Há cerca de duas semanas, a corte local da cidade de Marivane, no Irã, decidiu punir criminosos obrigando-os a sair nas ruas vestindo trajes tradicionais das mulheres curdas.
Um grupo de mulheres de Marivane protestou contra a pena duplamente preconceituosa - contra mulheres e contra a cultura curda -, e foi confrontado violentamente pela polícia.
Para expressar seu apoio às ativistas, o jornalista curdo Masoud Fathi postou uma foto sua no Facebook usando um vestido verde tradicional, com a frase "Ser mulher não é uma forma de humilhar ou de punir ninguém".
Alguns amigos começaram a seguir o seu exemplo, e assim foi criada a página Kurd Men For Equality("Homens Curdos Pela Igualdade"), que já tem mais de 12.000 "curtidas" e fotos de centenas de pessoas.
Sasan Amjadi, um dos curdos que participaram do projeto, afirma: "eu não senti nenhum estranhamento ao vestir um traje feminino. Eu só queria demonstrar quem nós somos: é assim que nós somos, esta é a nossa cultura e eles não podem insultar nossa cultura, nossas mães e irmãs. Não podemos aceitar isso. Não pode haver sociedade livre sem mulheres livres."
Homens de outros países também se identificaram com o projeto e contribuíram usando roupas femininas para desafiar o preconceito de gênero e a cultura machista que geram problemas como violência doméstica, estupro e homofobia. A frase de Masoud tornou-se o slogan de uma campanha internacional.
Descobri este projeto hoje e fiquei feliz. Ver pessoas reconhecendo suas posições privilegiadas e se colocando no lugar dos outros é uma coisa linda. Ajuda a restaurar um pouco a fé na humanidade, sabem? Acho uma atitude fantástica.
Você pode apoiar esta campanha curtindo a página no Facebook ou enviando sua própria foto.
Enquanto as empresas dão florzinhas para suas funcionárias...
Governo recua da ideia de sanção de projeto que iguala salários de homens e mulheres
Empresários de todo o País reagiram contra a proposta alertando que, na contramão da ideia, poderia resultar na redução de vagas Rosa Costa para o Estado, 08 de março de 2012
BRASÍLIA - O governo recuou da ideia de sancionar o projeto de lei que pune as empresas que pagarem salário menor para as mulheres contratadas para a mesma atividade realizada por empregados homens. Na quarta-feira, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) anunciaram a decisão de aprovar a proposta no plenário nesta quinta-feira, deixando tudo pronto para a presidente Dilma Rousseff sancioná-la na próxima terça-feira, no Senado, numa solenidade alusiva ao Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje, dia 8 de março.
O clima era outro nesta quinta-feira e, em vez de incluir a proposta na pauta de votações, Jucá assinou um requerimento encaminhando o projeto para Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A informação que se tem é que empresários de todo o País reagiram contra a proposta alertando que, na contramão da ideia, poderia resultar na redução de vagas para mulheres no mercado de trabalho.
O projeto de iniciativa do deputado Marçal Filho (PMDB-MS), que acrescenta um parágrafo no artigo 401 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), prevê que o empregador que remunerar de maneira discriminatória o trabalho da mulher a menos do que o do homem, estará sujeito ao pagamento de multa em favor da empregada correspondente a cinco vezes a diferença verificada em todo o período da contratação.
O texto não faz referência a valores decorrentes da experiência do empregado e do tempo de serviço. Deixa ainda desprotegido o trabalhador homem que for contratado nas mesmas condições previstas para as mulheres por um salário menor. O texto foi aprovado em decisão terminativa na Comissão de Direitos Humanos (CDH) na última terça-feira e ainda está em fase de recebimento de recursos - de cinco dias - para ser considerada aprovada, sem ser votado no plenário.
E hoje eu ainda tive que ler amigas no Facebook dizendo que gostariam de matar "a primeira mulher que queimou um sutiã", que a culpa de a mulher tem jornada tripla e ainda ganha menos que os homens é toda do feminismo, e que "antigamente" (no tempo das "aulas de ponto de cruz") "é que era bom".
Desculpem, mas é muita burrice.
Esta é minha homenagem a esta data tão importante.
Não digo "feliz dia da mulher".
