, aos 4:50, mas pela reação do deputado já estava rolando antes)
[Às vezes o player não aparece; não sei por quê, desculpem. Se você não o está vendo, tente atualizar a página ou clicar no título da postagem. Se mesmo assim não aparecer, pode ser ouvido no site da Câmara, no link acima]
De duas maneiras diferentes, hoje os criminosos que sacrificam o meio ambiente e furam pessoas a tiros em nome do lucro venceram a batalha.
Mas a guerra não acabou.
*~*~*~*~*~* DEM, PMDB, PCdoB, PP, PTB, PRB, PMN, PHS, PRP, PRTB, PSC e PTdoB foram unânimes em votar SIM à proposta. PV e PSOL votaram NÃO. Os outros partidos ficaram divididos. Número de votos NÃO por partido: PT (34), PDT (4), PSB (3),PPS (2) PR (2), PSC (1), PSDB (1).
Esta manhã, o casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo foram assassinados, em Nova Ipixuna, no Pará. Eles foram vítimas de uma emboscada em uma ponte a 8km de sua casa, onde dois homens os alvejaram com muitos tiros de escopeta, revolver calibre 38 e pistola 380.
O casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, assassinados no Pará em 24/05/2011
Há vários meses o casal denunciava que estava sob ameaça. Eles moravam no assentamento extrativista Praia Alta/Piranheira, viviam de castanhas coletadas na floresta, e denunciavam madeireiros e carvoeiros que derrubavam árvores ilegalmente na área do assentamento.
O Sul do Pará é considerado a região mais violenta do campo no Brasil. Foi lá que também ocorreram o massacre de Eldorado dos Carajás e o assassinato da missionária Dorothy Stang.
Até quando o lucro vai ser mais importante do que a vida de alguém??
Veja o depoimento de Zé Claudio em novembro de 2010 no TEDxAmazônia:
A lista, por enquanto, tem 9 cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Natal, Volta Redonda, Florianópolis, Salvador, Fortaleza e Piracicaba. Se você está em uma dessas cidades, participe!
Eu tenho me esforçado para divulgar as manifestações, e alguns ruralistas têm vindo discutir comigo trazendo os mesmos velhos argumentos que vemos Aldo Rebelo e Kátia Abreu repetindo como disco riscado, e que já foram refutados por muita gente. (sim, eu também tenho me sentido um disco riscado tendo que repetir os mesmos argumentos contrários, e também repetindo toda hora a divulgação das manifestações... e por isso peço sinceras desculpas aos meus leitores e seguidores em redes sociais)
Bom, por tudo isso, eu juntei algumas imagens para expor alguns desses argumentos contra o "novo" Código Florestal. Desta forma, é fácil ler e lembrar na hora em que algum ruralista tentar colocar você em uma saia-justa.
Em primeiro lugar; devastar para produzir é coisa do passado. O mundo inteiro está tentando encontrar meios de proteger o que resta dos ecossistemas, e é cada vez mais importante proteger as águas e reduzir a emissão de gases-estufa. O "novo" Código Florestal vai contra tudo isso. E ainda por cima, corre o risco de ser aprovado no ano eleito pela ONU para ser o "Ano Internacional das Florestas"!
O Brasil, com toda a sua biodiversidade e com o avanço que tem tido nas ciências, deveria ser um exemplo para o mundo, não andar para trás!
Eu cresci ouvindo, a vida inteira, que a legislação ambiental brasileira é a melhor do mundo, o problema é a aplicação da lei. Pois, agora, os políticos estão querendo nivelar por baixo e tornar a lei tão ruim quanto a aplicação, para legalizar os criminosos? Que raciocínio é esse?
Alguns produtores não acreditam que a lei seja importante. Eles realmente acham, ou pelo menos querem nos convencer, que não vai ter problema nenhum desmatar e acabar com as Reservas Legais e as APPs, ao contrário do que dizem os cientistas.
Perdi a conta de quantas vezes por dia eu li, nesta última semana, que é um absurdo ter que preservar 80% da área na Amazônia.
A foto acima é de uma área desmatada na Amazônia
O Código Florestal atual pode não ser perfeito, mas para que ele melhore é preciso muito estudo; analisar as particularidades de cada ecossistema e de cada região, e também mudar a forma como nossa agricultura produz. Só assim podemos ter um desenvolvimento sustentável.
