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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Prefeitura de São Paulo quer nos convencer de que é "verde"

Não sei como a Prefeitura de São Paulo não sente vergonha de veicular um anúncio destes (eu sinto!):

anúncio da Prefeitura de São Paulo veiculado na edição 648 da revista Carta Capital
"São Paulo é cheia de atrações, mas o que fez a cidade ser escolhida para sediar
o 4º Climate Summit foi o seu cuidado com o meio ambiente"

(Anúncio da Prefeitura de São Paulo veiculado na edição 648 da revista Carta Capital)

Claro! É só olhar para o horizonte colorido em belos tons de cinza e marrom ou passar perto do nosso perfumado rio para ver o quanto São Paulo cuida do meio ambiente!
[/sarcasmo]

Desde domingo, minha rinite (com a qual eu pensava estar acostumada) está me deixando louca!

E, enquanto nosso digníssimo prefeito libera "ciclofaixas de lazer" (só aos domingos, veja bem!) e planta arvorezinhas uma arvorezinha no Dia da Terra, o transporte público vai mal, cerca de mil novos carros entram em circulação a cada dia (e isto é comemorado!), e os jornais publicam notícias do tipo:

Kassab descumpre sua própria lei do clima
A gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) desrespeita a legislação ambiental que ela mesma criou há dois anos. A lei de Mudanças Climáticas do município exigia que em junho de 2011 os 96 distritos da cidade tivessem pelo menos um ecoponto, local de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho. E que a coleta seletiva virasse obrigatória em toda a cidade. Porém, há apenas 42 ecopontos em funcionamento. Só as pequenas obras na capital devem produzir 12 mil toneladas de resíduos todos os dias. Deste total, apenas 5.200 chegam aos aterros oficiais do município. No que se refere à coleta seletiva, a gestão Kassab capta de forma voluntária apenas 155 toneladas diárias de resíduos para reaproveitamento. Essa quantia representa menos de 1% das 17 mil toneladas de lixo produzidas diariamente em São Paulo
FSP, 27/7, Cotidiano, p.C4.

Promessas verdes
"Em meados de 2009, a gestão do prefeito Gilberto Kassab aprovou na Câmara Municipal de São Paulo a Lei de Mudanças Climáticas. De acordo com ela, o governo da cidade passava a assumir uma série de compromissos na área ambiental. Passados dois anos, à luz dos resultados obtidos, o saldo não é nada positivo. A prefeitura está em dívida flagrante com a legislação que ela própria criou. A não ser que se tome o documento como peça de ficção, ou como gesto inconsequente de adesão à onda verde que varre o planeta, o mínimo que se pode dizer é que a iniciativa da prefeitura foi tratada de forma leviana por seus autores. É mais preocupante quando se sabe que o secretário do Meio Ambiente da atual gestão, Eduardo Jorge, do PV, desponta como nome preferido do prefeito para concorrer à sua sucessão"
editorial - FSP, 28/7, Editoriais, p.A2.

Nova Marginal fica sem verde, tecnologia e acessibilidade
O complexo da Nova Marginal do Tietê, em São Paulo, foi concluído ontem com a inauguração da Ponte Estaiada Governador Orestes Quércia, mas sem a tecnologia prometida. A construção também não respeita as exigências ambientais previstas, como deixar a via mais verde ou melhorar a vida de quem anda ali a pé ou de bicicleta. Mesmo assim, o investimento na Nova Marginal já chega a R$ 1,75 bilhão, 75% a mais do que o orçado inicialmente. O projeto foi lançado em junho de 2009 pelo então governador José Serra (PSDB). Outras promessas também ficaram no papel. O projeto desrespeita exigências feitas pelo município para a obtenção da licença de instalação, como a criação de barreiras acústicas para diminuir o ruído perto de escolas, hospitais e residências
OESP, 28/7, Metrópole, p.C1 e C3.

Gestão Kassab recicla menos de 1% dos resíduos de São Paulo
O governo de São Paulo regulamentou, em 2010, a lei de Mudanças Climáticas. As metas principais eram criar ecopontos, para os 96 distritos da cidade, e tornar a coleta seletiva obrigatória. No entanto, os resultados atuais mostram que a gestão Kassab não prioriza a legislação ambiental. Na prática, nenhuma das metas estipuladas para junho de 2011 foram cumpridas. Um dos objetivos era que cada um dos 96 distritos da cidade tivessem, no mínimo, um ecoponto. Porém, há apenas 42 ecopontos em funcionamento.
Os aterros oficiais do município recebem diariamente 5.200 toneladas de lixo, mas o número de resíduos produzidos diariamente é muito maior, de forma que predominam na cidade a criação de depósitos ilegais de entulhos. Há, pelo menos, 1.500 pontos de depósitos não autorizados em todo o território paulistano. Em relação à coleta seletiva, a negligência também é preocupante. A cidade de São Paulo recicla menos de 1% das 17 mil toneladas de lixo produzidas. Apenas 155 toneladas de resíduos são reaproveitadas diariamente.
Redação CicloVivo, 28/7

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Abaixo os reaças!

Eu ia escrever uma postagem revoltada contra a onda de conservadorismo que assola nosso país. Desde a campanha eleitoral vergonhosa do ano passado até a "Marcha Pela Família" que aconteceu em Brasília recentemente (calafrios, muitos calafrios). Falar sobre a repressão violenta à Marcha da Maconha. Sobre Bolsonaro, Malafaia, CQCs e "liberdade de expressão" (DESRESPEITO NÃO É LIBERDADE DE EXPRESSÃO!). Sobre má-fé e críticas infundadas ao kit anti-homofobia. Sobre o assassinato de ativistas, e deputados que vaiam a denúncia desses assassinatos. Sobre os ataques histéricos de Katia Abreu a ambientalistas e a declaração infeliz da Ministra do Meio Ambiente.

Mas então eu vi a campanha abaixo no blog Bule Voador, e achei muito mais interessante.

#MarchaANTIcanhotismo da família com o Bule pela liberdade
Tem página no Facebook também.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dia de defender o meio ambiente

Dia 05 de junho é Dia do Meio Ambiente
Dia 05 de junho é Dia do Meio Ambiente.

E este fim de semana, dias 04 e 05, são dias de ir às ruas para defendê-lo!
Tem manifestações contra a mudança do Código Florestal marcadas em:
Porto Alegre - RS:
Sábado, 04/06
Largo Glênio Peres - 17h - vamos marchar até a praça da Matriz.

Vítória - ES:
Sábado, 04/06
3ª Ponte - Pedágio -17h
Vitória, Espírito Santo

Franca - SP
Sábado, 04/06
Praça da Matriz, Centro.
14h30 - 16h30.

SÃO PAULO - SP
Domingo, 05/06
Em Frente ao MASP na av.Paulista - 14h

Rio de Janeiro - RJ
Domingo 05/06
Posto 9, Ipanema - 14h30 às 17h30

Curitiba- PR
Doming, 05/06
Parque Barigui - 14h30

Taubaté - SP
Domingo, 05/06
Praça Santa Terezinha - 10h
Vestidos de preto para marcar posição contrária ao Projeto.