Eu sinto-me grata a todas as mulheres que lutaram para que eu hoje possa estudar, trabalhar, votar e escolher com quem me casar.
E sigamos lutando que a batalha é longa!
Infelizmente, a violência obstetrícia é muito comum no Brasil. E não apenas entre mulheres com baixo poder aquisitivo.
Uma em cada quatro mulheres relata maus-tratos durante o parto.
Manchete sobre a resolução 266/12 do CREMERJ na primeira página do jornal O Dia de 23/07/2012
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) deu um grande golpe no direito de escolha das parturientes.
Depois de atacar o médico-obstetra e professor da UNIFESP Jorge Kuhn por manifestar apoio ao parto domiciliar em gestações de baixo risco em um programa de televisão - ato que incentivou a Marcha pelo Parto em Casa em várias cidades do Brasil no dia 17 de junho, em defesa da liberdade de escolha e da humanização do parto -, o Cremerj publicou duas resoluções que cerceiam direitos das mulheres e ameaçam o bem-estar e a segurança do parto.
A Resolução 265/12, publicada no último dia 19, proíbe a presença de médicos em partos domiciliares e os impede de fazer parte de equipes de suporte, caso haja necessidade de remoção da mulher para ambiente hospitalar. Médicos cariocas que participarem de partos em casa serão punidos pelo Conselho.
"Art. 1º É vedada a participação do médico nas chamadas ações domiciliares relacionadas ao parto e assistência perinatal.
Art. 2º É vedado ao médico participar de equipes de suporte e sobreaviso, previamente acordadas, a partos domiciliares.
Art. 3º Ficam excetuadas as situações de urgência/emergência obstétrica, devendo ser feita a notificação compulsória ao CREMERJ, circunstanciando o evento.
Art. 4º É compulsória a notificação ao CREMERJ, pelos Diretores Técnicos e plantonistas de unidades hospitalares, do atendimento a complicações em pacientes submetidas a partos domiciliares e seus conceptos ou oriundas das chamadas “Casas de Parto”.
Art. 5º O descumprimento desta Resolução é considerado infração ética passível de competente processo disciplinar."
Daí para criminalizar o parto domiciliar é um passo!
A Resolução 266/12, publicada no mesmo dia, proíbe a participação de "doulas, obstetrizes, parteiras, etc." "durante e após a realização do parto, em ambiente hospitalar", privando a mulher do direito de escolher a equipe de profissionais que acompanhará seu parto.
"Art. 1º É vedada a participação de pessoas não habilitadas e/ou de profissões não reconhecidas na área da saúde durante e após a realização do parto, em ambiente hospitalar, ressalvados os acompanhantes legais.
Parágrafo único. Estão incluídas nesta proibição as chamadas “doulas”, “obstetrizes”, “parteiras”, etc.
Art. 2º Esta Resolução não se aplica às enfermeiras obstetrizes legalmente reconhecidas conforme disposto nos incisos II e III do artigo 6º da Lei nº 7.498/86.
Art. 3º O descumprimento desta Resolução é considerado infração ética passível de competente processo disciplinar."
- Respeitar a escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações.
- Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante.
- Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto.
- Respeitar a escolha da mulher quanto ao acompanhante durante o trabalho de parto e parto.
...a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetricia (FIGO)
"uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura"
"É direito da mulher definir durante o pré-natal o local onde ocorrerá o parto"
"O parto natural pode ser realizado em maternidades, Centros de Parto Normal e em casa, mas é preciso contar com o acompanhamento de uma equipe especializada, liderada por enfermeiros-obstetras ou obstetrizes. Nesse tipo de parto, a presença de uma doula também é bastante apropriada, visto que ela oferece suporte físico e emocional à parturiente, transmitindo confiança, segurança e suporte afetivo, físico e emocional."
"Parto domiciliar: Este tipo de parto é realizado na casa da parturiente. É recomendado apenas para gestações de baixo risco e deve ser conduzido por um médico ou enfermeiro-obstetra. Durante o trabalho de parto, é preciso garantir que a gestante possa ser transferida para um hospital se for registrado qualquer problema ou complicação."