Ou então, vai continuar acontecendo isto:
As duas fotos acima mostram situações que serão legalizadas com a aprovação da proposta que tramita na Câmara. Imagens da apresentação sobre os impactos da mudança no Código Florestal, do Dr Sergius Gandolfi, da Esalq. Os slides da apresentação estão disponíveis no site da Frente Parlamentar Ambientalista.
A Usina Hidrelétrica de Assis Chateaubriant não durou 10 anos funcionando. Ela parou de gerar energia, porque as APPs dos rios que a abasteciam não foram preservadas conforme manda a lei e secaram.
Um argumento recorrente dos ruralistas, na verdade dois-em-um, repetido à exaustão pelo Aldo Rebelo, é que nós precisamos aumentar a área de produção para podermos competir no mercado internacional com países europeus e os Estados Unidos, que, segundo a lógica deles, já teriam destruído todas as suas florestas.
Ah, para quem leu esta postagem, este argumento ruralista não vai se sustentar nem por um minuto!
E isso foi só pra dar um exemplo. Ok, 20 vezes é um arredondamento... na verdade, cabem umas 23 ou 24 Alemanhas dentro do Brasil.
Paisagens da região da Floresta Negra, na Alemanha. A foto à esquerda é de Rainer Sturm / pixelio.de
Além de tudo isso, podemos dizer que o "novo" Código Florestal é inconstitucional. O poder público tem o dever de preservar o meio ambiente:
Porque as matas, as águas, o ar que respiramos, os animais, não pertencem a ninguém. Pertencem a todos nós, e nossa vida depende deles.
Um homem perturbado entrou em uma escola municipal no Rio de Janeiro, matou dez meninas e dois meninos, e se suicidou após ser atingido por um policial.
O caso suscitou muitas discussões pelo país. Comparações com o caso da escola de Columbine, nos EUA, em 1999 levaram a (necessários) debates sobre bullying e sobre segurança nas escolas.
Menos atenção tem sido dada ao aspecto de crime de ódio, expresso nos números de vítimas e nos depoimentos de testemunhas. (os nomes de algumas das vítimas podem ser vistos na foto ao lado, da homenagem feita pelo U2 durante o show no Morumbi no dia 09/04) O assassino não foi à escola para matar crianças. Foi matar especificamente meninas.
Uma das coisas que mais estão dando o que falar é a ressurreição da discussão sobre o desarmamento. O revólver 38 que foi disparado contra as crianças era, originalmente, uma arma legal, comprada há 18 anos e, posteriormente, roubada.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), apresentou ontem o projeto de realização de um novo plebiscito sobre o desarmamento (houve um referendo sobre o mesmo assunto em 2005), a ser realizado no dia 02 de outubro deste ano. A pergunta do plebiscito seria "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"
Em 2005, 60% da população votou contra a proibição. Sarney acredita que "a população foi induzida ao erro", pois "o que se nota é que a venda de armas torna o cidadão ainda mais vulnerável. E não seguro". "A sociedade muda. O que estamos vivendo hoje não é o que vivíamos há alguns anos. Precisamos repensar o que foi decidido." A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, apoia a proposta.
Na realização do referendo de 2005, foram gastos 5,7 milhões de reais na campanha contra o desarmamento, quase toda patrocinada por empresas de armamentos. A Taurus doou R$ 2,8 milhões e a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), outros R$ 2,7 milhões. A campanha pelo fim do comércio gastou R$ 2,2 milhões.
Gostaria de declarar que sou contra o comércio de armas de fogo e sou favorável à realização de um novo plebiscito. Não sei se o episódio fez uma parcela significativa da população mudar de opinião, mas acredito que a opinião de muitas pessoas tenha sido manipulada na época do referendo pelo lobby dos fabricantes de armas e pela forte campanha contra o desarmamento feita por veículos de [des]informação como a revista Veja e a Rede Globo.
A proibição do comércio de armas não vai acabar com o comércio ilegal. Mas vai reduzir a entrada de armas, antes legais, no mercado ilegal. Como foi o caso da arma usada na escola do Realengo. Nem toda arma no mercado ilegal entrou em circulação ilegalmente. Quem tem controle sobre o paradeiro de uma arma na casa, carro ou bolsa de alguém?