Florianópolis - SC
Sábado, 04/06
Trapiche Beira-Mar - 10h

Rio Grande - RS
Sábado, 04/06
Largo Dr. Pio - 10h

Alto Paraíso - Go
Sábado dia 04/06, meio-dia.
Praça do Skate, na Av. Ary Valadão

O ato em São Paulo tem mais de 1.800 presenças confirmadas no facebook.

Divulgue!
Participe!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Maria e Zé Claudio: a Amazônia ganha mais dois mártires

Esta manhã, o casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo foram assassinados, em Nova Ipixuna, no Pará.
Eles foram vítimas de uma emboscada em uma ponte a 8km de sua casa, onde dois homens os alvejaram com muitos tiros de escopeta, revolver calibre 38 e pistola 380.

o casal José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo - mártires da Amazônia
O casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo,
assassinados no Pará em 24/05/2011

Há vários meses o casal denunciava que estava sob ameaça. Eles moravam no assentamento extrativista Praia Alta/Piranheira, viviam de castanhas coletadas na floresta, e denunciavam madeireiros e carvoeiros que derrubavam árvores ilegalmente na área do assentamento.

Seus nomes juntam-se aos nomes de muitos outros mártires.

O Sul do Pará é considerado a região mais violenta do campo no Brasil.
Foi lá que também ocorreram o massacre de Eldorado dos Carajás e o assassinato da missionária Dorothy Stang.

Até quando o lucro vai ser mais importante do que a vida de alguém??


Veja o depoimento de Zé Claudio em novembro de 2010 no TEDxAmazônia:



A notícia do assassinato foi destaque na Al Jazeera e no The Guardian. Leia mais, também, na Carta Capital.


*~*~*~*~*~*~*~*
Enquanto isso, o Código Florestal está na pauta para ser votado esta noite na Câmara.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Breve apanhado sobre o Código Florestal

Bem, como todos que entram aqui devem estar sabendo, amanhã (28 de abril) é dia de manifestações em defesa do Código Florestal Brasileiro em várias cidades.

A lista, por enquanto, tem 9 cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Natal, Volta Redonda, Florianópolis, Salvador, Fortaleza e Piracicaba.
Se você está em uma dessas cidades, participe!

Eu tenho me esforçado para divulgar as manifestações, e alguns ruralistas têm vindo discutir comigo trazendo os mesmos velhos argumentos que vemos Aldo Rebelo e Kátia Abreu repetindo como disco riscado, e que já foram refutados por muita gente.
(sim, eu também tenho me sentido um disco riscado tendo que repetir os mesmos argumentos contrários, e também repetindo toda hora a divulgação das manifestações... e por isso peço sinceras desculpas aos meus leitores e seguidores em redes sociais)

Bom, por tudo isso, eu juntei algumas imagens para expor alguns desses argumentos contra o "novo" Código Florestal.
Desta forma, é fácil ler e lembrar na hora em que algum ruralista tentar colocar você em uma saia-justa.

Em primeiro lugar; devastar para produzir é coisa do passado.
O mundo inteiro está tentando encontrar meios de proteger o que resta dos ecossistemas, e é cada vez mais importante proteger as águas e reduzir a emissão de gases-estufa.
O "novo" Código Florestal vai contra tudo isso.
E ainda por cima, corre o risco de ser aprovado no ano eleito pela ONU para ser o "Ano Internacional das Florestas"!

o Código Florestal e o Ano Internacional das Florestas
O Brasil, com toda a sua biodiversidade e com o avanço que tem tido nas ciências, deveria ser um exemplo para o mundo, não andar para trás!

E, falando em ciência, cientistas já se manifestaram contrários à proposta de alteração do Código que tramita na Câmara.
Na última segunda-feira, a ABC e a SBPC apresentaram um amplo estudo a respeito. E o que os políticos fazem? Ignoram!
Que vergonha!

capa do livro-relatório da SBPC e ABC sobre os impactos do novo Código Florestal - políticos, não ignorem a ciência!
Mas, sabem por que os políticos ignoram?
Porque têm interesses pessoais envolvidos!

23 parlamentares cometeram crimes ambientasi
O Correio Braziliense fez um levantamento nas multas e embargos do Ibama, e descobriu que 18 parlamentares já foram autuados e multados pelo órgão (e estão enrolando na Justiça para não pagar, claro; afinal, apenas 1% das multas aplicadas pelo Ibama são quitadas!), e 12 parlamentares (alguns nomes se repetem) tiveram obras e propriedades rurais embargadas por crimes ambientais.

Eu cresci ouvindo, a vida inteira, que a legislação ambiental brasileira é a melhor do mundo, o problema é a aplicação da lei.
Pois, agora, os políticos estão querendo nivelar por baixo e tornar a lei tão ruim quanto a aplicação, para legalizar os criminosos? Que raciocínio é esse?

Alguns produtores não acreditam que a lei seja importante. Eles realmente acham, ou pelo menos querem nos convencer, que não vai ter problema nenhum desmatar e acabar com as Reservas Legais e as APPs, ao contrário do que dizem os cientistas.

Isto não é sustentável!
Perdi a conta de quantas vezes por dia eu li, nesta última semana, que é um absurdo ter que preservar 80% da área na Amazônia.

sem a floresta, a Amazônia vai virar um deserto.
A foto acima é de uma área desmatada na Amazônia


O Código Florestal atual pode não ser perfeito, mas para que ele melhore é preciso muito estudo; analisar as particularidades de cada ecossistema e de cada região, e também mudar a forma como nossa agricultura produz.
Só assim podemos ter um desenvolvimento sustentável.

Ou então, vai continuar acontecendo isto:

impactos do novo Código Florestal - Sergius Gandolfiimpactos do novo Código Florestal - Sergius Gandolfi
As duas fotos acima mostram situações que serão legalizadas com a aprovação da proposta que tramita na Câmara.
Imagens da apresentação sobre os impactos da mudança no Código Florestal, do Dr Sergius Gandolfi, da Esalq. Os slides da apresentação estão disponíveis no site da Frente Parlamentar Ambientalista.


Isto já foi um rio - é o que vai virar regra, com o novo Código Florestal
A Usina Hidrelétrica de Assis Chateaubriant não durou 10 anos funcionando. Ela parou de gerar energia, porque as APPs dos rios que a abasteciam não foram preservadas conforme manda a lei e secaram.

Sergius Gandolfi - desmatamento acaba com hidrelétrica de Assis ChateaubriantSergius Gandolfi - desmatamento acaba com hidrelétrica de Assis Chateaubriant
Imagens da apresentação do Dr Sergius Gandolfi, da Esalq.