"No Brasil, nas regiões do campo e da floresta, muitas crianças nascem pelas mãos de parteiras tradicionais, mulheres que, de forma voluntária, seguem o ofício de ajudar outras mulheres a parir. Cada vez mais o governo brasileiro reconhece o valor e o trabalho das parteiras tradicionais, que também atuam nos centros urbanos."
...e o próprio Código de Ética Médica!
Capítulo I, inciso XXI:
"No processo de tomada de decisões profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas."
O Cremerj não está agindo em prol do bem-estar das mulheres e de seus bebês.
Ele está, isso sim, agindo em benefício próprio, fazendo reserva de mercado e aumentando o poder dos médicos sobre nossos corpos e nossos direitos.
No Rio de Janeiro haverá uma manifestação contra a atitude do Cremerj no domingo, 5 de agosto na praia de Ipanema, a partir das 14hs.
Página do evento no Facebook: Marcha pela Humanização do Parto - RJ
As ONGs Population Action International (P. A. I.) e #ChangeMob propõem uma discussão muito interessante com o projeto "Sobrevivendo à Mudança", através de exibições do curta-metragem Weathering Change (disponível aqui, sem legendas) acompanhadas de debates.
O filme e o debate são uma preparação para a conferência Rio+20.
Até o momento, há três sessões programadas: em São Paulo (para mídia independente e mídia de masas), Brasília (para políticos e assessores) e Rio de Janeiro (para militantes e ativistas). Cada uma delas tem lugar para pelos menos 50 pessoas (para participar, inscreva-se pelo site).
Exibição do filme Weathering Change em Brasília: Data: 22/05/2012 Horário: 17h30 Local: Plenário 3, Anexo II da Câmara dos Deputados.
Exibição do filme Weathering Change em São Paulo: Data: 31/05/2012 Horário: 19h30 Local: Auditório Editora Abril, R. Sumidouro, 747, Pinheiros.
Exibição do filme Weathering Change no Rio de Janeiro: Data: 14/06/2012 Horário: a confirmar Local: Auditório da Federação Nacional dos Urbanitários - Rua Visconde de Inhauma, 134, 7º andar, Centro.
Caso tenha interesse em promover uma seção na sua cidade, empresa, grupo, entre em contato com a organização do evento (contato@generoemudancasclimaticas.org).
Mais informações e inscrições pelo site www.generoemudancasclimaticas.org
Deveria ser óbvio mas, só para deixar claro: NÃO, fulaninha não é anencéfala.
Um feto sem cérebro não é a mesma coisa que um feto com uma deficiência. Sem cérebro, não se sente. Não se pensa. Não se respira.
A chance da criança sobreviver após o nascimento é ZERO.
Manter a gravidez de um feto anencéfalo pode ser comparado a manter uma pessoa com morte cerebral respirando por aparelhos.
Se a sua religião é contra qualquer tipo de aborto, que as mulheres da sua religião não abortem. Obrigar todas as mulheres a carregar em seu ventre durante meses um feto que nascerá morto é crueldade!
E além de todo o sofrimento, a gestação e o parto de fetos anencéfalos trazem mais riscos para a mãe que uma gestação comum.
Mas, antes de tudo isso: se a lei permite o desligamento de aparelhos quando constatada morte cerebral, não há razão lógica para não permitir o aborto de anencéfalos.
A Secretaria de Políticas para Mulheres do governo federal pediu ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) a suspensão do campanha publicitária "Hope ensina" (veja na Carta Capital - que até apelidou a Gisele de "Amélia Bündchen"!).
O caso está entre os dez assuntos mais comentados de hoje no twitter e, pelos comentários da maioria dos usuários, deu pra ver que quase ninguém entendeu qual é o problema.
A campanha consiste em três comerciais "educativos", que "ensinam" o jeito "certo" (de lingerie, salto agulha e em uma pose sedutora) e o jeito "errado" (vestida) de dar uma má notícia para o "maridão".
Em um desses comerciais, intitulado "Estourei o Cartão", a má notícia é que ela estourou o limite do cartão de crédito (dele). A propagando está reforçando dois estereótipos: o homem como "o provedor" e a mulher como "a viciada em compras descontrolada".
