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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Analista ambiental expulsa do RJ à bomba

Especulação imobiliária destrói o meio ambiente e ameaça vidas.

Uma bomba explodiu mês passado na casa de uma analista ambiental do ICM-Bio que trabalhava na região de Paraty (RJ).

Ela concedeu uma entrevista à Folha, na qual fala sobre a pressão da especulação imobiliária na região e das condições precárias de trabalho. Segundo ela, "o trabalho da APA é sabotado (“abandono institucional” foi a expressão usada) para favorecer a especuladores imobiliários e que os fiscais não contam sequer com um barco, mesmo sendo responsáveis pela fiscalização de 63 ilhas."

mansão da família Marinho é uma das construções irregulares em Paraty
A mansão da família Marinho é uma das muitas construções irregulares na região de Paraty...

A mansão utilizada nas filmagens da série Crepúsculo também é uma construção irregular de Paraty
...assim como a mansão utilizada nas filmagens da série Crepúsculo.

Segue a entrevista:

Entrevista com ambientalista do governo expulsa do Rio de Janeiro à bomba
30/04/13 - 07:05
por Andre Barcinski


Dia 9 de abril, uma bomba foi colocada na casa de uma analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A explosão não teve feridos, mas danificou a casa da analista, que trabalha na Área de Proteção Ambiental Cairuçu, em Paraty, no sul fluminense. A Polícia Federal investiga o caso.

A APA Cairuçu é responsável pela preservação de 63 ilhas na Baía de Paraty e de 33 mil hectares (330 km2) de área continental, É a maior concentração de áreas remanescentes de Mata Atlântica da Serra do Mar.

Se os autores do atentado queriam assustar a ambientalista, conseguiram: depois de seis anos trabalhando na região de Paraty, ela acaba de pedir transferência para fora do Rio de Janeiro. “Tenho família e estou com medo.”

Não foi o primeiro caso de profissional que abandonou a Cairuçu: há dois anos, uma fiscal ambiental pediu transferência depois ter dois carros queimados, em 2008 e 2011, na porta de casa.

A vítima deste novo atentado concordou em falar à Folha. Só pediu para não ser identificada. Ela diz que o trabalho da APA é sabotado (“abandono institucional” foi a expressão usada) para favorecer a especuladores imobiliários e que os fiscais não contam sequer com um barco, mesmo sendo responsáveis pela fiscalização de 63 ilhas.


- Qual a sua função na APA Cairuçu?

- Sou analista ambiental. Meu trabalho é emitir pareceres. Eu não sou fiscal. Meus pareceres são usados para embasar o auto de infração feito pelo fiscal. Todos que trabalham na APA são analistas ambientais, mas alguns se capacitam e fazem um curso extra para virar fiscal. Esses fiscais são quem podem ir a campo e dar multas.


- E quantos fiscais trabalham na APA Cairuçu?

- Hoje temos um fiscal e cinco analistas.


- Um fiscal para 63 ilhas e 33 mil hectares? Não é pouco?

- Sim, e este fiscal é nosso chefe, que acumula o trabalho de fiscalização com o de chefia.


- Quando você chegou a Paraty para trabalhar na APA Cairuçu, quais foram suas primeiras impressões sobre o trabalho?

- Cheguei em 2007, quando ainda era Ibama. Fiquei surpresa. Não imaginava que, entre Rio e São Paulo, pudesse existir um escritório tão carente em todos os aspectos. Para você ter ideia, até o ano passado a gente não tinha nem limpeza nos banheiros. Temos uma área insular para fiscalizar e não temos barco. Quem banca o barco, e mesmo assim alugado, é o S.O.S. Mata Atlântica. Percebi que, ao longo dos anos, o abandono institucional do escritório fez com que muitas ocupações irregulares fossem surgindo na área. A sensação que dava era que seria interessante que a gente não funcionasse, para esses especuladores imobiliários poderem atuar.


- Quais os principais problemas que você verificou nesses seis anos?

- Aqui existe especulação imobiliária de luxo na costeira e nas ilhas. Tem privatização de praias, que também é promovida pela classe alta. Claro que temos conflitos ligados a classes sociais mais baixas, mas são conflitos menos impactantes. Geralmente é o morador das ilhas que não tem fossa e que joga esgoto nos córregos. Também é um problema, mas é bem mais fácil resolver.


- Você diria que os principais problemas são ligados a casas de luxo?

- Sim, os maiores conflitos são ligados a mansões de veraneio e ocupação irregular das ilhas. Claro que essa ocupação irregular interessa a vários grupos, desde os comerciantes locais que querem abrir negócios nas ilhas aos veranistas de luxo.


- E a privatização das praias, como ocorre?

- Há pouco tempo, fizemos uma operação para combater essas privatizações. Batizamos a operação de “Farofa 1”. Fomos às praias à paisana, mas fomos abordados até por seguranças armados. Também fomos filmados e fotografados, e acho que isso pode ter dado problema para mim também. Essa operação foi só na costeira. Íamos fazer a operação “Farofa 2”, que seria nas ilhas, mas agora não vou mais fazer, vou embora.


- Em que praias ocorreram essas abordagens de seguranças?

- No Saco do Mamanguá tem privatização de praia. E na costeira de Paraty também. Lá os seguranças nos filmaram e fotografaram. E ali já teve ação judicial para tirar estruturas particulares deles. Já fizemos relatório e mandamos para o Ministério Público. A mansão tem uma piscina na areia da praia e seguranças armados. Eles abordam quem chega à praia.


- Qual seria a intenção de quem mandou colocar uma bomba na sua casa?