Um argumento recorrente dos ruralistas, na verdade dois-em-um, repetido à exaustão pelo Aldo Rebelo, é que nós precisamos aumentar a área de produção para podermos competir no mercado internacional com países europeus e os Estados Unidos, que, segundo a lógica deles, já teriam destruído todas as suas florestas.

Aldo Rebelo: mentiroso e cara-de-pau
Ah, para quem leu esta postagem, este argumento ruralista não vai se sustentar nem por um minuto!

A Alemanha tem um terço do território coberto por vegetação nativa, é 20 vezes menor que o Brasil e exporta mais produtos agrícolas
E isso foi só pra dar um exemplo.
Ok, 20 vezes é um arredondamento... na verdade, cabem umas 23 ou 24 Alemanhas dentro do Brasil.

a Floresta Negra, na Alemanha. Foto de Rainer SturmLago Tittisee, na Floresta Negra, Alemanha
Paisagens da região da Floresta Negra, na Alemanha. A foto à esquerda é de Rainer Sturm / pixelio.de


Além de tudo isso, podemos dizer que o "novo" Código Florestal é inconstitucional. O poder público tem o dever de preservar o meio ambiente:

O novo Código Florestal é inconstitucional. O poder público tem o dever de preservar o meio ambiente!
Porque as matas, as águas, o ar que respiramos, os animais, não pertencem a ninguém. Pertencem a todos nós, e nossa vida depende deles.

A Terra Vista do Alto: as florestas são de toda a humanidade!

terça-feira, 29 de março de 2011

Vídeo resume substitutivo à PL 1876/99

Vídeo da Fundação Boticário explica, muito didaticamente, os problemas com a proposta de mudança no Código Florestal:

sábado, 26 de março de 2011

Uma hora apenas

Hora do Planeta 2011 - campanha da WWF
Hoje (26/03), entre as 20h30 e as 21h30 (horário de Brasília), é a Hora do Planeta.

Um evento anual promovido pela WWF, no qual pessoas, empresas e cidades passam uma hora com as luzes apagadas (idealmente, com todos os aparelhos eletrônicos desligados) para demonstrar sua preocupação com o mundo em que vivemos.




Veja algumas imagens da Hora do Planeta em várias cidades ao redor do mundo, nos últimos três anos:

(você pode ver mais belas imagens da Hora do Planeta de 2009, com super efeitos especiais, no site do Boston Globe)

Toronto, Canadá, durante a Hora do Planeta
o Coliseu (Roma, Itália), durante a Hora do Planeta
Castelo de Edimburgo, Escócia, durante a Hora do Planeta
Xangai, China, durante a Hora do Planeta
Toronto, Canadá, durante a Hora do Planeta
a Torre Eiffel (Paris, França), durante a Hora do Planeta
Manila, Filipinas, durante a Hora do Planeta
Brisbane, Austrália, durante a Hora do Planeta
o Cristo Redentor durante a Hora do Planeta
Praça dos Três Poderes (Brasília), durante a Hora do Planeta

Passados os 60 minutos, 90% dessas pessoas, empresas e cidades voltam a acender suas luzes e a gastar tanta energia quanto antes.

Meio hipócrita? Talvez.
Mas ninguém (eu acho) espera que esta uma hora de luzes apagadas faça uma grande diferença para a conservação do nosso planeta.
A Hora do Planeta é um ato simbólico, e pode ser um momento de tomada de consciência para as pessoas mudarem seus hábitos. Assim espera a WWF, e também os ativistas que vêm divulgando a data.
Todas as datas comemorativas são simbólicas, e têm esse objetivo de conscientizar e trazer um assunto à tona (como o Dia da Terra, o Dia Internacional da Mulher, o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS...)
Em nenhuma dessas datas se espera que os problemas do planeta, a violência e discriminação contra as mulheres e a AIDS desapareçam. Elas são um convite a parar um pouco e pensar no assunto.

Vamos dedicar uma horinha do nosso dia ao planeta hoje?

Vídeo oficial da Hora do Planeta 2011:


Obs: não sabe o que fazer sem energia elétrica? A WWF criou um jogo de tabuleiro pra você passar o tempo! É só baixar gratuitamente (aqui!), imprimir e jogar.

domingo, 20 de março de 2011

20 de março: Dia Mundial sem Carne

20 de março é o dia mundial sem carneHoje é o Dia Mundial Sem Carne.
Convido você a fazer um pequeno esforço e não comer carne hoje.

Por quê?
Pelos animais, pela sua saúde e pelo meio ambiente!

Diminuir seu consumo de carne é uma das atitudes mais importantes que você pode tomar, se você se preocupa com o meio ambiente.
A criação de gado é o maior responsável pelo desmatamento da Amazônia, além de um grande emissor de gases-estufa e gastador de água e de espaço que poderia ser usado para cultivar outros alimentos. Uma única peça de picanha exige 75 quilos de vegetais para ser produzida! Quase 80% da nossa produção de soja serve para alimentar animais de produção!

pecado da carne - você sabe o impacto que essa suculenta picanha tem na sua saúde e na saúde do planeta?
Segundo Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática da ONU e Prêmio Nobel da Paz em 2007, "um granjeiro pode alimentar 30 pessoas durante um ano com um hectare de terra se produzir vegetais, frutas e cereais. Se a mesma área for utilizada para produzir ovos, leite ou carne, o número cai para entre cinco e 10 pessoas".

O site em espanhol Dia Sin Carne traz muitas informações sobre a data e receitas:

dia sin carneO que comer, então?

Nossa, há tantas opções sem carne, além da saladinha, do feijão-com-arroz e da carne de soja.
Você pode, por exemplo, ir a um restaurante italiano ou fazer uma macarronada em casa. Só não vale molho à bolonhesa!
O blog Cantinho Vegetariano tem muitas receitas deliciosas!

coma mais vegetais!
"Ah, mas agora já foi... já almocei carne!"
Não coma amanhã, ué!
Reduzir o consumo de carne não será menos importante amanhã, ou no mês que vem, do que é hoje!
O consumo de carne que temos hoje (e que só vêm aumentando) é insustentável!

sábado, 5 de março de 2011

"Se os abatedouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos"

É o que diz o Paul McCartney no vídeo abaixo, que eu tive que pular alguns trechos quando estava assistindo. Não é para estômagos sensíveis!
Comer carne também não.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Evento em Campinas promove energia solar

o sol entre as mãosNos dias 15 e 16 de março, a UNICAMP sediará o Workshop Inovação para o Estabelecimento do Setor de Energia Solar Fotovoltaica no Brasil (Inova FV), um evento com o objetivo de "reunir especialistas e profissionais de empresas, governo e instituições de pesquisa nacionais para construir uma ação coordenada para o setor nos âmbitos tecnológico, regulatório, de infra-estrutura física, talentos, mercado e investimentos, debatendo e validando a agenda de ações para o estabelecimento de uma política industrial, científica e tecnológica de desenvolvimento e competitividade da indústria de equipamentos fotovoltaicos no país".
energia solar: célula fotovoltaica
A lista de palestrantes inclui Hamilton Moss de Souza, Diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME); Eduardo Soriano, do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), cientistas e representantes da Eletrobras e Eletrosul. Veja aqui a programação.
A inscrição é gratuita!