Em outro, "Bati o Carro", ela precisa contar que bateu o carro dele (e de novo, com o "de novo" em destaque). Mais uma vez, reforça a idéia de que o homem é o provedor (por que ela não tem um carro dela?), e também reforça o mito de que mulheres dirigem mal (quando, de fato, mulheres dirigem muito melhor que os homens, tanto que seguro de carro é mais barato para mulheres).
Além disso tudo, a campanha reforça o estereótipo de femme fatale, que usa o sexo para controlar os homens.
E os comerciais ainda terminam com o narrador dizendo "você é brasileira, use seu charme", reforçando o estereótipo de puta mulher sensual que a mulher brasileira tem (não, isso não é bom!).
Ninguém tem nada contra a Gisele Bündchen nem acha ruim o fato dela aparecer de calcinha e sutiã na televisão, viu, povo burro do Twitter?
Mas na mesma época em que temos nossa primeira presidentA, e uma mulher faz o discurso inaugural na Assembléia Geral da ONU pela primeira vez na História, as mulheres ainda são vítima de violência doméstica (faltou a propaganda contar o que acontece com a mulher que der a notícia "do jeito errado"... Será que ela apanha?), ainda sofrem assédio e abuso sexual de estranhos e de conhecidos, ainda ganham menos que os homens... e muita gente no exterior associa brasileiras a prostitutas, ou turismo no Brasil a turismo sexual. (e a gente continua reforçando isso... quantas vezes você já viu uma entrevista em que o repórter NÃO pergunta a um artista que veio pra cá o que achou das mulheres brasileiras? Argh!)
Não precisamos de comerciais que reforcem tudo isso! Parabéns à Secretaria de Políticas para Mulheres!
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~* A Hope divulgou a seguinte nota em resposta à Secretaria:
"Em relação às denúncias recebidas por essa Secretaria por conta da campanha publicitária “HOPE ensina”, a HOPE, empresa com 45 anos de história e que sempre primou pela excelente relação com as suas consumidoras, esclarece que a propaganda teve o objetivo claro e bem definido de mostrar, de forma bem-humorada, que a sensualidade natural da mulher brasileira, reconhecida mundialmente, pode ser uma arma eficaz no momento de dar uma má notícia. E que utilizando uma lingerie HOPE seu poder de convencimento será ainda maior.
Os exemplos nunca tiveram a intenção de parecer sexistas, mas sim, cotidianos de um casal. Bater o carro, extrapolar nas compras ou ter que receber uma nova pessoa em sua casa por tempo indeterminado são fatos desagradáveis que podem acontecer na vida de qualquer casal, seja o agente da ação homem ou mulher.
Foi exatamente para evitar que fôssemos analisados sob o viés da subserviência ou dependência financeira da mulher que utilizamos a modelo Gisele Bundchen, uma das brasileiras mais bem sucedidas internacionalmente. Gisele está ali para evidenciar que todas as situações apresentadas na campanha são brincadeiras, piadas do dia-a-dia, e em hipótese alguma devem ser tomadas como depreciativas da figura feminina. Seria absurdo se nós, que vivemos da preferência das mulheres, tomássemos qualquer atitude que desvalorizasse nosso público consumidor."
Sinceramente, eu acho que a resposta saiu tão ruim quanto os comerciais!
A hashtag #legalizaroaborto está em primeiro lugar no twitter!
Eu não sou a favor do aborto, e acredito que não faria um aborto.
Mas sou a favor da legalização do aborto no início da gestação, porque milhares de mulheres morrem todos os anos em abortos clandestinos.
Sou a favor da legalização do aborto porque acho melhor um aborto no terceiro mês de gravidez do que um recém-nascido morrer de fome e frio numa lata de lixo.
Sou a favor da legalização do aborto porque, nos países em que ele foi legalizado, em geral não houve aumento no número de abortos realizados. Na maioria deles, o número de abortos vem diminuindo.
Sou a favor da legalização do aborto porque abortar não é algo prazeroso, é um momento traumático na vida de uma mulher, e acho errado que, além do trauma e risco de vida, ela ainda vá para a cadeia. Ela precisa é de apoio psicológico!
Sou a favor da legalização do aborto porque, mesmo com a criminalização, cerca de 2 milhões de abortos são realizados todos os anos no Brasil.