- Na região de Paraty existe uma intenção de alterar o decreto da APA que protege as ilhas. Esse decreto é de 1983. Existe um movimento, que tem apoio de alguns vereadores e políticos locais, para flexibilizar esse decreto, anistiar quem fez coisas erradas e permitir a especulação imobiliária nas ilhas. Esse movimento é ligado a grandes especuladores e a grupos ligados aos veranistas de luxo.


- Você acredita que esse movimento pode conseguir mudar a lei?

- Não sei, mas tenho certeza que esses conflitos não estão resolvidos e vão dar muito o que falar.


- Como foi a decisão de pedir transferência de Paraty?

- Eu vim morar em Paraty para estar perto da natureza e ajudar a protegê-la e para viver sossegada, mas estou vendo que nem a natureza está sendo protegida e nem eu estou vivendo em paz. Tenho família e não dá para trabalhar aqui com meio ambiente. Essas pessoas realmente querem um lugar sem lei entre Rio e São Paulo, que elas possam privatizar e usar como quiserem. E conseguiram.


P.S.: Há pouco mais de um um ano, chamei a atenção para uma reportagem da revista norte-americana “Bloomberg Markets” que trazia fotos e mais informações sobre as mansões construídas irregularmente em áreas de preservação. Você pode ler meu texto aqui.
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sábado, 6 de abril de 2013

Pela saída do ruralista Blairo Maggi da Presidência da Comissão de Meio Ambiente do Senado

As raposas estão dominando os galinheiros!
Não podemos permitir!


Parece piada de mau gosto...
Além do racista e homofóbico deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da câmara, também temos o ruralista Blairo Maggi (PR-MT), ganhador do prêmio Motosserra de Ouro do Greenpeace, na presidência da Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado.

ruralista Blairo Maggi é o novo presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado

Maggi, grande produtor de soja, foi governador do Mato Grosso durante sete anos, até deixar o cargo em 2010 para se candidatar ao Senado, e seu mandato foi repleto de escândalos (mais informações na reportagem O fim da era Maggi, de Andreia Fanzeres).

Um abaixo-assinado está sendo divulgado, pedindo a renúncia de Maggi da presidência da CMA.
Clique aqui e ajude a demonstrar que os brasileiros não querem desmatadores tomando conta do nosso meio ambiente!

Mais informações:
Comissões de Direitos Humanos e de Meio Ambiente do Congresso são tomadas por seus inimigos
O silêncio da sociedade sobre Blairo Maggi na Comissão de Meio Ambiente do Senado
O fim da era Maggi

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

#greenwashing: Ser "reciclável" não basta!

Tempo para escrever postagens decentes anda em falta, para quem ainda não reparou...
Hoje quero apenas fazer um desabafo, escrito assim, no fluxo dos meus pensamentos, sem referências nem nada.

Ser "reciclável" não basta para ser sustentável.

Eu fico muito irritada quando leio em embalagens plásticas e tetra-pak ou vejo em comerciais de produtos como a Coca-Cola que suas embalagens são recicláveis e, portanto, ao comprá-las o consumidor estaria fazendo "bem" para o meio ambiente.

De que adianta ser reciclável, se apenas uma porcentagem muito ínfima do lixo reciclável no Brasil é, de fato, reciclado? Se o mais provável é que essas embalagens acabem num aterro ou jogada por aí, causando enchentes e poluindo terras e mares com materiais que podem levar centenas de anos, ou mais, para se desfazer?

Por acaso na fabricação desses produtos não está havendo gasto de matéria-prima? Eles não usam petróleo que causa guerras e polui os rios e oceanos, minérios cuja exploração também gera miséria e abre verdadeiras crateras na terra, árvores que podem até ser de "reflorestamento" mas ocupam o espaço que poderia ser de matas nativas ou aproveitado para a produção de alimento......?

Todos esses produtos que se anunciam como super ecológicos e sustentáveis por serem recicláveis estão fazendo PROPAGANDA ENGANOSA.
Sim, eles podem anunciar que são fabricados com material reciclável quando o forem, mas isso é O MÍNIMO que eles devem fazer, e produtos feitos com materiais que não são recicláveis, reutilizáveis ou biodegradáveis devem ser evitados SEMPRE.
Mas essas empresas querem convencer as pessoas a ficar de consciência tranqüila quanto ao impacto ambiental que ESTÃO GERANDO, SIM!, e comprar cada vez mais.

Consumismo é um conceito diametralmente oposto à sustentabilidade.
Por mais "ambientalmente correta" que seja a embalagem, você estará sendo muito mais sustentável se NÃO comprar a Coca-Cola na garrafa PET ou o suquinho na tetra-pak!

Além disso, essas embalagens todas seriam bem mais "verdes" se fossem feitas de material reciclADO, ao invés de simplesmente reciclÁVEL. Será que ninguém se toca disso?
Por que alardeiam tantos produtos reciclÁVEIS, se quase nada é feito de material reciclADO? Quem compra esses produtos não se pergunta PARA ONDE VÃO depois? Ninguém acha estranho?

Mas todo mundo que já tentou comprar sabe que produtos reciclados são mais difíceis de encontrar e muito mais caros.
E por quê? Porque não há incentivo para a reciclagem em larga escala. A enorme maioria, mais de 90%, do lixo reciclável produzido no Brasil não é reciclada.
Falta investimento. A coleta seletiva é inexistente ou ineficiente, não há centrais de reciclagem suficientes...

Mas para obras megalomaníacas para exploração de petróleo, minérios, madeira e outras matérias-primas há incentivo, sempre houve, e esses materiais, cuja obtenção causou tanto estrago, acabam saindo a preço de banana...