Gratuito também é o curso de Introdução à Instalação de Sistema Fotovoltaico que será oferecido em São Bernardo do Campo. Para participar, é necessário ser maior de idade e ter concluído o ensino fundamental. Inscrições até dia 22 de março.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pequenos produtores mostram as vantagens da preservação

árvores fazem uma falta...Ah, eu sei que já escrevi muitas vezes sobre isso, mas nem todo mundo que entra aqui vai procurar pelas coisas que escrevi meses atrás. E sempre há muito o que falar!

O Código Florestal (que não protege apenas as florestas, mas todos os ecossistemas brasileiros e diversos bens dos quais precisamos para sobreviver e que vão sumir se os ecossistemas forem destruídos, como a água) está em perigo, e interesses privados pressionam para que uma proposta (muito, muito ruim) seja votada - e aprovada - este mês na Câmara dos deputados.

Este foi o prólogo.

Hoje, li uma reportagem no site do Estadão e gostaria de compartilhá-la aqui.
A reportagem (leia um trecho mais abaixo) mostra como pequenos produtores que se adaptaram às exigências da lei atual conseguiram muito mais do que a legalidade: conseguiram recuperar nascentes de água e melhorar sua qualidade de vida, tendo lucro ao mesmo tempo!

Kátia Abreu e Aldo Rebelo fazem lobby, manipulando dados e afirmando que o Código Florestal atual deixa "100% dos agricultores brasileiros" na ilegalidade (sim, Rebelo disse esse disparate! Isso não apenas é uma mentira deslavada, como ele precisa aprender a mentir direito; algumas semanas atrás eu li que ele havia dito "80% dos agricultores", o que já foi ridículo!) e que quem é contra o Código florestal está representando "ONGs estrangeiras" e "interesses escusos".

Gostaria de saber em qual categoria se encaixam todos os cientistas, de instituições renomadas como a Embrapa, a ESALQ, a USP, a SBPC e a ABC, que são contra a proposta.
Também são contra diversos movimentos e associações de pequenos produtores rurais, dentre eles o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), a Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF), o MST e a Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Apesar do Ministério do Meio Ambiente (também contrário às modificações propostas) estar procurando um acordo entre os "ruralistas" e os "ambientalistas" (será que ainda vamos precisar desses rótulos, por quanto tempo?), os ruralistas (leia-se "grandes produtores que querem ganhar o máximo que puderem o mais rápido possível") já afirmaram que não aceitarão nenhuma proposta alternativa.
Hoje, o presidente da Câmara, Marco Maia, criou um grupo para tentar negociar a proposta de alteração antes que ela seja levada a votação. Estou tentando ser otimista, mas não podemos relaxar!

Leia abaixo um trecho da reportagem publicada no Estadão, "Pequenos produtores mantêm reserva legal", de Leandro Costa e José Maria Tomazela:
agricultor mostra as vantagens de manter a Reserva LegalCapela do Alto. O agricultor João Carlos Wincler estava a ponto de desistir da lavoura e da criação de gado de leite no Sítio da Alvorada, em Capela do Alto (SP). O terreno é declivoso e a cada chuva ele via brotar a erosão, que abria sulcos no mandiocal e acabava com o pasto. "A mina de água secou e tivemos de dar água da torneira para o gado." Wincler e os três irmãos herdaram do pai a propriedade de 14,5 hectares e não tiveram o cuidado de evitar que o gado pisoteasse a pequena mata do sítio. A capoeira de 3,6 hectares estava sendo dizimada, além da erosão.

Há quatro anos, eles aderiram ao programa estadual de microbacias e receberam a visita do agrônomo Antonio Vieira Campos, da Casa da Agricultura local. "Ele mandou cercar a mata para o gado não entrar e recomendou que recuperássemos a área degradada."

Com equipamentos do programa, foram construídas duas bacias de contenção na parte de cima do terreno. Na parte mais sujeita às enxurradas foram plantadas touceiras de bambu e outras espécies de crescimento rápido. Os resultados logo surgiram. Sem o gado comendo os brotos e plantas novas, a mata encorpou. A mina voltou a jorrar. "É uma água tão boa que a gente enche os galões para beber." O pasto passou a produzir mais e a produção de leite melhorou.

O melhor mesmo foi recuperar a mina. O veio de água tornou-se permanente e, além de abastecer gado e lavoura, encorpa o riacho que atende às propriedades vizinhas. Pequenos produtores de abobrinha e outras hortaliças usam a água para irrigação. "Do jeito que estava indo, o sítio ia acabar", diz José Carlos, que não se importa de destinar à reserva legal mais de 20% da área do sítio. "Quando passamos a cuidar da mata, tudo melhorou, até a lavoura."

Em Apucarana. Quando regularizou a situação da sua propriedade, em Apucarana (PR), há três anos, o cafeicultor Paulo Fenato perdeu 3, de 38 hectares de cultivo. Para recompor a área de reserva, arrancou 3.500 pés de café. Fenato não se sente punido, porém. "Foi necessário. Não só porque a lei pede, mas porque a preservação dos recursos naturais depende disso", diz ele, cuja propriedade está na bacia do Rio Pirapó, que, além de Apucarana, abastece municípios da região central do Paraná, como Maringá.

Compensar a redução na área de plantio não está sendo tão difícil. Com técnicas avançadas em uma pequena parcela da propriedade ele já igualou a produção anterior. "Substituí o plantio convencional pelo adensado em 2 hectares e já recuperei a perda. Se antes eu plantava 550 pés/hectare, agora planto 4.100 no mesmo espaço." Fenato pretende multiplicar a produtividade nos próximos anos, estendendo o adensamento para toda a lavoura.

Em relação às vantagens de preservar, Fenato diz: "A paisagem mudou. Depois que reflorestei minha propriedade ela voltou a ter vida, com bichos e pássaros", diz. Ele frisa a importância da preservação. "Quanto mais a natureza sofrer, mais nós, produtores, sofreremos". Para preservar as mata ciliares e manter a reserva legal, ele recebe da Prefeitura de Apucarana um prêmio mensal de R$ 562. Junto com outros 68 produtores, ele integra o Projeto Oásis Apucarana, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo, que visa a incentivar a conservação das matas em torno dos Rios Pirapó e Tibagi, que banham a região.

Também em Apucarana, o sojicultor Satio Kayukawa diz que nunca contou com os 9 hectares de área de preservação de seu sítio. Quando comprou a propriedade de 36 hectares, no fim da década de 1980, ela já possuía essas áreas de reserva e só mexeu nelas para substituir 1.800 eucaliptos por árvores nativas.Há, dentro da propriedade, seis nascentes, que ele diz cuidar com zelo. "Elas são minha garantia de água boa." O investimento em variedades de soja mais produtivas permitiu ao produtor tocar a propriedade sem expandir a área de plantio, de 17 hectares.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aquecimento global é culpado por 2/3 dos recordes de chuva

área de deslizamento de terra em Teresópolis, Rio de Janeiro - 12/01/2011A culpa das centenas de mortes nas tragédias climáticas é nossa.