E armas adquiridas legalmente não se tornam menos perigosas! Eu não quero que você tenha uma arma em casa se meu filho for amigo do seu filho e for brincar na sua casa. Eu não quero que você tenha uma arma em casa e ela seja roubada por bandidos. Eu não quero que você tenha uma arma e seu filho ou sobrinho adolescente vítima de bullying um dia resolva levá-la para a escola para "se defender" ds colegas que o maltratam, ou utilize-a para cometer suicídio (óbvio que pessoas cometem suicídio sem ter armas, mas conheço pessoalmente casos de adolescentes que se mataram com a arma dos pais. E não conheci pessoalmente ninguém que tenha se matado de outra maneira, mas conheço gente que tentou, não deu certo, e hoje são felizes por não ter funcionado). Eu não quero que você tenha uma arma em casa e corra o risco de um dia decidir usá-la (você, ou sua esposa, seu irmão, seu pai, seu filho...) quando tiver uma briga no trânsito ou ou uma crise de ciúmes.
"Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas." É verdade. As armas apenas tornam isso infinitamente mais fácil.
Armas não sevem para proteger. Armas servem para matar. E eu não acredito que o "cidadão comum" seja capaz de lidar com o poder imediato de vida e morte que uma arma proporciona.
"Boa parte dos homicídios não são cometidos durante assaltos. Na maioria das vezes eles ocorrem em decorrência de brigas e do consumo de álcool e drogas. A ausência de armas em situações como esta reduziram as mortes em 80%" ~ Paulo de Tarso Andrade (Economista)
Carolina Daemon (praticante de tiro, acho que vale a pena acrescentar este detalhe) escreveu sobre o desarmamento em seu blog. Ela menciona uma simulação de roubo doméstico, feita há alguns anos, onde militares treinados ("divisões de elite", não o "batalhão do quartel da esquina") e civis com porte de armas seriam os moradores de uma residência invadida. O resultado: nenhum civil que sacou sua arma da mesinha de cabeceira "sobreviveu" a um ataque inesperado de um bandido armado.
"Sou bom atirador e, mesmo assim, fui ferido em assalto e vi minha mulher ser morta ao meu lado" ~ Ney Suassuna (ex-senador)
Ter uma arma não traz segurança para ninguém. Apenas reduz a segurança de todos.
O projeto do plebiscito ainda tem um longo caminho a percorrer. Para começar a tramitar, ele precisa de 27 assinaturas, que estão sendo recolhidas. Será, então, votado no Senado, e se aprovado ainda terá de passar por duas comissões na Câmara antes de ser votado pelos deputados. O deputado Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, já declarou ser contra a proposta.
Para o líder do DEM, Demóstenes Torres, o plebiscito é um erro e não vai resolver o problema da violência: "A questão não é tirar a arma do homem de bem, mas impedir que ela chegue às mãos do marginal. É nisso que o governo deve se empenhar".
Eu estou com a mente um pouco tendenciosa ultimamente, e essas palavras me lembraram um vídeo que, felizmente, encontrei para compartilhar com vocês. Ele começa mostrando uma fala do ator e notório defensor das armas de fogo Charlton Heston (quem assistiu Tiros em Columbine, de Michael Moore, se lembra dele):
"Não há armas boas, não há armas ruins. Uma arma nas mãos de um homem mau é uma coisa ruim. Uma arma nas mãos de um homem bom não é uma ameaça para ninguém, exceto pessoas más."
Em qual categoria será que se encaixa essa garotinha?
- Então, quando será votado? Não sei ao certo, nem sei se já está definido. Os ruralistas pressionam para que seja na próxima semana, e algumas pessoas falam que já será na próxima terça-feira, dia 5 de abril.