As empresas deveriam ser obrigadas a utilizar embalagens recicladas, ao invés de apenas recicláveis, e desse modo haveria uma transferência de parte do dinheiro investido na extração de matéria-prima para a reciclagem
Claro que isso vai reduzir os lucros das empresas a curto e médio prazo, e as empresas têm muito dinheiro e por isso muito poder político, e dificilmente algum governo teria interesse e força para fazer qualquer coisa nesse sentido...

Mas eu posso sonhar, não posso?

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Quebre gaiolas e plante árvores! Homenagem ao Dia das Aves

se você gosta de pássaros, quebre gaiolas e plante árvores

Pássaro solto é legal. Aprisioná-los é crime!

Se você ou um conhecido seu tem pássaros presos em gaiolas, atenção! Não pode soltar em qualquer lugar.
O bichinho pode não conseguir viver ali, ou pode causar um desequilíbrio ambiental e prejudicar os bichos que já vivem no local.

A soltura deve ser feita por especialistas.
Todo animal silvestre mantido em cativeiro sem autorização deve ser encaminhado a Centros de Triagem do Ibama.

Para informações, reclamações, sugestões e denúncias de crimes ambientais:
Ouvidoria do Ibama: 0800 61 8080

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Poluição pode causar doença auto-imune

Pesquisa brasileira revela novo tipo de doença no Brasil, ligada a fatores ambientais, principalmente à poluição por agentes químicos.
Os números são assustadores! Incidência de 57,6%?!?

Reportagem publicada hoje no Jornal da Ciência:

Publicação revela novo tipo de doença no Brasil

Pesquisa brasileira sobre um novo tipo de doença, a tireoidite química autoimune, foi aceita para publicação em um dos periódicos mais conceituados sobre imunologia, o Journal of Clinical Immunology.

O estudo, da professora de endocrinologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), em Santo André (SP), Maria Angela Zaccarelli Marino, analisou, durante 15 anos, moradores da capital paulista e de quatro cidades do Grande ABC. Ao todo foram avaliados mais de seis mil pacientes e o resultado sugere a descoberta do novo tipo de doença.

A pesquisa teve início após a constatação de muitos casos de tireoidite crônica autoimune na região da divisa entre Santo André, Mauá e São Paulo, onde estão instaladas indústrias do setor petroquímico. Os moradores estudados, de 1989 a 2004, foram acompanhados por consultas médicas e exames laboratoriais de sangue com dosagens dos hormônios tireoidianos.

Foram avaliadas 6.306 pessoas com idades de 5 a 78 anos. De acordo com a pesquisadora, os pacientes foram divididos em dois grupos segundo o local de moradia. Na região próxima ao parque industrial petroquímico estavam 3.356 pacientes do grupo 1. O grupo 2 foi composto por 2.950 de uma região afastada de área industrial.

Os resultados mostraram que, em 1992, somente 2,5% da população do grupo 1 sofriam de tireoidite crônica autoimune. Em 2001, o mesmo grupo já apresentava taxa de 57,6%. Já a população que vivia longe da área químico-industrial não teve aumento significativo no período. Na comparação geral dos 15 anos, o grupo 1 apresentou 905 pacientes com a doença, contra somente 173 do grupo 2. A região que concentra as indústrias petroquímicas tinha cinco vezes mais casos de tireoidite crônica autoimune na comparação com a área residencial estudada.

Os resultados levaram a pesquisadora a sugerir o novo tipo de doença: a tireoidite química autoimune, ligada a fatores ambientais, principalmente à poluição por agentes químicos. "A poluição pode ser o fator desencadeante para formação de anticorpos antitireoideanos, que são substâncias que agridem a glândula tireoide ocasionando a tireoidite crônica autoimune. Os poluentes funcionariam como gatilho para desencadear o problema", detalha Dra. Maria Angela.

A pesquisadora alerta que a tireoidite crônica autoimune está relacionada com outras doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, artrite reumatoide, diabetes tipo 1, hepatite crônica autoimune, vitiligo e lúpus eritematoso sistêmico. "Em crianças, o aumento de casos de tireoidite crônica autoimune foi acima de 40% no período estudado. São dados preocupantes, visto que a doença é a maior causa de hipotireoidismo primário, que se não for tratado adequadamente pode levar a danos irreversíveis".

Gilda Martins descobriu que estava com tireoidite crônica autoimune em 2004, por meio de um exame de rotina. Ela mora em Santo André, perto das indústrias petroquímicas, há 20 anos. "A doença atrapalha muito. Eu sempre fui uma pessoa ativa, não sou parada. Com essa doença eu subo uma ladeira e me sinto cansada, Não tenho mais um bom sono, é a noite toda acordando, fora os problemas respiratórios".

Gilda terá de tomar um medicamente diariamente, até o fim da vida, para repor as substâncias que não são mais produzidas pela tireoide afetada pela doença. "Por não ter uma noite tranquila, fico muito irritada a ponto de explodir, e a pele muito seca, unhas quebradiças", acrescenta.

(Agência Brasil)

domingo, 23 de setembro de 2012

Precisamos de árvores!

Precisa desenhar?

benefícios das árvores na cidade

sábado, 22 de setembro de 2012

Dia Mundial Sem Carro 2012

22 de setembro é o Dia Mundial Sem Carro.
Aproveite para experimentar uma relação diferente com a sua cidade!

Os posters de divulgação abaixo são da página Fast, Free & Fun.