Somos culpados pelo descaso. Por não dar opções de moradia para as pessoas. Por não fiscalizar. Por não nos prepararmos para reduzir o impacto das chuvas e das enchentes, mesmo estando cansados de saber que elas acontecem todos os anos.

Mas mais do que isso, somos culpados pela chuva.

Trechos da reportagem Fomos nós que fizemos a chuva, publicada na seção de Ciência e Tecnologia da revista Época:
Olhar os recordes do passado não nos ajudará a nos preparar. O conjunto de gases de efeito estufa que a atividade humana está lançando na atmosfera está mudando o clima. Entre as consequências esperadas estão o aumento da frequência e a intensidade das tempestades. Na semana passada, duas pesquisas independentes mostraram, pela primeira vez, que isso já começou a acontecer em larga escala. Os estudos, publicados pela revista científica britânica Nature, devem reduzir a cautela dos cientistas em associar as tragédias recentes ao aquecimento global. E têm um efeito imediato: quem planeja construir ou reformar o que foi atingido pelas chuvas precisa considerar que as próximas tempestades poderão ser ainda mais destrutivas e mais freqüentes.

Os pesquisadores, das universidades de Edimburgo, no Reino Unido, e de Victoria, no Canadá, analisaram os recordes anuais de chuvas de 6 mil estações meteorológicas da América do Norte, Europa e Ásia durante o período de 1951 a 1999. Depois, usando dezenas de modelos diferentes de simulação do clima no computador, compararam como teria sido o comportamento da atmosfera em cada um desses lugares sem os gases de efeito estufa lançados por nós. A conclusão é que o aquecimento global gerado pela humanidade intensificou dois terços dos recordes anuais de chuva registrados pelas estações. A pesquisa não mediu qual foi o tamanho da contribuição humana para as chuvas recordes. A influência foi ainda pequena nessas cinco décadas, quando os gases começaram a se acumular na atmosfera. As maiores consequências são esperadas a partir da próxima década. Outro grupo de pesquisa, liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford, se concentrou em um evento específico: as chuvas causaram no Reino Unido, no ano 2000, as piores enchentes desde que as medições começaram, em 1766. Segundo várias comparações com modelos de computador capazes de prever o clima para um local preciso, os cientistas concluíram que o aquecimento global aumentou entre 20% e 90% a chance de haver enchente.
(...)
Segundo a ONU, 2010 foi um dos piores anos da história em catástrofes naturais.

As tragédias e as previsões de mais alterações causadas pelo aquecimento global trazem um alerta para quem vai construir ou reformar pontes, ruas, prédios ou mesmo uma casinha na montanha. Os engenheiros costumam olhar para o histórico de chuvas da região e planejam sua obra para resistir ao pior evento que pode acontecer naquele lugar. É a chamada “chuva do século”, que cai uma vez a cada 100 ou 500 anos. Essa precaução não é mais o bastante. “O grande pressuposto é que o clima no futuro, ao longo da vida útil daquela estrutura, será o mesmo que o do passado”, disse a ÉPOCA Zuebin Zhang, um dos autores do estudo canadense. “Isso não vale mais. Os engenheiros vão precisar considerar as mudanças climáticas de agora em diante.”
(...)
No Brasil, as projeções do clima mostram que até 2050 as regiões Sul e Sudeste terão um aumento entre 10% e 30% na frequência e intensidade das chuvas. Elas serão, porém, irregulares. “O aquecimento global vai afetar o ciclo hidrológico e acelerar o processo de precipitação”, afirma José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Isso quer dizer que os 100 milímetros de chuva previstos para cair durante todo o mês numa determinada região podem cair em apenas dois dias.” Serão, portanto, chuvas muito mais fortes. Nas regiões Norte e Nordeste, o volume de chuvas pode reduzir drasticamente. “As áreas quentes do Oceano Atlântico, responsáveis pela formação de nuvens que trazem umidade para o Nordeste, mudarão de posição.”

Isso significa que obras projetadas para aguentar o grande evento climático dos séculos passados estarão expostas com frequência aos riscos de enchentes, inundações e deslizamentos de terra no futuro. Segundo um estudo do ano passado feito pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe e pelo Núcleo de População da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mais de 20% da região metropolitana da cidade de São Paulo estará sujeita a inundações ou desabamentos, caso não ocorra uma mudança no padrão de uso e ocupação do solo.


como o calor influencia as chuvas - Revista Época
Obs: a melhor cobertura que li sobre os desastres na região serrana do rio: Afogados no descaso, de Gerson Freitas Jr. e Rodrigo Martins, para a Carta Capital. Se não leu, leia!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quando o lucro é mais importante do que vidas

avião despejando venenoNo Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental (I SIBSA), evento que aconteceu em dezembro de 2010, Raquel Rigotto, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro do GT de Saúde e Ambiente da Abrasco, contou a experiência do núcleo de pesquisa Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a sustentabilidade – coordenado por ela. O grupo acompanha, há quatro anos, os problemas da população da região da Chapada do Apodi, entre os municípios de Limoeiro do Norte e Quixeré, no Ceará, área de expansão recente da fruticultura para exportação, com grande exploração da força de trabalho e degradação ambiental.

"Quando chegamos lá, a comunidade do Tomé nos falou de um problema que era a pulverização aérea de agrotóxicos, especificamente no cultivo da banana, com fungicidas que são muito tóxicos e persistentes no meio ambiente. E essa pulverização atingia também as comunidades, já que as empresas foram instaladas justamente onde já havia muitas comunidades há muitos anos. Eles fizeram relatos de que as roupas que eles lavavam ficavam com cheiro de veneno no varal, que galinhas morriam e crianças passavam mal", relata a pesquisadora.

O Diário do Nordeste denunciou, em 2008, que os casos de câncer em Limoeiro do Norte estão muito acima da média nacional (até o ano de 2007, média aproximada de um caso de câncer para cada 300 habitantes), e houve pelo menos três mortes de trabalhadores rurais por envenenamento desde 2006.

Diante das denúncias, o grupo Tramas fez um acompanhamento da pulverização aérea em 2008 e 2009, e verificou contaminação da água da região pelos mesmos agrotóxicos pulverizados, entre outros.

peixes mortos por agrotóxico - pessoas bebem essa água!
Peixes mortos em tanque que abastece famílias com água para beber, em Limoeiro do Norte.
Agrotóxicos são a causa da mortandade.

Em novembro de 2009, graças à mobilização das comunidades, a Câmara de Vereadores de Limoeiro do Norte aprovou uma lei proibindo a pulverização aérea, dez meses depois que a União Europeia havia proibido esse tipo de pulverização.