Sou a favor da legalização do aborto porque este número é uma estimativa; por ser ilegal e realizado na clandestinidade, não se sabe o número exato. Como muito bem colocado na lista "Aborto: 10 razões para legalizar", "Se o aborto fosse legalizado, o governo teria oficialmente o número de abortamentos, poderia controlá- los e saberia onde tem mais ou menos abortos para tentar diminuir este número. Se o aborto é crime não se tem controle, o número de abortos não diminui, mais mulheres morrem, mais pessoas são presas e o governo não pode fazer nada para mudar isso."
E sou a favor da legalização do aborto porque, como postaram no twitter, se coroinhas engravidassem, a igreja seria a favor do aborto faz tempo. (hahaha)
O aborto já é legalizado no Canadá, em quase todo o território dos Estados Unidos, quase toda a Europa e boa parte da Ásia, além de Cuba, Cidade do México e Oceania.
Estudos sugerem que fetos humanos não sentem dor antes dos seis meses (24 semanas) de gestação. Sim, há controvérsias - outros estudos falam que não há dor até a 29a semana, outros falam 22a semana. Na esmagadora maioria dos países em que o aborto é legalizado, isso não faz a menor diferença, pois geralmente o aborto só é permitido até o terceiro mês de gestação.
TERCEIRO MÊS! Aos três meses de gestação, o feto mede cerca de 5cm e sua pele é transparente. Se você associa aborto a essas imagens de bebezinhos ensangüentados que ilustram 99,9% dos sites e cartazes anti-aborto, saiba que isso é MENTIRA e estão te manipulando!
Quem se diz contra a legalização do aborto se diz "a favor da vida". Mas aborto legal = morte do feto; aborto ilegal = morte do feto + morte da mãe + dinheiro na mão de clínicas clandestinas.
E falam tanto dos direitos do feto; e os direitos das crianças? Quem as defende depois que elas nasceram? E as crianças de rua, que não costumam sobreviver até a adolescência? E as crianças maltratadas por seus pais? A criança não deve ser uma punição à mulher que transou sem proteção! Todas as crianças devem ser desejadas e amadas!
E por que é que todo mundo "a favor da vida" fala o tempo todo na responsabilidade da mãe, e ninguém fala da responsabilidade do pai???
Vamos deixar de ser hipócritas?
Eu sou a favor da vida, por isso sou a favor da legalização do aborto!
Homenagem a Wangari Maathai no site do Greenbelt Movement, fundado por ela em 1977
A bióloga, ambientalista, defensora dos direitos humanos, feminista e Prêmio Nobel da Paz Wangari Maathai faleceu ontem à noite, vítima de câncer.
Ela nasceu em 1940 em Nyeri, no Quênia.
Em 1960, como parte de programas relacionados com a independência do Quênia, Maathai foi um dos 300 estudantes quenianos a receber bolsas de estudos nos Estados Unidos (assim como o pai do presidente Barack Obama). Graduou-se em biologia no Mount St. Scholastica College, no Kansas, em 1964. Cursou mestrado na Universidade de Pittsburgh, e doutorado na Alemanha (universidades de Giessen e Munique) e na Universidade de Nairóbi.
Foi a primeira mulher na África Ocidental e Central a obter o título de doutora. Professora na Universidade de Nairóbi, tornou-se também a primeira mulher a presidir um departamento em uma universidade no Quênia.
Ela foi membro da Cruz Vermelha, tornando-se diretora da sede em Nairóbi em 1973. Foi também diretora do Environment Liaison Centre (criado após a Conferência de Estocolmo), em 1974.
Em 1977, Maathai fundou o Movimento Greenbelt (“Cinturão Verde”), ONG sem fins lucrativos que tem como missão "fortalecer comunidades em todo o mundo para proteger o meio ambiente e promover bons governos e culturas de paz".
O Movimento começou encorajando mulheres em áreas rurais do Quênia a plantar árvores, combater o desmatamento e restaurar a paisagem, melhorando a qualidade de vida através de acesso a água limpa, lenha, frutos e outros recursos.
Ainda em atividade, a organização já plantou mais de 40 milhões de árvores e capacitou mais de 30 mil mulheres.
“Não se pode proteger o meio ambiente a menos que se dê poder às pessoas, dê informações a elas e as ajude a entender que esses recursos são delas e que elas devem protegê-los.”