22 de setembro Dia Mundial Sem Carro - pés

22 de setembro Dia Mundial Sem Carro - bicicleta
Que bicicleta linda! Eu quero!!!

Leia também:
O que o carro faz com as pessoas
10 bons motivos para NÃO ter um carro
Você também pode salvar o mundo!
Nós não somos dinamarqueses

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Exemplo: pontes para travessia de animais

A Holanda, país com uma área um pouco menor que a do estado do Rio de Janeiro, possui cerca de 600 travessias para a fauna (às vezes denominadas "ecodutos" ou "faunodutos") em suas rodovias, incluindo pontes e passagens subterrâneas.

E ainda tem gente que quer usar a suposta falta de proteção à natureza em países "desenvolvidos" para justificar uma redução nessa proteção nos países "em desenvolvimento"...

Ponte Borkeld, na rodovia A1, Holanda

Ponte Woeste Hoeve, na rodovia A50, Holanda

Ponte Woeste Hoeve, na rodovia A50, Holanda

Aqui no Brasil ainda são pouquíssimas as estradas com esses acessos, e o atropelamento de animais silvestres é um problema crônico. Não há estatísticas oficiais, mas um levantamento feito há alguns anos por pesquisadores estimou que cerca de 2,5 milhões de animais (vertebrados) são mortos por ano nas estradas brasileiras (fonte).

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Nota de falecimento: Solitário George

O último representante da subespécie de tartarugas gigantes de Galápagos Chelonoidis nigra abingdoni foi encontrado morto ontem no no Parque Nacional Galápagos. Sua idade exata era desconhecida, mas estima-se que tivesse mais de cem anos.

A espécie, endêmica da ilha Pinta, foi levada à extinção pela caça e pela introdução de cabras, que destruíram a vegetação. George foi resgatado da ilha em 1972 por um grupo de caçadores dedicados a erradicar as cabras. Hoje, a vegetação da ilha está se regenerando, porém a perda de biodiversidade é irreversível.

Disso, o solitário George é um símbolo.

24 de junho de 2012, faleceu em Galápagos o Solitário George

"How many ears must one man have
Before he can hear people cry?
And how many deaths will it take 'till he knows
That too many people have died?"
Bob Dylan, Blowig in the Wind

terça-feira, 19 de junho de 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Primeira exibição de Belo Monte, anúncio de uma guerra

No dia 17 de junho, às 19hs, estréia o documentário "Belo Monte, anúncio de uma guerra", de André D’Elia, que mostra conflitos relacionados à construção da hidrelétrica Belo Monte, em Altamira, Pará.

O projeto é independente e foi financiado através de crowdfunding ("financiamento coletivo"), e bateu recorde com mais de 3429 apoiadores.

cartaz da estréia do filme Belo Monte, anúncio de uma guerra, com exibição gratuita 17 de junho

O filme será lançado na internet e exibido, simultaneamente, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. A entrada é gratuita e os ingressos já podem ser retirados.
Mais informações: (11) 3629-1075 ou info@auditorioibirapuera.com.br

terça-feira, 5 de junho de 2012

Dilma anuncia pacote de medidas ambientais

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi celebrado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, este ano.

Em cerimônia no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma transferiu o Riocentro à ONU, simbolicamente, para a realização da Rio+20 de 13 a 22 de junho. Durante a conferência, o local será considerado território da ONU.

hasteamento da bandeira da ONU no Riocentro durante comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente
Simultaneamente à cerimônia em Brasília, hasteamento da bandeira das
Nações Unidas marca Riocentro como território internacional
(foto: Felipe Siston / UNIC Rio)

A presidenta também anunciou um pacote de medidas para o meio ambiente. O pacote inclui a criação de duas Unidades de Conservação, as primeiras do governo Dilma (a Reserva Biológica Bom Jesus, em área de Mata Atlântica no Paraná, e o Parque Nacional Furna Feia, em área de Caatinga no Rio Grande do Norte), a ampliação de outras três (o Parque Nacional do Descobrimento, na Bahia; a Floresta Nacional Araripe-Apodi, no Ceará; e a Floresta Nacional de Goytacazes, no Espírito Santo), a criação do comitê da Bacia Hidrográfica do Paranapanema e a homologação de sete áreas indígenas.

Ainda em relação aos povos indígenas, foram assinados decretos instituindo a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e o Comitê Gestão Integrada das Ações de Atenção à Saúde e de Segurança Alimentar para a População Indígena.

Além disso, Dilma assinou um decreto que define normas de sustentabilidade para as compras públicas, e anunciou a adesão do Brasil ao Protocolo de Nagoia, sobre o acesso a recursos genéticos, e à Convenção de Bonn, sobre a conservação das espécies migratórias de animais silvestres.

Dilma durante a cerimônia de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto
Dilma durante a cerimônia de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente
(foto: Wilson Dias / ABr)

Feliz dia do meio ambiente!

Como você vai comemorar?
Aqui vão algumas dicas:

dicas para cuidar do meio ambiente

Que tal experimentar fazer isso hoje, e adotar pelo menos algumas dessas ações no seu dia a dia?

Lembre-se de que "meio ambiente" não é apenas as florestas.
Sua cidade, sua rua, sua casa também fazem parte dele. Você faz parte dele.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mudanças climáticas são uma questão de gênero?

As ONGs Population Action International (P. A. I.) e #ChangeMob propõem uma discussão muito interessante com o projeto "Sobrevivendo à Mudança", através de exibições do curta-metragem Weathering Change (disponível aqui, sem legendas) acompanhadas de debates.