- Apesar de todas as tentativas de buscar um consenso e procurar um meio-termo, Aldo Rebelo decidiu radicalizar ainda mais a proposta. Ele afirmou, por exemplo, que vai retirar da proposta o único ponto que parece ter sido colocado nela para tentar agradar ambientalistas: a moratória de 5 anos a novos desmatamentos. Também vai reduzir mais ainda a já demasiado pequena Área de Preservação Permanente, que protege os cursos d'água. Ele também quer que a certificação de Reserva Legal possa ser feita pela internet, baseada somente na honestidade do dono da propriedade. Parece piada de mau gosto, mas aqui está: no Instituto Socioambiental e na Veja :-p (pra vocês verem que não é exagero dos ambientalistas)
- Comissão de negociação patina na discussão do Código Florestal, e ruralistas devem desconsiderar todo o trabalho Fonte: Instituto Socioambiental
- A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) está organizando uma grande mobilização no próximo dia 5 de abril, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, pela votação e aprovação do substitutivo à PL 1876/99
- Sete partidos (PMDB, PTB, PR, PP, PSC, PSB e DEM) decidem apoiar o substitutivo do deputado Aldo Rebelo, que altera o Código Florestal Brasileiro. Fonte: Agência Câmara de Notícias
Resumo: O que podemos fazer?
- Conscientizar nossos amigos e familiares. Mobilize-se! Divulgue nas redes sociais! Você tem conta no Facebook? Junte-se à causa!
- Organizar manifestações Os ruralistas estão organizados e vão fazer uma grande manifestação na próxima semana. Precisamos organizar manifestações contrárias e ir às ruas também! No dia 07 (quinta-feira) está programado um ato em Brasília contra o substitutivo, organizado pelo MST e outros movimentos sociais do campo (informações no blog Os Verdes de Tapes e do deputado Ivan Valente (PSOL)). Infelizmente, não estou vendo muita divulgação. (Divulgue! Divulgue!) Eu acho que deveríamos organizar manifestações em várias capitais, tomar a Avenida Paulista...
- Entrar em contato com os deputados desses partidos - via e-mail, twitter e (melhor) telefone - e questioná-los sobre este apoio! É só dizer "por favor, seja contra a proposta de alteração do Código Florestal" Sim, são muitos deputados! Contacte, pelo menos, os líderes dos partidos e o deputado em quem você votou!
*~*~*~*~*~*~* Ainda não sabe por que o projeto de alteração do Código Florestal é ruim? Descubra aqui, veja fotos dos problemas aqui, veja um vídeo informativo aqui e baixe uma cartilha sobre a proposta aqui
Passaporte Esperanto, ou Pasporto Esperanto, é uma publicação, na forma de folheto frente-e-verso, com o intuito de mostrar como o idioma universal pode abrir as portas para o mundo.
A primeira edição, de fevereiro, conta a história de um casal sul-coreano que viajou pelo mundo, visitando mais de 20 países, graças ao Esperanto. Foram impressas mais de 5000 cópias, distribuídas gratuitamente.
Parece que um segundo número já está sendo editado. Não faltam depoimentos de pessoas que viajaram hospedando-se gratuitamente na casa de esperantistas através do Pasporta Servo.
Além da versão original em português, o folheto já foi traduzido para o Esperanto(claro), inglês, francês, espanhol, catalão e sueco, e versões em húngaro e italiano estão sendo feitas. (é só clicar nos links dos respectivos idiomas para baixar ou visualizar em pdf)
A culpa das centenas de mortes nas tragédias climáticas é nossa.
Somos culpados pelo descaso. Por não dar opções de moradia para as pessoas. Por não fiscalizar. Por não nos prepararmos para reduzir o impacto das chuvas e das enchentes, mesmo estando cansados de saber que elas acontecem todos os anos.
Olhar os recordes do passado não nos ajudará a nos preparar. O conjunto de gases de efeito estufa que a atividade humana está lançando na atmosfera está mudando o clima. Entre as consequências esperadas estão o aumento da frequência e a intensidade das tempestades. Na semana passada, duas pesquisas independentes mostraram, pela primeira vez, que isso já começou a acontecer em larga escala. Os estudos, publicados pela revista científica britânica Nature, devem reduzir a cautela dos cientistas em associar as tragédias recentes ao aquecimento global. E têm um efeito imediato: quem planeja construir ou reformar o que foi atingido pelas chuvas precisa considerar que as próximas tempestades poderão ser ainda mais destrutivas e mais freqüentes.