Maathai foi também uma líder no combate ao autoritarismo do regime do ex-presidente Daniel Arap Moi nas décadas de 1980 e 1990.
Por sua luta a favor do meio ambiente e da democracia e contra a corrupção em seu país, a ativista sofreu violência policial, foi presa várias vezes e recebeu ameaças de morte.
Após o advento do multipartidarismo no Quênia e a eleição de Mwai Kibaki, em 2002, ela foi eleita membro do Parlamento e se tornou secretária de Estado para o Meio Ambiente, ocupado o cargo de 2003 a 2005. Em 2004, Wangari Maathai recebeu o Prêmio Nobel da Paz por "sua contribuição ao desenvolvimento sustentável, à democracia e à paz".
Ela foi a primeira mulher africana e primeira ambientalista a receber o prêmio. Seu trabalho inspirou a Campanha 1 Bilhão de Árvores do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), lançado em 2006.
11 milhões de árvores já foram plantadas em todo o mundo, como parte da campanha.
Além do Nobel da Paz, Maathai recebeu muitas outras homenagens, como o Légion d'Honneur da França em 2006, o Prémio Nelson Mandela para a Saúde e Direitos Humanos em 2007 e a Ordem do Sol Nascente do Japão em 2009. Ela também recebeu doutorados honoris causa de diversas universidades.
Atualmente, era membro do Conselho da Associação de Parlamentares Europeus com a África (AWEPA).
“O problema é que ainda achamos que os nossos recursos durarão para sempre. Sem elevar o nosso nível de consciência ética, não poderemos entender que esse nível de vida tão elevado para poucos em detrimento de muitos não pode seguir adiante. No meu país, o Quênia, pelo menos 10% das pessoas vivem desperdiçando recursos porque querem imitar o nível de vida do mundo rico. Os recursos não são suficientes. Os países ricos exploram os recursos naturais dos pobres, e os poucos ricos dos países pobres fazem o mesmo. A nossa forma de lutar contra a pobreza é lutar contra esta forma de hiper-consumo não apenas no mundo industrializado, mas também nos países em desenvolvimento onde lamentavelmente estamos copiando o mundo rico em detrimento do nosso povo.”
(Wangari Maathai, em entrevista realizada em outubro de 2007)
O documentário de 2008 "Taking Root: The Vision of Wangari Maathai", dirigido por Alan Dater, conta a história desta mulher incrível. (veja o trailer - infelizmente, sem legendas)
Um de seus livros publicados é a autobiografia Inabalável, de 2007, disponível no Submarino.
Descanse em paz, Wangari Maathai! Obrigada por ter existido!
O Sindicato dos Metroviários já havia denunciado. Agora, as metroviárias publicaram uma carta aberta à população, denunciando quadro do programa Zorra Total que faz apologia à violência sexual.
Achei o link para o documentário "Poses", de Yolanda Domínguez, no Escreva, Lola, Escreva, e achei hilário.
Este curta-metragem coloca mulheres comuns imitando poses de modelos em meio a cenas cotidianas, para "criticar o absurdo e artificial do mundo do glamour e da moda que nos vendem as revistas, em concreto a imagem distorcida que difundem da mulher através de modelos que não representam as mulheres reais" (descrição no youtube).
Recentemente, aconteceu em várias cidades de todo o Brasil uma manifestação chamada Marcha das Vadias.
Muita gente não entendeu o sentido dessa Marcha. Pelo que vi em boa parte dos comentários a respeito, estão achando que é para defender a promiscuidade ou algo assim. Não é nada disso!
Pura preguiça. Se gastassem um minuto para procurar na internet como a Marcha começou, ou vissem algumas imagens dos cartazes que @s manifestantes carregavam, acho que o sentido ficaria bastante claro.
Mas eu dou esse crédito para os mal-informados: boa parte dos meios de comunicação não ajudou nem um pouquinho. O que mais foi mostrado foram fotos de mulheres com roupas provocantes ou fazendo topless, reafirmando o papel das mulheres como objeto sexual, que é justamente o que essas marchas questionam!
A Marcha das Vadias (uma das versões em português para Slutwalk) começou no Canadá, depois que um policial disse em uma entrevista que, para evitar serem estupradas, as mulheres não devem se vestir como sluts (putas).