O filme e o debate são uma preparação para a conferência Rio+20.

cartaz do evento preparatório para a Rio+20, Sobrevivendo à Mudança, com exibição do filme Weathering Change

Até o momento, há três sessões programadas: em São Paulo (para mídia independente e mídia de masas), Brasília (para políticos e assessores) e Rio de Janeiro (para militantes e ativistas). Cada uma delas tem lugar para pelos menos 50 pessoas (para participar, inscreva-se pelo site).
Exibição do filme Weathering Change em Brasília:
Data: 22/05/2012
Horário: 17h30
Local: Plenário 3, Anexo II da Câmara dos Deputados.

Exibição do filme Weathering Change em São Paulo:
Data: 31/05/2012
Horário: 19h30
Local: Auditório Editora Abril, R. Sumidouro, 747, Pinheiros.

Exibição do filme Weathering Change no Rio de Janeiro:
Data: 14/06/2012
Horário: a confirmar
Local: Auditório da Federação Nacional dos Urbanitários - Rua Visconde de Inhauma, 134, 7º andar, Centro.
Caso tenha interesse em promover uma seção na sua cidade, empresa, grupo, entre em contato com a organização do evento (contato@generoemudancasclimaticas.org).
Mais informações e inscrições pelo site www.generoemudancasclimaticas.org

quarta-feira, 9 de maio de 2012

"What A Wonderful World" com David Attenborough

Para lembrar como o mundo em que vivemos (ainda) é lindo.

terça-feira, 13 de março de 2012

Atenção, candidatos: essa é a São Paulo que queremos!

Está rolando no Facebook:

quero São Paulo verde
Os candidatos a prefeito bem que podiam ver esta imagem e tê-la como meta para daqui a 20, 30 anos...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Mostra de Cinema Ambiental em SP, de 15 a 22 de março. Entrada gratuita.

Cartaz da primeira Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental
De 15 a 22 de março, São Paulo vai receber a primeira Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

Entre os 40 títulos confirmados estão o indicado ao Oscar 2012 de Melhor Documentário If a tree falls: a story of the earth liberation front, e Crude (sobre o ecocídio da Chevron no Equador). Também estão na programação o famoso curta-metragem brasileiro Ilha das Flores, de Jorge Furtado; o bastante divulgado (e polêmico) documentário sobre a caça aos golfinhos The Cove, que concorreu ao Oscar em 2010; e o ótimo A Terra da Lua Partida, que eu assisti na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2010 e já comentei aqui no blog.

A programação será guiada pelos temas Ativismo, Povos e Lugares, Consumo, Energia, Água e Mudanças Climáticas. Haverá também um Panorama Histórico, uma Mostra Infantil, uma homenagem ao diretor Adrian Cowell (que fez um trabalho de documentação da destruição da Floresta Amazônica) e 7 debates com especialistas e convidados internacionais. A programação completa estará no site da Mostra em breve.

O evento é uma realização da ONG Ecofalante, que atua na área socioambiental.

As exibições serão realizadas em três salas: Cine Livraria Cultura (Av. Paulista, 2073), Cine Sabesp (R. Fradique Coutinho, 361, Pinheiros) e Museu da Imagem e do Som (MIS - Avenida Europa, 158, Jardim Europa). A entrada é gratuita.

Líder rural ameaçada de morte: "Eu sei que eles vão me matar"

Depoimento de Nilcelene Miguel de Lima, líder rural ameaçada de morte por grileiros e madeireiros do sul do Lábrea (Amazonas):



Trechos do artigo Mesmo com proteção, ativista diz que será assassinada, no Blog do Sakamoto:
"Eles começaram a receber ameaças quando Nilce assumiu a presidência de associação criada pelos pequenos produtores para defender o grupo contra invasões de terra e roubo de árvores. Ao denunciar os madeireiros e grileiros, Nilce foi espancada e teve sua casa queimada em um incêndio anunciado. Em maio de 2011, teve que fugir enrolada em um lençol para despistar o pistoleiro de campana no portão. Depois de seis meses e muitos apelos da Comissão Pastoral da Terra, Nilce entrou no programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Em outubro, uma equipe da Força Nacional foi deslocada para que ela pudesse voltar para casa.

(...) Representantes do governo revelaram que eles também sofrem ameaças do crime local. Houve até um caso de agressão física contra funcionária do Incra. Mas, quando confrontado pela truculência do crime organizado, ao invés de voltar com mais força para enfrenta-la, o governo recua. Movimento que fortalece os criminosos.

Foi assim com o programa de regularização fundiária Terra Legal. Lábrea foi o primeiro município da Amazônia a receber o programa pois está no “Arco Verde” – ocupação que cerca a floresta nativa, onde avança a grilagem e extração de madeira. Mas o processo foi adiado. Devido a ameaças, a empresa contratada para o georeferenciamento não cumpriu o contrato e o governo abriu nova licitação.

Até hoje, nenhum título foi entregue. Pior: o conflito se agravou. Depois de iniciado o processo, a corrida pela terra se intensificou."
Mais informações: leia a reportagem de Ana Aranha em apublica.org.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Carta dos Povos do Cerrado denuncia a grave situação desse bioma

(Encontrei no site do Instituto Humanitas Unisinos)

Carta dos Extrativistas e Agroextrativistas do Cerrado diante da grave situação desse bioma e seus povos
À Sociedade Brasileira

Nós – extrativistas, agroextrativistas, agricultores familiares, assentados, mulheres quebradeiras de coco babaçu, vazanteiros, ribeirinhos, geraizeiros, retireiros e pescadores dos estados de Goiás, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Piauí, reunidos na cidade de Goiânia nos dias 1 e 2 de fevereiro de 2012, após avaliação e análise criteriosa do que vem ocorrendo nos cerrados brasileiros, vimos a público informar e exigir providências imediatas diante da grave situação que se encontra esse bioma e seus povos.