Os pesquisadores, das universidades de Edimburgo, no Reino Unido, e de Victoria, no Canadá, analisaram os recordes anuais de chuvas de 6 mil estações meteorológicas da América do Norte, Europa e Ásia durante o período de 1951 a 1999. Depois, usando dezenas de modelos diferentes de simulação do clima no computador, compararam como teria sido o comportamento da atmosfera em cada um desses lugares sem os gases de efeito estufa lançados por nós. A conclusão é que o aquecimento global gerado pela humanidade intensificou dois terços dos recordes anuais de chuva registrados pelas estações. A pesquisa não mediu qual foi o tamanho da contribuição humana para as chuvas recordes. A influência foi ainda pequena nessas cinco décadas, quando os gases começaram a se acumular na atmosfera. As maiores consequências são esperadas a partir da próxima década. Outro grupo de pesquisa, liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford, se concentrou em um evento específico: as chuvas causaram no Reino Unido, no ano 2000, as piores enchentes desde que as medições começaram, em 1766. Segundo várias comparações com modelos de computador capazes de prever o clima para um local preciso, os cientistas concluíram que o aquecimento global aumentou entre 20% e 90% a chance de haver enchente.
(...)
Segundo a ONU, 2010 foi um dos piores anos da história em catástrofes naturais.
As tragédias e as previsões de mais alterações causadas pelo aquecimento global trazem um alerta para quem vai construir ou reformar pontes, ruas, prédios ou mesmo uma casinha na montanha. Os engenheiros costumam olhar para o histórico de chuvas da região e planejam sua obra para resistir ao pior evento que pode acontecer naquele lugar. É a chamada “chuva do século”, que cai uma vez a cada 100 ou 500 anos. Essa precaução não é mais o bastante. “O grande pressuposto é que o clima no futuro, ao longo da vida útil daquela estrutura, será o mesmo que o do passado”, disse a ÉPOCA Zuebin Zhang, um dos autores do estudo canadense. “Isso não vale mais. Os engenheiros vão precisar considerar as mudanças climáticas de agora em diante.”
(...)
No Brasil, as projeções do clima mostram que até 2050 as regiões Sul e Sudeste terão um aumento entre 10% e 30% na frequência e intensidade das chuvas. Elas serão, porém, irregulares. “O aquecimento global vai afetar o ciclo hidrológico e acelerar o processo de precipitação”, afirma José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Isso quer dizer que os 100 milímetros de chuva previstos para cair durante todo o mês numa determinada região podem cair em apenas dois dias.” Serão, portanto, chuvas muito mais fortes. Nas regiões Norte e Nordeste, o volume de chuvas pode reduzir drasticamente. “As áreas quentes do Oceano Atlântico, responsáveis pela formação de nuvens que trazem umidade para o Nordeste, mudarão de posição.”
Isso significa que obras projetadas para aguentar o grande evento climático dos séculos passados estarão expostas com frequência aos riscos de enchentes, inundações e deslizamentos de terra no futuro. Segundo um estudo do ano passado feito pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe e pelo Núcleo de População da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mais de 20% da região metropolitana da cidade de São Paulo estará sujeita a inundações ou desabamentos, caso não ocorra uma mudança no padrão de uso e ocupação do solo.
Obs: a melhor cobertura que li sobre os desastres na região serrana do rio: Afogados no descaso, de Gerson Freitas Jr. e Rodrigo Martins, para a Carta Capital. Se não leu, leia!
Já publiquei uma extensa postagem sobre a questão dos agrotóxicos. Esta manhã, eu fiquei sabendo que o Ministério da Agricultura fez uma cartilha informando a população sobre os benefícios dos alimentos orgânicos e como identificá-los, ilustrada pelo Ziraldo.
Ela foi preparada em 2009, mas até hoje não foi lançada. Por quê? Dizem que a toda-poderosa Monsanto entrou com uma ação impedindo a sua distribuição! (a empresa nega)
A cartilha "proibida" está disponível na internet. Para visualizá-la, é só clicar na imagem da capa, logo aí embaixo. Ou clique com o botão direito e salve no seu computador.
ATENÇÃO - O objetivo deste blog é partilhar informações e pensamentos, sem fins lucrativos. Por favor, respeite o meu trabalho e minhas crenças e opiniões. Eu procuro sempre citar minhas fontes e não cometer plágios ou infringir direitos autorais; caso sinta-se prejudicado por algo postado neste blog, entre em contato e eu tomarei providências imediatamente.
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