Entretanto, as empresas reagiram fortemente, falando do prejuízo que teriam sem a pulverização, e em uma sessão realizada, segundo Raquel, "às escondidas", a Câmara de Vereadores de Limoeiro revogou a lei anterior e a pulverização aérea voltou a ser permitida na região.

José Maria Filho, líder comunitário assassinadoHidelbrando dos Santos, diretor da Fafidam-Uece, em Limoeiro, publicou no início da década um levantamento sobre a intensa concentração de terras e a conseqüente expropriação de trabalhadores, como o líder comunitário José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé, que presidia a Associação dos Desapropriados São João.

José Maria denunciou a contaminação da água por agrotóxicos e combatia a pulverização aérea. Ele foi assassinado em 21 de abril de 2010, com 19 tiros.
Ninguém foi preso.

Outras regiões do Ceará também têm tido problemas com a pulverização (vide notícia Pulverização de agrotóxicos causa morte de gados e aves em Paraipaba, de 01/02/2011, no Ceará Agora).

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Infelizmente, o assassinato de pessoas que lutam pelos direitos humanos e pelo meio ambiente, contrariando interesses particulares, é algo comum no nosso país.

No dia 12 de fevereiro, o assassinato da missionária Dorothy Stang completou 6 anos.
A região continua um cenário de faroeste. Madeireiros invadem o terreno dos agricultores, cortam árvores ilegalmente, e quem denuncia é ameaçado de morte. Há menos de um mês, a revista Carta Capital publicou um artigo intitulado "Continua tensa a situação em assentamento onde morreu missionária".

Em dezembro de 2008 foi assassinado o seringueiro e ambientalista Chico Mendes.

Muitos outros, anônimos, já foram mortos covardemente em nome do lucro individual de fazendeiros e empresários.
Infelizmente, é provável que muitos ainda serão.
E todos sabemos o porquê:

Não podemos perder um único dólar - trecho de carta sobre poluição causada pelos produtos, que circulou internamente na Monsanto
"Não podemos perder um único dólar" - trecho de carta sobre como lidar com a questão da poluição causada por seus produtos, que circulou internamente na Monsanto na década de 70.
Resume bem a maneira como as grandes empresas lidam com qualquer polêmica, não?
(não deixe de ver o documentário "O mundo segundo a Monsanto"!)


"No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a floresta amazônica. Agora, percebi que estava lutando pela humanidade."
~ Chico Mendes


Cuando los Ángeles Lloran - Maná

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Comer salada é saudável. Certo?

vai um veneno aí?Depende.
Você sabe o que tem nos vegetais que sua família come? Sabe de onde eles vêm?

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 15% dos alimentos consumidos pelos brasileiros apresentam taxas de resíduos de veneno (pesticidas, praguicidas, formicidas, herbicidas, fungicidas, ou, coletivamente, agrotóxicos) em níveis prejudiciais à saúde.

Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos.
Na safra de 2009, foram utilizadas 1 milhão de toneladas de defensivos agrícolas, adubos e fertilizantes, e esse recorde deve ter sido superado em 2010 (os dados oficiais devem sair no próximo mês).

Isso acontece por causa do modelo de produção brasileiro, baseado no agronegócio.
Incentivados pelas políticas públicas, os produtores compram “pacotes tecnológicos”, com sementes (muitas vezes, transgênicas), fertilizantes e agrotóxicos.
Em entrevista ao Portal Ecodebate, a pesquisadora da Fiocruz Lia Giraldo explica que "desde a década de 70, exatamente no ano de 1976, o governo criou um plano nacional de defensivos agrícolas. Dentro do modelo da Revolução Verde, os países produtores desses agroquímicos pressionaram os governos, através das agências internacionais, para facilitar a entrada desse pacote tecnológico. Em 1976, o Brasil criou uma lei do plano nacional de defensivos agrícolas, na qual condiciona o crédito rural ao uso de agrotóxicos. Assim, parte desse recurso captado deveria ser utilizada em compra de agrotóxicos, que eles chamavam, com um eufemismo, de defensivos agrícolas. Então, com isso, os agricultores foram praticamente obrigados a adquirir esse pacote tecnológico".

Quem enriquece são as grandes multinacionais.
As seis maiores empresas produtoras de agrotóxicos no mundo (Syngenta, Bayer, Monsanto, Basf, Dow e DuPont) concentram cerca de 70% do mercado de sementes, agrotóxicos, fertilizantes e transgênicos.
monocultura de soja transgênica
obs: ao contrário do que muitas vezes afirmam as empresas, o uso de transgênicos não minimiza os custos e nem o uso de agrotóxicos. Só no caso da soja (75% transgênica no Brasil), a venda de herbicidas aumentou mais de 200% na última década, enquanto o aumento na área plantada foi de 67%.

Para combater as pragas e aumentar a produção, os agricultores compram venenos que também fazem mal às próprias plantas que produzem, precisando comprar em seguida adubos e fertilizantes, que – mera coincidência – são produzidos e comercializados pelas mesmas empresas que produzem os agrotóxicos.
Um dos efeitos que os agrotóxicos têm é matar bactérias benéficas, como as fixadoras de nitrogênio, um nutriente necessário para as plantas. Torna-se necessário, então, aplicar fertilizantes (cujo elemento principal é o nitrogênio). Só que, depois de aplicado no solo, cerca de 1% do nitrogênio dos fertilizantes é liberado para o ar na forma de óxido nitroso, um gás quase 300 vezes pior para o aquecimento global do que o CO2. E cada 100kg de fertilizante químico emite 540 quilos de CO2 para ser fabricado.
Os resíduos de fertilizantes vão parar em lagos, rios, lençóis freáticos e até no mar, causando um grande desequilíbrio ecológico: primeiro, eles fertilizam algas e plantas aquáticas, que crescem além da conta. Só que, quando elas morrem, sua decomposição rouba oxigênio da água, matando todos os peixes e outros animais. Existem cerca de 400 zonas mortas nos mares, hoje, por causa desse fenômeno.
O uso de fertilizantes tem mais um efeito nocivo, este para a nossa alimentação: as frutas cultivadas com eles têm menos nutrientes, como ferro e vitamina C, que as orgânicas. As plantas crescem e começam a produzir mais rápido, tendo raízes menores e menos tempo para acumular nutrientes nos frutos.

O uso continuado dos venenos também, por um simples mecanismo de seleção, provoca a resistência das pragas. Com o tempo, os agrotóxicos deixam de funcionar, obrigando o agricultor a aumentar a dose ou a comprar um novo produto, num ciclo vicioso (ótimo para quem vende agrotóxicos!).

ilustração de Mike Baldwin - resistência a pesticidas
Quer mais?
Um outro ranking coloca o Brasil entre os primeiros em acidentes por intoxicação com agrotóxicos.
Segundo a Tribuna do Interior, em 2008 foram registrados, somente no Sul do país, 1.139 casos de intoxicação, segundo o Sistema Nacional de Informações Toxicofarmacológicas (Sinitox), órgão vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A Anvisa estima que, para cada caso conhecido, 50 não tenham sido informados.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 3% dos trabalhadores expostos a agrotóxicos no mundo sofrem algum tipo de intoxicação.