Para isso destacamos:

Até hoje, tanto o Executivo como o Legislativo sequer se dignaram a votar o pleito antigo dos Povos dos Cerrado de considerar nosso bioma como Patrimônio Nacional como são reconhecidos a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica. Por quê? Por quê?

Ignora-se que esse bioma detém mais de um terço da diversidade biológica do país?

Ignora-se que é no Cerrado que se formam os rios que conformam as grandes bacias hidrográficas brasileiras como a do São Francisco, a do Doce, a do Jequitinhonha, a do Jaguaribe, a do Parnaíba, a do Araguaia/Tocantins, do Xingu, do Tapajós e Madeira (da bacia amazônica), além dos formadores da bacia do Paraguai e do Paraná/bacia do Prata?

Ignora-se que estão relacionadas ao Cerrado as duas maiores áreas alagadas continentais do planeta, ou seja, o Pantanal e o Araguaia?

Ignora-se, como disse Guimarães Rosa, que o Cerrado é uma caixa d’água?

O que mais se precisa para reconhecer esse rico bioma como patrimônio nacional? Por que não? Por que não?

Ignora-se que esse bioma é o único bioma que tem vizinhança com todos os outros biomas brasileiros (com a Amazônia, com a Caatinga, com a Mata Atlântica, com a Mata de Araucária)?

Ignora-se que somente essas áreas de contato correspondem a 14% do território brasileiro que somados aos 22% do bioma Cerrado correspondem a 36% do nosso território?

Ignora-se que esses 14% do território de contato com o bioma Cerrado a outros biomas são áreas de enorme complexidade e ainda maior diversidade biológica?

Ignora-se que nessas áreas, particularmente, o conhecimento em detalhe, o conhecimento local, é de enorme valia e que o Brasil detém um acervo enorme desse conhecimento com suas populações camponesas, indígenas e quilombolas que, assim, se mostram importantes para a sociedade brasileira, para a humanidade e para o planeta?

Não se pode ignorar tudo isso que clama por reconhecimento. Exigimos tanto do Executivo quanto do Legislativo que reconheçam o Cerrado, enfim como Patrimônio Nacional. Mesmo assim cabe a sociedade brasileira e a humanidade indagar porque o Cerrado continua sendo esquecido.

De nossa parte, como populações extrativistas e agroextrativistas do Cerrado temos envidados nossos melhores esforços para que tenhamos uma política socioambiental, justa, democrática e responsável.

Aprendemos com nossos irmãos amazônicos, sobretudo com os seringueiros e seu líder Chico Mendes que não há defesa de nenhum bioma sem seus povos. É de Chico Mendes a máxima, “não há defesa da floresta, sem os povos da floresta”. Daí dizermos em alto e bom tom: Não há defesa do Cerrado sem os povos do Cerrado.

O conhecimento de nossos povos e etnias desenvolvido com o Cerrado é essencial para sua preservação. Com todo o respeito que nutrimos pelo saber científico sabemos que o conhecimento e a sabedoria desenvolvidos há milênios e séculos pelos camponeses e indígenas é um acervo fundamental que colocamos a disposição para um diálogo com qualquer outro saber.

Daí a convicção que temos da importância de nosso conhecimento, reconhecido por vários cientistas e pesquisadores do Brasil e do exterior, surgiu a idéia de lutarmos por Reservas Extrativistas no Cerrado. Desde o início dos anos 1990 que vimos nessa luta, sabemos que a política socioambiental não pode se restringir à punição e à fiscalização. Ela tem que ser propositiva e ser positiva. Para isso propomos as Reservas Extrativistas onde nosso conhecimento tradicionalmente desenvolvido pode contribuir para a preservação e conservação do Cerrado garantindo uma vida digna para seus povos. Todavia como andamos?

No balanço que fizemos nesses dois dias de trabalho intenso constatamos que nas 30 Resex’s, tanto nas já decretadas como nas que estão em processo de reconhecimento e regularização, a situação das comunidades foi sensivelmente deteriorada pelo completo descaso das autoridades, sobretudo em resolver o problema fundiário, esse nó estrutural que impede até hoje que a sociedade brasileira seja mais justa e feliz.

O fato dessas áreas terem sido decretadas ou estarem em processo de decretação sem que o problema fundiário tenha sido resolvido, tem feito com que os fazendeiros que deveriam ser indenizados pelo poder público, passem a impedir que a população local tenha acesso para a coletar o baru, o pequi, a fava d’anta, o babaçu e mais de uma centenas de outros produtos com que temos sobrevivido e oferecido à sociedade alimentos, remédios e bebidas.

Desde que o ICMBIO foi criado em 2007 nenhuma Resex foi criada no Cerrado. Olhado da perspectiva dos Povos do Cerrado o ICMBIO não faz jus ao nome de um dos nossos companheiros que morreu por sua justa luta, para afirmar um paradigma, onde a defesa da natureza não se faça contra os povos mas, ao contrário, se faça através deles. Em função dessa omissão das autoridades cuja responsabilidade pública as obriga a zelar pelo patrimônio natural, uma das entidades de nossa articulação entrou com uma ação pública civil junto ao Ministério Público. Todavia, passado 1 ano sequer nossa ação mereceu qualquer resposta por parte do Ministério Público, apesar de ser uma denúncia de prevaricação de um órgão público. A julgar pelos dados oficiais que nos informa que no último ano foram desmatados somente no Cerrado 646 mil hectares, o que perfaz um total de 1.772,33 hectares por dia, podemos dizer que a cada dia que o Ministério Público deixa de se pronunciar e, assim, de julgar o crime de prevaricação, deixa de evitar que mais de mil e setecentos hectares sejam desmatados diariamente. A palavra está com o Ministério Público enquanto a nossa realidade espera com devastação e insegurança. Tudo isso alimenta um lamentável clima de impunidade.