Essa afirmação causou muita repercussão e as mulheres foram às ruas para protestar. Afinal, tod@s nós temos o direito de nos vestir como quisermos!
Cartaz da Marcha das Vadias em Brasília
Cartaz da Slutwalk em Toronto, Canadá: "Não nos diga como devemos nos vestir, diga aos homens para não estuprar"
Ensinem aos homens que estuprar é errado, e não às mulheres que elas devem viver com medo. Senão, daqui a pouco vamos voltar no tempo e viver trancadas dentro de casa, até o dia em que nosso pai nos der em casamento, e então viveremos trancadas na casa de nossos maridos. (Não que isso vá resolver o problema, já que, em 80% dos casos de estupro, o estuprador era conhecido da vítima, muitas vezes um membro da família)
Nossa cultura machista vive culpando a vítima nos crimes sexuais. Quantas vezes você não viu uma notícia sobre um estupro e ouviu alguém comentar, ou até pensou, que "ah, mas ela estava bêbada" ou "também, do jeito que ela se veste..." ou "mas ela já vivia dando pra todo mundo"?
Cartaz da Slutwalk em Toronto, Canadá: "Abuso sexual é o único crime em que a vítima se torna o acusado"
Cartaz da Marcha das Vadias em Brasília
Agora você já sabe que a Marcha das Vadias é um protesto contra a violência sexual e contra a culpabilização da vítima de crimes sexuais.
Um dos principais pontos questionados é a quantidade de declarações de participantes e organizadoras dessas marchas, dizendo que não são feministas.
Ao meu ver (e partilho da visão expressa no blog citado), a Marcha, na medida em que defende o direito das mulheres de se vestir como quiserem e o direito de não ser estuprada (!), é essencialmente feminista, sim! E isso é uma coisa boa! Não é?
Eu mesma já cansei de ouvir declarações tipo "não sou feminista, mas apóio a igualdade de diretos entre os gêneros" (hello! Isto é exatamente a definição de feminista!), inclusive aqui no blog já li alguns comentários assim.
Por que tantas pessoas fazem questão de dizer "Pelo amor de Deus, não me confunda com uma feminista!"? Pra mim, isso é muito difícil de entender! Desde quando defender os direitos das mulheres é algo ruim?
A única explicação possível é que essas pessoas não fazem a menor idéia do que é o feminismo (olha, ler a página sobre o termo na Wikipédia é um bom começo!).
Comentário de uma das organizadoras da marcha de São Paulo, citado na postagem da Lola: "os grupos feministas acabam sendo o oposto do machismo. E na nossa marcha nós deixamos claro que não éramos feministas, e sim femininas. Não queremos exterminar da terra a raça-homem. Apoiamos toda forma de liberdade, incluindo os grupos homossexuais (fem/masc), porém sentimos que esses grupos feministas acabam chegando com muita agressividade e são formados, na sua maioria, apenas por lésbicas, o que já denuncia seus objetivos".
Fiquei bege. É isso o que você acha que é uma feminista? Uma lésbica agressiva que quer exterminar os homens??
Para usar uma das frases do movimento feminista: o feminismo nunca matou ninguém, mas o machismo mata todos os dias.
(e, nossa, que preconceito é esse contra as lésbicas?!? Eu nunca conheci nenhuma lésbica que queria exterminar os homens, você já? Em compensação, já conheci gente que queria exterminar lésbicas...)
Ou você tem enraizada essa idéia de oposição entre "feminista" e "feminina", e acha que se assumir feminista significa necessariamente negar tudo o que é considerado feminino? Acha que todas as feministas são feias, peludas e solteironas? Ou, então, acha que pelo fato de usar maquiagem, não pode ser considerada feminista?
(parênteses: o que é uma mulher "feminina", afinal? Quero dizer... eu uso maquiagem, então acho que posso ser considerada feminina por este aspecto... mas detesto salto alto, não uso mesmo, nem sou do tipo que adora ficar olhando vitrines de lojas de sapatos... isso me torna menos feminina? Não saber cozinhar me torna menos feminina? Querer ser mãe um dia me torna mais feminina? Quais são os critérios de "feminilidade", e quem foi que os inventou?)
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