Os agrotóxicos estão entre os principais fatores de risco para a saúde da população, afetando os trabalhadores rurais, os consumidores e o meio ambiente.

E o pior de tudo é que o Brasil é o principal destino dos agrotóxicos proibidos no exterior.
Dez variedades vendidas livremente por aqui não circulam na União Europeia e Estados Unidos, alguns nem em vários países da África e até no Paraguai.

Ao invés de ser um argumento para que tenhamos cautela com relação a esses agrotóxicos, a proibição em outros países aumenta a pressão das empresas pelo aumento das vendas no Brasil e contra as avaliações da Anvisa, para não perder mercado.
O coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Luís Rangel, admite que produtos banidos em outros países e candidatos à revisão no Brasil – justamente os que possuem evidências de serem perigosos – têm aumento anormal de consumo entre os produtores brasileiros. Para reverter isso, seria preciso uma lei que controlasse a importação de agrotóxicos sob suspeita. Mas, é claro, as empresas, com auxílio de setores do governo, farão todo o possível para evitar que isso aconteça.

Em 2008, a Anvisa colocou em reavaliação 14 ingredientes ativos (utilizados em mais de 200 agrotóxicos), dentre eles o endossulfan, o acefato e o metamidofós, com base em indícios de riscos à saúde.
Entretanto, uma série de decisões judiciais impediram, por quase um ano, a Anvisa de realizar a reavaliação dessas substâncias. "Empresas de agrotóxicos e o próprio Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola recorreram ao Judiciário para impedir a Anvisa de cumprir seu papel", critica a consultora jurídica do Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), Andrea Salazar.
Após muita luta, a Anvisa conseguiu reverter as decisões judiciais.

De lá pra cá, já foram divulgados os resultados de algumas dessas reavaliações.
Resultados publicados em agosto de 2010 determinam o banimento total da cyhexatina até julho de 2011 e apresentam o indicativo do banimento da utilização de acefato, metamidofós e endossulfan.
Os indicativos de banimento da Anvisa são analisados por uma comissão tripartite formada pela própria Anvisa, o Ibama e o Ministério da Agricultura.
Este ano, já foi determinado o fim do uso do metamidofós até o dia 30 de junho de 2012. Segundo a Anvisa, mesmo em pequenas doses, esse agrotóxico provoca intoxicação.

agrotóxicos perigosos nos alimentos segundo a Anvisa
Em junho de 2010, a Anvisa divulgou os dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), que ainda em 2009 analisou 20 culturas (abacaxi, alface, arroz, banana, batata, beterraba, cebola, cenoura, couve, feijão, laranja, maçã, mamão, manga, morango, pepino, pimentão, repolho, tomate e uva) em 26 estados do Brasil. Apenas Alagoas não participou.
Os dados mostram que agrotóxicos com alto risco para a saúde humana são utilizados sem levar em consideração a existência ou não de autorização do Governo Federal. Em 15 das 20 culturas analisadas foi encontrada presença irregular de agrotóxicos – em níveis acima do permitido pela legislação ou utilizados em culturas para as quais não estão autorizados. Dentre eles, o acefato, o metamidofós e o endossulfan.
Nenhuma das culturas possui autorização de uso do agrotóxico endossulfan, que já é proibido em 45 países e causou mortes por intoxicação na Colômbia (veja a lista de países que baniram o endossulfan e de seus motivos), porém, os resultados demonstraram a presença do veneno em 14 delas.

resultados insatisfatórios do PARA - agrotóxicos perigosos nos alimentos
O gráfico acima mostra os resultados insatisfatórios do PARA, por alimento, considerando apenas os ingredientes ativos de agrotóxicos que estão em reavaliação toxicológica na Anvisa devido aos seus efeitos negativos para a saúde humana. Em vermelho está o endossulfan.

Quanto veneno pode ter na água que bebemos?

O modelo de agricultura baseado no agronegócio foi um dos temas do I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental (I SIBSA), realizado de 6 a 10 de dezembro em Belém do Pará.
No encontro, foi aprovada uma moção contra o uso de agrotóxicos na agricultura e cobra a mudança do modelo de cultivo para uma plataforma agroecológica.
No dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, deve ser lançada a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

Outra moção aprovada durante o Simpósio questiona a revisão da portaria 518/2004 do Ministério da Saúde, que regulamenta quais e que quantidades de substâncias podem estar na água para consumo humano. A moção critica a tentativa de aumento do limite máximo de glifosfato (o Roundup da Monsanto; uma das substâncias que a Anvisa quer reavaliar pelo risco de danos à saúde) na água potável e a falta de diálogo com setores ligados à saúde ambiental durante o processo.
Para Wanderlei Pignati, professor do Núcleo de Estudos Ambientais da UFMT, ao analisar o histórico das portarias de potabilidade da água no Brasil – a primeira, 56/1977; a segunda, 36/1990; e a terceira, 51/2004 – verifica-se que a legislação foi "legalizando a poluição": "A primeira portaria diz que pode ter na água para consumo humano 10 metais pesados, nada de solventes, 12 agrotóxicos e nenhum produto de desinfecção doméstica, com exceção do cloro. Já na segunda portaria, editada 13 anos depois, os metais pesados passaram para 11, os solventes para 7, os agrotóxicos para 13 e os produtos de desinfecção passaram para dois".
Hoje, em um litro de água que bebemos, pode-se ter 13 metais pesados, 13 solventes, 22 agrotóxicos e 6 produtos de desinfecção. "Vão poluindo, aumentando o uso de agrotóxico, de metais, de solventes, de desinfetantes e isso começa a ser permitido na água".

Segundo a representante da Anvisa Letícia Silva, em um estudo feito pela UFMT em parceira com a Fiocruz foi encontrado endossulfan em águas de chuva coletadas no Mato Grosso. As pessoas podem estar bebendo água contaminada.

Também é preocupante o fato de que as maiores produções agrícolas do país, que utilizam quase 80% dos agrotóxicos consumidos, encontram-se justamente sobre o aqüífero guarani, maior reservatório subterrâneo de água potável do mundo.