Ignora-se que muitos remédios que curam o glaucoma, a hipertensão arterial depende de frutos colhidos por nós, como é o caso faveira/fava d’anta de onde se extrai mais de 90% da rutina, substância química para esses remédios. Ignora-se, e por ignorância alimenta-se o preconceito, que essas populações podem viver dignamente dessas atividades, como provamos que numa área com 4 arvores adultas de baru se obtém mais renda do que em um hectare plantado com soja.

Enfim, precisamos ter uma política que dialogue com nossa cultura, com nossos povos para que se tenha um viver bem com justiça social e responsabilidade ecológica. Mas para isso é preciso que as autoridades viabilizem as Resex’s no Cerrado. Toda nossa mobilização encontra a desculpa pouco crível da falta de recursos. Bem sabemos que se há falta recurso é preciso estabelecer prioridades. Isso é fundamental na política. Desse modo, a falta de recursos acaba sendo a confissão pública de que as Resex’s no Cerrado não são prioridade. Mas sabemos que o argumento da falta de recurso é um argumento em si mesmo falso. Afinal, o governo tem anunciado publicamente sua eficiência no recolhimento dos impostos que a cada ano engorda mais a receita federal. O nosso governo tem anunciado ainda os sucessivos saldos, nas contas externas, como prova de seu êxito. Se tanto êxito há na entrada de divisas no país e no recolhimento de impostos da receita federal como se sustenta o argumento de que não há recursos?

Mais grave ainda, é o fato de que aqueles que como nós, vimos lutando por essas reservas extrativistas estamos expostos à truculência não só dos fazendeiros que nos impedem o acesso das áreas onde tradicionalmente colhemos, como também da expansão do latifúndio da monocultura de exportação de soja, da monocultura de algodão, da monocultura de eucalipto, da monocultura de pinus, da monocultura de girassol, da invasão de madeireiros, da expansão de carvoarias para fazer carvão para ferro gusa e exportar minério puro para mineradoras que vem crescendo sobre nossas áreas da pressão para a construção de barragens que, via de regra, servem de base para a exploração mineral para exportação. Todos esses setores foram nominalmente citados na avaliação criteriosa das ameaças de cada uma das Resex’s criadas e em processo de criação nos cerrados.

A truculência dos que ameaçam se concretiza na ameaça de morte aos nossos companheiros e companheiras que se vêem obrigados, tal e como na época da ditadura, a viverem escondidos longe de suas famílias. Exigimos das autoridades todas as providências para a garantia das vidas de Osmar Alves de Souza do município de São Domingos/GO; de Francisca Lustosa do município de Tanque/PI, Maria Lucia de Oliveira Agostinho, município de Rio Pardo de Minas/MG; Neurivan Pereira de Farias, município de Formoso/MG, Wedson Batista Campos, município de Aruanã/GO; Adalberto Gomes dos Santos do município de Lassance/MG; Welington Lins dos Santos, município de Buritizeiro/MG; Elaine Santos Silva, município Davinópolis/MA; José da Silva, município de Montezuma/MG.

Responsabilizamos antecipadamente as autoridades pelo que vier acontecer com a vida desses companheiros e dessas companheiras, cujo único crime tem sido o de lutar pela dignidade de suas famílias através da Resex’s. Não queremos que o nome desses companheiros e companheiras venha a se somar ao de Chico Mendes, ao de Dorothy Stang e aos quase 2000 assassinados no campo brasileiro desde 1985, conforme vem acompanhando a Comissão Pastoral da Terra. Temos todas as condições com as Resex’s de oferecer condições de vida digna, com justiça e equidade social com a defesa do Cerrado. Não queremos que nossas famílias venham engordar os dados estatísticos dos que dependem da bolsa família, ou outras bolsas para viver. Respeitamos essa política, até porque a temos como uma conquista do povo brasileiro, mas não vemos como bons olhos o aumento do número dos que vivem dela. A Resex é uma maneira mais sustentável de garantir a sobrevivência digna, como é a reforma agrária. Chico Mendes, dizia que a “Resex era reforma agrária dos seringueiros”. E nós afirmamos que a Resex é a forma de ampliar o significado da reforma agrária ao lhe dar sentido ecológico e cultural.

Este ano o Brasil estará recebendo não só governantes de todo o mundo como diversas populações de todo o planeta na Rio+20. Assim como nós, vários grupos sociais da África, da Ásia e na América Latina que vem sofrendo com avanço sobre suas terras de um agronegócio devastador e uma mineração voraz de minérios e água estarão também aqui presentes.

Esperamos que as autoridades brasileiras estejam a altura de suas responsabilidades de estarem à frente do maior país tropical do mundo e onde se encontram as maiores reservas de água do planeta. Que honre esse fato de ser a tropicalidade caracterizada pela enorme diversidade biológica e que ainda honre por zelar pelo enorme acervo de conhecimentos que está entre as quebradeiras de coco de babaçu, os vazanteiros, os retireiros, os caatingueiros, os pescadores, os geraizeiros para ficarmos com alguns grupos sociais dessa enorme sociodiversidade do Cerrado.

A diversidade biológica e a sociodiversidade, para nós indissociáveis, não podem continuar sendo retórica nos documentos oficiais, sem que haja o rebatimento no orçamento para garantia de solução da questão fundiária. De nada adianta falar de rica biodiversidade se não se garante no orçamento dinheiro para compra de terras.

Sabemos que nossas caras não são as caras que freqüentam as páginas nobres das principais revistas e jornais do país – somos em nossa maior parte mestiços, mulatos, cafuzos, negros, índios, brancos pobres muitas vezes com a cara suja de carvão. Sabemos que o Cerrado tem sido oferecido aos grandes latifúndios do agronegócio, que não só produzem muitas toneladas de grãos, de pasta de celulose, de carnes para exportação como também produzem muita poluição e muito desperdício das águas, produzem muita erosão, produzem monocultura onde há muita diversidade de plantas e animais e ainda produzem muito/as trabalhadore/as rurais sem terras com a concentração de terras e concentram poder econômico e político e, assim, contribuem para por em risco a democracia. Basta ver o poder que tem as empresas de mineração e dos agronegociantes para fazerem propaganda, financiarem noticiários nas rádios, jornais e TV’s onde, via de regra, somos criminalizados e vistos como aqueles que querem impedir o progresso, como se só houvesse uma maneira de progredir, e como se fôssemos o lado errado.

No entanto, estamos aqui cônscios de que temos muito a dar ao Brasil, à humanidade e ao planeta. Nossa luta não será em vão e, por isso, dizemos com o poeta:

Nem tudo que é torto é errado,
veja as pernas do Garrincha
e as árvores do Cerrado”.
Nicolas Behr

Viva o Cerrado!
Viva os Povos do Cerrado!
O Cerrado não vive por si só!
Que a Rio+20 seja a confluência dos diversos rios de resistência pela cultura e pela natureza!

Assinam:

- Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado
- Resex Mata Grande, Davinopólis/MA
- Resex Lago do Cedro, Aruanã/GO
- Resex Recanto das Araras de Terra Ronca, São Domingos/GO
- Resex Chapada Limpa, Chapadinha/MA
- Resex Chapada Grande, Tanque/PI
- Resex Galiota e Córrego das Pedras, Damianopólis/GO
- Resex Contagem dos Buritis, São Domingos/GO
- Resex Rio da Prata, Posse/GO
- Resex Tamanduá/Poções, Riacho dos Machados/MG
- Resex Sempre Viva, Lassance/MG
- Resex Serra do Múquem, Corinto/MG
- Resex Barra do Pacuí, Ibiaí/MG
- Resex Três Riachos, Santa Fé de Minas/MG
- Resex Brejos da Barra, Barra/BA
- Resex Serra do Alemão, Buritizeiro/MG
- Resex Curumataí, Buenopólis/MG
- Resex Retireiros do Médio Araguaia, Luciara/MT
- Resex Areião e Vale do Guará, Rio Pardo de Minas/MG
- Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros e Guias Turísticos do Cerrado – COOPCERRADO
- Cooperativa Grande Sertão
- Cooperativa de Agricultores Familiares Agroextrativistas de Água Boa II
- Associação dos Moradores agricultores familiares de Córrego Verde
- Associação dos Retireiros do Médio Araguaia
- Associação dos trabalhadores da reserva extrativista Mata Grande/MA
- Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu
- Associação dos agricultores familiares trabalhando junto
- Colônia de Pescadores de Aruanã/GO
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Riacho dos Machados/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Lassance/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Buritizeiro/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Jequitaí/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Santa Fé de Minas/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Ibiaí/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Montezuma/MG
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Davinopólis/MA
- Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Tanque/PI
- Coordenação do Pólo Sindical do Pólo de Oeiras/PI
- Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado-CEDAC
- Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas Gerais – CAA
- Projeto Chico Fulô
- Universidade Federal Fluminense
- Federação dos Trabalhadores Rurais de Minas Gerais- FETAEMG

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mobilização em Santos contra o Novo Código Florestal - 12/02

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ATENÇÃO: devido ao mau tempo, a mobilização foi adiada para o dia 26/2, também um domingo
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De volta à Câmara após revisão do Senado, o projeto de reforma do Código Florestal (PL 1876/99) já tem datas previstas para votação – dias 6 e 7 de março.

O movimento Mangue Faz a Diferença, composto por organizações de todos os estados brasileiros que possuem litoral com Mata Atlântica, têm realizado eventos em várias cidades a fim de alertar e mobilizar as pessoas, que culminarão em uma manifestação em Brasília no início de março.
Leia o manifesto da campanha aqui.
Acompanhe notícias da campanha no Facebook: #manguefazadiferenca


No próximo domingo, dia 12 de fevereiro, haverá um ato público na cidade de Santos (SP).
Pretendendo chamar a atenção da comunidade do surf para os impactos que essas regiões sofrem, será realizada uma grande remada em defesa do litoral. A concentração e largada será em frente ao Aquário Municipal, e o percurso vai seguir a orla da cidade pelo mar.
Não-remadores deverão acompanhar o percurso por terra, conversando com os freqüentadores da praia sobre os objetivos da campanha.

Após o ato, haverá uma confraternização em frente ao Aquário, com música ao vivo e sorteios.

Programação:
09h -
Concentração - em frente ao Aquário Municipal
09:30h - Retirada do kit #manguefazadiferenca
10:30h - Saída - Percurso do Aquário ao Gonzaga
11:30h - Manifestação Praça da Bandeira
13:30h - Confraternização - em frente ao Aquário

Veja mais informações no blog da Ecosurfi.