Mas, esses venenos não fazem mal para as pessoas. Não é?
"Aconteceu em outubro de 2009, no interior do Espírito Santo. Foi feita uma pulverização aérea de agrotóxicos em uma plantação de café próxima a uma escola. Os aviões passavam perto da escola despejando os agrotóxicos e as aulas não puderam continuar. Por causa do cheiro forte, as crianças começaram a passar mal e algumas chegaram a desmaiar".
Relato do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) no Seminário Nacional contra o Uso de Agrotóxicos (outubro/2010)
Segundo a Anvisa, "de acordo com os conhecimentos científicos atuais, se ingerirmos quantidades dentro dos valores diários aceitáveis (IDA) não sofreremos nenhum dano à saúde."
O consumo além dessas quantidades pode resultar em diversos sintomas, dependendo de qual a substância ingerida (existem mais de 400 pesticidas liberados no mercado), o nível de exposição a estas e outras substâncias, idade, peso, tabagismo etc. Esses sintomas podem surgir logo após o contato com o produto (os chamados efeitos agudos) ou só após semanas ou anos (efeitos crônicos). Algumas substâncias tóxicas permanecem no nosso organismo por toda a vida.
Os sintomas podem variar de dores de cabeça, coceiras e alergias até distúrbios do sistema nervoso central ou câncer, nos casos mais graves de exposição.
Alguns males agudos e crônicos que podem ser causados pelos venenos:
-Dor de cabeça;
-Tontura, fraqueza, mal estar;
-Tremores no corpo;
-Diarréia;
-Convulsões;
-Desmaios;
-Irritação de nariz, garganta e olhos;
-Náuseas, vômitos;
-Falta de ar, problemas respiratórios;
-Dores no corpo;
-Problemas nos rins e/ou fígado;
-Feridas, queimaduras e alterações na pele;
-Depressão;
-Câncer;
-Distúrbios hormonais;
-Distúrbios neurológicos;
-Problemas reprodutivos;
-Má formação fetal
Carlitos: bebê com deficiências atribuídas a pesticidas
Carlitos, bebê com defeitos de nascença atribuídos a pesticidas.
Dois outros bebês nasceram com defeitos graves (que causaram a morte de um deles), num intervalo de dois meses.
Suas mães trabalharam em campos cultivados com pesticidas, nos EUA, durante a gravidez.

aplicação de agrotóxicos sem proteção adequada: este homem está arriscando sua vida
Quem mais sofre esses efeitos é o trabalhador rural.

É muito importante utilizar equipamentos de segurança (roupa adequada, máscaras, botas, luvas, chapéu, óculos de proteção...) e utilizar os produtos corretamente.
Porém, mesmo tomando-se todas as providências, alguns venenos continuam sendo muito perigosos, como o endossulfan.



E agora? Devo parar de comer salada?

Claro que não!
Mas, então, como proteger a saúde da sua família (e, de quebra, o meio ambiente e saúde dos trabalhadores rurais)?
Dando preferência aos alimentos orgânicos!
Além de não conterem agrotóxicos e não agredirem o ambiente, os orgânicos possuem mais nutrientes que os alimentos convencionais.
E alguns agricultores estão percebendo que sementes produzidas e guardadas por eles são mais produtivas e têm menor custo do que as sementes das multinacionais.

Atenção para o selo de certificação do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (Sisorg), do Ministério da Agricultura:
selo Sisorg de produtos orgânicos
Muitos produtos vendidos como “orgânicos” não têm certificação adequada, podendo ser até enganação para cobrar mais caro do consumidor. Mas esse quadro deve mudar, agora que novas regras para regulamentação passaram a valer em 1º de janeiro deste ano, e os produtos comercializados como orgânicos devem obrigatoriamente conter esse selo.

Eu sei que eles são mais caros e pesam no bolso de muita gente. Mas vale a pena economizar com consultas e remédios mais adiante!
Pelo menos, considere substituir por orgânicos os produtos que mais utilizam agrotóxicos comprovadamente prejudiciais, segundo as análises da Anvisa.

De 20 produtos agrícolas analisados no PARA, aqui está o Top 10 dos alimentos com mais agrotóxicos:

dez produtos mais contaminados por agrotóxicos dentre os 20 avaliados pela Anvisa em 2009
Isto significa que, de cada dez pimentões à venda no supermercado, oito estão contaminados e representam risco à saúde.
A cultura analisada que apresentou melhor resultado foi a da batata, com irregularidades em apenas 1,2% das amostras analisadas.

Outras medidas apontadas pela Anvisa para reduzir a ingestão de agrotóxicos, além da substituição por orgânicos: procurar sempre alimentos de origem identificada, pois isto aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos; preferir alimentos da época; e lavar bem os alimentos com água limpa, deixá-los de molho em água com cloro ou vinagre e depois lavar novamente em água limpa (esse procedimento pode retirar parte dos agrotóxicos presentes no exterior dos alimentos, mas não tira a maior parte deles, que penetra na planta).
Vale lembrar que lavar o alimento é sempre bom, mesmo se ele for orgânico.

Segundo notícia do Correio do Estado, no ano passado o mercado interno de orgânicos cresceu 40% em relação a 2009, e o externo, 30%.
Temos muito a lucrar com o banimento dessas substâncias nocivas. Além de beneficiar a saúde e o meio ambiente, ele também pode ter impactos positivos na economia nacional. Por exemplo: Europa, Japão, Estados Unidos e outros países não importam alimentos com resíduos de cihexatina.
Porém, ainda é preciso mudar a mentalidade da maioria dos agricultores, e com décadas de incentivo ao atual modelo, isso requer um trabalho no sentido contrário.
A pesquisadora da Fiocruz Lia Giraldo aponta que, "como aconteceu antes, quando o crédito rural foi condicionado ao uso do agrotóxico, agora pode acontecer o contrário: ser dado o crédito para aqueles que não usarão agrotóxicos, fazer o inverso e criar uma nova escola de agricultura."

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A Revolução Verde teve graves conseqüências para a sociedade, levando a um aumento na concentração de terras e ao êxodo rural, e para o meio ambiente, verificadas na perda da fertilidade do solo, erosão, perda de diversidade genética, e na contaminação do solo, dos recursos hídricos e dos próprios alimentos pelos agrotóxicos. Quem ganha com esse modelo? As bilionárias multinacionais.
Ironicamente, o modelo que promete (até hoje!) acabar com a fome no mundo leva à concentração de riquezas, à miséria e à fome.

O argumento que tentam nos fazer engolir, de que agrotóxicos, transgênicos e expansão territorial da agricultura são necessários para salvar a humanidade da inanição, é uma mentira.
Existe alimento para todas as pessoas do mundo. Mesmo com o crescimento populacional, é possível alimentar toda a humanidade sem aumentar a produção, adotando práticas como a agroecologia, o combate à desigualdade, e a adoção de uma dieta menos carnívora.
(não apenas temos grandes áreas de pastagem que poderiam ser usadas para o cultivo – a área desmatada na Amazônia para criar gado equivale à de 100 cidades de São Paulo –, como cerca de 40% dos grãos produzidos, sendo da soja quase 80%, servem para alimentação de gado. Uma única peça de picanha exige 75 quilos de vegetais para ser produzida! – então não venham dizer que os vegetarianos são culpados pela expansão da monocultura de soja!).
A tal “salvação da humanidade” está em um novo paradigma, uma nova revolução: um modelo econômico baseado na sustentabilidade.
Se é que ainda temos salvação.